Descender – Vol.4 – Jeff Lemire e Dustin Nguyen

As primeiras páginas deste quarto volume marcam um regresso em grande com a apresentação de três linhas narrativas em simultâneo, três linhas que atingem picos de tensão e de resolução em simultâneo, dando continuidade a todas as vertentes da história em paralelo e abrindo com força uma das componentes mais movimentadas e surpreendentes da história – uma multiplicidade que não seria possível em nenhum outro meio narrativo.

No primeiro volume referi que esta série parecia o cruzamento de Battlestar Galactica com A.I.. Por um lado temos um Rise of the Machines em que as máquinas, cada vez mais inteligentes e conscientes se revoltam contra quem as trata mal, por outro temos um pequeno robot, Tim, amigável e familiar que é tratado com bondade e que vê os seres humanos com outros olhos.

Aquando da revolta das máquinas, Tim é posto a hibernar e só acorda muitos anos depois sem saber o que aconteceu entretanto. Tendo como único pensamento voltar a encontrar o seu irmão humano, o rapaz com quem partilhava o dia-a-dia, vê-se perseguido por várias fracções, ora pelo seu potencial militar enquanto máquina com uma programação especial, ora pelo seu potencial monetário, para ser vendido às peças por salteadores.

Depois de capturado por militares que, por sua vez, são capturados pelas máquinas revoltadas, Tim descobre que não é o único do seu modelo, um robot capaz de empatia e de mostrar os sentimentos que capta em torno deles. Mas rapidamente descobre que nem todos são como ele quando o seu duplo o tenta matar. A luta termina com uma reviravolta, com Tim a matar o seu duplo e a ficar traumatizado, enquanto consegue escapar com os seus captores humanos.

Enquanto explora um enredo futurista, Descender apresenta várias questões sobre a humanidade das máquinas, levantando a fronteira entre humanos que se transformam em máquinas por substituição de partes humanos em partes mecânicas, e as máquinas que aparentam ter mais consciência que humanos. Máquinas capazes de se defender e de matar, mas, também, capazes de mostrar remorsos e sentimentos próprios de humanos.

Graficamente esplendoroso, Descender apresenta diversos planos fabulosos, com construções esteticamente transcendentes que dão novo folgo à história – uma história com nuances e reviravoltas onde as personagens se mostram pouco lineares e, tal como pessoas normais, mostram divergências entre aquilo que dizem querer e aquilo que inconscientemente pretendem.

Esta fantástica série da Image vai começar a ser publicada em Portugal pela G Floy a partir do próximo Outono!

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