Quem me conhece ou costuma seguir este blogue percebe logo que este não o meu género habitual de leitura. Mas como de vez em quando gosto de variar e espairecer com algo totalmente fora do usual, aproveitei para pegar num dos livros mais badalados do Verão. Consigo perceber o sucesso, mas encontrei uma escrita bastante mais fraca do que esperava.
Retrato pungente e nauseante de uma sociedade intensamente minada pela corrupção, destaca o valor proporcional de uma vida com a posição social. Mas nem aqueles que estão bem posicionados podem dar-se como garantidos, existindo sempre um tubarão maior e mais forte que faz desaparecer qualquer um sem sequer estalar os dedos.
Apesar de se centrar na investigação policial para encontrar o assassino de uma jovem rapariga, desenvolve sobretudo a teia de intrigas e influências estabelecida em todos os circuitos – político, social ou policial – que fazem do trabalho da inspectora Nora Bilal um campo minado. O problema é que a inspectora não tem meias medidas nem pézinhos de lã.
A leitura é rápida. Os parágrafos sucedem-se facilmente e conseguem manter o leitor, ou não fosse o fascínio pelo execrável uma das características mais primárias do interesse humano. Facto após facto, pensamento após pensamento ou a simples postura de algumas personagens – o nosso estômago está constantemente revoltado pelas descrições e nem o bom mas quase derrotado espírito da inspectora contrabalança os sentimentos.
Esquecendo a revolta do estômago, encontramos algumas cenas disconexas e desnecessárias, bem como vários trechos mal colocados e pouco equilibrados. Estas cenas terão como objectivo ajudar a caracterizar a sociedade, mas são tantas que se tornam acessórias e fazem perder o fio condutor. Contrastando com todo o asco da realidade humana encontramos, também, uma tentativa de poetização de algumas cenas ou pensamentos, mas que, a meu ver, nem sempre funcionaram bem.
Consigo perceber o sucesso – o autor esmera-se na caracterização de personagens e aproveita um cenário arrepiante para desenvolver a investigação de um crime de uma bela rapariga que contrasta com todo o restante ambiente. Mesmo com os defeitos na sucessão de episódios manteve-me envolvida até ao final, bruto e sem piedade.


Este autor parece ter muita qualidade, pelo que tenho lido, mas nem por isso me consigo sentir atraído para o ler. Talvez quando passar de moda, às vezes sou assim mesmo. 😛
Qualidade, qualidade, não achei. Ou melhor, achei que em estilo de escrita tem muito a melhorar. Tem muita coisa disconexa. Vai captando por episódios curtos e com grande significado e mantendo o leitor interessado. É de leitura rápida, pelo que as falhas passam despercebidas. Tem episódios muito fortes, mas também tem muitos episódios que, analisados, não servem para nada no enredo.