Este pequeno livro (que contém apenas o conto com o título do livro) foi publicado recentemente, em Setembro de 2022 durante o Open day da Start-up Cultural da Arruda. Este Start-up Cultural da Arruda fornece um espaço gratuito e materiais para que os artistas possam, de forma livre e criativa, desenvolver os seus projectos. Em troca, os artistas apresentam à comunidade da Arruda dos Vinhos a sua expressão artística.

Carlos silva terá sido um dos que usufruiu da estadia na Start-up, tendo então apresentado o resultado dessa estadia. E duvido muito que quem tenha criado a Start-up alguma vez tenha pensado que um dos resultados seria um conto de ficção científica futurista, que se centra no papel da Inteligência Artificial numa sociedade onde os interesses de alguns se sobrepõem aos de outros.

A história centra-se pois num rapaz que, tendo ficado órfão, foge com o robot que dele cuida e protege. As autoridades pretendem então separar o rapaz da única entidade que conhece. Mas quando o rapaz encontra uma bruxa local, a história toma contornos curiosos.

O conto é curto e objectivo, contendo apenas o estritamente necessário à história. Tal como o filme A.I., possui alguns ecos de Pinóquio, ainda que de uma forma bastante diferente deste filme. O final possui um desfecho que se afasta do habitual, cruzando elementos futuristas com detalhes de uma fantasia (ou crença) tradicional ou rural. Ainda que seja um excelente conto de ficção científica, diria que o único ponto onde, a meu ver, poderia melhorar, seria na caracterização de personagens, precisando de lhes dar um cunho mais personalizado.