Osso – Rui Zink

À semelhança de A Instalação do Medo (premiado com o Utopiales, o mais prestigiado prémio francês de ficção especulativa) Osso traz-nos uma história que decorre num único espaço e que centra no diálogo entre duas personagens. Enquanto o premiado decorre num só tempo (um mesmo episódio descrito do princípio ao fim) neste caso vão decorrendo pequenos saltos temporais – a conversa vai sendo tido ao longo de vários meses. Até porque um dos intervenientes não tem outro lugar para estar.

Em Osso um homem foi apanhado no aeroporto com explosivos. Nesse seguimento é detido e interrogado. O interrogatório rapidamente segue pelo absurdo, principalmente por culpa do interrogado que tem uma lógica um tanto ou quanto estranha. Sim, tentou passar com explosivos. Mas era uma forma de pagar a viagem. E até era uma bomba tão pequena. Tão insignificante. Tão avariada.

Quem lhe deu a bomba? Um primo. Claro. Que para essas coisas não se recorre a estranhos. Mas o interrogado até inutilizou a bomba. Não havia problema nenhum. Decerto, agora que já confessou, se pode ir embora!

Assim prossegue a conversa durante 130 páginas. Tem bons momentos, outros mais aborrecidos, mas com um final fantástico. Com o prosseguir da conversa, também o relacionamento entre os dois se altera, com o interrogador a deixar cair, por vezes, a sua faceta mais dura e a revelar genuína curiosidade pelo raciocínio do interrogado. Ainda que tenha achado A Instalação do Medo mais interessante este Osso é de agradável (e rápida) leitura, sem chegar ao patamar do excelente.

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