Surgiram, recentemente, algumas críticas a este volume da Disney, julgo que de ambas as edições, francesa e brasileira. E, ainda que o francês me seja mais difícil, os desenhos são de tal forma fascinantes, que corri a encomendar. Felizmente, a maioria do texto está dentro das minhas capacidades, precisando de dicionário apenas para alguns detalhes.

A história

Lá no alto, entre as nuvens, existe uma série de ilhas suspensas, habitadas por personagens da Disney. Mas é também neste mundo de ilhas suspensas que encontramos um reino déspota perpetuado pelo Mancha Negra. Mickey, um mestre de cordas é chamado à presença do ditador e apercebe-se que irão tomar as terras de Clarabela e Horário. Despacha-se, pois a avisá-los, encontrando-se então com Mickey. Todos juntos decidem fugir para a Guilda, onde irão encontrar um amigo perdido há muito tempo.

Paralelamente, percebemos que os três amigos (Minie, Mickey e Pateta) tentavam encontrar um continente perdido, uma terra da qual se fala em antigos livros, e que poderia ser uma alternativa ao reino distópico do Mancha Negra.

Crítica

Eis uma história que fascina usando uma só ideia e construindo um mundo em torno de uma simples premissa. Tratando-se de uma banda desenhada, a ideia foi usada de forma genial para a construção de belíssimos e surpreendentes cenários – ou seja, a estética das ilhas voadores é usada como elemento para a criação de paisagens de tirar o fôlego.

É, aliás, neste ponto (o visual), que o volume surrepende e ultrapassa as usuais expectativas para uma banda desenhada da Disney. Não é, claro, o único. Esta colecção da Glénat tem apresentado histórias especiais e espectaculares, sendo que este é dos que mais se destaca.

Em termos de história, é uma aventura curiosa, mas relativamente simples em arco narrativo, destacando-se, claro, também nesta componente, a criação das ilhas suspensas – uma premissa também usada de forma impecável para desenvolver a acção e explorada como premissa fundamental para algumas das acções perpetuadas pelos nossos heróis. É que as ilhas são unidas por cordas para criar pequenos reinos, sendo que estas ilhas podem ser puxadas e transportadas. A locomoção? Bem, faz-se claro, a bordo de grandes e espectaculares aves.

Conclusão

Mickey & La Terre des Anciens parte de uma premissa original para construir um mundo diferente com regras próprias. Esta nova lógica é bem usada, tanto na narrativa, como no desenho e, ainda que a história seja relativamente simples, é de leitura agradável, concretizada de forma polida e lógica. Mas é sobretudo na parte visual que o volume arrasa, apresentando paisagens belíssimas, com composições fascinantes.