Publicado em inglês com o título The Desert Spear, o segundo volume da Trilogia dos Demónios de Peter V. Brett foi lançado, em Portugal, pela Gailivro, com o título A Lança do Deserto.

Neste volume acompanhamos não só as personagens apresentadas em The Painted Man, como novas: Jardir e Abban. Entre os povos do deserto os homens distinguem-se em dois grupos, guerreiros e mercadores e os forasteiros são considerados cobardes por se esconderem por detrás das runas.   Independentemente da sua origem, todos os rapazes abandonam as famílias e iniciam os treinos: os que se revelarem cobardes ou fracos tornam-se mercadores, os restantes guerreiros que, todas as noites combatem os demónios, em poços e labirintos, construídos para esse propósito.

Filho de um guerreiro, Jardir é o único homem da família, um rapaz pequeno mas obstinado que espera conseguir glória. Aliando-se a Abban, filho de mercadores,  acolhe todos os desafios com o objectivo de se tornar mais forte. Abban tem, no entanto, uma perspectiva bastante diferente da vida, observando o que o rodeia com o objectivo do lucro e não da glória. Não é assim, de estranhar, que sigam destinos opostos, e Jardir se revele um poderoso guerreiro enquanto Abban se torna um rico mercador.

Como mensageiro, Arlen contacta com Abban sempre que se desloca ao deserto, para trocar bens, e convence-o a apresentá-lo a Jardir, a fim de se juntar aos guerreiros durante a noite. Ganha assim o respeito e a confiança de Jardir. Ainda que amigos, Arlen não deixa de ser um forasteiro e quando, mais tarde, surge com uma poderosa lança que terá descoberto numas ruínas, Jardir acha-se no direito de se apropriar da arma e abandonar Arlen no deserto sem runas ou animais de carga.  Julgando-se o predestinado, Jardir aspira a poder comandar toda a humanidade e expulsar os demónios do cimo da Terra.

Leesha, uma das personagens principais em The Painted Man, tornou-se numa excelente curandeira. Solteira, foi enviada para uma outra Terra a fim de apreender novos conhecimentos. No entanto, quando recebe notícias de uma peste na sua aldeia, que terá contaminado o pai, decide-se a viajar apenas na companhia de um rapaz que tem o seu próprio círculo de runas. Protegidos contra os demónios, mas não contra outros seres humanos, um grupo de assaltantes viola Leesha e roubam todas as posses de ambos, deixando-os indefesos contra os demónios que começam a aparecer com o anoitecer. Felizmente são salvos pelo Homem Pintado, um homem com a pele coberta de poderosas runas, que aceita acompanhá-los durante o resto da viagem. Uma vez retornada à vila, o Homem Pintado convence os habitantes a lutar contra os demónios, protegendo as armas e desenhando novas runas de ataque.

Com o crescimento das personagens, também o tom da narrativa em A Lança do Deserto se torna mais adulto, mas continua a ser uma história movimentada, que, apesar de atingir as 700 páginas, flui de forma viciante e se lê num ápice. Agora, é com expectativa que aguardo o último volume.

Para além da trilogia, no mesmo Universo, a Subterranean Press lançou recentemente um livro intitulado The Great Bazaar and Other Stories que inclui uma novela e episódios cortados da trilogia. Infelizmente, este pequeno volume esgotou-se depressa.

No entanto, enquanto aguardamos o terceiro volume, poderemos aproveitar a visita do autor a Portugal, no seguimento do Fórum Fantástico deste ano, um evento a que não irei faltar.