The Singularity – Vol.1

singularity

Este é o primeiro volume de uma nova revista de contos de ficção científica e fantasia (site oficial) sediada em Londres, que se prepõe a publicar histórias singulares, em tom e história. A acompanhar o lançamento, existem grupos de discussão oficiais no facebook. E, ainda que possua alguns contos longe do excepcional, dificilmente poderia começar melhor.

A primeira história, Qubit Conflicts de Jetse de Vries relembra uma recente leitura das histórias de Ted Chiang, centrando-se na expansão sem limites da inteligência artificial, que se pode alongar por vários planetas e sistemas, sem constrangimentos físicos de distância ou idade. Vamos assim percebendo os vários níveis de desdobramento que permitiram o crescimento desta inteligência, e de que forma interage com o que a rodeia. Um conto que não possui exactamente uma história, mas que se torna muito interessante pela premissa e pela forma como é exposto.

Em A Window into the – de Andrew Wilmot o dia-a-dia idílico de um casal é transtornado por uma estranha revelação. A esposa será na verdade uma viajante do futuro que retrocede várias vezes àquele dia a fim de o alterar ou tornar perfeito – será o dia em que o marido morre, de uma mazela insuspeita e fulminante.

Free Range de Suzzanne Church é uma boa metáfora para a condição dos escravos mas com animais sapientes. Imaginem que os animais domésticos eram transformados geneticamente para serem capazes de falar e desempenhar tarefas. Neste caso é um galo que se apaixona por uma galinha e sonha fugir da dona para a Califórnia, a fim de ganhar a liberdade. Mas o camião onde tenta embarcar é na verdade uma viagem para o matadouro local (não, não acabei de spoilar o final). Eis uma história interessante quer pela premissa quer pelo seu desenvolvimento, que envolveu e cativou.

Depois de uma história de traumatizados pela guerra (Remembrance Day de Craig Lincoln) surge Does it Smell Red de Jed Morgan. Entre o cómico e o horror, retrata um fisioterapeuta frustrado que gostaria de ingressar de viajar no espaço, mas que continua no papel de ajudar aqueles que vão para o espaço ou que regressam depois de levarem umas injecções de hormonas para se manterem em formar. Longe do excelente, esta história inicia-se com boas perspectivas resvalando para uma cena de filme de horror de série B.

The Sleepper de Tim Major é, também, uma história peculiar que acompanha uma mulher que aparece no trabalho cada vez mais cansada e sonolenta. Todas as noites ela dorme, e exactamente quando dorme que fica mais cansada do que depois de trabalhar. Finalmente, resolve procurar a ajuda de psicólogo. Apesar de previsível possui um desenvolvimento particular que tornam o conto interessante.

Se em Low Ground de Matthew Spence os humanos se preparam para abandonar um planeta que irá sofrer um fenómeno geológico de elevadas proporções, em Walther PKD de Jeff Kuykendall um assassino profissional prepara-se para abordar o próximo alvo, um homem aparentemente passivo que todos ajuda, mas que sabe sobre o assassino algo que ele próprio não sabe sobre ele mesmo.

Dunce de Mike Russell retrata um deficiente mental que conhece a paixão da sua vida, no teatro, quando tenta salvar a jovem atriz morta no palco – ainda que tudo não passe de uma encenação. Finalmente, Dragúnban é o  nome de uma espada que dá voz ao conto de Jorge Salgado-Reyes – perspectiva engraçada, sem ser excelente.

Um pensamento sobre “The Singularity – Vol.1

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