Mulheres sem Medo – Marta Breen e Jenny Jordahl

Em Mulheres sem Medo mostra-se a história das principais conquistas da luta feminista, mostrando como esta luta se interligou com outras, como o fim da escravatura. A história começa, claro, com a caracterização da mulher do século XIX. De forma genérica era vista como um ser diferente, incapaz de pensar (ou demasiado frágil para pensar) ou de pensar por si, sem autoridade sobre o seu próprio corpo ou o seu próprio destino.

Após esta caracterização, é-nos apresentada o grande congresso de 1840, organizado contra a escravatura, que era constituído por homens e mulheres. Claro que as mulheres foram postas de parte, impedidas de falar e reduzidas a ouvintes ausentes, escondidas por detrás de uma cortina de pano. Assim procede com a luta das mulheres contra a escravatura, mostrando a interligação dos dois movimentos e destacando personagens associadas a ambos.

Três reivindicações se destacavam no movimento das mulheres: o direito à educação e a uma profissão, o direito ao voto, e o direito a decidir sobre o próprio corpo. Cada uma destas será conseguida, nalguns países em alturas bastantes diferentes, sendo que em vários locais, as mulheres ainda não têm nenhum destes direitos.

Apesar de alguns acontecimentos trágicos que estão associados ao movimento (desde mortes a prisões), a abordagem do livro intercala alguns elementos caricatos (ou exagerados) para contrapor alguma leveza com estes acontecimentos. É, simultaneamente, uma leitura interessante, mas que consegue não se tornar muito pesada, manobrando na fronteira.

Depois de abordar alguns acontecimentos históricos, o livro apresenta episódios mais recentes, explicando resumidamente outras batalhas interligadas como a luta LGBTQ+, a história de Malala, ou o movimento MeToo.

Mulheres sem medo não se apresenta espectacular em termos visuais, apresentando cada um dos capítulos com uma única cor para além do preto e branco. Ainda assim, é competente em apresentar o essencial em cada episódio, usando alguns elementos visualmente exagerados para retratar as situações mais pesadas – uma abordagem que o torna mais leve do que seria de supor. Para o espaço de que dispõe, explica bem alguns episódios concretos e consegue atingir o objectivo a que se propõe – sem, no entanto, se tornar espectacular.

Mulheres sem medo foi publicado em Portugal pela Bertrand Editora.

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