The Mirror – Marlys Millhiser

the mirror

Referido nalgumas listagens de histórias com viagens no tempo, este livro publicado em 1979 teve direito a nova edição, em formato digital, pela Open Road. Ao longo destes anos tem acumulado poucas mas boas críticas, algumas que o consideram como um livro a recordar dentro do género.

O que encontrei não foi uma viagem no tempo de premissa científica, mas sim fantástica, baseada num espelho onde se consegue vislumbrar cenas passadas ou futuras como numa televisão, mas sem que quem as veja tenha qualquer controlo. Sem causa aparente, o espelho pode provocar, também, ataques fulminantes e trocas de pessoas através do tempo.

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Desconhecendo-se os poderes do objecto, é este espelho que Shay recebe como prenda da família na véspera do casamento. Nessa noite, no quarto da avó Brandy, que se encontra em estado vegetativo há cerca de 20 anos, o chão estremece, a electricidade falha e Shay desmaia. Quando recupera os sentidos, no mesmo quarto percebe que tudo o resto mudou: os objectos que a rodeiam, as pessoas e o próprio corpo. Permanece o espelho, no qual vê reflectido o corpo da avó ao invés do seu, não o corpo idoso, mas o juvenil dos antigos retratos.

Tonta e enjoada, apercebe-se que ocupa o corpo de Brandy que também irá casar no dia seguinte, mas com um homem que Shay não reconhece como sendo o avô. Facto confuso que se torna apenas um detalhe face à comunidade rural do início do século onde se encontra. Desconhecendo totalmente as actividades domésticas da época, tenta justificar a sua ignorância apresentando a situação em que se encontra, o que não ajuda a melhorar a fama de louca que a avó já tinha na época.

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Simultaneamente, Brandy acorda no corpo da neta, em 1979. Se o choque de uma mulher moderna como Shay ao acordar num local ermo, numa sociedade fechada a qualquer noção de sexualidade feminina é considerável, também o é para Brandy, pelas razões opostas – roupa justa e pele exposta, alusões explícitas a sexualidade e pouca religiosidade, numa família pouco coesa onde persistem algumas desavenças antigas.

Em ambos os casos os familiares ficam confusos com as atitudes estranhas da rapariga, que facilmente atribuem à proximidade do casamento. Atitudes agravadas após novas trocas de corpo entre Shay e Brandy, onde ambas tentam deixar recados.

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Com excessivo detalhe da vida amorosa de ambas as raparigas, possui episódios interessantes no que se refere ao contraste entre as sociedades separadas por quase um século: a pequena comunidade rural dá lugar a uma cidade onde nem todos se conhecem, os hábitos domésticos são reformulados, bem como o lugar da mulher no lar.

Desta forma, tornou-se uma história lenta que tive de ir intercalando com outros livros, uma progressão saltitante que teve pontos altos no choque provocado por uma mulher moderna do final do século XX integrada numa sociedade retrógrada, que, ás tantas, consegue falar mais abertamente com as prostitutas da época, do que com as restantes senhoras de bem. Este contraste de culturas estimulou por vezes a leitura, mas não o suficiente para ter achado uma boa leitura.

(livro recebido através de parceria com NetGalley)

 

2 pensamentos sobre “The Mirror – Marlys Millhiser

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