O Senhor da Guerra dos Céus é o primeiro de uma trilogia intitulada A Nomad of the Time Streams, em que cada um dos volumes pode ser lido independentemente, retratando as viagens no tempo de um homem que é transportado para uma realidade alternativa. Misto entre história alternativa e ficção científica, a trilogia enquadra-se no género Steampunk.

Neste primeiro volume Bastable é transportado para o futuro, para o final do século XX, onde conhece um Mundo sem guerras, em que as grandes potências económicas colonizam todos os restantes países e o nível de vida dos cidadãos dos países colonizadores é pago pelos habitantes das colónias.

A história inicia-se com Bastable, um jovem inglês que é responsável por conduzir um pequeno batalhão na Índia de 1902, com o intuito de controlar a revolta de algumas povoações. Esperando obter tréguas sem necessidade de travar uma pequena guerra, Bastable concorda em seguir um poderoso chefe religioso à povoação nativa, conjuntamente com os seus guerreiros, para jantar. A comida encontrava-se, no entanto, envenenada,  e numa tentativa de fuga desesperada, refugiam-se no Templo de Todos os Deuses. Atacados por uma força misteriosa, perdem a consciência.

Bastable acorda, sozinho e dorido,  com as roupas gastas, envelhecidas e apodrecidas.  Repara então que o Templo e a povoação onde se encontrava horas antes, se encontra agora em ruínas e que todos os caminhos terrestres que lhe permitiriam sair do rochedo se encontram cortados por fundas escarpas. Antes que fosse capaz de se recompor face às mudanças que observa, Bastable vê um enorme objecto voador, um dirigível inglês, que o salva e o transporta para uma impressionante e moderna cidade de Londres.

No final do século XX a tecnologia permite aos cidadãos ingleses viver com todas as comodidades e sem doenças, numa sociedade utópica que não conhece nem guerras nem vandalismos. Um mundo perfeito – assim pensa Bastable até conhecer a outra face da moeda, em que os cidadãos dos países subjugados alimentam as mordomias das grandes potências económicas e militares.

Se em Eis o Homem Michael Moorcock nos tinha apresentado um passado diferente pelos olhos de um homem moderno, em O Senhor da Guerra dos Céus descobrimos uma actualidade diferente, descrita por um homem do início do século. Ainda que o mundo se tenha desenvolvido de forma díspare, alguns dos mais relevantes acontecimentos do século são inevitáveis, mesmo com a alteração de contexto.

Livro pequeno de edição cuidada, esta é uma história curiosa não só pela forma original como nos é introduzida (supostamente estamos a ler o manuscrito deixado pelo avô do autor), como pela aventura que é vivida por Bastable e pela sociedade utópica que se torna gradualmente numa distopia. Este é um relato movimentado que toca em questões políticas e sociais da actualidade como a autonomia Vs comodidade /paz; ou a riqueza de uns às custas da pobreza de outros; ou ainda a crescente poluição resultante de um desenvolvimento frenético – ainda que tenha sido escrito em 1971 nem por isso as ideias descritas se encontram desactualizadas.

Para além de O Senhor da Guerra dos Ceús, de Michael Moorcock foram publicados, em português e pela Saída de Emergência, Eis o Homem e a série Elric. Na colecção de Ficção Científica da Europa-América podem encontrar A Cidade da Neblina Verde (City of The Beast), O Senhor das Aranhas (Lord of the Spiders) e Os Senhores do Fosso (Masters of the Pit) e pela Panorama A Escuna que Veio do Gelo (The Ice Schooner).