Assim foi: Fórum Fantástico 2017

As diferenças

O Fórum Fantástico cresceu, este ano, de forma bastante positiva! Por um lado notou-se a forte aposta em workshops, o que possibilitou integrar camadas mais jovens e manter um programa mais dinâmico. A par com a usual (e fantástica) impressão a 3D organizada pelo Artur Coelho, houve espaço para desenvolver a imaginação dos mais pequenos, construir Zepellins e armaduras, ou para aprender um pouco mais de ilustração com Ricardo Venâncio.

Por outro, é de realçar a maior ocupação do espaço da Biblioteca Orlando Ribeiro que deu nova vida ao espaço – era impossível não reparar na tenda que ocupava parte do pátio com uma pequena feira do livro, onde se viam exemplares de livros de ficção científica e fantasia, sem faltarem os da autoria de Mike Carey, o escritor convidado deste ano. Nesta pequena feira do livro exterior encontravam-se a Leituria e a Dr. Kartoon.

Mas não foi só com a feira do livro que houve uma maior ocupação do espaço. O bom tempo permitiu a existência de bancas de produtos diversos, com especial destaque para o Steampunk (ou não estivesse a decorrer a EuroSteamCon integrada no Fórum Fantástico), bem como de mesas e cadeiras no exterior que permitiram usufruir do bom tempo. O terraço, bem como outras salas da biblioteca foram ocupadas, permitindo a apresentação de jogos de tabuleiro (com participação da Morapiaf) e a exibição de pranchas de Ricardo Venâncio.

E as diferenças não acabaram por aqui – a existência de um bar aberto durante todo o evento facilitou a permanência no Fórum Fantástico pois em anos anteriores era usual ter-se de deixar o recinto para comer alguma coisa. O menu, fantástico, possuía várias alusões ao evento e a comida fornecida era de boa qualidade (pela Cacaoati).

Mike e Linda Carey

Mike Carey produziu mais de 200 comics, vários livros e guiões para cinema. Com a adaptação para cinema de The Girl with all the gifts tem-se tornado cada vez mais requisitado. Por sua vez, Linda Carey escreveu também alguns livros (alguns sob pseudónimo). O destaque para a imensa obra, principalmente a de Mike Carey, serve para contrastar com o espírito que ambos demonstraram, sem prepotências ou projecções de importância, atenciosos e simpáticos durante todo o evento.

Na sexta-feira Mike Carey, conjuntamente com Filipe Melo e José Hartvig de Freitas, falou da larga experiência na produção de comics, da forma como trabalha com diversos desenhadores e da sua própria evolução e adaptação. Destacou-se a produção da série Unwritten, ideia que surgiu em cooperação com Peter Gross, com o qual já se habituou a desenhar. Foi uma palestra interessante e bem disposta.

No Sábado decorreu a conversa com ambos, Mike e Linda Carey, moderada por Rogério Ribeiro, mais voltada para os restantes livros (fora do formato da banda desenhada) onde se falou intensivamente do The Girl with all the gifts, que foi escrito em simultâneo com a adaptação, para cinema, da mesma história. Ambos os autores demonstraram uma queda para pequenos elementos subversivos nas suas histórias.

As restantes palestras de sexta

E com esta nomenclatura não pretendia referir menor prestígio das restantes palestras, mas sim destacar as que envolveram o autor convidado.

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

O Fórum iniciou-se na sexta (para mim, que não pude ir aos worksops) com uma sessão de apresentação de João Morales e Rogério Ribeiro onde expuseram algumas das diferenças deste ano e destacaram algumas sessões e workshops.

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Nesta sessão referiram-se várias obras e respectivas projecções das ansiedades sociais, não só em relação à evolução tecnológica e respectiva perda dos papéis tradicionais (com especial referência à mulher grávida e aos úteros artificiais), como a novos modelos sociais.

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

A sessão apresentou a Opiarte enquanto espaço que permite, a alguns artistas, explorarem a vertente fantástica e de ficção científica nos seus trabalhos, espaço que visou responder a uma necessidade sentida pelos alunos da faculdade. Durante a sessão mostraram-se trabalhos produzidos neste núcleo, alguns dos quais se destacam pela qualidade.

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

(Cheguei no final)

As restantes palestras de sábado

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Os autores aproveitaram o espaço para falar sobre o seu percurso enquanto escritores, desde influências a desenvolvimento de método (destacando-se a referência de Ana Luz ao conto O Teste de João Barreiros), mostrando os livros em que já participaram, bem como os projectos futuros em que se encontram envolvidos.

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Cada EuroSteamCon costuma ser acompanhada pela publicação de um Almanaque Steampunk. O deste ano foi produzido em tempo recordo com a colaboração da Editorial Divergência. Ainda não tive oportunidade de ler, mas a publicação é curiosa, bastante atractiva visualmente, com conteúdos diversos e que promete bastante diversão para o leitor.

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

O prémio Adamastor este ano foi atribuído a João Barreiros e Luís Filipe Silva, dois dos poucos autores de ficção científica portuguesa que se têm destacado na divulgação do género dentro e fora do país. De realçar as várias antologias que João Barreiros organizou recentemente, bem como as colecções que organizou enquanto editor. Por seu lado, Luís Filipe Silva tem participado em diversas Con’s onde fala da ficção especulativa portuguesa, divulgando o que se fez em Portugal há várias décadas e o que se continua fazendo.

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Premiado e publicado na Galiza pela Urco Editora, Dormir com Lisboa é um romance de ficção especulativa que decorre na capital portuguesa, partindo da premissa de desaparecimento injustificável de várias pessoas. A passagem lida por João Morales denota um humor peculiar, com caricaturas de personagens e situações insólitas.

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Este projecto de banda desenhada português apresentou, no primeiro volume, uma qualidade gráfica excepcional, com elevado cuidado no tipo de papel utilizado e uma selecção cuidada de autores. À semelhança do primeiro volume, também o segundo foi publicado no Fórum, com a presença de tantos autores que por pouco transbordavam do palco.

Restantes palestras de Domingo

Infelizmente, Domingo apenas pude assistir à palestra do João Morales, Novas Metamorfoses Musicais, para além de participar em As Escolhas do ano com João Barreiros e Artur Coelho (sobre a qual dedicarei uma entrada específica para publicar as escolhas de cada um, como é usual).

A sessão de João Morales demonstrou o usual bom humor, com óptimas escolhas musicais onde se cruzam estilos e épocas, novas conjugações de musicas conhecidas em que destaco as seguintes:

(Venus in Furs: Versão portuguesa em Uma Outra História)

No final, há a destacar que o Fórum Fantástico é um evento TOTALMENTE gratuito, onde, todos os anos, várias pessoas se organizam para proporcionar, ao público, três dias de extrema diversão geek!

Feira do Livro de Lisboa – Sugestões livros do dia – 04/06/2017

Eis algumas sugestões de entre os vários livros do dia de hoje!

Referência ao género distópico, 1984 continua a ser um livro actual, cada vez mais aconselhável, publicado em Portugal pela Antígona, a mesma editora que publicou clássicos do género como Nós de Zamiatine ou Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.

Oscilando entre os tons sépia e os gradientes de cinzento, na ausência de palavras, as imagens contam uma história de emigração, acompanhando o sacrifício de um homem em deixar a família procurando condições melhores, na esperança de, um dia, os poder trazer. Emigrantes de Shaun Tan é um dos livros mais emotivos do autor e em Portugal foi publicado pela Kalandraka. Para os interessados eis um comentário mais longo ao livro.

Destinado a  um público mais juvenil, Os Livros que Devoraram o meu pai, contém várias referências a personagens ficcionais conhecidas utilizando-as para adicionar camadas de complexidade a uma história relativamente simples. O livro foi publicado pela Editorial Caminho. Para os interessados eis um comentário mais longo.

Utilizando a experiência com a banda desenhada e a frequência do curso de Psicologia Miguel Montenegro criou uma série de tiras cómicas que ironizam as práticas e as teorias da Psicologia. A primeira edição de Psicopatos foi publicada através da própria faculdade que frequentava. Entretanto foram publicados dois volumes pela Arcádia.

Assim foi: Portugal na Eurocon

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Imagem retirada da página oficial do CCCB

Se tivesse que me mudar para outra cidade europeia decerto mudaria para Barcelona – ruas lindíssimas rodeadas por montes e mar, população de etnia variada e, claro, um sem fim de livrarias enormes, algumas especializadas, outras genéricas, quase todas com obras em vários idiomas (até em português). Saber que a próxima Eurocon seria em Barcelona foi um elemento decisivo para planear uma viagem com dois anos de antecedência. Sim, dois anos. Leram bem.

Para quem não sabe o que é a Eurocon, é uma convenção de ficção científica a nível Europeu que se centra em livros. A convenção decorre todos os anos num local diferente decidido por votação. Para a Eurocon de Barcelona foram anunciados alguns dos autores mais relevantes na ficção científica europeia, como Aliette de Bodard, Johanna Sinisalo, Andrzej Sapkowski, Albert Sánchez Piñol ou Richard Morgan (que esteve em Portugal há uns anos, para o Fórum Fantástico).

Apesar de não ter participado nos anos anteriores, pareceu-me que, devido à proximidade (Barcelona é já ali ao lado), a Eurocon de 2016 se diferenciou por uma forte presença lusa, havendo, para além de uma consistente participação do Luís Filipe Silva em vários painéis, uma banca com divulgação da Ficção Científica em Portugal, obra de André Silva, Tomás Agostinho, Carlos Silva e Pedro Cipriano.

Painéis com participação portuguesa

Atrás han quedado los días de gloria del Imperio – Luís Filipe Silva

SFF in Portugal Nowadays – Luís Filipe Silva, Carlos Silva e eu

Dédalo – Tomás Agostinho

Is there a Southern European SF? – Luís Filipe Silva (e outros autores)

How to promote Euro SF – Luís Filipe Silva (e outros autores)

Atrás han quedado los diás del gloria del Imperio

Não pude assistir a esta mas, felizmente, há gravação.

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Retirado do Twitter oficial da Eurocon

SFF in Portugal Nowadays

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Pati Manning

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Pati Manning

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Pati Manning

Ainda que a sessão tenha decorrido no edifício Pati Manning (lindíssimo, mas menos central no circuito da Eurocon) tivemos direito a público e a gravação (não oficial). Por enquanto aqui ficam os slides apresentados, realçando-se que foi, também, referido António de Macedo tanto pelos filmes que produziu, como pelos livros que tem escrito. Muito ficou por falar e por destacar mas, infelizmente, não havia espaço para tudo.

Is there a Southern European SF?

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Com moderação de Luís Filipe Silva, esta mesa reuniu Anders Bellis, Arrate Hidalgo, Francesco Verso e Claude Lalumiére numa conversa que deu especial destaque à proximidade Mediterrânica e onde Claude Lalumiére, de origem canadiana, falou das mudanças que a sua própria escrita sofreu com a proximidade ao mar. Esta sessão foi gravada:

How to promote Euro SF

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Sessão mais movimentada, marcada por opiniões mais vincadas, em que se destacou o papel dos prémios nacionais para promover a obra de ficção científica em cada um dos países europeus.

Outras presenças portuguesas

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Sci-fi LX a marcar presença na Eurocon com uma banca em que divulgaram vários projectos portugueses

O Sci-Fi Lx, representado por André Silva, Carlos Silva e Tomás Agostinho marcou espaço com uma banca em que apresentou, não só os projectos que lhe estão directamente relacionados, como outros, portugueses, sendo que a disposição do material era dinâmica, modificada ao longo do dia para ir destacando os vários produtos e ideias. Muitas foram as pessoas que pararam, de diferentes nacionalidades e interesses para saber mais sobre o que se faz neste quadrado à beira mar plantado e a boa disposição dos intervenientes rapidamente se tornou contagiante!

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Eurocon 2016 – Souvenir Book – livro distribuído a todos os participantes da Eurocon

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Eurocon 2016 – Souvenir Book – livro distribuído a todos os participantes da Eurocon

O Souvenir Book é um livro de 160 páginas que contém artigos relacionados com a ficção científica europeia. Entre estes artigos encontramos quatro páginas da autoria de Luís Filipe Silva em que se fala da história da ficção científica portuguesa.

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À esquerda Zine produzida durante o evento (http://edm-online.de / http://Hansecon.blogspot.com) e à direita um dos postais distribuídos a todos os participantes com a publicidade à Fénix.

E quase que me esquecia, eis os nomeados portugueses para as várias categorias dos prémios ESFS (na página da Locus podem consultar os vencedores):

  • Best author – João Barreiros
  • Best magazine – Bang!
  • Best artist – Edgar Ascensão
  • Best fanzine – H-Alt
  • Best website – Bibliowiki

E o Encouragement Award português vai para… Rui Ramos!

Por último e, ainda que não esteja bem relacionado com a Eurocon, foi engraçado andar a passear por ruas escuras da zona gótica e descobrir livros portugueses numa montra minúscula !

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Algumas novidades para o Amadora BD

O AmadoraBD começou ontem e com a aproximação do evento as editoras têm anunciado algumas das novidades que têm preparado. Eis alguns lançamentos, da G Floy e da Arte de Autor. Nos próximos dias seguir-se-ão mais alguns !

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Várias histórias se cruzam neste volume: Gwendolyn e a Gata Mentirosa arriscam tudo para tentarem encontrar uma cura para A Vontade, enquanto Marko e o Príncipe Robot IV se tornam aliados improváveis na busca dos seus filhos desaparecidos, presos num mundo estranho por terríveis inimigos.

Fantasia e ficção científica – e sexo, política, traição, morte, amor verdadeiro e reality shows – juntam-se como nunca antes neste épico subversivo e provocante do escritor Brian K. Vaughan e da artista Fiona Staples.

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udo o que ela queria, era ter sido super-heroína…

As aventuras da Vingadora que se tornou detective privada continuam em mais dois casos. Jessica Jones viaja para uma pequena cidade do interior, uma cidade cheia de preconceitos e racismo, para investigar a desaparição de uma adolescente que todos acreditam ser uma mutante… mas será mesmo? E, logo depois, a nossa investigadora azarada vai sair num encontro com… o Homem-Formiga?!

Continuam as aventuras da heroína de banda desenhada da Marvel que deu origem à série de TV da NETFLIX com o mesmo nome!

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Anne tem 19 anos, e parte um osso do tornozelo chamado astrágalo, ao saltar a parede da prisão onde está presa por assalto. Salva por Julien, um ladrão como ela, Anne irá esconder-se, sofrer, rebelar-se, voltar a fugir, tanto faz, está loucamente apaixonada por Julien.

Estavam em fuga, livres e totalmente, furiosamente selvagens… E a sociedade autoritária do pós-guerra da França vai fazer-lhes pagar o preço dessa liberdade.

Adaptado do romance de Albertine Sarrazin, O Astrágalo fez descobrir a milhões de leitores o destino de uma jovem mulher escandalosamente livre na França de antes de Maio 68. Desse destino, Albertine Sarrazin conseguiu fazer uma obra-prima, marcada pelo signo de uma liberdade audaciosa, tónica e cheia de humor. O Astrágalo é o primeiro volume de uma autobiografia em três volumes. No ano em que saiu o terceiro, 1967, Albertine Sarrazin morreria numa mesa de operações. Ainda não tinha 30 anos.

“Albertine, a pequena santa dos escritores inconformistas. Pergunto-me se sem ela, eu seria o que sou hoje. O seu mantra juvenil foi aceite de corpo e alma, impregnando o meu espírito juvenil.”
Patti Smith

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Na pequena vila de Harrow County, no Sul dos Estados Unidos, a jovem Emmy sempre soube que a floresta à volta da sua casa estava cheia de fantasmas e monstros. Mas, na véspera do seu décimo oitavo aniversário, ela descobre que está profundamente ligada a essas criaturas – e à própria terra que pisa – de uma maneira que nunca poderia ter imaginado. Aos poucos, sentirá nascer dentro dela os estranhos poderes que a ligam ao passado de Harrow County… estará ela pronta para enfrentar todos os seus mistérios?

Considerada pelo lendário Mike Mignola como a melhor série do ano de 2015, Harrow County conta-nos a viagem iniciática de uma jovem rapariga numa terra imbuída de sobrenatural. Uma história terrível e onírica ao estilo “southern gothic”, criada pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhada e pintada pelo artista Tyler Crook.

“Ao mesmo tempo incrivelmente sedutora e muito perturbadora, esta série é um sucesso brilhante”
Mike Mignola

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Uma obra inédita no nosso mercado. Esta foi a BD que serviu de argumento ao filme “A Vida de Adéle” que no Festival de Cannes de 2013 obteve a Palma de Ouro para o melhor filme. É um livro excepcional, que teve grande sucesso em todos os países onde foi publicado, nomeadamente no Brasil. É também um livro com vários prémios, nomeadamente o do Público no Festival Internacional de BD de Angoulême.

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Druuna está de regresso para desvender as suas origens numa história sem palavras que dá pelo título de Anima. Vinte anos depois de lhe ter dado vida, e 13 anos após a publicação do último álbum, Serpieri regressa ao universo da sua famosa heroína, o qual é um misto de ficção científica e de heroic fantasy, povoado de estranhas criaturas, hostis ou amorosas.
Este tomo 0 é complementado com um caderno de 18 páginas que contem esboços e uma história curta de 7 páginas, inédita, a qual data de 1981.

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O professor Mortimer está farto. Já não suporta ver os outros aproveitarem-se da sua lendária gentileza. Que o seu velho cúmplice Francis Blake se enfie em sua casa,    ainda vá. Que Nasir, o seu fiel servidor, exija um aumento e o pagamento de    horas extraordinárias, aceita-se. Que um bando de delinquentes, que diríamos saídos   do filme Laranja Mecânica, o chateiem, admite-se. Mas quando Blake lhe chama “mole”,   o seu sangue escocês começa a ferver: isto tem de mudar! De regresso a casa, Mortimer prepara um produto revolucionário que o vai transformar num malfeitor  impiedoso e dominador… Por Jove e por Horus! Mas o que é que aconteceu ao nosso  velho amigo Mortimer? Não contente por se transformar fisicamente, qual doutor Jekyll, agora frequenta clubes de strip-tease, aterroriza Olrik e persegue a ambição de dominar o mundo?
Admirador do Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr Hyde, o romance de Stevenson, o  argumentista Pierre Veys é também um leitor assíduo de Jacobs, tal como Nicolas Barral que tem o prazer de reproduzir, nos mais infimos pormenores, o seu universo gráfico  .

Eventos: Fórum Fantástico 2016

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Está-se a aproximar o evento fantástico mais esperado do ano em Portugal, o Fórum Fantástico de 2016. O programa já se encontra publicado e este ano vamos poder contar, como já é habitual, com palestras incidindo sobre diversas artes envolvidas na ficção especulativa. Ao longo do evento (gratuito) decorrerá uma pequena Feira do Livro Fantástico onde estarão presentes editores e autores independentes.

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Prevejo assistir aos três dias e destacaria este ano, para sexta, a perspectiva mais académica sobre ficção especulativa que será apresentada (Investigando fantasia e ficção científica) ou a componente musical associada aos géneros (Metamorfoses musicais).

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Já no Sábado, o dia começa com um workshop sobre impressão 3D, e depois de almoço assistirei decerto a Outra História, Outro Portugal (entre os autores encontra-se Miguel Real, o autor de O Último Europeu), e ao lançamento da antologia Proxy (uma antologia portuguesa cyberpunk que já tive a oportunidade de ler e que vale muito a pena).

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No Domingo temos o usual espaço de Sugestões de Literatura e cinema (com João Barreiros, Artur Coelho e eu) e prevejo assistir à apresentação de Galxmente de Luís Filipe Silva.

Assim foi: Scifi-lX 2016

Decorreu esta fim-de-semana o Scifi-LX, um evento totalmente dedicado à ficção científica, com direito a palestras, filmes, robots, exposições, impressão 3D, banda desenhada, lançamentos… entre outros! Este ano só pude ir no Sábado e cheguei mais tarde do que pensava – o calor não perdoa.

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O átrio revela-se carregado de boas surpresas – videojogos, vários bonecos em crochet, a imaginauta (com Comandante Serralves e os pequenos livros da colecção Barbante), a Bookshop Bivar (uma loja de livros ingleses que para este evento trouxe vários livros de ficção científica), entre outras coisas.

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Na parte de cima encontramos uma exposição de banda desenhada onde encontramos pranchas de vários autores, bem como posters não oficiais de filmes marcantes no género, e alguns autores de banda desenhada a dar autógrafos:

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Carlos Pedro entre autógrafos

Era também no andar de cima que decorriam as palestras, bem como os espaços mais tecnológicos, com construções de Lego com movimento, bancas Steampunk, espaço para videojogos, RPG’s – um sem fim de actividades:

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Durante o Sábado decorreu uma palestra sobre Ficção Científica: Um Universo Transnacional com participação de Luís Filipe Silva, Teresa Botelho (da Universidade Nova de Lisboa), Adelaide Meira Serras e João Félix (ambos da Faculdade de letras da Universidade de Lisboa, do grupo Mensageiros das Estrelas).

A conversa incidiu sobretudo sobre utopias / distopias, com especial destaque para obras de Ursula Le Guin (é inevitável a referência a The Dispossessed ou The Left Hand of Darkness sem esquecer, claro, The ones that walk away from Omelas) – ainda que, para mim, não haja conto distópico mais brutal que The Lottery. Entre vários géneros da ficção científica falou-se da ficção científica ecológica com especial ênfase, claro, a The Water Knife de Paolo Bacigalupi. Por ler, ficou-me o The Machine Stops de E. M. Foster, em que a humanidade está tão dependente da máquina que uma pequena quebra informática pode por em risco a espécie (já agora, o conto encontra-se disponível gratuitamente aqui).

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A esta palestra seguiu-se uma apresentação sobre zombies com o objectivo de expor, não só a evolução da figura sobrenatural no cinema, como as raízes para o seu mito, bastante mais antigas do que o cinema:

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O dia de Sábado terminou (para mim) com o painel de convidados das exposições de banda desenhada: Miguel Montenegro, Ricardo Venâncio, Carlos Pedro e André Morgado. Este painel teve especial relevância por se ter transformado numa conversa mais informal em que foram os próprios autores (com experiências diferentes) a colocarem-se questões sobre os percursos distintos de cada um (principalmente André Morgado).

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Depois de um dia em cheio, voltei com mais dois livrinhos de banda desenhada, Altemente de Mosi e Double Helix and other stories de Ewing e Montenegro, bem como (im)prováveis destinos de viagem (da Bookshop Bívar):

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Eventos: Sci-FI LX

Robots, viagens no espaço, impressões 3D ! Um evento para qualquer geek digno desse nome – É já este fim-de-semana que decorre o maior evento em Portugal dedicado exclusivamente à ficção científica, seja sob a forma cinematográfica, sejam palestras e workshops sobre os mais diversos (e futurísticos) temas.

Contando com um espaço comercial (onde encontramos a Bookshop Bivar, a Kingpin Books, e a Imaginauta, entre outros) e exposições (sobretudo de banda desenhada) vamos ter, também oportunidade de assistir a um duelo steampunk ou a impressões 3D.

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Para visualizarem todas as actividades inerentes ao Sci-fi LX podem consultar a página oficial, enquanto que aqui irei falar daquelas que me despertam mais interesse. Entre elas estão, claro, as exposições de banda desenhada, com especial destaque para Carlos Pedro, Miguel Montenegro, Ricardo Venâncio ou H-alt. De realçar que estes autores estarão num painel a decorrer pelas 19h00 de Sábado e que decorrerá uma sessão de autógrafos de A Vida Oculta de Fernando Pessoa com André Morgado.

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Entre a apresentação do Projecto Mensageiros das Estrelas (que tem trazido alguns autores de ficção científica a Portugal como Geoff Ryman) , encontramos palestras sobre Viagens no tempo (a necessidade de viver além do presente), a ficção científica em videojogos, FC em Universo Transnacional (com destaque para a presença de Luís Filipe Silva e Teresa Botelho) e zombies.

TIC

Para actividades mais interactivas temos Impressões em 3D (TIC em 3D) durante os dois dias, crochet (nada como um Yoda de crochet), pintura, duelos, jogos de tabuleiro, cosplay ou torneios de robots.

Claro que não falei de muita coisa, apenas das que mais me interessavam. Há vários eventos temporalmente sobrepostos pelo que se não vos interessar algo em particular podem aproveitar a restante programação nos outros espaços do evento.

Ficção especulativa em Junho de 2016

Por vários motivos (entre os quais o tempo) esta rubrica tem estado ausente do blogue há alguns meses. Não que tenha desistido. A última vez que lhe peguei comecei um resumo de três meses que falhei em gravar antes de fechar o browser. Esqueçamos o que está para trás – o melhor é começar novamente a partir do último mês. A novidade é a separação da banda desenhada (uma área que consegue ter muitos mais lançamentos, críticas e eventos num mês que a ficção especulativa num ano). Espero fazer depois um só sobre banda desenhada.

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Lançamentos nacionais relevantes

Este mês foi forte em publicação, em parte por conta da Feira do Livro de Lisboa, local onde ocorreu o lançamento de alguns destes livros:

Cinzas de um novo Mundo – Rafael Loureiro – Editorial Presença;

O Livro – Zoran Zivkovic – Cavalo de Ferro;

A Canção de Shannara – Terry Brooks – Saída de Emergência;

2396 – Criada para Matar – Catarina Marçal Pereira – Verso da Kapa;

Crash – J. G. Ballard – Elsinore;

Histórias de Vigaristas e canalhas – vários autores – Saída de Emergência;

A Rapariga que sabia demais – M. R. Carey – Nuvem de tinta;

Ouve a canção do vento e Fliper, 1973 – Haruki Murakami;

Os 100: Regresso a Casa – Kass Morgan – Topseller;

Illuminae – Amie Kaufman e Jay Kristoff – Nuvem de Letras;

Terra Fresca – João Leal – Quetzal editores;

Críticas interessantes

Este mês marca o regresso do Inner Space com um comentário a um livro português!

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Ficção científica

Portugal, e o futuro – Manuel da Silva Ramos – Inner Space;

Lembranças da Terra – Ângelo Brea – Intergalacticrobot;

A História de uma Serva – Margaret Atwood – Bloco de Devaneios;

The Water Knife – Paolo Bacigalupi – Floresta de Livros;

Cinzas de um novo mundo – Rafael Loureiro – Uma Biblioteca em construção;

O restaurante no fim do Universo – Douglas Adams – A Lâmpada Mágica;

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Fantasia

Antigas e Novas Andanças do Demónio – Jorge de Sena – Intergalacticrobot;

Alex 9: A Magia dos Ventos – Bruno Martins Soares – A Lâmpada Mágica;

Príncipe dos Espinhos – Trilogia dos Espinhos – Nuno Ferreira | Uma biblioteca em construção;

O trono dos crânios – Peter V. Brett – Leituras do Fiacha;

Uprooted – Naomi Novik – Leitora de fim-de-semana – e eu que pensava que era a única a ter achado que a autora se tinha perdido a meio da história;

O Cisne Selvagem e outros contos – Michael Cunningham – Máquina de Escrever;

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Outras obras

A Colecção Privada de Acácio Nobre – Patrícia Portela – Bibliotecário de Babel | Deus me Livro | Cadeirão Voltaire;

O Livro – Zoran Zivkovic – A Roda dos Livros;

Illuminae – Amie Kaufman e Jay Kristoff – Pedacinho literário | Uma biblioteca em construção;

O escritor-fantasma – Zoran Zivkovic – A Roda dos Livros;

Outros artigos

– +18: Um brevíssimo update – Bladerunner;

Ficção científica na RTP (Carlos Silva e Inês Montenegro);

– Conversa com Zoran Zivkovic (Parte 1 | Parte 2)

– Qual o futuro dos livros – Dinheiro vivo;

– Frenesi – um pavilhão de tesouros na Feira do Livro de Lisboa – O Corvo;

– É um pecado maior não ler um livro do que o roubar – Diário de Notícias;

– Escorraçar o diabo com a galinha preta e o banho santo – Público;

Eventos nacionais

Recordar os Esquecidos;

Zoran Zivkovic em Lisboa;

Os Marcianos somos nós na Feira do Livro;

Devoradores de Livros.

Feira do Livro de Lisboa 2016 – Opinião

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Se a Feira do Livro já tem decorrido em alturas muito frias ou muito quentes, este ano foi quase perfeita. Houve alguns pingos (mas nada que impedisse de se lá estar), houve muito sol e calor mas felizmente havia esplanadas à sombra que completavam os breves momentos de vento fresco.

O horror – a entrada

Com obras ou sem obras, o posicionamento das carrinhas de comida não ajuda o acesso à feira – um corredor estreito. Aliás, de quem vem do Marquês de Pombal, quase tem de se parar para perceber como se entra. Em alturas de maior movimento entrar na feira era fazer parte de um pequeno e lento comboio.

O muito mau – os espaços próprios

Desde que houve a ideia, há uns anos, de ter espaços próprios, de design diferente para alguns grupos editoriais, que tenho sentido repulsa pela ideia. Mas este ano, tendo passado umas dez vezes pela Feira (deixei de contar) percebo que são óptimos espaços de promoção do nome do grupo, mas ainda me questiono se serão óptimos espaços de venda.

No caso, tanto da Leya como da Editorial Presença, a disposição espacial parece proporcionar uma sensação de espaço cheio, mesmo quando apenas lá estão meia dúzia de gatos pingados. Impede-se a circulação, dificulta-se a visualização dos livros e, por fim, inibe-se a compra. Pelo menos da  minha parte. Nestes espaços a minha estratégia é sempre a mesma – ir directamente a algum livro específico (normalmente do dia), comprar e fugir. A ideia de que se trata mais de um espaço de promoção do que de venda é reforçada por trazerem apenas uma selecção do catálogo ouvindo-se demasiadas vezes “esse não trouxemos”.

No caso da Babel parece ter existido uma evolução positiva que ficou a meio caminho. Felizmente o grupo parece ter desistido completamente do formato túnel, mas aderiu aos pavilhões abertos – ao invés de podermos visualizar os livros expostos quando passamos, somos forçados a entrar. Constato que passei várias vezes pelo espaço, têm livros que quero comprar e não parei uma única vez.

O mau – Divulgação de promoções

Para além destes defeitos espaciais, há os defeitos promocionais  – editoras que não divulgam os Livros do Dia, ou que o fazem em canais específicos que tornam a pesquisa uma autêntica caça ao tesouro, ou que só o fazem de vez em quando. No meu caso a divulgação dos livros do dia determina a passagem na Feira e acaba por me fazer adquirir mais alguma coisa. Se não há divulgação dos livros do dia… bem… é provável que não passe nem perto de determinado stand.

O assim-assim – Os espaços de lazer

Houve quem criticasse a quantidade de carrinhas de comida gourmet. Bem, posso dizer que adorei as esplanadas e os espaços de apresentação. Permitem paragens a meio (o que para quem vai carregado é uma mais valia) principalmente quando o sol a pique.

O que critico neste ponto é o destaque que lhes foi feito – é mais fácil encontrar as bifanas no mapa do que os stands das editoras. Que haja ofertas sem glúten, sem lactose e outras que tais – excelente. O que não devia acontecer era a carrinha da comida servir como melhor ponto de referência do que uma editora.

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O lado bom da Feira 

Bem, expondo detalhadamente os pontos negativos até parece masoquismo lá ir. Nem por isso. O Parque Eduardo VII é um sítio excelente onde encontramos livros a bom preço e alguns que nem sempre estão nas livrarias – até porque, logo à entrada, temos uma série de alfarrabistas com uma oferta variada.

Este ano destacaram-se os eventos, principalmente as palestras e os eventos que decorrem em locais agradáveis, perto dos pontos de restauração. O único problema foi terem concentrado vários eventos no mesmo dia / hora existindo outros dias mais libertos no fim-de-semana – o dia 04 foi particularmente carregado.

Portanto, assisti à sessão do Nuno Galopim sobre Os Marcianos somos nós, ao lançamento de Os Vampiros de Filipe Melo e Juan Cavia (o lançamento bem como as várias sessões de autógrafos foram um sucesso), à apresentação de Simon Scarrow (superou as expectativas), ao lançamento de O Livro de Zoran Zivkovic (excelente – mais tarde coloco os vídeos e as fotos) e regressei da Feira com vários livros autografados. De destacar que a maioria das editoras realizou preços especiais às obras dos autores convidados.

Assim foi: Simon Scarrow em Portugal

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Há muitos anos, quando ainda existia um fórum chamado Filhos de Athena, comecei a ouvir falar do nome Simon Scarrow através de uma amiga entusiasmada com a Ficção Histórica (e frequentadora do mesmo fórum). Naquela altura já me tinha afastado do género (depois de seis livros seguidos da série Primeiro Homem de Roma de Colleen McCullought, depois de toda a série de policiais romanos de Steven Saylor, de quase tudo o que estava publicado de Bernard Cornwell e Stephen Lawhead em português e inglês e depois de mais uns quantos autores menos favoritos) mas guardei a referência à série publicada pela Saída de Emergência, curiosa com a dinâmica das duas personagens principais que, pelo que percebi, assentava numa fórmula simples mas funcional.

Foi com esta memória alheia que me desloquei à Feira do Livro para assistir à apresentação do autor. Apesar de ter chegado atrasado (confusões burocráticas com marcações de espaços e divulgação de horários) a apresentação correu lindamente, dando-nos a ideia de um escritor bem humorado, um professor de história exigente, mas sobretudo um investigador cuidadoso que não se baseia apenas em livros, mas também nos locais onde pretende descrever a acção, de forma a captar detalhes mais interessantes e realistas.

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Ao contrário do que é usual, a sessão decorreu com imensas questões do público, contagiados (talvez) pela animação do autor. Claro que não poderiam faltar questões sobre as personagens principais, questionando se o autor se reveria nalguma delas. A resposta foi simples e engraçada – ambas as personagens teriam algo do autor, mas em fases distintas da sua vida.

Sobre a forma como constrói as histórias, o autor foi falando das inúmeras ideias que tem (mas que não irá conseguir concretizar na totalidade), da necessidade de aprender com os actores que tentam recriar o ambiente do Império Romano (andando longas distâncias com as pesadas armaduras, o que traz difíceis questões de higiene), das viagens que realizou para conseguir descrever cenários.

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No final, fiquei convencida e lá trouxe os três primeiros da série, com direito a autógrafo (o primeiro foi oferta no pavilhão da editora).

Eventos: Zoran Zivkovic em Portugal

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É já na próxima semana que Zoran Zivkovic volta a Portugal para a apresentação do novo livro intitulado O Livro no dia 06 pelas 18h30 na Bertrand do Chiado e no dia 07 pelas 18h30 na Feira do Livro de Lisboa (Praça Amarela) com moderação de João Morales. Para mais detalhes podem consultar a página oficial do evento.

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Zoran Zivkovic é o autor responsável por alguns dos meus livros favoritos, destacando-se A Biblioteca por ter sido o primeiro que li (publicado em Portugal pela Cavalo de Ferro, contando com pelo menos três edições, sendo que a última é a que possui a melhor capa).

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A maioria dos seus livros possui um conjunto de histórias de tema semelhante que se encaixam numa história maior. Os temas são variados, mas destacam-se as referências constantes a casas de chá, gatos, bibliotecas e livros, bem como aos elementos que dão vida ao Livro – o escritor, o leitor e as personagens; desconstruindo-se, nalgumas histórias, o papel de cada um, e a forma como interagem.

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Felizmente a Cavalo de Ferro tem vindo a lançar edições em português deste autor. Caso pretendam saber um pouco mais sobre alguns dos livros, podem consultar um pequeno resumo que escrevi o ano passado sobre todos os livros de Zoran Zivkovic que já tive possibilidade de ler.

Eventos: Outras Feiras

Aproveitando a Feira do Livro de Lisboa, algumas livrarias lançam também as suas feiras onde prometem livros a preço convidativo. Eis algumas:

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A partir de amanhã, dia 27, começa uma promoção na Leituria que promete bons livros a bons preços, podendo ver-se, na página, alguns exemplos. Recordo que é nesta livraria que têm ocorrido alguns eventos (como a palestra de David Brin a Portugal) e que foi onde decorreu o primeiro encontro mensal de ficção científica, no passado dia 19 de Maio.

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Começou dia 22 de Maio  o Mercado do Livro na Ulmeiro (em Benfica). Este mercado irá estender-se até dia 03 de Junho.

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Por sua vez, na FNAC, encontra-se a decorrer a Festa do Livro com especial ênfase em distopias, onde encontramos We de Zamiatane, 1984 de George Orwell ou Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, entre outros. Mas a promoção tem muito mais do que distopias e encontramos Julio Cortazar, Knut Hanmsun ou Elias Canetti.

Eventos: Feira do Livro de Lisboa 2016 – alguns autores convidados / lançamentos

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Todos os anos esperamos ansiosamente que apareça qualquer tipo de informação na página oficial da Feira do Livro de Lisboa. Não sei como é com os restantes visitantes, mas entre os livros do dia e os autores convidados vou organizando as minhas idas, e é difícil fazê-lo sem grande antecedência.

Talvez por isso é que quase todas as editoras vão criando os seus próprios eventos no facebook e divulgando antecipadamente os autores convidados. Eis alguns que já foram divulgados e que me interessam:

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26 de Maio – 16h – Luís Louro e António José Simões

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26 de Maio – 16h00 – José Eduardo Agualusa

27 de Maio – 17h00 – José Eduardo Agualusa

28 de Maio – 17h00 – José Eduardo Agualusa

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26 de Maio – 17h30 – Miguel Montenegro

27 de Maio – 17h30 – Miguel Montenegro

28 de Maio – 15h30 – Miguel Montenegro

29 de Maio – 15h30 – Miguel Montenegro

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28 de Maio – 18h00 – Nuno Galopim

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29 de Maio – 17h – Os Vampiros – Filipe Melo e Juan Cavia

Depois do sucesso da trilogia de Dog Mendonça e Pizzaboy (não esquecer o livro mais recente de contos) Filipe Melo e Juan Cavia voltam a juntar-se para lançarem Os Vampiros, uma banda desenhada de tom mais sério que se centra na Guerra Colonial, mais propriamente na Guiné de 1972. Curiosos? podem seguir o link onde encontrarão mais detalhes sobre a história e algumas imagens.

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29 de Maio – 17h – A Verdade sobre o Caso Harry Quebert e o Livro dos Baltimore – Joel Dicker

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29 de Maio – 16h – Joana Bértholo e Patrícia Portela

10 de Junho – 16h30 – Joana Bértholo

11 de Junho – 15h – Patrícia Portela

 

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04 de Junho – 15h – Simon Scarrow

Os livros de Simon Scarrow começaram a ser publicados numa altura em que deixei praticamente de ler ficção história. Até porque depois de ler quase tudo de Colleen McCullough, Steven Saylor, Stephen Lawhead, Bernard Cornewll e mais alguns, não estava com grande paciência para romanos.

Ainda assim recordo a excitação de algumas amigas cada vez que era publicado mais um volume, pelo que deverei aproveitar a vinda do autor para adquirir os primeiros.

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04 de Junho – 16h00 – Cinzas de um novo Mundo – Rafael Loureiro

O autor, conhecido pela trilogia de vampiros Nocturnus, publica agora novo livro pela Editorial Presença que se parece enquadrar no género da ficção científica:

Em 2111, o mundo vive enclausurado numa nuvem de poluição. Portugal não foge à regra. As pessoas debatem-se nas ruas da capital por ar puro e dignidade. Os Tecnal, soldados com implantes mecânicos, foram proscritos pela sociedade estratificada, mas uns quantos sobreviveram, perseguidos por uma polícia especial e dependentes de uma droga potente. Filipe, agente desta força policial, está dividido entre seguir a lei ou o instinto. Embrenhado naquele submundo, cedo descobre que os Tecnal podem ser a chave para uma verdade maior. A ele juntam-se personagens surpreendentes e fortes, perdidas na ambiguidade da sua própria condição.

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04 de Junho – 16h – Flores – Afonso Cruz

11 de Junho – 15h – Flores – Afonso Cruz

infante04 de Junho – 15h00 – Daniela Viçoso

O poema morre

05 de Junho – 14h30 – O Poema Morre – David Soares e Sónia Oliveira

04 de Junho – 16h00 – Liga dos Cavalheiros Extraordinários – Alan Moore e Kevin O’Neill (apresentação por David Soares.

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11 de Junho – 16h00 – Manuel Jorge Marmelo

12 de Junho – 16h00 – Manuel Jorge Marmelo

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11 de Junho – 13h00 – Pedro R. Ferreira

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11 de Junho – 15h00 – José Amaro

12 de Junho – 15h00 – Pepedelrey, João Tércio, Marta Teives e Nuno Duarte

Onde podem encontrar mais informação sobre lançamentos e outros eventos da Feira do Livro

Editora Objectiva – Página facebook

Grupo Leya – documento pdf | Página Facebook

Relógio d’Água – Página

Topseller – Página Facebook

El Pep – Página Facebook

 

A ficção especulativa em Portugal – 2015

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Talvez por ter voltado a ter alguma disponibilidade, a sensação que fica deste ano é que houve um aumento nos eventos associados ao horror, à ficção científica ou à fantasia. Foi o primeiro ano de Sustos às Sextas (que irão ser retomados agora em Janeiro de 2016), foi o ano em que David Brin veio a Portugal (para quem não conhece é um prolífero autor de FC), e foi o ano em que houve espaço na Gulbenkian para FC e Banda desenhada, com painéis que nos trouxeram Lauren Beukes, Fábio Fernandes, Joe Dog, Marcelo D’Salete ou Posy Simmonds.

Claro que estou apenas a referir aqueles em que pude comparecer, mas houve muito mais – iniciativas Steampunk pela Corte do Norte e pela Liga Steampunk de Lisboa e Provínvicas Ultramarinas, o Scifi LX (no qual apenas passei rapidamente), vários lançamentos de bandas desenhadas ou o evento The Padawan Wars.

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Foi, também, um ano marcado por vários lançamentos de antologias nacionais como Insonho, MotelX Histórias de Horror, ou Nos Limites do Infinito. Infelizmente não ocorreu o Fórum Fantástico, mas as Conversas Imaginárias vieram compensar, com a apresentação de vários projectos nacionais, e lançamentos futuros de João Barreiros, António de Macedo, Luís Filipe Silva, David Soares ou da Imaginauta.

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Os lançamentos de ficção especulativa por editoras de maior dimensão continuam escassos. Continuamos sem nenhuma colecção de publicação constante mas vão sendo lançados alguns livros no género, ainda que, muitos, camuflados. Abaixo, uma lista dos que achei mais relevantes:

Na área da banda desenhada não sou uma perita, mas captaram-me sobretudo a colecção de Novelas Gráficas da Levoir com o Público,  os excelentes lançamentos de preço acessível da G. Floy (como Saga ou Tony Chu) e alguns dos lançamentos da Kingpin (como Kong ,the King, O poema morre ou Fósseis das Almas Belas).

O que podemos esperar para 2016? Na área dos eventos, já está disponível o programa para Sustos às Sextas, e decerto irá retornar o Fórum Fantástico. Nos lançamentos nacionais é previsto termos uma nova edição do Terrarium (de João Barreiros e Luís Filipe Silva), um novo livro de António de Macedo, a publicação do vencedor do prémio Divergência (Anjos de Carlos Silva), novas edições de livros de David Soares (O Pequeno Deus Cego e A Última Grande Sala de Cinema), um segundo volume de Comandante Serralves e uma Antologia Erótica de Literatura Fantástica.

Eventos: Feira do livro nocturna

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No próximo dia 29 irá decorrer a terceira edição da Feira do Livro Nocturna no MOB – Espaço associativo, na Rua dos Anjos em Lisboa. A feira decorre entre as 19h00 e as 24h00 e terá livros que custam entre 1 e 5 euros.

Para mais informação sobre o evento, podem consultar a página oficial do mesmo, ou a página do espaço MOB.

Colecção Bang! – Saída de Emergência

Há uns anitos não era só a colecção 1001 Mundos da Gailivro que lançava obras de fantasia e ficção científica. Pela Saída de Emergência tinhamos a Bang! que ainda persiste, embora com menor volume de lançamentos, e no seguimento da qual vários autores do género vieram a Portugal. Agora, por ocasião do lançamento do número 18 da revista de mesmo nome, alguns elementos da colecção encontram-se em promoção pela FNAC. Ainda assim, convém recordar que os volumes mais antigos da colecção se encontram a um preço excepcional no site da própria editora. Eis destaque para alguns dos livros que podem encontrar a preços que não ultrpassam os 7€.

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Na componente de ficção científica encontramos, entre outros, os clássicos Pavana de Keith Roberts, O Senhor da Guerra dos Céus de Michael Moorcock ou O Homem do Castelo Alto de Philip K. Dick. O lançamento do primeiro, Pavana, foi pouco comentado apesar de pertencer à colecção Sci-fi Masterworks. Apresenta-nos uma realidade alternativa através de várias histórias interligadas, onde a Inglaterra caiu sob as mãos dos espanhóis, mantendo-se a Inquisição durante longos séculos (opinião mais detalhada). Sendo, entre os publicados “recentemente”, um dos melhores do género, encontra-se agora a 5€.

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Entre os diversos volumes publicados nesta colecção destaca-se sem dúvida, para mim, o Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas. Encontrado por diversas vezes na secção de medicina das livrarias, é uma obra 100% ficcional onde diversos autores discorrem sobre doenças inventadas, relatando sintomas, causas e curas fantásticas. Para além do tipo de obra (um almanaque / dicionário inventado) destaca-se pela conjugação de participações estrangeiras e portuguesas – o volume não contem apenas as histórias da versão original, mas também algumas de autores portugueses que se juntaram com os seus relatos, finalizando um extenso volume. Mas as participações portuguesas nesta colecção não se ficam pela participação em antologias. David Soares é um dos nomes portugueses que mais encontramos, com obras como A Conspiração dos Antepassados, Batalha ou Lisboa Triunfante.

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De interior bastante ilustrado e cuidado, A Sombra Sobre Lisboa é uma antologia de contos lovecraftianos que possuem como cenário a capital portuguesa. As participações são maioritariamente portuguesas destacando-se as de João Barreiros, António de Macedo e David Soares. Grendel de John Gardner é outro dos lançamentos esquecidos desta colecção. Aqui a história é contada pelo ponto de vista do monstro que apenas pretende aproximar-se dos humanos mas é sempre mal percepcionado por conta do aspecto.

 

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Tendo esta entrada como intuito destacar os volumes da colecção que se encontram bastante acessíveis à carteira, não gostaria de deixar passar a oportunidade de referir brevemente, outros grandes lançamentos (e decerto esquecerei alguns). Autores de ficção científica como Richard Morgan (Forças do MercadoCarbono Alterado), Robert Charles Wilson (Darwinia) ou Paul McAuley (Anjos Pistoleiros e A Invenção de Leonardo) dificilmente teriam sido publicados em português noutras colecções portuguesas e no género de fantasia há que lembrar as séries Gormenghast de Mervyn Peake, Tigana de Guy Gavriel Kay ou Locke Lamora de Scott Lynch.

Resumo de leituras – Junho (3)

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81 – Os bebés da água – Charles Kingsley – história fantástica que é simultaneamente uma paródia à recepção das teorias de Charles Darwin e uma crítica social. Para além do excelente texto há que destacar a qualidade da edição ilustrada que é de encher os olhos;

82 – Contos naturais – Carlos Fuentes – várias histórias que decorrem essencialmente na América do Sul que, ainda que não tenham grande ligação entre elas, exploram, na sua maioria, a condição humana em situações irónicas de contraste social, sem necessidade de cair no pior do ser humano;

83 – Sr. Bentley, o Enraba-passarinhos – Ágata Ramos Simões – história peculiar de uma personagem infâme, capaz das piores travessuras e burlices, sem receio de enganar velhinhas e saltar em cima das campas. Também nesta edição é de destacar o excelente aspecto gráfico;

84 – The very best of Kate Elliott – conjunto de várias histórias de fantástico e ficção científica onde se destaca a intenção de representar as mulheres nas histórias, distorcendo os seus papéis habituais. Entre alguns bons contos existem outros que não apreciei tanto, mas o sentimento que fica em quase todos eles é de estranheza, e de ter lido algo diferente e interessante;

 

Maio de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal sobre ficção especulativa em Portugal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

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Lançamentos Nacionais Relevantes

Este foi um bom mês para os lançamentos nacionais:

O Grande Bazar – Peter V. Brett – Asa;

Número zero – Umberto Eco – Gradiva;

Os bebés de água – Charles Kingsley – Tinta-da-china;

A pedra das águas – Terry Goodkind – Porto Editora;

A espada de Shannara – Terry Brooks – Saída de Emergência;

Estamos todos completamente fora de nós – Karen Joy Fowler – Clube do autor;

O Dragão de gelo – George R. R. Martin – Gailivro;

Viagens de Chapéu – Susana Cardoso Ferreira – Oficina do livro.

Críticas interessantes

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Ficção científica

Dreaming 2074 – Vários autores – Intergalacticrobot;

The Lifecycle of Software Objects – Ted Chiang – Que a Estante nos Caia em Cima;

Wayward Pines – Blake Crouch – Livros, livros e mais livros;

O Guardião de Memórias – Lois Lowry – Folhas do Mundo;

Over the top – Vários autores – Intergalacticrobot;

Mais que humano – Theodore Sturgeon – Que a Estante nos Caia em Cima;

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Fantasia

Insonho: Durma bem – Vários autores – Que a Estante nos Caia em Cima;

Monstros fantásticos e onde encontrá-los – Newt Scamander – Deus me Livro;

A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister – George R. R. Martin – Leituras do Corvo;

As Terras Devastadas – Stephen King – Nuno Ferreira;

A Lâmina – Joe Abercrombie – Livros, livros e mais livros;

O Dragão de gelo – George R. R. Martin – Deus me Livro;

Solomon – Carlos Pedro – aCalopsia;

Sete minutos depois da meia-noite – Patrick Ness – Uma Biblioteca em Construção;

Roy Just Wants to Have Fun – Victor Frazão – Uma Biblioteca em Construção;

Dias de sangue e glória – Laini Taylor – Deus me Livro;

Deixa-me entrar – John Ajvide Lindqvist – Livros, livros e mais livros;

Universos Literários – Vários autores – Floresta de Livros;

O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Deus me Livro;

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Banda desenhada

Mort Cinder – Héctor Oesterheld – Intergalacticrobot;

Bando de dois – Danilo Beyruth – As leituras do Pedro;

Saga (Vol. 1 e 2) – Brian Vaughan – Leituras de BD;

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin – Leituras do Corvo;

O Long Halloween – Jeph Loeb – Que a Estante nos Caia em Cima;

Fatale (Vol. 2) – Ed Brubaker e Sean Philips – As leituras do Pedro;

O livro do Mr. Natural – Robert Crumb – Intergalacticrobot;

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Outros

As Cidades Invisíveis – Italo Calvino – Nuno Ferreira;

A Alquimista das Cores – Aimee Bender – As Leituras do Corvo;

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Outros Artigos

– Quem tem medo de Palmer Eldritch – Máquina de Escrever;

– O Templo do Espírito Santo – Flannery O’Connor – Contos não Vendem;

– “Frankenstein” na Quinta da Regaleira – Câmara Municipal de Sintra;

– Entrevista a Lauren Beukes – Jornal i;

– Hazul por Hazul – Diário de Notícias;

– Reportagem Antena 1 sobre banda desenhada – RTP;

Science Fiction and Fantasy Books at Bivar Bookshop;

– 17 Imagens que colocam Portugal no Centro da Arte Urbana – Green Savers;

Eventos

– Outras literaturas: Ficção científica – Intergalacticrobot;

– Sustos às sextas V – Intergalacticrobot;

– Feira do Livro do Centro de Recursos Poeta José Fanha – Intergalacticrobot;

– XI Festival Internacional de BD de Beja – Leituras de BD – Fotoreportagem e Opinião;

– Tolkien: Constructor de Mundos – Viagem a Andrómeda [mini];

Recordar os Esquecidos;

Resumos mensais anteriores

Fevereiro 2015

Março 2015

Abril 2015

Últimas aquisições

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Ou como me desgracei na Feira do Livro. Sim, estas foram as aquisições de uma passagem rápida (1H) em que aproveitei algumas das promoções que me interessavam. Logo na entrada da feira deparo-me com os stands dos alfarrabistas, completamente atoladas de visitantes. Entre os vislumbres lá encontrei este volume da Afrodite, O Encoberto de Natália Correia.

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A próxima paragem foi no stand da Tinta da China e lá aproveitei um bom desconto num dos livros da colecção de literatura de viagem, neste caso um livro carregado de peculiares ilustrações:

Sempre acompanhado de um caderno onde se misturam desenhos e anotações, tenho viajado pela chamada “Etiópia histórica”.
Escrevo e desenho para lembrar o que é desaparecer do meu mundo habitual e continuar ainda assim vivo, podendo ver, ouvir, cheirar e falar. Faço-o para criar um testemunho gráfico do que sinto como viagens de ida e volta a um mundo ao contrário. Quando viajei pela primeira vez para a Etiópia, em 1999, ressuscitei um prazer que me tinha negado durante anos, desde a traumática perda de um caderno de desenhos em Tavira: o de desenhar desperocupada mas obsessivamente quando viajo. Desde então, tenho uma consciência mais aguda do que implica fixar, em caderno, clichês memoriais: enquanto viajo, o desenho não passa de um subproduto irrelevante da minha actividade de desenhador e fixador de visões, mas quando regresso a casa o desenho torna-se um precioso catalisador da memória e do imaginário.

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Claro que não podia deixar de aproveitar a boa promoção do vencedor do prémio Adamastor, Nome de Código Portograal de Luís Corredoura, que há algum tempo se mantém na minha lista de desejos. Por sua vez Estamos todos completamente fora de nós de Karen Joy Fowles é um lançamento recente que, olhando apenas para a capa, dificilmente me teria interessado:

Aplaudido pela crítica e pelos leitores, Estamos todos completamente fora de nós é um romance sobre pessoas afetuosas, mas humanas, cujas boas intenções desencadeiam consequências devastadoras para aqueles que mais amam.

Quando tinha cinco anos, Rosemary foi passar o verão a casa dos avós. Ao regressar para junto da família, descobre que a irmã desapareceu e, mais inquietante ainda, esse é um assunto de que não se fala. Os anos passam e ela permanece filha única apesar de em tempos ter tido uma irmã da sua idade e um irmão mais velho. Ambos desapareceram. Lowell é um fugitivo, procurado pelo FBI. Mas onde está Fern, a sua cúmplice, a sua alma gémea?

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Finalmente, dois volumes de uma banda desenhada que, como livro do dia, me despertou interesse.

 

Feira do livro de Lisboa – Este fim-de-semana

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Eis que começa a Feira do Livro de Lisboa de 2015, com datas certeiras que irão permitir-me visitar várias vezes nos próximos dias. Enquanto escolho os dias pesquisam-se os eventos e os livros do dia e faço um pequeno apanhado do que mais me interessa. Deixo então aqui a listinha dos livros do dia que mais me interessaram para este fim-de-semana:

29 de Maio

1984 – George Orwell – Antígona (Preço 8€) – clássico indispensável que já tenho na minha biblioteca, mas cujo preço parece interessante para quem ainda o pretenda adquirir;

Laços de família – Clarice Lispector – Relógio d’água (Preço 7€) – a autora brasileira é considerada uma leitura indispensável em quase todos os meios literários e tornou-se recentemente mais um membro das minhas listas de desejo;

Nome de Código Portograal – Luís Corredoura – Editorial Presença (Preço 11,70€) – o vencedor do prémio Adamastor está a um preço bastante apetecível.

30 de Maio

Admirável Mundo Novo – Aldous Huxly – Antígona (Preço 9,25) – outro clássico indispensável, uma boa distopia pela mesma editora que no dia anterior coloca como livro do dia 1984;

As Aventuras de Huckleberry Finn – Relógio d’Água (Preço 8€);

Contos – Clarice Lispector – Relógio d’Água (Preço 12€);

Idade Média (Vol. 1) – Umberto Eco – Dom Quixote (Preço 19,10€) – mais um que está na minha lista de desejos há muito tempo, mas cujo preço se tem tornado proibitivo. Com este desconto é provável que aproveite;

O Livro do Ano – Afonso Cruz – Alfaguara (Preço 9€) – este pequeno livro de Afonso Cruz é uma curiosidade simpática;

Obras completas – Jorge Luís Borges – Teorema (Preço 17,70€)

31 de Maio

A Contradição Humana – Afonso Cruz – Caminho (Preço 6,20€) – outro dos livros de Afonso Cruz apropriado para um público mais jovem;

As aventuras de Alice no País das Maravilhas e do Outro lado do Espelho – Lewis Carroll – Relógio d’Água (Preço 8€);

Para onde vão os guarda-chuvas – Afonso Cruz – Alfaguara (Preço 11,70€);

– As portas da percepção – Aldous Huxley – Antígona (Preço 7,50€);

Iznogoud O Ignóbil – René Goscinny – Asa (Preço 6,20€).