O Ateneu – Marcello Quintanilha (Raul Pompeia)

O Ateneu, de Raul Pompeia, é considerado o único romance impressionista da literatura brasileira. Publicado em 1888, conta a história de um rapaz, Sérgio, que é enviado para um dos melhores colégios do país (se não o melhor), onde se encontram os filhos dos homens mais ricos poderosos do Brasil – o Ateneu.

De caracóis louros, pouco habituado ao meio escolar por ter tido apenas algumas lições privadas em casa ou num pequeno colégio familiar, Sérgio é um menino obrigado a largar a inocência logo nos primeiros tempos no Ateneu. Não o espera companheirismo nem amizades desinteressadas, mas um círculo de vícios – todos aqueles de quem se aproxima acabam por se revelar interessados noutra faceta da sua presença.

O Ateneu usa o colégio para espelhar os vícios dos pais destas crianças. Ao invés da inocência vemos jogos de poder e violência. Ao invés de amizades assistimos a manipulações com o objectivo de se consumarem vícios decadentes. De amizade frustrada em amizade frustrada, o conjunto de colegas apresenta-se como uma desilusão e Sérgio aprende a seguir o seu próprio caminho.

Ainda que tenha lido apenas uma outra obra de Quintanilha (mas desfolhado outras) nota-se a diferença no aspecto visual – e não só pelas cores! Com uma história maior que integra a obra original, O Ateneu dá especial foco às expressões, usualmente carregadas de emoções negativas, conflitos e ódios, dos restantes alunos. Tratam-se de crianças carregadas de vícios, habituadas a ter o que desejam e que vêem, nas restantes, um meio para o obterem. O Ateneu revela-se não como um local de formação, mas de corrupção.

As expressões de fortes e negativas emoções dos alunos (raramente agradáveis e que, mesmo quando tentam ser simpáticas se tornam, no mínimo, dúbias) contrastam com as das senhoras que encontra inicialmente, de postura maternal e doce, uma espécie de santuário da infância ao qual não pode regressar.

Entre a preversão nos relacionamentos e o despertar da sexualidade (reprimidas e não reconhecidas pelas autoridades do colégio e, por isso, sem verdadeira forma de ser combatida) o Ateneu é um local de transformação amarga e de crescimento envenenado que frustra as boas intenções de uma simples interacção. O resultado é uma história que transmite fortes emoções, sobretudo negativas, aspecto inesperado numa história que tem, como personagem principal, uma criança.

O Ateneu foi publicado em Portugal pela Polvo.

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