Astérix O Papiro de César – R. Goscinny e A. Uderzo

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Astérix e o Papiro de César é o mais recente volume das aventuras dos gauleses enquanto resistem às invasões romanas. Se o volume anterior, Astérix entre os Pictos, foi uma aventura para recordar os nossos heróis, engraçada, mas que achei pouco entusiasmante, o mesmo já não consigo dizer de O Papiro de César, uma história que aproveita a diversidade de personagens já conhecidas para criar uma aventura movimentada e divertida, contendo, ainda assim, novos elementos imaginativos.

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Com o objectivo de promover a sua proeminente carreira, César decide escrever as suas memórias e publicá-las. Mas eis que é relembrado de uma nódoa que pode transformar a publicação em motivo de chacota – nem toda a Gália foi conquistada, resistindo a pequena aldeia nossa conhecida. Porque não retirar esta alusão do sublime texto de César? Convencido pelo editor, o texto é alterado, com promessas de castigo caso tal alteração seja tornada pública.

Um escriba mudo, de princípios morais bastante elevados, está contra a alteração e faz escapar uma cópia do manuscrito para as mãos de um jornalista gaulês. Perseguido pelos romanos, acaba por se refugiar na aldeia resistente onde a alteração dos factos causa alguma indignação. Mas não tanta como seria de esperar, até porque a maioria dos gauleses está mais preocupada com as profecias do último horóscopo. Ainda assim, decidem-se a transportar o papiro original a um druida, para que este o decore e faça permanecer a versão oral, mais duradoura que o papel.

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Enquanto os romanos trocam mensagens pelo mais evoluído meio de comunicação, pombos correio, Astérix, Obélix e Panoramix viajam por entre densas florestas em busca de Arqueoptérix, o druida capaz de memorizar papiros, vigiados por um cómico e amedrontado trio de guerreiros romanos.

Centrando a acção em três grupos distintos (os que avançam pela floresta para procurar o druida, os gauleses que ficaram na aldeia centrando as suas vidas no horóscopo e os romanos que procuram o papiro), esta história consegue explorar várias personagens e interacções, com as usuais referências cómicas: a mulher do chefe manda no chefe, Obélix continua obcecado por abater romanos e javalis, enquanto que os romanos fogem dos gauleses doidos como o diabo da cruz.

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Se o objectivo parece demasiado simplista, no final iremos perceber os seus vários sentidos – é que, no final, para além do usual festim, existe ainda um curto episódio de tributo, aos criadores da série e à propagação da palavra por vias mais tradicionais, o que dá um sentimento quase final à série.

Introduzindo novas personagens e novas referências, este álbum permite, como a maioria dos álbuns de Astérix, várias leituras. A leitura imediata de uma simples e divertida aventura, e a leitura menos superficial dos comentários à época moderna, com a manipulação de notícias e publicações, a fuga de informações e a luta pela liberdade de expressão. Apesar das sérias referências consegue ser, acima de tudo, uma excelente aventura, onde recordamos o auge da série, e o espírito dos nossos heróis gauleses.

Um pensamento sobre “Astérix O Papiro de César – R. Goscinny e A. Uderzo

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