Redneck – Vol.1 – Donny Cates, Lisandro Estherren, Dee Cunnife

Redneck é uma série de vampiros no interior americano – uma premissa que tem sido bastante explorada no cinema e na televisão, mas que, aqui, não assume detalhes românticos ou sonhadores, apenas práticos. Neste caso concreto trata-se de uma família de vampiros que tenta uma existência pacífica alimentando-se de sangue de vacas para conseguirem sobreviver sem entrar em conflito com os humanos.

De longas existências, estes vampiros desejam manter-se em paz, mas a verdade é que, tanto eles, como os humanos, recordam tempos em que tal não era possível. A tensão, sobretudo psicológica acumula-se, o receio dá lugar à materialização do medo. O resultado é uma guerra sangrenta de vingança, uma guerra com origem num mal entendido.

Nem todos os vampiros possuem os mesmos dons e, no caso desta família, apenas dois possuem o poder de ler os pensamentos e memórias de outros seres. Neste caso trata-se de um vampiro idoso que aspira aos costumes antigos, e um vampiro muito jovem que ainda não tem maturidade para que o deixam percepcionar determinados acontecimentos. Ambos possuem a chave para se perceber os acontecimentos que dão origem à guerra, mas, por motivos opostos, não se procura a capacidade de nenhum a não ser quando já é demasiado tarde.

Redneck é uma história sombria que explora personagens cuja longa vida não os deixa esquecer os traumas do passado – tão habituados estão a que os acontecimentos se desenrolem de determinada forma que é só uma questão de tempo para que voltem a acontecer. E ainda que tal seja verdade na maioria das vezes, esta expectativa fortalecida pela experiência leva-os, neste caso, a assumir determinados factos antes de os validarem.

Este volume começa de forma lenta, tentando acumular tensão nas primeiras páginas para levar o leitor ao esperado episódio de acção. E ainda que o tenha feito, parecem faltar peças no puzzle e os acontecimentos sucedem-se sem conseguir envolver, consistentemente o leitor. Ainda que existam momentos em que consegue captar, esta capacidade não se mantém, oscilando durante os episódios mais calmos que deveriam servir para tal.

Entenda-se, não é uma má banda desenhada. Tem personagens interessantes que poderiam ter sido melhor desenvolvidas e uma premissa que, não sendo totalmente original, poderia ter resultado melhor se alguns episódios tivessem sido limados. Trata-se de uma leitura engraçada, mas que ainda não sei se me vai levar a ler os restantes da série.

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