Jogos ao Sábado – Armonia de Uwe Rosenberg

Já que estou numa onda de falar de jogos de Uwe Rosenberg, eis mais um! Neste caso trata-se de um jogo que decorre no mesmo Universo ficcional de Sagani, mas que apresenta mecanismos muito distintos.

Enquadramento temático

Este novo jogo no mesmo Universo de Sagani pretende responder a uma questão que não fica respondida no jogo anterior “Qual a origem das melodias harmoniosas forjadas nos discos de som que acordam os espíritos da Natureza?”. Bem, esta questão (presente na introdução do livro de regras) é nitidamente uma brincadeira!

O jogo pretende ter alguma semelhança visual com Sagani, perceptível na capa e nalguns componentes. A componente visual é a única semelhança. Tal como noutros jogadores de Uwe Rosenberg, o tema não tem qualquer influência no jogo, nem ajuda na percepção de regras ou seguimento das jogadas.

O tabuleiro de jogo. Para ter uma ideia de dimensão, ver a figura seguinte.

O jogo

Armonia tem como objectivo a conclusão de quatro dos seis caminhos por um dos jogadores. O primeiro a concluir vence imediatamente o jogo. A progressão ao longo de cada uma dos caminhos é feita pela obtenção de combinações de valores nos sete dados, existindo seis caminhos, um para cada valor possível a obter no dado.

Cada caminho tem duas fases. A primeira fase é ultrapassada com combinações do mesmo número, podendo ser concretizada de uma só vez com a obtenção de quatro dados com o mesmo número, ou em duas vezes, obtendo-se primeiro dois dados do mesmo valor e numa outra jogada três dados do mesmo valor (ou vice-versa, obtendo-se primeiro três e depois dois).

Após a primeira fase de um caminho, passa-se à segunda, composta por duas peças objectivo. A primeira peça objectivo permanece oculta até que algum jogador ultrapasse a primeira fase. A segunda peça objectivo só é revelada quando algum jogador concretize a primeira. 

Ambas as peças possuem  padrões geométricos que devem ser construídas tendo por base os dados. Mas como construir estes padrões? Empilhando os dados de acordo com as faces que se encontram para cima – para tal existe uma grelha que ajudará a perceber as figuras.

Portanto, na sua vez,, o jogador lança os sete dados. Pode escolher, deste conjunto, quais volta a lançar, até mais duas vezes. Terminado o lançamento dos dados, o jogador observa as combinações de dados e coloca-os na grelha, podendo concretizar, numa só jogada, vários objectivos (quer sejam de dados do mesmo número, quer sejam de construção de padrões geométricos). Se um jogador conseguir finalizar 4 dos 6 caminhos ganha o jogo imediatamente.

Quando algum jogador termina a primeira fase do caminho revela-se a primeira peça. Quando a primeira peça é concretiza, revela-se a segunda.

Componentes

A caixa é muito pequena e possui os seguintes componentes: 6 discos de objectivo por jogador, sete dados, peças de objectivos geométricos, um tabuleiro com os seis percursos e uma grelha para colocação dos dados. Os componentes são razoáveis, sem defeitos a apontar do ponto de vista de qualidade.

Mas se olharmos para os componentes em relação à jogabilidade, existem alguns defeitos que não esperava num jogo de Uwe Rosenberg e que poderiam ser facilmente limados. O tabuleiro contém os seis percursos, com indicação dos caminhos possíveis para cada percurso (os quatro dados permitem ultrapassar a fase numa só vez, enquanto que as combinações de três dados ou dois dados têm um ponto intermédio de paragem).

No entanto, em cada percurso, a posição das setas e dos pontos de paragem difere, sem que haja nenhuma razão lógica para esta diferença, mas provocando alguma confusão na altura de jogar. Por outro lado, a imagem usada no tabuleiro tem demasiados detalhes, parecendo ter sido desenhada para um tabuleiro maior e dificultando a visualização das posições. Ainda, a zona de partida de cada caminho é demasiado pequena quando se joga com quatro jogadores, fazendo com que algumas peças fiquem fora do tabuleiro.

Já a grelha onde se colocam os dados apresentava originalmente uma imagem engraçada, mas depois do pop fica apenas uma confusão de cores sem sentido nem objectivo.

Experiência de jogo

Armonia é bastante diferente de Sagani, tendo em comum, apenas, alguns elementos visuais, sobretudo nos discos de cada jogador e na caixa. A caixa é muito mais pequena, tendo-se tornado um jogo de bolso que facilmente transportamos.

A utilização das mecânicas de poker de dados faz com que as decisões sejam relativamente simples e rápidas, e o jogo flua quer a dois, quer a quatro jogadores. O facto de se poderem concretizar, em simultâneo, vários tipos de objectivos, e o facto de apenas ser necessário terminar quatro dos seis percursos faz com que se tenham de tomar algumas decisões interessantes.

Nas primeiras experiências, a jogabilidade é afectada pela má projecção do tabuleiro. Depois de se perceberem os pontos menos óbvios do tabuleiro, este ponto é ultrapassado.

Exemplo de uma jogada em que se podem concretizar, simultaneamente, dois padrões.

Conclusão

Armonia é um pequeno jogo que tem alguma relação visual com Sagani. É um jogo de rotação de dados onde se tentam obter determinadas combinações, com jogadas rápidas e progressão fluída. Tornou-se num filler que transportamos para algum momento de pausa. 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.