Já tinha visto o nome do autor em vários lançamentos fantásticos, mas só quando vi o livro The Book that wouldn’t burn (e li a sua sinopse) é que me convenci a pegar em alguma coisa dele. Este livro é o primeiro de uma trilogia e apresenta-nos uma realidade uma infindável biblioteca não só contém todos os mundos imaginários, mas serve de portal entre mundos e tempos. Apesar das elevadas expectativas, não senti o mesmo entusiasmo como a leitura do segundo volume, tendo achado que se tornou um pouco maçador, com demasiada alternância entre diferentes personagens, sendo que todas passavam momentos bastante tensos. No entanto, Missing Pages, composto por quatro histórias passadas neste Universo recuperou o meu entusiasmo pela série e contém todos os elementos que me fascinaram no primeiro livro.

A primeira história, Overdue decorre num mundo semelhante ao nosso, focando-se em duas personagens, dois donos de livrarias que se interligam, sem que estes o saibam, de mais do que uma forma. É um conto bastante empático, focado na caracterização e entendimento de personagens, criando empatia com o leitor. O ritmo é pausado, dando espaço para a caracterização. Em termos de conteúdo, a história interliga o mundo ficcional com a nossa realidade, colocando hipóteses interessantes que podem ser exploradas nos restantes livros da trilogia. O conto também pode ser adquirido e lido isoladamente em formato digital.

Segue-se Returns, uma história que se encontra cronologicamente entre os dois primeiros volumes da trilogia e que destaca o facto de leitores diferentes poderem percepcionar, de forma diferente, a leitura do mesmo livro em alturas diferentes da vida. Será também o conceito explorado em About Pain, onde um livro é lido e relido pela mesma pessoa. A história reencontra personagens conhecidas da trilogia principal que assumem um papel mais formal numa biblioteca num mundo semelhante ao nosso.

Esta colectânea termina com a história Tabula Rasa, onde os bibliotecários (no mundo fantástico original) são encarregados pelo rei de encontrar a fonte da vida eterna – decerto estará num livro. Livira, uma das personagens principais da trilogia, é uma das jovens encarregues de perseguir a pista de um livro explorado há algumas décadas, procurando na cidade a descendente. A história cruza interpretações de histórias com promessas de amor eterno, apresentando-se, conforme esperado com contornos agridoces.

As três histórias apresentam-se bastante diferentes, explorando vertentes diferentes do Universo mágico criado, onde a biblioteca funciona como repositório infindável de todos os livros em todos os idiomas que existiram ou que irão existir. Os bibliotecários funcionam como guardiões dos livros, participando na sua recolha. Simultaneamente, este mundo é enriquecido pela existência de estranhos autómatos ou criaturas com capacidades diferentes envolvendo a biblioteca. Existem os robots que encontram livros e aqueles que os citam com uma cadência menos aleatória do que seria esperado. Existem também os autómatos que funcionam de forma errada, avariados, sem que ninguém saiba como os reparar.

Este volume é aconselhado para quem conhece os detalhes do mundo. Ainda que parte das histórias possa ser lida sem referências julgo que há detalhes nas restantes que não seram apreciados sem este contexto.