Julio Verne e George Orwell não foram os únicos a sonhar futuros mirabolantes, entre os finais do século XIX e o início do século XX. Na Polónia tínhamos também Jerzy Zulawski, apelidado de Julio Verne polaco, que escreveu a Trilogia Lunar, onde se acompanha um grupo de exploradores que partem para a Lua, a fim de explorar o seu lado oculto, em busca de encontrar algo diferente do que é visto da Terra. Este Lunáticos será inspirado no Orbe de Prata, um dos volumes da Trilogia Lunar.

O volume leva-nos a uma história alternativa de 1913, começando por apresentar o fascínio humano pela Lua e pela sua exploração, com uma série de pequenos avanços que irão possibilitar que, finalmente, se lance a primeira expedição humana à Lua. O grande objectivo? Provar a existência de uma civilização e de uma atmosfera que possibilitará aos seres humanos subsistirem.

Após a aterragem, sucedem-se os momentos de emoção. O grupo resolve explorar a superfície e dirigir-se para o lado obscuro, percebendo que os cálculos da aterragem estariam errados e que estariam numa localização inesperada. A exploração leva-os a encontrar os restos de outra expedição humana e a enfrentar a sua própria mortalidade, desenvolvendo-se receios que resultam em alucinações e paranoias.

A narrativa começa por apresentar a necessidade humana de explorar o desconhecido. Podemos ver a Lua todos os dias, mas o que se esconderá na sua face oculta? Apesar desta perspectiva heroica e sonhadora, a expedição vai-se confrontar com a realidade e seguir caminhos menos idílicos, levando os seres humanos a confrontarem-se com a imensidão do espaço e com a insignificância da sua existência num planeta distante, sem meios de retorno. A tentativa de sobrevivência será, sobretudo, física, mas será a perspectiva psicológica que falhará mais rapidamente – não só perante o espaço inóspito, mas pelo afastamento a outros seres humanos e ao planeta Terra.

Apresentando uma história alternativa, o volume destaca-se por aproveitar a premissa e desenvolver exóticas paisagens lunares, montes e planícies de cores diferentes que serão, claro, estranhas à nossa percepção. Outro factor bastante positivo é o desenvolvimento de um sentimento de claustrofobia que vai transpirando das personagens para a história, mostrando como a tripulação, afastados da Terra, enfrentam o isolamento e se confrontam com o seu destino. O resultado é uma boa leitura mas que, a meu ver, poderia ter desenvolvido uma maior empatia para com as personagens, o que teria aumentado o impacto do desenvolvimento claustrofóbico.