Existem aqueles livros que gostávamos de apreciar mais do que apreciámos. Mais que não seja por se simpatizar com a autora. Este é um desses casos.

Em Sangue de Dragão Ana Vicente Ferreira apresenta-nos uma aventura fantástica com prováveis influências de Tolkien ou Dragonlance, não fosse uma demanda onde se juntam humanos, elfos e dragões. Para além destas criaturas temos subaquyl, hudaryl e bhaer, o primeiro uma criatura subaquática, o segundo uma ave humanóide, e o terceiro um animal inteligente.

Com uma história bastante simples mas nem sempre linear ou lógica, as personagens vão sendo exploradas de forma inconsistente, não se tornando tridimensionais. Por vezes parecem arrastadas num RPG, onde se sucedem os perigos que nunca se tornam reais, e onde a cada esquina encontram mais um amigo para os acompanhar na demanda, ainda que não saibam o objectivo. A juntar a isto tudo, existem alguns episódios desnecessários para a história, que contribuem para um afastamento do leitor.

Mas não é tão mau quanto as últimas frases parecem indicar, é uma leitura simpática e rápida com algumas criaturas originais que mereciam um pouco mais de atenção. A autora optou por uma história relativamente simples num único volume, o que acho que beneficiou o livro. Gostei das criaturas que inventou, e da ideia de que os dragões se poderiam transformar em humanóides. Ainda assim, considero que este um livro fraquinho, com uma qualidade um pouco abaixo do que considero aceitável – diria que a autora tem de trabalhar sobretudo na caracterização de personagens e na transacções entre episódios, que foram para mim os pontos mais negativos.