The Lies of Locke Lamora – Scott Lynch

The Lies of Locke Lamora, de Scott Lynch, tem sido um dos mais referenciados livros de fantasia do último ano, constando inclusivamente, nalgumas listagens de melhores leituras de 2008.

Locke Lamora é o nome da personagem principal, um órfão, com mais ambição do que inteligência que cedo se destaca pela tendência em seguir planos demasiado audaciosos para os meios de que dispõe. Assim acaba por ser vendido pelo chefe do grupo de órfãos a que pertence, a Chains.

Chains é tudo menos aquilo que parece ser – não um inofensivo e cego sacerdote do Décimo Terceiro Deus, um Deus obscuro que protege os ladrões; mas um charlatão profissional que tem a seu cargo outras três crianças, os Gentlemen Bastards, com o intuito de lhes ensinar o seu ofício.

Em Camorr todos os grupos de ladrões e burlões obedecem ao comando de Capa Barsavi, uma espécie de padrinho que ganha uma percentagem por todos os crimes cometidos. Uma só regra persiste, a Paz Secreta, segundo a qual os nobres e os guardas são intocáveis.

Com o tempo, as capacidades de Locke evoluem, e após a morte de Chains, torna-se o cabecilha dos Gentlemen Bastards, um grupo pequeno mas capaz, que cruza as capacidades dos gémeos Calo e Galdo, com as de Jean e Bug. Sob a ignorância de Capa Barsavi o grupo elabora golpes sobre os nobres da cidade, mas os planos iniciais são corrompidos quando são notados por uma misteriosa e perigosa personagem, o Rei Cinzento.

The Lies of Locke Lamora é um livro de aventuras que decorre num cenário imaginário, uma Viena medieval cujas águas são habitadas por estranhos e ferozes monstros, utilizados em espectáculos de gladiadores. Entre a nobreza distante e poderosa, e a burguesia trabalhadora, coexiste uma máfia estruturada e uma secreta sociedade de magos poderosos, famosos pela sua crueldade.

A história do pequeno órfão é contada em capítulos alternados com a do ladrão expedito que se tornou Locke: assim aprendemos como se formaram os Gentlemen Bastards e o que os motiva: entre pequenas escaramuças, fugas e peripécias estratégicas, a acção é uma constante que não cede lugar ao aborrecimento. Um dos pontos altos será, decididamente, o desenrolar dos projectos atrevidos de Locke (que por vezes caem no exagero, mas ainda assim, divertem).

The Lies of Locke Lamora é uma obra de tamanho médio que se lê rapidamente: de prosa estruturada, sem se perder em detalhes, leve mas não em demasia. Ainda que não o considere um dos melhores livros de Fantasia dos últimos tempos, é uma leitura altamente recomendável – pena que tenha sido retirado do Plano Editorial da Saída de Emergência, conjuntamente com a Antologia Matheson e Market Forces (Richard Morgan).

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