Estação Onze / Station Eleven – Emily St. John Mandel

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Como qualquer livro apocalíptico, a história começa com a premissa comum: a espécie humana é limpa da fase da Terra. Bem, quase toda. 1% sobrevive. Restam humanos suficientes para formar pequenos aglomerados entre os quais viaja uma companhia ambulante de teatro – porque não basta sobreviver.

Apesar de ser um livro apocalíptico, a história não se centra nos aspectos devastadores da doença, mas nos relacionamentos humanos – a comparação do mundo pré-apocalíptico e do pós, onde sobrevivem as referências desconexas do mundo antigo, desintegradas da lógica que as contextualizam, que se tornam de importância desmedida para quem recorda apenas fragmentos.

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A história é contada em torno dos elementos da companhia de teatro, que procuram, entre as casas e outros edifícios abandonados objectos relacionados com as suas memórias perdidas: jornais ou notícias relacionadas com determinados eventos, ou outros volumes de uma banda desenhada rara. No caminho vão encontrando populações modificadas pelos novos tempos, levadas pelo fanatismo de padres ou pela violência de homens armados.

De vila em vila, a companhia encena peças de Shakespeare, que terá também sido marcado pelas sucessivas pestes, ainda que de forma diferente. Mas nem todos pretendem perpetuar as peças de um autor nascido numa outra realidade, alguns escrevem as suas próprias peças de teatro ou musicais, esperando pela oportunidade de as representar dignamente. Porque a realidade é bem diferente, e as referências antigas nada dizem às novas gerações que pouco conhecem da civilização.

A acção decorre em dois tempos, e vai percorrendo os pontos de vista de várias personagens construindo um mosaico, até ao final, onde, terminado o puzzle, se visualiza a totalidade dos acontecimentos. No centro, encontra-se a banda desenhada, o projecto de vida de uma jovem.

Em Portugal o livro foi publicado com o título Estação 11, pela Editorial Presença.

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