Deadpool – Misturada sem juízo / Guerra, Paz e Batatada – Vol. 1 e 2 Minissérie Deadpool

Os dois primeiros volumes da minissérie Deadpool cumprem a minha expectativa para esta série:  episódios mirabolantes, violentos e corrosivos, centrados numa personagem psicologicamente pouco equilibrada.

No primeiro volume, de título Misturada sem juízo, Deadpool tem um novo cliente – um jovem que procura a sua protecção para poder escapar aos múltiplos criminosos que querem a sua cabeça. As provas encontram-se num portátil que cabe, também a Deadpool, guardar. Entre longas idas à lixeira (não perguntem porquê, a sério… ) e encontros com vilões, todo este volume está carregado de reviravoltas inesperadas.

Já em Guerra, Paz e Batatada, os mercenários que trabalham para Deadpool (Heróis de Aluguer) sentem-se financeiramente enganados e pretendem acabar com os contratos que os vinculam à empresa. nem que para isso tenham de arrombar um banco. Já Deadpool anda mais preocupado com outras questões, envolvendo os Vingadores.

Os dois primeiros volumes da minissérie Deadpool apresentam duas histórias estanques e divertidas, onde se reconhece o espírito trapalhão de Deadpool, não faltando as falhas de memória, os desaparecimentos rápidos e as piadas usuais no meio dos episódios de batalha.

A minissérie Deadpool é publicada em Portugal pela Goody.

Novidade: Fantomius vol.3 / 5

O terceiro volume já anda pelas bancas há algumas semanas! Ainda só li o primeiro volume e tenho a referir que gostei bastante do maior formato, com papel de melhor qualidade e alguns extras que afastam esta mini série do formato mais banal da Disney. Eis detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

As aventuras de Fantomius estão de regresso com mais quatro histórias incríveis do famoso Ladrão Cavalheiro.
Em Silêncio na Sala vamos acompanhar o roubo da mais preciosa das esmeraldas, num cenário de requinte e glamour clássico de Pollywood. Em A Maldição do Faraó estão em jogo os achados do túmulo de Tutanquackmon, com a presença de uma múmia assustadora que tudo fará para proteger esse tesouro valioso. Este volume inclui ainda A Oitava Maravilha do Mundo, aventura que bebe inspiração no clássico King Kong que em 1933 atraiu multidões às salas de cinema. Por fim, em Fantomius na Neve, os leitores irão viajar até a uma famosa estância de esqui, próxima de Patópolis, frequentada por nobres e ricaços. Será neste local que vai decorrer o aniversário da Baronesa de Pimbalis, evento durante o qual o marido lhe vai oferecer um preciosíssimo conjunto de diamantes. Tudo isto e muito mais num volume repleto de grandes aventuras e muita diversão.

Histórias
A Máscara de Fu Man Atchu
O Tesouro de Barkserville
O Tesouro do Doge
O Nobre Atrás da Máscara

E ainda uma nova entrevista a Marco Gervasio, o criador da série que, em discurso direto, revela informações interessantes sobre as principais inspirações, ambientes e personagens que o slleitores podem encontrar nas histórias da Fantomius.

Battle Pope -Kirkman, Moore e Staples

Herege, idiota e divertido – nesta banda desenhada a influência de Deus na Terra parece ter desaparecido e os demónios sentem-se livres para andar pelo Mundo, impondo as suas vontades nos humanos. Não contam com a existência de um Papa guerreiro, treinado em artes marciais e muito pouco puro no que diz respeito a práticas.

O livro começa com o enfrentar de demónios para salvar uma donzela e depressa evolui para uma missão concedida por Deus para salvar um arcanjo. Acompanhado por um Jesus ridículo e fraco (quase cómico) o Papa (agora com maiores músculos) dirige-se ao Inferno para enfrentar tudo e todos, tendo como objectivo atingir o Paraíso!

E não se pense que o Paraíso é um local aborrecido, pois nem só os puros chegam ao céu. Outrora o anjo que guarda as portas do Paraíso aceitava favores sexuais em troca da entrada, pelo que podem-se encontrar várias pessoas interessantes no céu.

Em Battle Pope corrompem-se todas as personagens principais da Igreja Católica, desde os anjos ao Papa, passando por freiras e por Jesus Cristo, como forma de construir uma paródia movimentada e pouco profunda. Battle Pope é uma leitura inconsequente mas divertida que poderá não agradar a todos os leitores, principalmente aos que sejam religiosos.

Novidade: Guardiões da Galáxia – Vol. 3

Encontra-se nas banca, desde ontem, o terceiro volume da série Guardiões da Galáxia! Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

OS GUARDIÕES PRECISAM DE AJUDA. Os Guardiões da Galáxia têm uma das mais complexas missões da sua história… procurar e proteger as­ pedras do infinito que têm estado em local incerto. Para complicar o cenário, parte da alma de­ Gamora está aprisionada na pedra da alma e o jardineiro mostra-se como responsável pelo estado mais débil de Groot. Como se tudo isto não fosse suficientemente duro para uma equipa à beira de ­rutura, Loki aparece em cena para se aproveitar dos esforços do nosso gangue. Precisará a equipa de um novo guardião que os ajude a cumprir a missão?

Conteúdo:

ALL NEW GUARDIANS OF THE GALAXY (2017) #3, #5, #7, #9 E #11-12 — POR GERRY DUNGAN, FRAZER IRVING, CHRIS SAMNEE,
GREG SMALLWOOD, MIKE HAWTHORNE, ROLAND BOSCHI, ROD REIS

Novidade: Gente de Dublin

Gente de Dublin é o volume desta semana da colecção novela Gráfica! Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Gente de Dublin, é um romance gráfico centrado na vida de uma das grandes figuras literárias do século XX, James Joyce,  com publicação a 1 de Agosto.

Para levar a cabo Gente de Dublin, Alfonso Zapico, prémio autor revelação em 2010 no Salão Internacional do Comic de Barcelona, investigou durante três anos, com obsessão absoluta pelos detalhes da vida e obra deste génio universal da Literatura que foi James Joyce.

Zapico começa por contar a azarada vida do pai de James, John Joyce, a sua infância e adolescência… até à idade adulta. Deste modo o leitor tem oportunidade de assistir a todo o tipo de anedotas e experiências, narradas de forma magistral, e com um desenho elegante, onde se vê reflectida a época com todo o seu esplendor histórico. É também uma viagem cativante de comboio através de Dublin, Trieste, Paris e Zurique, as cidades por onde passou  o  escritor irlandês, além de mostrar também outros aspectos da vida quotidiana, como a moda da época. Um verdadeiro trabalho de erudição documental que não deixará o leitor indiferente.

Ao longo da história assiste-se também ao encontro de Joyce com personalidades como  Henrik  Ibsen,  WB  Yeats, Ezra Pound, HG Wells, Bernard Shaw, TS Eliot, Virginia Woolf, Paul Valéry, Marcel Proust, Ernest Hemingway, Samuel Beckett, Sergei Eisenstein, Henri Matisse, André Gide, Le Corbusier e até Lenine.

Este  trabalho  valeu  ao  desenhador  e ilustrador  asturiano  o  Prémio  Nacional del Comic, a mais elevada distinção espanhola  para  uma  novela  gráfica,  no ano de 2012.

 

 

 

Resumo de Leituras – Julho de 2018(5)

124 – Amatka – Karin Tidbeck – É difícil encontrar uma temática minimamente original mas em Amatka encontramos alguns elementos interessantes e originais! Numa sociedade de regime autoritário, ligeiramente distópica, os objectos precisam de ser recordados constantemente para manter a sua forma, e quem não toma cuidado para que assim seja, é um traidor, dado que é esta constante manutenção da forma que se torna o centro da sociedade, a forma de manter uma ilusão contra a qual muitos se rebelam;

125 – 7 vidas – diário de vidas passadas – André Diniz e Antonio Eder – O autor apresenta a sua própria experiência com a regressão e a forma como esta o ajudou com episódios de aflição que sofria de vez em quando. Vida após vida, as regressões mostram-lhe o que foi anteriormente, e como as várias existências se interligam;

126 – Os fabulosos feitos de Fantomius – Vol.1 – Num formato maior do que é habitual, e com maior qualidade de impressão, a Goody lançou recentemente três novas séries Disney. Este primeiro de Fantomius centra-se numa personagem interessante, um ladrão inteligente que tece os mais complexos golpes, para dar aos pobres o que ricos convencidos amealham. Trata-se de um volume com extras (arte e entrevistas) que se afasta dos típicos volumes Disney;

127 – Free Lance – Diogo Carvalho e Nimesh Moraji – Com a disponibilização, na Convergência, de uma série de livros de edição de autor ou de pequenas editoras, adquiri este Free Lance, um pequeno volume com duas histórias de um cavalheiro oportunista onde são tornados cómicos alguns episódios típicos das histórias de cavalheiros.

Novidade: Os Guardiões da Galáxia Vol.2

Encontra-se nas bancas, desde dia 25 de Julho, o segundo volume da série Guardiões da Galáxia, publicada pela Goody. Deixo-vos sinopse, bem como detalhe de conteúdo e páginas disponibilizadas pela editora:

Os Guardiões da Galáxia reúnem-se para um último golpe. Mas o que deveria ter sido apenas mais um assalto no formato “destrói e leva”, rapidamente se transformou num evento caótico… E tudo porque Gamora tinha um plano secreto para adquirir uma das pedras do Infinito.

Neste plano secreto Gamora trai tudo e todos, – incluindo dois anciões do universo – deixando os Guardiões da Galáxia perdidos no meio de toda a confusão. Com a equipa à beira da dissolução, Drax numa onda de “mindfulness” e Groot com cada vez menos energia, existe pouca esperança que os seus objetivos sejam alcançados.

Conteúdo:
All New Guardians of the Galaxy: Comunication Breakdown
All-New Guardians of the Galaxy (2017) #1,2,4,6,8,10

 

 

Tony chu 9 -John Layman e Rob Guillory

Este nono volume é uma ode ao galo Poyo, dando-lhe grande protagonismo e mostrando-o como um dos heróis desta série. De poucas palavras mas grandes acções, Poyo viaja por todo o planeta e entre mundos para combater a corrupção e os vilões, entre os quais se destaca um legumante capaz de levantar os vegetais das suas covas e fazê-los combater.

Paralelamente, acompanhamos o sucesso profissional de Tony Chu (que para o seu antigo chefe continua a ser considerado incompetente) e o casamento! No entanto, nem tudo corre bem – a lua de mel é cortada por acontecimentos de importância nacional, e a filha adolescente transforma-se, sem Tony saber, numa agente secreta, competente em várias técnicas de luta!

Por seu lado, os heróis continuam a preparar-se para enfrentar o maior vilão de todos os tempos, alguém capaz de absorver inúmeras capacidades fazendo com que seja impossível prever aos agentes todos os poderes que já absorveu.

De visual arrebatador, divertido e muito colorido, este nono volume é, sobretudo, um volume de consolidação e de desenvolvimento de várias histórias paralelas – fortalecem-se alguns relacionamentos, quebram-se outros, mas abrem-se, também, algumas brechas emocionais que fazem crescer a antecipação de um grande desenlace.

A série Tony Chu é publicada em Portugal pela G Floy.

Resumo de leituras – Julho de 2018 (4)

120 – Love Star – Andri Snae Magnason – O que pretendia ser o paraíso tecnológico dos seres humanos, uma companhia fascinante e economicamente bem sucedida, facilmente se torna numa distopia controladora. Não que este controlo seja directo. Mas através da pressão social (sobre como encaixar melhor na sociedade e demonstrar ser bem sucedido) instigam-se as pessoas a consumir determinador produtos. Catastrófico e muito pouco amoroso, Love Star surpreendeu por ser tão corrosível;

121 – Afirma Pereira – Pierre-Henry Gomont – Não li o livro de Tabucchi. Infelizmente. Mas a adaptação permite absorver a história sem maiores introduções (apesar de deixar a curiosidade por ler o livro). A história passa-se durante o Estado Novo, em torno de um jornalista que se deixa corromper pelo ajudante revolucionário. Inicialmente preso nos seus hábitos, por desgosto e comodidade, o jornalista revolta-se e faz o pouco que pode pela revolução;

122 – Espero por ti na próxima tempestade – Robert Yves O género romance não é o meu tipo de leitura, mesmo quando possui alguns detalhes de surrealidade. Ainda assim, já conhecia o autor de outras andanças e gostei da história que teceu – uma história de encontros e desencontros, de simulações e dissimulações;

123 – One-punch man vol.3 – No terceiro volume este herói anti cliché regista-se oficialmente como herói. A componente interessante deste volume encontra-se na forma como contrasta com os restantes heróis, de posturas dramáticas e carregados de uma suposta importância, mas de capacidades que não se comparam às no One-Punch que dá cabo de qualquer monstro só com um murro.

O Farol / O jogo lúgubre – Paco Roca

A presença de Paco Roca na colecção Novela Gráfica (publicada pela Levoir em parceria com o jornal Pùblico) já começa a ser habitual. Felizmente. Do autor têm sido publicadas várias obras, e desta vez são publicadas duas histórias num só volume – duas histórias algo diferentes do que é usual do autor, sobretudo a segunda, de carácter mais fantástico, ainda que possua traços reconhecíveis do autor.

A primeira história começa com os tempos conturbados da guerra civil espanhola centrando-se num rapaz em fuga do país para não ser fuzilado. A corrida dirige-o para o mar e quase se afoga mas é salvo por um faroleiro que sobrevive pescando o que o mar lhe traz. Esquecendo, lentamente, as guerras civis, como numa espécie de pausa, paraíso fora do plano terreno, o rapaz restabelece-se e aceita os sonhos do velhote numa cumplicidade de fascínio e esperança. O velhote sonha com o dia em que partirá para uma ilha, onde várias maravilhas o esperam.

A segunda história é uma história de horror. Algo pouco típico do autor, mas que ele própria indica como sendo das suas primeiras obras, baseando-se numa antiga banda desenhada que encontrou. Aqui tenta reproduzir o aspecto facsimilado dessa antiga banda desenhada e apresenta os pesadelos que assombram um jovem por ter vivido na casa de um artista demoníaco.

Ainda que o teor da história seja bastante diferente do que é usual para Paco Roca, reconhece-se a forma como aborda personagens e como desenvolve a história com pequenos detalhes que podem ser inferidos. A história quase parece ter duas camadas distintas. Uma que diz respeito ao trabalho do jovem como assistente do artista (que lhe provoca pesadelos e insónias) e outra que o relaciona com uma rapariga da aldeia com a qual simpatiza.

Na primeira história fala-se de esperanças vãs e sonhos vazios, perspectivas que os homens constroem para não enfrentarem as adversidades com que se deparam – o farol torna-se no local da espera eterna, onde o tempo se suspende. Por sua vez, no segundo conto, o tempo é pesado, corre lentamente e os pesadelos (reais e sonhados) possuem uma elevada carga psicológica. Aqui o local onde se encontra a personagem sobrecarrega-se de más experiências.

Ainda que não estejam entre as melhores do autor, são duas histórias bastante compostas, agradáveis e que conseguem transmitir grande empatia para com as personagens.

Este volume, contendo as duas histórias de Paco Roca, foi publicado pela Levoir na colecção Novela Gráfica em parceria com o jornal Público.

Os Fabulosos Feitos de Fantomius – Ladrão Cavalheiro 1/5

Depois de uma reorganização nas revistas Disney pela Goody, a editora lança este primeiro volume de uma pequena série que tem um formato e qualidade bastante diferente das restantes.  De página maior, papel lustrado, esta edição apresenta, entre as histórias do mirabolante ladrão cavalheiro, entrevistas e esboços. Fala-se da dinâmica das personagens e da inspiração para as histórias.

Algumas histórias de Fantomius já tinham aparecido noutros volumes das revistas Disney, onde se explica como Fantomius conheceu Dolly Paprika, cúmplice e companheira. Os dois formam uma dupla charmosa e imparável, arquitectando novos golpes para distribuirem os lucros pelos mais necessitados. As suas vítimas são, sobretudo, ricos prepotentes e ansiosos das suas riquezas.

Fantomius tem, claro, um arqui-inimigo, o Comissãrio Pinko que tenta descobrir a verdadeira identidade do ladrão e apanhá-lo. Fantomius consegue, entre várias façanhas, ser preso e mesmo assim, continuar a fazer golpes e ocultar quem é. Pinko é, assim, a personagem que confere o ridículo às histórias, o eterno investigador frustrado que ignora as pistas mais óbvias.

Neste primeiro volume não faltam referências a personagens famosas (como Hercule Poirot) nem invenções fantásticas. É que Fantomius é ajudado pelo Copérnico Pardal, um inventor fabuloso, mas bastante distraído, que fornece a Fantomius os mecanismos prefeitos para desempenhar os golpes.

A série Fantomius é publicada em Portugal pela Goody e terá cinco volumes.

One-Punch Man – Vol.3

De leitura leve e divertida, One-Punch Man centra-se num poderoso mas pouco típico herói. De cabeça rapada e capaz de dar cabo de qualquer monstro num único murro (resultante em lutas anti clímax que terminam mais rapidamente do que começaram) Saitama resolve inscrever-se, por indicação do seu pupilo, na associação dos heróis.

Ambos realizam os testes mas Saitama é englobado num dos escalões mais baixos, tendo de realizar pequenas acções como herói frequentemente para manter o seu estatuto. Na realidade, Saitama é bem mais forte do que oficialmente se classificou, mas a sua postura algo insolente e descontraída irrita outros heróis que se julgam bastante mais importantes.

Este volume torna-se bastante movimentado e divertido pelo contraste de Sataima para com os heróis típicos, de posturas distantes e calculistas, carregados de uma suposta importância e poder. Sataima afasta-se dos assuntos mundanos quando confrontado com monstros que derrota facilmente, sem todos os gestos e apresentações trágicas que costumam anteceder a entrada de um herói em cena.

A série One Punch Man é publicada em Portugal pela Devir.

Resumo – 2º trimestre de 2018

Se o primeiro trimestre já tinha começado bem, este segundo permitiu a consolidação das novas vertentes do Rascunhos, apesar dos contratempos pessoais (mudança de casa e novos projectos profissionais). As visualizações ultrapassaram as 26 000 mantendo a tendência do primeiro trimestre, e continuei com a nova vertente do Rascunhos na rádio (na Voz Online, onde falei sobre livros, sozinha e acompanhada, bem como de eventos como o Sci-fi LX – os programas encontram-se disponíveis também na Mixcloud). A componente de jogos de tabuleiro prosseguiu mais lentamente, mas estabeleci a minha primeira parceria de jogos (A Floresta Misteriosa).

EVENTOS

O evento que marcou este segundo trimestre foi definitivamente o Festival Contacto. Apesar de ter decorrido apenas numa tarde em Benfica (num local priveligiado, o Palácio Baldaya) forneceu grande momentos de diversão para todas as idades, com a Escape Room da Liga Steampunk, jogos de tabuleiro diversos, lançamentos de livros, lutas de sabres – entre outros. De destacar o espaço ao ar livre e a existência de um bar de apoio que permitiu a permanência no evento durante toda a tarde.

Este trimestre foi, também, a minha estreia no Lisboacon (sobre este evento falarei mais detalhadamente nos próximos dias). Trata-se de um evento focado exclusivamente em jogos, sobretudo em jogos de tabuleiro (tendo, também, RPG’s) onde se pode experimentar uma enorme diversidade de jogos e adquirir outros tantos a preço mais acessível do que é comum nas lojas. Outro evento que marcou o trimestre foi o breve retorno do Sustos às sextas (ao qual não pude comparecer).

Alguns dos jogos disponíveis no Lisboacon

Mas os últimos trimestres também prometem! Aproximam-se o Sci-fi LX e a Comic Con Portugal, e começaram a ser anunciadas algumas novidades para o último trimestre do ano – Fórum Fantástico e Festival Bang!

LIVROS E BANDA DESENHADA – Portugueses 

Com o mesmo número de leituras do trimestre passado (cerca de 60) destaco, de autoers portugueses, Comandante Serralves – Expansão, The Worst of Álvaro e Han Solo. O primeiro é uma continuação da primeira antologia Serralves, contendo contos Space Opera de vários autores num mesmo Universo. Esta antologia destaca-se pelos elementos portugueses na sua narrativa, desde o humor às expressões e alguns detalhes culturais das personagens.

 

 

 

 

 

 

 

 

The Worst of Álvaro apresenta as piores tiras de Álvaro, num  conjunto divertido que começa com uma paródia certeira às seitas religiosas que realizam espectáculos de diversão (e engodo) nas suas cerimónias. Han Solo de Rui Lacas destaca-se pela expressividade das personagens, criando uma história envolvente com poucas palavras.

LIVROS

 

 

 

 

 

 

 

Este ano tem sido marcado por bons lançamentos de ficção especulativa (não em grande quantidade, mas o que tem havido é de qualidade) e este trimestre li, sobretudo, as novidades publicadas no mercado português. A Cavalo de Ferro surpreendeu com o lançamento de um clássico de horror de Shirley Jackson, A Maldição de Hill House. Não sendo a melhor leitura desta autora, apresenta uma história claustrofóbica que nunca se afimar sobre a origem dos supostos detalhes sobrenaturais, deixando a possibilidade de várias interpretações para o autor.

Num tom bastante diferente, Os Humanos é um relato divertido de um alienígena que tem de se integrar como humano para limpar as pistas de uma importante descoberta científica. Proveniente de uma sociedade bastante diferente, onde os indivíduos são imortais e poderosos, a perspectiva do alienígena é, simultaneamente, perspicaz e cómica.

 

 

 

 

 

 

 

 

Tendo no título a palavra Love, Love Star corre o risco de ser incluído na secção de romance fofinho e cor de rosa (como já o vi). Não poderia ser uma classificação mais enganadora. Love Star apresenta uma sociedade onde a tecnologia se aliou à publicidade com a perspectiva de responder a todas as necessidades de consumo da população, apresentando produtos inovadores como a disposição de corpos humanos em foguetes para serem incinerados automaticamente quando entrem novamente na atmosfera. Trata-se de uma história interessante carregada de reviravoltas irónicas, carregadas de crítica social.

O Poder é outro dos grandes lançamentos deste ano. Bastante aclamado no estrangeiro, apresenta uma reviravolta no equilíbrio de poder nas sociedades humanas – e se as mulheres tivessem a capacidade de electrocutar? O poder surge sobretudo em situações de violência física e psicológica contra mulheres, resultante numa reviravolta interessante. Deste surgir por necessidade ao exercício de poder, a história apresenta novos equilíbrios e desequilíbrios.

 

 

 

 

 

 

 

 

Amatka é, também, um lançamento inesperado para o mercado português, contendo uma sociedade distópica onde os objectos têm de ser constantemente marcados para manterem a sua forma e funções. Quem teme a morte de Nnedi Okorafor não é uma leitura deste ano (li-o em inglês em 2015) mas é um grande lançamento em Portugal. Trata-se de um dos grandes exemplos de afrofuturismo que não teme tratar de temas como o controlo das mulheres através da castração ou como a luta entre populações através das violações que visam diluir o sangue dos vencidos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Em inglês, destacou-se The Tangled Lands, um livro de fantasia pouco optimista em que o exercício de magia tem um preço muito elevado e onde o destino das personagens nunca é o programado, com contratempos e reviravoltas difíceis. Já The Martian in the Wood é um dos contos da TOR.com e centra-se num mundo pós Guerra dos Mundos de H. G. Wells, mostrando a vida dos que sobreviveram e como tentam lidar com o desaparecimento dos familiares – mas… nem todos os alienígenas conseguiram abandonar a Terra!

BANDA DESENHADA

A colecção Novela Gráfica ainda agora começou e já proporcionou duas das melhores leituras dos últimos meses, Os Guardiões do Louvre de Taniguchi e Aqui mesmo de Tardi. O primeiro centra-se no Louvre, enquanto museu e espaço que sofreu alterações, falando de alguns autores que influenciaram artistas japonses. Trata-se de um trabalho a cores que dá grande representação a algumas obras clássicas captando o seu próprio estilo. Não sendo dos trabalhos favoritos do autor em termos narrativos, fascina pelo grafismo.

Aqui mesmo (que ainda não tive oportunidade de comentar detalhadamente) é um trabalho excelente que pode ter interpretações políticas (ainda que o autor, na sua introdução descarte grande parte delas), centrando-se numa personagem demasiado agarrada ao passado, traumatizada com as guerras entre famílias e por isso, decidida a manter a sua posição desconfortável, nem que para isso deixe de ter vida própria.

Não tendo lido o romance original no qual se baseia, Afirma Pereira é um fascinante retrato da sociedade portuguesa antes do 25 de Abril mostrando como se exercia influência, poder e medo sobre a população e, neste caso, sobre a classe jornalística portuguesa.

Outra das colecções lançadas pela Levoir foi a colecção Bonelli em que se lançaram álbuns representativos das colecções italianas da editora Bonelli. Em geral são álbuns que dão especial destaque à narrativa, bastante movimentados e centrados em heróis peculiares. Dragonero foi dos meus favoritos contendo referências às mais clássicas séries de Fantasia. Já este volume de Dylan Dog, Os Inquilinos Arcanos, destaca-se pela introdução de Filipe Melo e contém uma diversidade interessante das histórias deste herói com um grafismo competente onde não se podem esquecer os efeitos sobrenaturais e fantásticos.

Próximos tempos? Espera-me o Sci-fi LX, com duas palestras, uma sobre ficção especulativa nacional e outra sobre robots (com João Barreiros), muitos livros e muitos jogos de tabuleiro!

Resumo de Leituras – Junho de 2018 (2)

104 – Terra 2.7 – MAF – Ainda que o tema seja interessante (os seres humanos tentam colonizar um novo planeta mas são travados nas suas ambições de conquista), os desenhos são demasiado estáticos e os diálogos estereotipados não soam naturais, pelo que o conjunto não me cativou.

105 – Prazeres estivais – Vilhena – Um livro ao estilo de Vilhena, onde o autor expõe as canalhices dos humanos;

106 – The Tangled Lands – Paolo Bacigalupi e Tobias S. Buckell – O livro é composto por quatro histórias no mesmo Universo, sendo que duas tinha já lido porque tinham sido publicadas em volumes independentes. Neste mundo a magia tem um preço – alimenta uma erva daninha cujo contacto com os seres humanos é perigoso. Cidade após cidade os humanos ficam sem espaço e refugiam-se nos poucos locais a salvo. Neste mundo não há heróis absolutos nem vitórias extremas – tratam-se de histórias bem equilibradas;

107 – Os Guardiões do Louvre – Taniguchi – A colecção novela gráfica deste ano abriu com um livro de Taniguchi, a cores, onde o autor explora o Louvre enquanto espaço e enquanto museu, falando sobre artistas e sobre a forma como as obras sobreviveram às invasões nazis. Visualmente excelente.

Novidade: Assassin’s Creed em banda desenhada

Para além de Pantera Negra, a Goody lança esta semana uma nova série mensal que não pertence à Marvel – Assassin’s Creed! Trata-se de uma pequena série de três volumes, e o primeiro volume já anda nas bancas desde dia 07 de Fevereiro. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

QUANDO TUDO PARECE PERDIDO, O CREDO PERSISTE.

A vida banal de Charlotte De La Cruz é virada do avesso quando esta é catapultada para o mundo obscuro da Irmandade dos Assassinos.

Juntando-se a eles numa disputa milenar contra a Ordem dos Templários, Charlotte é introduzida aos rituais da Irmandade à medida que entra nas memórias genéticas do seu antepassado assassino, Tom Stoddard.

Ao procurar desesperadamente por uma pista que possa salvar vidas, Charlotte testemunha em primeira mão o pânico e a histeria dos aterradores Julgamentos das Bruxas de Salem!

 

 

Ciudad – Giménez , Barreiro

O conhecer ambos os autores de outras obras foi o factor decisivo para a aquisição. De Ricardo Barreiro foi publicado Parque Chas na colecção  Novela Gráfica, e de Giménez é de realçar a participação na saga Metabarão. Com algumas semelhanças a Parque Chas, Ciudad centra-se numa cidade sem tempo, uma espécie de buraco negro onde vão parar habittantes de todos os tempos e lugares – imensa e diversa, uma cidade sem fim nem saída.

Depois de uma saída nocturna com a namorada, Jean separa-se saturado e resolve ir para casa a pé, sozinho. A meio do curto percurso encontra uma rua que desconhece existir no bairro onde vive. A partir daqui o caminho revela-se muito mais longo do que seria de esperar e é, com espanto que se vê alvo de metralhadoras na ruela em que está perdido. Salva-o uma mulher destemida, Karen

Tentando antecipar uma retaliação pela luta disputada anteirormente, a dupla constituída por Jean e Karen, parte num carro. Infelizmente, não partem a tempo. A partida é marcada por uma perseguição de desfecho violento em que Jean dispara, pela primeira vez, contra alguém. Escapam fisicamente ilesos mas encontram-se numa parecela desconhecida da cidade na qual deambulam sem encontra outras pessoas ou comida por longos dias.

A descoberta que os irá salvar é a de um supermercado enorme e automático, bem fornecido em todos os items de que poderiam necessitar. Desde comida a armas, tudo se encontra, reposto automaticamente por robots. Os problemas começam para ambos quando tentam sair do supermercado sem pagar – activam-se sistemas de defesa que decretam, logo, uma sentença pesada à dupla. Aqui são salvos por alguém que tenta, há muito, destruir o supermercado, mas sem sucesso. Tal como as fábricas de Philip K. Dick este supermercado recupera-se e mantém o funcionamento, mesmo sem clientes que desejem utilizá-lo, cumprindo o dever para o qual foi construído.

O restante caminho pela cidade vai ser feito de maravilhas e pesadelos de elementos fantásticos e de ficção científica, alternando eventos inexplicáveis com máquinas elaboradas. Encontram homens há muito perdidos que já perderam as esperanças de fugir da cidade e se deixam enrolar numa série de eventos cíclicos, e monstros dos clássicos de horror que aqui se tornam heróis. Dentro da grande cidade há cidades ordeiras de pessoas que cedem a liberdade a troco de uma comunidade e seitas caninais que recebem bem as futuras refeições.

Tal como Parque Chas, Ciudad apresenta uma cidade ficcional dentro da cidade real, uma cidade maior e mais complexa com múltiplas portas de entrada. Mas se em Parque Chas as deambulações na cidade alternativa são curtas, aqui prolongam-se pela eternidade, constituindo um local sem fim, repleto de absurdos monstruosos e locais ordeiros.

A cidade não é contínua, nem no espaço, nem no tempo, e a dupla experimenta o passado e o futuro, ambos traumatizantes, não percebendo as diferenças na duração da noite e do dia entre as diferentes partes da cidade. Se chove excessivamente numa parte da cidade causando uma inundação, no momento seguinte pode-se experimentar uma seca intensa que leva os viajantes a duvidar da sanidade. Cruzando outras ficções com esta narrativa (não só pela apresentação de monstros, como pelo surgir da figura Eternauta, e por referências indirectas a outras obras) Ciudad funde vários elementos para se transformar numa longa e rica viagem.

Outras obras dos autores

 

Novidade: Pantera Negra

A Goody lança nova série Pantera Negra de três volumes! O primeiro volume encontra-se nas bancas desde dia 06 de Fevereiro – eis mais informação sobre este volume:

PANTERA NEGRA é o título cerimonial ancestral de T’Challa, o rei de Wakanda. T’Challa divide o seu tempo entre a proteção e bem-estar do seu reino, tarefa na qual conta com a ajuda da sua guarda real feminina de elite, as Dora Milaje, e o seu trabalho de super-herói, como membro de equipas como os Vingadores e os Supremos. A nação de Wakanda é a sociedade do planeta mais avançada a nível tecnológico. Este pequeno país africano está situado sobre um enorme jazigo de um recurso natural extremamente raro chamado vibranium. T’Challa passou algum tempo afastado do trono. Durante esta ausência foi a sua irmã Shuri quem governou o país, como rainha e Pantera Negra, mas Shuri morreu a defender Wakanda do exército de Thanos. Agora, T’Challa é de novo rei, mas o povo está inquieto. Quando um grupo terrorista sobre-humano faz despoletar uma revolta sem precedentes, Wakanda entra numa espiral de violência que fará o povo duvidar do seu próprio rei. T’Challa luta por conseguir manter o seu povo unido, ao mesmo tempo que das sombras surge um poderoso inimigo!

Conteúdo:

BLACK PANTHER (2016) #1-6 – POR TA-NEHISI COATES, BRIAN STELFREEZE, CHRIS SPROUSE, KARL STORY, MATT MILLA e LAURA MARTIN

 

Procuram-se boas histórias para adaptação à BD

A Devir está à procura de histórias para poderem ser adaptadas à banda desenhada. As ideias ou histórias devem ter, no máximo 3 páginas e estar identificadas (nome e contactos). A data limite é 28 de Fevereiro. Para mais informações podem consultar a página oficial.

 

O Torpedo – Vol.1 – Enrique Sanchez Abulí e Jordi Bernet

O Torpedo é a nova colecção lançada pela Levoir em parceria com o jornal Público. O primeiro volume apresenta-nos um assassino a soldo (e daí advém o título, uma alusão à capacidade de perseguir o alvo até este ser atingido) – na prática trata-se de um homem que procurou o sonho americano e que viu as expectativas de fortuna em troca de trabalho falhadas.

Humilhado por aqueles que, à sua volta, detém maior poder, sem dinheiro suficiente para se sustentar devidamente, Luca Torelli, vira o tabuleiro e transforma-se num assassino – a arma confere-lhe o poder de que necessita para alimentar o ego e uma forma de se deitar com as belas mulheres com quem se cruza.

Personagem moldada pelas circunstâncias, vingativa e de humor peculiar, Torpedo revela instintos básicos e impulsos previsíveis, que o fazem cair em pequenas esparrelas – são episódios com os quais aprenderá a ser mais precavido e a andar acompanhado, utilizando, nos seus planos, um sócio trapalhão que serve como moço de recados .

As histórias de Torpedo 1936 são curtas, cerca de 10 páginas cada uma, fazendo com que cada volume possua várias aventuras. A maioria possui finais irónicos de humor corrosivo, que combina com a personagem de instintos crus que nos é apresentada. Torpedo é, simultaneamente, uma personagem que tece planos elaborados para os alvos para os quais é contratado, e uma personagem que vai aproveitando as ocasiões que se lhe apresentam, numa esperteza saloia que nem sempre retorna os frutos desejados.

A série Torpedo 1936 está a ser publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público.