Numa notícia recentemente publicada pelo Público, pode ler-se

Especialistas e investigadores da Organização Mundial de Saúde (OMS) consideram que a circuncisão masculina poderá ser um instrumento importante no combate à sida.
Num estudo publicado na revista “Public Library of Science Medicine”, os especialistas dizem que se todos os homens se submetessem à circuncisão, nos próximos dez anos poderia evitar-se dois milhões de novas infecções e 300 mil mortes provocadas pelo vírus da sida.

Já não falando da falta de precisão de algumas frases na notícia, tão normais quando se fala de ciência nos meios de comunicação, é bom ter algum sentido crítico quando se olha para o que nos é apresentado.

A notícia original, publicada há poucas semanas numa revista científica de índole generalista, apresentava um estudo duvidoso com conclusões extrapolatórias, que não podiam ser tomadas totalmente em consideração. Aqui vemos apenas apresentadas as mais importantes conclusões desse estudo.

Para se delinear uma experiência 100% válida provavelmente teria de se circuncisar um grupo de homens com o mesmo contexto socio-cultural do grupo controlo. Ainda teriam de se “submeter” a relações sexuais com raparigas infectadas e no final então verificar a % de indivíduos infectados. Por várias razões, isto não é possível. Assim, seguiram-se dois grupos de homens, sendo um deles constituído por homens à partida circuncisados.

O que retira para mim alguma validade foi o não se ter considerado no estudo o background socio-cultural dos indivíduos e a influência que isto poderia ter nos resultados – desde o possível número de parceiras(os) a todo  um conjunto de factores como alimentação que podem influenciar o contágio.  Depois vemos dados como aqueles ali em cima apresentados em que se fala de milhares de mortes evitadas.