Um dos lançamentos recentes da Arte de Autor foi este Radium Girls, um livro não ficcional que apresenta acontecimentos reais e trágicos que decorreram no início do século XX, centrando-se nas jovens operárias que trabalhavam a pintar os mostradores dos relógios com tinta fluorescente de rádio.

A história começa por nos apresentar a nova operária que rapidamente tece amizades com as restantes. Seguem-se as festas, e a percepção de que, mesmo fora do trabalho, os seus lábios brilhavam no escuro, fruto de usarem os lábios para afiarem os pincéis que eram usados para dispersar o rádio fluorescente nos mostradores.

Mas decorridas algumas páginas o tom é bastante menos festivo, verificando-se que várias das jovens operárias padecem de várias doenças graves, incomuns para a sua tenra idade, sobretudo anemias e necroses, que culminam com a morte de algumas. Estas doenças são ignoradas (ou ocultadas) pelas fábricas, fazendo com que várias continuem com a prática de exporem os lábios aos pincéis que as matam.

Apesar de ser não ficcional, a abordagem narrativa começa por nos apresentar e desenvolver várias das personagens operárias, o que permite criar simpatia e empatia por elas, bem como com o que lhes irá acontecer. Mesmo o relato das doenças é mostrado em primeira mão e não simplesmente relatado, realçando também a coragem que tiveram em enfrentar as grandes empresas por detrás das suas doenças.

Claro que, no decorrer dos acontecimentos, é impossível não falar da responsabilização das empresas, com a luta por condições de trabalho dignas onde o trabalhador não seja simplesmente descartado pelas doenças que adquiriu nas suas funções. Mas mesmo nesta abordagem, é uma narrativa envolvente, uma homenagem às jovens operárias que padeceram da sua actividade nas fábricas.