Este volume (tal como Mickey & La Terre des Anciens) faz parte da colecção Créations Originales (Criações Originais) da Glénat que visa reviver as personagens Disney através de autores reconhecidos da banda desenhada europeia. Entre os autores encontramos, por exemplo, Cosey. Este volume é de Loisel, conhecido, entre outras coisas, por Peter Pan ou Armazém Central.

A história

A história decorre durante os anos 30, remetendo-nos para os anos da Grande Depressão em que os trabalhos escasseavam. Todos os dias Mickey e Horácio tentam encontrar ocupação, mas sem resultados práticos. Saturados, resolvem espairecer e partem para umas curtas férias com as respectivas, para encontrar Donald. Claro que estes momentos de lazer terão os seus episódios atribulados, mas nada os prepara para o que encontrarão no retorno – uma cidade vendida para campos de golfe onde os trabalhadores parecem zombies, semi-conscientes, movimentando-se e trabalhando mas não apresentando reacções ou interacções.

Crítica

Este Mickey apresentado por Loisel é simplesmente fabuloso. Por um lado, começa como umas pequenas férias que nos recordam o álbum Les Vacances, em que vários episódios mirabolantes e desastrados vão decorrendo. Estes momentos, apesar de atribulados, são relaxados e divertidos, apresentando o que costuma ser o comum nas histórias mais juvenis da Disney – um enredo leve, carregado de desastres simples mas cómicos.

Após este momento, a história mais a sério prossegue, retornando ao ambiente deprimente da cidade, em que os trabalhadores se apresentam mortiços, sem vigor e sem uma vida normal – um contraste visível com o ambiente relaxado do campo das primeiras páginas. De destacar, também, o facto de o aspecto zombie ser conferido por café que foi alterado. Deixando de parte a sabotagem do banqueiro, este contraste de ambientes poderá ser um comentário ao ambiente opressivo das grandes cidades. Mas não é só o ambiente urbano que se destaca. Também o retrato de época. Existe um papel muito bem definido para as mulheres, e outro para os homens,

Estes episódios na episódio apresentam, também, uma sucessão de episódios mirabolantes. Mas neste caso, são fruto de sabotagens pelos maus da fita. Claro que Mickey e Horácio vão investigar o que está a acontecer, levando a que as sabotagens sejam cada vez mais drásticas e perigosas.

Numa nota mais tangencialmente, repara-se nos vilões, quase absolutos. O banqueiro tem um objectivo claro e não vai medir meios para os atingir. Sabotagem e envenenamento encontram-se entre as armas do gang e serão usadas para tentar afastar Mickey e Horário.

Do ponto de vista visual, as imagens recordam a banda desenhada mais antiga, quer no desenho (e estrondo das situações mirabolantes) quer no formato. As imagens encontram-se balizadas num formato tradicional e fixo, constante e com poucas margens, levando a narrativa num ritmo sem grandes acelerações ou paragens.

Conclusão

Não sendo tão fabuloso do ponto de vista visual quanto outros livros da colecção, este volume destaca-se pela narrativa, apresentando um enredo com algumas nuances de crítica social. É um bom trabalho de Loisel, onde consegue pegar nos elementos clássicos para apresentar uma história que pode ser lida por diferentes faixas etárias.

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