Depois de dois volumes bastante diferentes em abordagem (Every heart a doorwary introduz o conceito ao mesmo tempo que explora uma sucessão de crimes macabros num colégio de jovens que viajaram para mundos diferentes do nosso e Down Among the Sticks and Bones apresenta a história de duas gémeas que vão parar a um reino fantástico de vampiros e cientistas que experimentam com cadáveres), Beneath the sugar sky desenvolve uma demanda heróica para recuperar o destino de um reino fantástico feito de doces.

Children have always tumbled down rabbit holes, fallen through mirrors, been swept away by unseasonal floods or carried off by tornadoes. Children have always traveled, and because they are young and bright and full of contradictions, they haven’t always restricted their travel to the possible. Adulthood brings limitations like gravity and linear space and the idea that bedtime is a real thing, and not an artificially imposed curfew. (…) Childhood melts, and flights of fancy are replaced by rules. Tornados kill people: they don’t carry them off to magical worlds. Talking foxes are a sign of fever, not guides sent to start some grand adventure.

A história acompanha um grupo de crianças do colégio, mostrando como Rini chega, caída dos céus, em busca da mãe, Sumi. Mas Sumi terá falecido no colégio (resultado dos assassinatos no primeiro volume) pelo que Rini mostra sinais de estar a desaparecer lentamente. Um grupo de estudantes junta-se assim para recuperar Sumi, começando por uma visita ao cemitério para recuperar o esqueleto (com a ajuda de Chris que possui uma flauta que literalmente anima os ossos) e seguindo-se ao reino do Senhor da Morte para que lhes indiquem os próximos passos.

Já no reino fantástico de onde Rini é original, percebemos que se trata de um mundo Nonsense, onde as regras habituais não fazem sentido, e onde as personagens não podem tentar impor a sua racionalidade. Tudo é feito de doces. Mas neste reino encontra-se uma déspota no governo que terá de ser deposta – dizendo as lendas que tal será a missão de Sumi. O grupo terá como missão não só recuperar Sumi, mas garantir que Rini nasce e que tudo acontece como deveria. Sim, neste mundo, o tempo flui nitidamente de forma diferente.

Neste livro são apresentados diferentes mundos fantásticos com regras próprias. Mas cada mundo é o local onde uma (ou várias) crianças se podem sentir elas próprias e adaptarem-se ao que as rodeia. Aqui vão encontrar um lugar onde pertencem e onde se podem aceitar, independentemente dos supostos defeitos físicos, das diferenças psicológicas ou da identidade. É, assim, expectável que se sintam desiludidas quando por engano retornam ao mundo, muitas não se adaptando e vivendo em constante busca pelo reino fantástico que deixaram.

A história deste terceiro volume vai apresentar de forma mais ou menos directa alguns casos desta adaptabilidade. Nadya tem uma deficiência física que faz com que os pais adoptivos desejam agradecimento por a terem acolhido. No mundo fantástico que visita ao invés de um braço prostético passa a ter um braço mágico que a faz sentir especial e aceite. Já Cora sofre todos os preconceitos para com as pessoas com excesso de peso, apesar de ser extremamente atlética e activa.

Para além desta aceitação e possibilidade de se libertarem de preconceitos para poderem ser simplesmente o que são, a história apresenta a união que cresce entre os jovens do colégio, unidos pelas suas diferenças, e compreendendo facilmente que as necessidades divergem entre eles, sem ridicularizarem os pontos fracos ou fortes de cada um. Claro que existe alguma dinâmica típica própria da idade, mas não explora as fragilidades.

Ainda que este volume seja um pouco maior do que os anteriores, explorando vários espaços, resultado do percurso necessário para uma demanda, a história apresenta-se, tal como as anteriores, com reduzidas deambulações, apresentando quase apenas os episódios essenciais à história – ainda que, neste volume, existam algumas explicações excessivas sobre o tipo de mundos que podem existir. Para além desta narração relativamente contida, a história possui uma aura de estranheza que causa algum fascínio, pelas ideias originais e curiosas que vão surgindo.

Apesar de estar a gostar da série Wayward Children e de pretender ler os seguintes, não posso dizer que seja uma das melhores séries que tenho lido. Tem alguns pontos a limar, mas é atraente pelos conceitos apresentados e pelos percursos diferentes que vai desenvolvendo a cada volume, seguindo modelos narrativos diversos.