Incluído na lista da Amazon de Melhores livros de SF e Fantasia, Boneshaker de Cherie Priest foi um dos lançamentos mais referenciados durante o ano de 2009. Pertencente ao género Steampunk, retrata uma cidade de Seatle de 1863 caótica e desfigurada.

Brian Wilkes trabalha todos os dias na central de purificação de água para poder sustentar sozinha o filho, Ezekiel, numa cidade dividida por um muro, construído para encerrar o centro, infectado por um vapor oriundo das profundezas. Brian terá sido a esposa de um cientista, Leviticus Blue, que ao testar uma enorme escavadora, encontra bolsas subterrâneas de um gás que transforma os seres humanos em zombies sedentos de carne. Após a libertação dos gases, o pânico instaura-se e a única solução encontrada foi a construção do muro. Mas ainda que o gás tenha ficado contido no interior da cidade, integra a água das chuvas e os lençóis de água, fazendo com que seja necessário purificar cuidadosamente toda a água consumida.

Marcada pelos feitos de Blue, Brian carrega ainda a história do pai, um oficial que terá libertado os homens que aguardavam julgamento, aquando da evacuação da cidade, feito que foi considerado um crime. Não é assim, de espantar que Brian se mostre pouco receptiva à entrevista de um biógrafo que pretende escrever a vida do pai, um herói aos olhos dos habitantes das classes mais baixas. Por sua vez, Ezekiel é um jovem revoltado, que apesar de gostar da mãe, sente a falta de uma figura masculina e pretende provar que o pai, o cientista Blue, era um homem inocente e bondoso. Desta forma, reúne mapas e máscaras para atravessar o muro e visitar a parte contaminada da cidade.

No interior, a realidade é bastante diferente do que esperava: os seres humanos são poucos e vivem em canais subterrâneos, bombeando ar não contaminado da superfície; o gás nocivo corrói tudo à sua passagem; e os rotters (como são denominados estes zombies) caçam rapidamente em grandes molhos, grunhindo. Ezequiel logo conhece um homem que o guia pela cidade, mas as suas intenções poderão não ser as melhores. Brian apercebe-se que o filho terá desaparecido na cidade, e pede ajuda a um grupo de piratas, com o intuito de entrar na cidade em busca de Ezequiel.

Tecnologia movida a vapor, dirigíveis e cientistas malucos são algumas das características que caracterizam Boneshaker como Steampunk, uma história simples, mas movimentada, onde podemos encontrar, também, zombies. A acção centra-se sobretudo nas duas personagens principais, Brian e Ezequiel, mas vamos também conhecendo algumas outras peculiares: um homem em armadura que possui um atordoador (através de som) ou uma mulher com braços mecânicos; que se reúnem contra os zombies e ajudam Brian a encontrar o filho.

A história possui raros momentos de descontracção, mas os episódios principais são de grande tensão: as máscaras protegem do gás nocivo, mas dificultam a respiração, os zombies caçam em grandes e rápidos grupos movidos em força bruta e destrutiva, e um cientista controla exércitos no interior da cidade. Balanceado, coeso e bem escrito: Boneshaker não é o melhor, mas encontra-se entre os melhores livros que li este ano.