Teremos sempre Paris – Ray Bradbury

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Ray Bradbury foi, sem dúvida, um mestre. Escrevendo em diversos géneros, ficou conhecido por obras bastante distintas como Fahrenheit 451 (distopia), As Crónicas Marcianas (ficção científica) ou Algo maligno vem aí (que eu classificaria como horror). Este Teremos sempre Paris, publicado por cá pela Bizâncio, é um conjunto excepcional de contos com referências de género mais subtis.

O livro abre com Massinello Pietro, um conto em torno de uma personagem com o mesmo nome, um homem que perdeu tudo e que por todos foi atraiçoado, e que encontra nos animais a sua companhia predilecta. Acumulando, na pequena propriedade citadina, vários companheiros, é alertado pelas autoridades diversas vezes. Recusando-se a abdicar da companhia fiel dos animais, está disposto a ir, até às últimas consequências. Uma caricatura carregada de vivacidade onde se explora um pouco da mesquinhez humana num caminho de inevitável desgraça.

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Entre contos de encontros e desencontros, encontramos outra das minhas histórias favoritas do conjunto, um conto que tem uma pitada de horror – O Homicídio. Nesta história um homem é levado a apostar em como nunca seria capaz de matar alguém. Após o acordo, começam as incertezas – principalmente quando descobre que não é o primeiro a fazer a aposta.

Também com uma pitada de horror e de fantasia, A Mamã Perkins veio para ficar apresenta uma casa americana típica, onde a esposa submissa fica em casa, sozinha, fazendo os trabalhos domésticos e aguardando ansiosamente pelo marido. Um dia, o homem não encontra apenas a mulher, mas uma personagem fictícia que se terá materializado a partir do rádio, uma presença insuportável e intrometida que será a companhia da esposa nas longas horas de solidão.

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Se em Anti-conversa de almofada um rapaz e uma rapariga, amigos que terão tido uma descaída amorosa decidem ter uma antítese da típica conversa com o intuito de continuarem apenas amigos, em Pater Caninus um cão faz as vezes do padre nas confissões, deixando em paz os doentes terminais que veem na sua presença uma redenção.

Chegadas e Partidas também se destacou, apresentando um casal de idosos que permanece fechado na sua casa, dia após dia. Um dia resolvem sair os dois, e vivem umas horas de intensa emoção, relembrando antigos conhecidos, fazendo planos para teatro e cinema, e pensando nas razões pelas quais não costumam sair mais.

Contos de encontros e desencontros, possuem alguns elementos fantásticos mas sobretudo como ferramentas para explorar a natureza humana, ora na comodidade do que é conhecido, ora na irreverência da exploração que é tão característica dos homens. Dizer que este é mais um excelente conjunto de histórias de Ray Bradbury não é, de todo, minimizar a qualidade deste conjunto, mas sim realçar que poucas são as histórias que nos deixam indiferentes.

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