Este volume surgiu no seguimento da tese de doutoramento de Marco da Fraga Silva, sendo o primeiro de uma trilogia – Uluru, Vidalia e Dragon Head. A história foi inicialmente publicada online, sendo que, após a sua conclusão foi lançada em formato físico através de uma campanha de crowdfunding, para a qual contribui.

A história

A narrativa centra-se num rapaz que terá sido educado por um robot, uma inteligência artificial que tem como objectivo protegê-lo, mas também proporcionar oportunidades de aprendizagem que o façam crescer e transformar num ser auto-suficiente. Esta rapaz, de nome Uluru, possui um braço e uma perna de metal, elementos que irão ser diferenciadores. Como cresceu e como se tornou Uluru, é o ponto principal da história.

Crítica

Em termos de história, é impossível não comparar com Raised by Wolves. Um grupo de crianças humanas é criado por inteligências artificiais num planeta isolado. A história foca-se, no entanto, numa única, que seguirá o seu curso, mudando o nome para Uluru e distanciando-se do robot e da nave. Ainda assim, o robot visita-o e disponibiliza-lhe alguns meios tecnológicos para poder continuar a aprender.

Ultrapassando a premissa central comum, Uluru apresenta algumas divergências que parecem vincar-se ao longo da progressão da narrativa, sendo que estou curiosa por perceber como a história avançará nos restantes dois volumes, para perceber quão diferente será o resultado final.

A ideia central permite, claro, explorar vários pontos da ficção científica como a relação homem-máquina, neste caso em dois sentidos. Por um lado, temos a criação de humanos por inteligências artificiais que assumem o papel de progenitor. Por outro, temos uma personagem com membros metálicos que lhe irão permitir ultrapassar a usual resistência humana.

O desenho, por sua vez, é bom. A premissa permite o desenvolvimento visual de algumas ideias interessantes, com contrastes e animais de aspecto curioso. No final, o volume apresenta ainda páginas de Fanart compostas por artistas conhecidos no meio da banda desenhada português. O ponto negativo do volume vai para a lombada que, após uma única leitura, apresenta marcas evidentes.

Conclusão

Uluru, Crónicas do Tempo e do Espaço é o primeiro volume de uma trilogia que apresenta pontos interessantes tanto do ponto de vista visual como narrativo. O facto de apresentar alguma sobreposição na premissa com Raised by Wolves não me ajudou a ficar fascinada com a ideia. Ainda assim, a narrativa vai-se diferenciando e estou curiosa para perceber o rumo seguido nos dois volumes seguintes. Em termos visuais, agrada, com boas composições.