Melhores leituras (por ordem de leitura e não de apreciação)

A série Bride’s Story ganha novo fôlego com o narrador a viajar e a deparar-se com tribos e, consequentemente, costumes diferentes. Neste caso encontra-se numa vila piscatória e tem a possibilidade de assistir a um casamento, tanto à sua preparação como ao banquete que lhe está associado. A história mantém um tom relativamente neutro de juízos de valor, baseando-se no respeito por diferentes costumes e tradições.

Os Cabelos de Edith apresenta-nos o pós-guerra e a reintegração dos sobreviventes dos campos de concentração na sociedade. Após um breve apoio social, com guarida e alimentos, é esperado que cada um dos sobreviventes rapidamente siga o seu caminho, procurando familiares. Mas nem todos estão capazes de interagir socialmente ou de existir numa cidade, sem apresentarem reacções traumáticas a elementos do quotidiano.

A minha primeira leitura de Adrian Tchaikosvky arrisca-se a revelar-me um autor para ficar entre os favoritos. Service model é irónico e cómico, ao mesmo tempo que nos apresenta uma possível realidade futura onde a sociedade colapsa, ao estar automatizada e dependente de robots. Neste caso, um robot de serviço doméstico corta por engano o pescoço ao seu dono e resolve-se a procurar novo dono para servir. Mas saindo de casa, assiste (e assiste o leitor pelos olhos do robot) à quase total ausência de seres humanos funcionais e civilizados.

Amal El-Mohtar já se encontrava entre as autoras favoritas. Esta colectânea de contos, Seasons of Glass & Iron reúne várias histórias da autora, quase todas em tom fabulástico, algumas de raízes tradicionais féericas. Existem histórias e poemas mais esquecíveis, mas existem, também, histórias que facilmente vão encaixar nas melhores de sempre. Independentemente de ter gostado mais ou menos de alguma narrativa, é de destacar a constante (e excelente) qualidade da escrita.

Voltando a Adrian Tchaikosvky, peguei em duas leituras que decorrem no mesmo Universo – Precious little things é uma história curta quase em tom de lenda, que nos apresenta os homúnculos deste mundo fantástico. Tratam-se de pequenos seres animados por um mago que parece agora inanimado, mas que é a peça central da mitologia destas criaturas. No mesmo Universo, e cronologicamente após o conto, Made Things apresenta uma história mostrando como estes seres estão a expandir o seu território para as cidades humanas, escondidos, mas ao mesmo tempo procurando alianças – neste caso com Coppelia, uma construtora de marionetas que os ajudará a criar as próximas gerações. O relacionamento é, no entanto, mais complexo do que parece. Coppelia vive na zona pobre da cidade e é levada a participar num golpe contra o mais forte mago da cidade.

Arboreality é uma história que nos leva a um futuro pouco distante onde as alterações climáticas tornam determinadas localizações inabitáveis para os seres humanos, entre incêndios, cheias e ondas de calor. O livro vai-se focando em diferentes personagens, apresentando como alguns salvam os livros que possam conter conhecimento importante para a humanidade, ou como alguns se decidem a construir violinos míticos que poderão ressoar décadas depois. O tom introspectivo e o foco em manter a humanidade em condições adversas recordam Station Eleven.

Nobody’s Baby é uma história que decorre no mesmo Universo futurista de Murder By memory. Se no primeiro livro a detective que é a personagem principal investiga um assassinato de contornos tecnológicos (até porque as memórias são armazenadas e a morte corporal leva à criação de um novo corpo para a transferência de identidade), neste segundo volume investiga-se um nascimento, uma ocorrência que teoricamente seria impossível nesta nave.

Finalmente, a grande surpresa é Membranas. Surpresa porque li sem grandes expectativas, e progredi cerca de 80% do livro a achar que era uma história pouco interessante e delicodoce, em torno de uma personagem aborrecida. Até que cheguei aos 20% finais, onde a reviravolta é tamanha que quase voltei à primeira página para reler tudo de novo.

Restantes leituras (algumas bastante boas, mas que apreciei menos que as destacadas)