Golem – LRNZ

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Neste futuro pouco distante conhecemos uma Itália onde os seres humanos foram capturados pelo extenso consumismo – a qualquer acção corresponde um anúncio, a qualquer maleita um comprimido. Este consumismo é, simultaneamente, uma forma de manter a sociedade escrava das necessidades inventadas, distraída daquilo que realmente deveria importar na vida de cada um.

É neste cenário que conhecemos um rapaz com problemas em dormir, um rapaz que, no seguimento de um atentado é raptado por um grupo dissidente e se apercebe o quão diferente é o seu quotidiano – é que este grupo vive à margem da lei, num estilo que é o horror das grandes corporações, auto-suficiente, capaz de cozinhar (actividade proibida nesta realidade) e produzindo tudo aquilo de que necessita. É neste enquadramento que o rapaz se descobre como chave para mudar o futuro da humanidade.

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Este cenário de consumo extremo num futuro próximo não é novo – este exacerbar das características do presente serve para apresentar uma sociedade suficientemente distante que permite alguma liberdade de imaginação, e suficientemente semelhante para criar uma metáfora de alerta para o caminho actual do progresso. Na prática, um cenário cliché que pouco traz de novo quando comparamos com outras várias obras de ficção científica, e que neste Golem segue um caminho demasiado naive.

Neste sentido, a história começa como pouco inovadora, mas ganha algum interesse pela escolha da solução encontrada, pegando na imagem dada pelo mito do Golem, uma criatura animada da terra, para nos dar uma simbólica luta de titãs, uma luta que reserva em si o descortinar de um novo futuro numa reviravolta redentora da humanidade, novamente, demasiado naive.

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Peguei neste volume no seguimento de uma cópia fornecida pelo NetGalley. Se, nalgumas bandas desenhadas, a leitura em formato digital pouco compromete a percepção, aqui perde-se alguma perspectiva – a leitura apenas é possível com grande proximidade, o que impede a exploração dos cenários que ocupam página inteira e que, neste caso, são vários.

Estes cenários de página inteira são normalmente mais sombrios, voltam-se para a natureza, são escassos em falas e estão carregados de simbolismo. Apesar de interessantes, contrastam com os restantes episódios, carregados de imagens coloridas e movimentadas que expressam o quotidiano comercial, rápido e de elevado consumo.

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Do ponto de vista narrativo é uma história que pouco traz de novo. O futuro que descreve não é distintivo do que já é característico de um extremo consumismo de tecnologia impregnada. Na verdade pouco difere é do que conhecemos e acaba por ser demasiado simplista no caminho curativo e redentor.

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Visualmente possui planos interessantes, sobretudo os inicias, simbólicos, que ocupam página inteira, mais escuros e detalhados; mas apresenta, também, páginas onde parece imperar alguma confusão, imagens pouco definidas de lutas rápidas que não me cativaram.

Em suma, esta busca pela pedra filosofal, o sonho da humanidade em se libertar de constrangimentos materiais, precisava de um maior investimento narrativo, um desenvolvimento mais inteligente que permitisse resolver o conflito de forma mais subtil.

Um pensamento sobre “Golem – LRNZ

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