The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction

Se bem repararam, o Rascunhos tem estado mais silencioso nestas últimas semanas. Tal redução de publicações deve-se ao surgir de um novo projecto que estou a coordenar conjuntamente com o Carlos Silva – o The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction.

Ainda que apenas tenha sido lançado no passado Sábado, dia 11, é um projecto que fervilha desde que a sua necessidade se tornou evidente na Eurocon de Barcelona, há alguns anitos. É que, após apresentarmos vários livros, autores e iniciativas portuguesas, não tinhamos nenhum portal que pudesse dar continuidade ao interesse que se gerava pelo que é feito em Portugal.

É neste seguimento que surge, então, o portal – um esforço conjunto de mais de 20 pessoas que inclui associações e vários bloggers para divulgar tudo o que ocorre a nível nacional em várias vertentes – literatura, jogos de tabuleiro, banda desenhada, videojogos, rgp, cinema, música, teatro. E em língua inglesa para podermos dar maior visibilidade internacional!

O arranque de dia 11 trouxe artigos sobre videojogos, jogos de tabuleiro, livros (claro) e banda desenhada – mas já estão programados artigos sobre cinema, teatro, eventos e muito mais. Estamos abertos a contribuições, sugestões, ideias e muito mais – basta contactarem-nos pelo formulário que se encontra na página.

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Os segredos de Loulé – João Miguel Lameiras, João Ramalho-Santos e André Caetano

Num futuro distante a humanidade regressa ao planeta Terra para pesquisar sobre o seu passado. Ao regressar ao planeta, mais propriamente a Portugal encontra uma arquivista que se mantém vivo após séculos, graças a elevada tecnologia, e que conta a história de Loulé e, consequentemente do planeta ao longo de milénios.

A história começa, como não poderia deixar de ser, com o surgir de vida no planeta, introduzindo a época dos dinossauros e os fósseis respectivos, prosseguindo com o surgir do homem e as várias civilizações que influenciaram a zona de Loulé – desde os romanos aos árabes. Neste componente a história pára para apresentar uma lenda mourisca da região (contada por uma personagem que é uma referência a Geraldes  Lino).

Seguem-se, claro, os reis portugueses e uma rápida progressão até à actualidade, sem esquecer a referência aos artistas de Loulé e aos eventos culturais da região, com destaque para o trabalho de Lídia Jorge e de Mousi (autora de Altamente).

Os segredos de Loulé arranja uma premissa pouco usual para contar a história de uma região utilizando investigadores do futuro para dispor o surgir de uma cidade e para apresentar alguns elementos curiosos. É uma história que apresenta história sem estar sobrecarregada com os factos e que concede pausas entre a exposição, focando os elementos principais e podendo servir de introdução para pesquisas mais profundas.

Notícias: Sleepwalk adaptado para cinema

Sleepwalk é uma das duas curtas histórias de banda desenhada  da autoria de Filipe Melo e Juan Cavia que foi publicada no livro Comer / Beber e na revista Granta 9. O autor, Filipe Melo é também realizador e a adaptação desta história é o seu mais recente trabalho cinematográfico! Para quem não se recorda, este não é o seu primeiro trabalho no cinema, tendo realizado anteriormente Um Mundo Catita, ou I’ll see you in my dreams (IMDB). Aguardo ansioamente detalhes sobre a possibilidade de visualização desta curta!

Assim foi: Fórum Fantástico 2017

As diferenças

O Fórum Fantástico cresceu, este ano, de forma bastante positiva! Por um lado notou-se a forte aposta em workshops, o que possibilitou integrar camadas mais jovens e manter um programa mais dinâmico. A par com a usual (e fantástica) impressão a 3D organizada pelo Artur Coelho, houve espaço para desenvolver a imaginação dos mais pequenos, construir Zepellins e armaduras, ou para aprender um pouco mais de ilustração com Ricardo Venâncio.

Por outro, é de realçar a maior ocupação do espaço da Biblioteca Orlando Ribeiro que deu nova vida ao espaço – era impossível não reparar na tenda que ocupava parte do pátio com uma pequena feira do livro, onde se viam exemplares de livros de ficção científica e fantasia, sem faltarem os da autoria de Mike Carey, o escritor convidado deste ano. Nesta pequena feira do livro exterior encontravam-se a Leituria e a Dr. Kartoon.

Mas não foi só com a feira do livro que houve uma maior ocupação do espaço. O bom tempo permitiu a existência de bancas de produtos diversos, com especial destaque para o Steampunk (ou não estivesse a decorrer a EuroSteamCon integrada no Fórum Fantástico), bem como de mesas e cadeiras no exterior que permitiram usufruir do bom tempo. O terraço, bem como outras salas da biblioteca foram ocupadas, permitindo a apresentação de jogos de tabuleiro (com participação da Morapiaf) e a exibição de pranchas de Ricardo Venâncio.

E as diferenças não acabaram por aqui – a existência de um bar aberto durante todo o evento facilitou a permanência no Fórum Fantástico pois em anos anteriores era usual ter-se de deixar o recinto para comer alguma coisa. O menu, fantástico, possuía várias alusões ao evento e a comida fornecida era de boa qualidade (pela Cacaoati).

Mike e Linda Carey

Mike Carey produziu mais de 200 comics, vários livros e guiões para cinema. Com a adaptação para cinema de The Girl with all the gifts tem-se tornado cada vez mais requisitado. Por sua vez, Linda Carey escreveu também alguns livros (alguns sob pseudónimo). O destaque para a imensa obra, principalmente a de Mike Carey, serve para contrastar com o espírito que ambos demonstraram, sem prepotências ou projecções de importância, atenciosos e simpáticos durante todo o evento.

Na sexta-feira Mike Carey, conjuntamente com Filipe Melo e José Hartvig de Freitas, falou da larga experiência na produção de comics, da forma como trabalha com diversos desenhadores e da sua própria evolução e adaptação. Destacou-se a produção da série Unwritten, ideia que surgiu em cooperação com Peter Gross, com o qual já se habituou a desenhar. Foi uma palestra interessante e bem disposta.

No Sábado decorreu a conversa com ambos, Mike e Linda Carey, moderada por Rogério Ribeiro, mais voltada para os restantes livros (fora do formato da banda desenhada) onde se falou intensivamente do The Girl with all the gifts, que foi escrito em simultâneo com a adaptação, para cinema, da mesma história. Ambos os autores demonstraram uma queda para pequenos elementos subversivos nas suas histórias.

As restantes palestras de sexta

E com esta nomenclatura não pretendia referir menor prestígio das restantes palestras, mas sim destacar as que envolveram o autor convidado.

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

O Fórum iniciou-se na sexta (para mim, que não pude ir aos worksops) com uma sessão de apresentação de João Morales e Rogério Ribeiro onde expuseram algumas das diferenças deste ano e destacaram algumas sessões e workshops.

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Nesta sessão referiram-se várias obras e respectivas projecções das ansiedades sociais, não só em relação à evolução tecnológica e respectiva perda dos papéis tradicionais (com especial referência à mulher grávida e aos úteros artificiais), como a novos modelos sociais.

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

A sessão apresentou a Opiarte enquanto espaço que permite, a alguns artistas, explorarem a vertente fantástica e de ficção científica nos seus trabalhos, espaço que visou responder a uma necessidade sentida pelos alunos da faculdade. Durante a sessão mostraram-se trabalhos produzidos neste núcleo, alguns dos quais se destacam pela qualidade.

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

(Cheguei no final)

As restantes palestras de sábado

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Os autores aproveitaram o espaço para falar sobre o seu percurso enquanto escritores, desde influências a desenvolvimento de método (destacando-se a referência de Ana Luz ao conto O Teste de João Barreiros), mostrando os livros em que já participaram, bem como os projectos futuros em que se encontram envolvidos.

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Cada EuroSteamCon costuma ser acompanhada pela publicação de um Almanaque Steampunk. O deste ano foi produzido em tempo recordo com a colaboração da Editorial Divergência. Ainda não tive oportunidade de ler, mas a publicação é curiosa, bastante atractiva visualmente, com conteúdos diversos e que promete bastante diversão para o leitor.

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

O prémio Adamastor este ano foi atribuído a João Barreiros e Luís Filipe Silva, dois dos poucos autores de ficção científica portuguesa que se têm destacado na divulgação do género dentro e fora do país. De realçar as várias antologias que João Barreiros organizou recentemente, bem como as colecções que organizou enquanto editor. Por seu lado, Luís Filipe Silva tem participado em diversas Con’s onde fala da ficção especulativa portuguesa, divulgando o que se fez em Portugal há várias décadas e o que se continua fazendo.

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Premiado e publicado na Galiza pela Urco Editora, Dormir com Lisboa é um romance de ficção especulativa que decorre na capital portuguesa, partindo da premissa de desaparecimento injustificável de várias pessoas. A passagem lida por João Morales denota um humor peculiar, com caricaturas de personagens e situações insólitas.

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Este projecto de banda desenhada português apresentou, no primeiro volume, uma qualidade gráfica excepcional, com elevado cuidado no tipo de papel utilizado e uma selecção cuidada de autores. À semelhança do primeiro volume, também o segundo foi publicado no Fórum, com a presença de tantos autores que por pouco transbordavam do palco.

Restantes palestras de Domingo

Infelizmente, Domingo apenas pude assistir à palestra do João Morales, Novas Metamorfoses Musicais, para além de participar em As Escolhas do ano com João Barreiros e Artur Coelho (sobre a qual dedicarei uma entrada específica para publicar as escolhas de cada um, como é usual).

A sessão de João Morales demonstrou o usual bom humor, com óptimas escolhas musicais onde se cruzam estilos e épocas, novas conjugações de musicas conhecidas em que destaco as seguintes:

(Venus in Furs: Versão portuguesa em Uma Outra História)

No final, há a destacar que o Fórum Fantástico é um evento TOTALMENTE gratuito, onde, todos os anos, várias pessoas se organizam para proporcionar, ao público, três dias de extrema diversão geek!

Monstress – Marjorie Liu e Sana Takeda

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Publicada pela Image, Monstress revelou um fabuloso mas negro mundo fantástico onde os seres humanos repartem o mundo com Arcanics, seres mágicos na sua maioria antropormóficos ainda que possam misturar características de outros seres ou elementos irreconhecíveis. Bem, repartir o mundo não será a palavra correcta. Os humanos encontram-se em guerra com os Arcanics e consomem-nos para obterem mais magia.

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A história começa com a captura de uns quantos Arcanics, entre os quais se encontra Maika, uma jovem Arcanic que tem poderes pouco usuais associados a uma marca corporal. Em missão de descoberta e vingança, Maika irá libertar-se e libertar os restantes prisioneiros, numa enorme chacina em que enfrenta o passado e revela um assustador monstro interior – um monstro faminto que a protege mas que toma conta da sua consciência e provoca horrores indescritíveis.

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De forte influência oriental, Monstress mistura várias mitologias e dá à figura felina um papel importante nesta realidade fantástica – um papel que vai ganhando importância com a progressão da narrativa, mostrando que são os detentores do conhecimento antigo, da história e de grandes segredos que poderão explicar o actual relacionamento entre os Arcanics e os seres humanos.

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Os Arcanics, vistos pelos humanos como animais úteis, monstros que são chacinados e usados em experiências macabras, são criaturas inteligentes e sensíveis com os quais é mais fácil mostrar empatia. Os humanos mostram-se, ora como marionetas obedientes, ora como seres manipuladores, sádicos em busca de maior poder.

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A história é sombria e explora, indirectamente várias temáticas. Por um lado, Monstress recorre a várias personagens femininas para quebrar os estereótipos e a comum atribuição de papéis.  Vilãs ou heroínas, as várias mulheres que aqui encontramos são personagens complexas, com passados que desconhecemos mas que vamos descobrindo, pessoas de objectivos vários que se confrontam em mais do que um plano.

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Para além da óbvia dissociação entre o género e a capacidade de realizar acções violentas, Monstress apresenta questões associadas à descriminação levando-nos a questionar não só o que define um ser humano mas a legitimidade de torturar, matar e usar indiscriminadamente seres sensíveis e, até inteligentes.

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Monstress é, em suma, uma banda desenhada de difícil definição. Contendo elementos que recordam a melancolia sombria de alguns animes com a impossibilidade de fugir de um destino mesmo que o mesmo se preveja catastrófico, é uma história de auto-descoberta encapuçada de demanda pela vingança.

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A ficção especulativa em Portugal – 2016

Se o ano 2016 foi catastrófico em diversas áreas, na ficção especulativa, não sendo extraordinário, foi um ano muito razoável, ultrapassando o ritmo de 2015 e abrindo portas para um 2017 que promete.

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Tivemos poucas visitas estrangeiras, quando comparamos com 2015 (marcado pela presença de David Brin na Leituria e por Lauren Beukes e Fábio Fernandes em Outras Literaturas entre muitos outros) mas a presença de Brandon Sanderson em Portugal, vindo da Eurocon em Barcelona foi um sucesso que levou muitos à FNAC, bem como a de Carlos Ruíz Záfon na Academia das Ciências. Com menor assistência mas, para mim, de maior destaque foi a vinda de Zoran Zivkovic para o lançamento de O Livro. De nota, a presença de Ken MacLeod nos Mensageiros das Estrelas, evento mais académico dedicado à Ficção Especulativa.

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Olhando para os eventos regulares, Os Sustos às sextas tiveram uma segunda época de sucesso e estão já a preparar a terceira onde alguns detalhes mais literários aguardam o anúncio oficial. Resta-nos aguardar impacientemente! Também este ano o Scifi-LX pareceu mais consolidado voltando ao Pavilhão Central do IST com robots, jogos, livros, palestras e várias outras coisas muito geeks. O Fórum Fantástico também retornou ao espaço habitual, em Telheiras, com os usuais três dias carregados de eventos fantásticos – e já há datas para a edição de 2017 ( 29 de Setembro a 01 de Outubro). De temática não especulativa, Recordar os Esquecidos escorrega de vez em quando na ficção científica e na fantasia, destacando-se pelas tardes bem passadas no Saldanha, revendo livros e autores.

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Mas 2016 também foi marcado pelo aparecimento dos Devoradores de Livros, uma tertúlia mensal que termina em jantar, que decorre na Leituria e onde se fala sobretudo de livros de ficção especulativa, mas não só. Ainda em solo nacional, João Barreiros apresentou Viagem ao retrofuturo, e deu-se especial destaque a António de Macedo, com o filme O Segredo das Pedras Vivas no MotelX, e o divertidíssimo documentário sobre a sua obra, Nos interstícios da Realidade. Ainda na Península Ibérica, mas fora de Portugal, é de destacar a forte presença portuguesa na Eurocon de Barcelona, associada ao evento Scifi-Lx e à Editorial Divergência, com Luís Filipe Silva a marcar presença em vários painéis.

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A nível de publicações de ficção especulativa nacional, também não foi um mau ano, com o lançamento de Terrarium na Comic Con (mas apenas disponível nas livrarias a partir de 27 de Janeiro), de Galxmente de Luís Filipe Silva (nova edição), A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários de António de Macedo, Os Marcianos somos nós de Nuno Galopim, e da primeira antologia Cyberpunk portuguesa, Proxy, pela Editorial Divergência. Em caminhos mais internacionais, foi publicado um conto de um autor português, Mário de Seabra Coelho, na Strange Horizons!

Sem estranhar, a publicação de livros estrangeiros continua escassa e camuflada em etiquetas genéricas e pouco alusivas à ficção especulativa. Eis os que achei mais relevantes:

Sobre o ano de 2015, podem consultar a entrada equivalente, A ficção especulativa em Portugal – 2015.

Resumo de Leituras (Outubro de 2015)

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117 Lightspeed Magazine Abril 2014 – Este é capaz de ser o melhor volume de uma revista que tive oportunidade de ler. Para além do vencedor do Hugo tem um excelente conto clássico de horror (The Authopsy de Michael Shea), uma excelente história de fantasia (The Only Death in the city de C. J. Cherryh, e um conto de Ted Chiang (um autor de ficção científica com uma extraordinária antologia).

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118 – The end is Nigh – vários autores – esta grande antologia de contos pré-apocalípticos é o primeiro volume de um tríptico – antes, durante e depois do apocalipse. Neste volume apenas encontramos histórias do antes – boas histórias que retratam os últimos momentos de eventos devastadores, com apocalipses de vários estilos. Poucos contos são excelentes mas todos estão bastante acima do medíocre.

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119 – Comédia em modo menor – Hans Keilson – um casal abriga, durante a segunda guerra mundial, um judeu, como forma de  minimizar os horrores dos campos de concentração. Mas se já é perigoso abrigar um dos perseguidos pelo regime, que fazer com o corpo quando o judeu lhes morre no esconderijo? Apesar do título não é cómico e centra-se na reviravolta que ocorre quando é o próprio casal que se vê obrigado a esconder.

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120 – Histórias fantásticas de Portugal – Vários autores – pequeno conjunto de autoria portuguesa, onde se exploram alguns momentos decisivos da história de Portugal, conferindo a estes eventos pormenores fantásticos. Por se centrarem quase todas em eventos específicos, apresentam-se quase todas como episódios de histórias maiores ao invés de constituírem por si uma história completa. Mais detalhe em tópico próprio.

Julho / Agosto de 2015

Percebi agora que, por lapso, acabei por não fazer a compilação de Julho. Eis pois uma única dos dois meses do Verão.

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Lançamentos nacionais relevantes

Estação onze – Emily St. John Mandel – Editorial Presença;

Purgatorial – Fernando Ribeiro – Saída de Emergência;

Cidade sem alma – Ransom Riggs – Bertrand Editora;

Os 100 – Kass Morgan – Topseller;

A pedra das lágrimas – Terry Goodkind – Porto Editora;

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Críticas interessantes

Ficção científica

Europe at midnight – Dave Hutchinson – Intergalacticrobot;

Os Marcianos somos nós – Nuno Galopim – Intergalacticrobot e Deus me Livro;

To your scattered bodies go – Philip Jose Farmer – Der Wanderer;

Três histórias com final feliz – Maria de Menezes – A Lâmpada Mágica;

O Homem do castelo alto – Philip K. Dick – Deus me Livro;

City – Clifford D. Simak – Intergalacticrobot;

Os pescadores de trevamar – Roger Eldridge – A Lâmpada Mágica;

The Steampunk Trilogy – Paul Di Filippo – Intergalacticrobot;

Re: Colonised planet, Shikasta – Doris Lessing – Intergalacticrobot;

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Fantasia

Tigana – a voz da vingança – Guy Gavriel Kay – Nuno Ferreira;

Tehanu – Ursula K. Le Guin – Que a Estante nos Caia em Cima;

O meu pé de laranja-lima – José Mauro de Vasconcelos – Deus me Livro;

Dias de sangue e Glória – Laini Taylor – Floresta de Livros;

Os leões de Al-Rassan – Guy Gavriel Kay – Nuno Ferreira;

A pedra das lágrimas – Terry Goodkind – Deus me Livro;

The Knife of Never Letting Go – Patrick Ness – Floresta de Livros;

Acacia: Vozes da Profecia – David Anthony Durham – Leituras do Corvo Fiacha e Uma bibliteca em construção;

República de Ladrões – Locke Lamora – Nuno Ferreira;

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Banda desenhada

Sharaz-De – Sergio Toppi – Intergalacticrobot;

Orquídea negra – Neil Gaiman – Que a estante nos caia em cima;

Unflattening – Nick Sousanis – Leituras de BD;

Sin City: A grande matança – Frank Miller – Nuno Ferreira;

Carnacki the ghost finder – William Hope Hodgson – Intergalacticrobot;

Sepulturas dos pais – David Soares – Que a estante nos caia em cima;

O comboio dos órfãos – Philippe Charlot – As Leituras do Pedro;

O Baile – Nuno Duarte e Joana Afonso – Que a estante nos caia em cima;

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Outros

El Sabueso y otras historias – vários autores – Intergalacticrobt;

A porta no muro – H. G. Wells – A Lâmpada Mágica;

The Bhagavad Gita – Juan Mascaró – Que a estante nos caia em cima;

Batalha – David Soares – Que a estante nos caia em cima;

Samarcanda – Amin Maalouf – Leituras do Corvo Fiacha;

As pegadas furtivas da serpente – António de Macedo – Intergalacticrobot;

Outros artigos

Penny Dreadful – Intergalacticrobot;

Três livros para (re)descobrir Dino Buzzati – Máquina de escrever;

– Breve História da BD (parte 1 | parte 2) – aCalopsia;

A importância das adaptações de banda desenhada – Leituras de BD;

Os livros que já imaginaram Plutão – Máquina de escrever;

Hugo Award – Viagem a Andrómeda [mini];

Processo de escrita Bruno Martins Soares – Leituras do corvo Fiacha;

Manual de sobrevivência para um astronauta – Máquina de escrever;

– A livraria mais pequena do mundo que se calhar não o é – Observador;

Haikasoru – O Castelo Alto do Fantástico Japonês – aCalopsia;

Eventos nacionais

ScifiLX Ano Zero – Intergalacticrobot;

– Recordar os Esquecidos (Agosto – entrada em curso);

Lançamento Pyongyang de Guy Delisle;

Recordar os Esquecidos (Julho);

Lançamento Da Família e Inventário do Pó;

– Apresentação Bang! 18;

Cobaias book session;

Resumos mensais anteriores

Junho 2015

Maio 2015

Março 2015

Fantasias Negras e Outras Histórias – Joel Puga

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Sob uma capa simples mas eficaz reunem-se cinco histórias do autor, cujos contos costumam aparecer em antologias do género como Lisboa no Ano 2000, ou Nanozine. A primeira história entitulada O Último pode ser encontrada gratuitamente em várias plataformas (mais detalhes sobre a disponibilização por mão do autor) e ainda que bem escrita, recorda mais um episódio de uma história maior do que uma história por si. Mas um bom episódio que transparece o tom melancólico e negro do conjunto que se nos apresenta.

Em Sasabonsam somos confrontados com uma história de guerra que me recordou, em linha condutora, Graves de Joe Haldeman. Mas se o conto do autor estrangeiro me tinha chateado pela forma pouco conclusiva com que termina, Sasabonsam consegue finalizar coerentemente num incidente irónico, depois de trechos de acção em que o desprendimento e selvajaria inicial dos guerrilheiros se transforma em temor ao confrontarem uma forma que pouco tem de humano.

Já a terceira história, O Castelo, foi a que menos gostei. Inicia-se com a ida à terra de um homem, pelo Natal, a convite do primo do qual tem poucas imagens agradáveis da infância. Mas a solidão em que ia passar este período festivo leva-o a aceitar o convite. À chegada não o espera a alegria da época, mas um pai nervoso e preocupado, que se prepara para pagar o resgate da filha raptada, esperando recuperá-la ilesa. Mantendo o tom negro do restante conjunto, desenrola-se num final expectável.

Susana é a penúltima história que acompanha o fantasma de uma rapariga enquanto esta recorda a sua vida miserável. De face carregada de cicatrizes, foi repudiada pelos pais e até pelo avô. As tentativas de se refugiar nos livros são marcadas pelo asco da bibliotecária. Finalmente, é expulsa de casa e obrigada a arranjar ocupação pouco honesta. Após tanto sofrimento, questiona-se sobre o seu destino eterno. História interessante e sofrida, termina numa reviravolta pesada e satisfatória.

Por último encontra-se o conto Uma demanda literária, que nos faz, também, pensar numa história mais longa do que aquela que se nos apresenta, uma história que gostaria de conhecer. Nesta um homem enfrenta várias provas para conseguir tesouros que lhe permitam adquirir mais uns volumes para a sua colecção, procurando agora o alfarrabista cuja loja se materializa em locais recônditos e isolados.

De tom negro envolvendo finais pouco esperançosos, esta colectãnea apresenta-nos histórias em que se sucedem as figuras demoníacas ou os vampiros tradicionais (e pouco românticos). De qualidade mais do que satisfatória, é um conjunto de histórias fantásticas que nada têm de juvenis, de perspectiva dura e final ainda mais penoso.

Ainda que não tenha gostado de todas as histórias da mesma forma, é bom ver que, no cenário português em que escasseiam os lançamentos de fantasia não juvenil, os autores não esmorecem e continuam a insistir no lançamento das suas obras, optando por formatos mais baratos e fáceis de difundir, como o formato digital. Para os que não se importam de ler neste formato, deixo as indicações do autor de como adquirir esta colectânea.

 

Notícias fantásticas (04.11.2009)

 

Começam a ser conhecidos mais detalhes sobre o evento fantástico que irá decorrer nos dias 21 e 28 de Novembro, na biblioteca municipal de Telheiras, mais especificamente, foi publicada a lista de convidados do evento.

Para além das Conversas Imaginárias, poderão encontrar a partir de dia 9 de Novembro a exposição “Há Conversas com o IMAGINarte”, com ilustrações da autoria dos membros do Núcleo de Arte Fantástica da Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

Os mais recentes posts no blog da livraria Pó dos Livros não são propriamente notícias, mas sim um aviso à navegação – um aviso sobre os vários esquemas, até burlas que rodeiam algumas “ofertas” de publicação, ou ainda passatempos com promessa de inclusão em antologias (Pseudo-editorasComentário ao post anterior “Pseudo-editoras”).

 

Notícias fantásticas (14.10.2009)

Dia 27 de Outubro irá decorrer, pelas 18h30, no auditório da SPA (Avenida Duque de Loulé) um debate sobre FC e Literatura Fantástica. Com Todas as Letras é o nome do evento organizado pela Meus Livros e SPA, onde se contará com a presença de Luís Corte Real (Saída de Emergência), João Seixas (editor da Livros de Areia), David Soares (escritor) e Pedro Reisinho (editor da Gailivro).

Entretanto, sobre o Festival Internacional de BD da Amadora, já começam a existir novidades. O evento irá decorrer entre os dias 23 de Outubro e 8 de Novembro e alguns dos autores estrangeiros já estão confirmados. Os horários e os preços também já se encontram disponíveis.

Para os potenciais escritores, encontram-se abertas as submissões à Antologia Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead para Doenças Excêntricas e Desacreditadas. A antologia é parcialmente uma tradução da colectânea organizada por  Jeff VanderMeer e Mark Roberts, que irá intercalar textos portugueses de assunto semelhante. Entre os autores da colectânea original podemos contar com Neil Gaiman, China Miéville, Michael Moorcock, Paul Di Filippo e Alan Moore. O regulamento para a submissão dos textos encontra-se no site da editora, Saída de Emergência.