The Lady and The Unicorn – Tracy Chevalier

Embora a função principal das tapecearias na Idade Média fosse o aquecimento, devido à sua visibilidade, tornaram-se não só uma arte como um modo de ostentação dos nobres. Fabricadas muitas vezes para comemorar importantes eventos, representavam histórias quotidianas ou mitologias da época.

Um dos conjuntos mais conhecidos mundialmente é o que retrata a caça e a captura de um Unicórnio por uma jovem dama. Constituída por 7 imagens, a obra tem sido alvo de várias interpretações sobre os significados possíveis e a simbologia das expressões ou dos objectos, atribuindo-se geralmente cada imagem a um sentido.

Lady_Unicorn

É em torno desta obra de arte que se tece The Lady and The Unicorn, que tal como Rapariga com Brinco de Pérola roda em torno de uma obra do pintor de Vermeer (ambos livros de Tracy Chevalier).

Neste caso um nobre, Jean Le Viste, cuja família terá ascendido recentemente à corte real comprando o título, encomenda um conjunto de tapecearias para adornar as paredes do salão.

pintor escolhido, Nicolas des Inocents, habituado a pintar pequenos retratos de damas, vê-se perante a tarefa de reproduzir uma batalha em que figuraria o brasão do nobre. No entanto, devido às origens de Le Viste, a sua esposa Geneviève incumbe o pintor de fazer mudar o tema das tapecearias, e em vez de uma batalha, Nicolas desenha a história do unicórnio usando os modelos femininos que o rodeiam.

Nicolás é um sedutor incorrigível, que seduz a criada da casa de Le Viste e se apaixona pela filha deste, Claude. Geneviéve, por sua vez, é uma dama frustada por não ter concebido um filho varão, e na família de tecelões encontramo-nos com uma rapariga cega que tenta tornar-se imprescendível.

As histórias entrelaçam-se e a narração alterna-se, mas apesar desta multiplicidade, falta alguma dimensão às personagens, e a sensação superficial permanece durante grande parte do livro.

Menos púdico que Rapariga com Brinco de Pérola, consegui no entanto, gostar mais desta obra de Tracy Chevalier, embora nunca a enquadra-se nos melhores do género.

No final ficou um sentimento dúbio perante o livro – se por um lado existem pequensa cenas de que gostei, no geral, falta alguma coerência e sentido de realidade. Embora seja uma obra ficcional, Tracy Chevalier parece-me não ter sido capaz de criar um enquadramento que captasse o leitor.

One comment

  1. Se gostas de Tracy Chevalier, recomendo-te um livro que adorei, The Passion of Artemisia da Susan Vreeland. Artemisia foi uma pintora italiana que eu desconhecia totalmente e de quem fiquei fã. Vê aqui o resumo da história:

    Pilha de Livros

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