Y: O Último Homem – Vol.9 e 10 – Brian K. Vaughan, Guerra, Sudzuka e Marzán Jr.

Estamos quase no final da série e, ainda assim, existem algumas surpresas na forma como todos os mamíferos do sexo masculino foram exterminados. Bem, na verdade, nem todos. Yorick Brown será o homem que resta, acompanhado pelo seu macaco, também um macho. A sua existência é um milagre – mas mais do que um milagre, poderá ajudar na descoberta da causa, bem como a desenvolver uma alternativa para a humanidade.

Falar muito da história, nesta fase, é complicado (seguramente irei fazer, sem querer, algum spoiler). O que posso dizer é que a história parece estar a fechar há alguns volumes. Ainda que, anteriormente, se desconhecesse o verdadeiro motivo da epidemia (existindo apenas suspeitas), é nestes volumes que vamos perceber que a ciência sem ética foi a origem, mas que será, também, a ciência que irá fazer a salvação à espécie humana.

Tratando a série da morte de quase todos os homens mamíferos, é impossível que a história não apresente, por vezes, alguns episódios sobre feminismo – seja a tentativa excessiva de destruir tudo o que foi deixado pelos homens, seja pela destruição de bancos de esperma. Mas, ainda que apresenta este extremismo como algo negativo, acaba por suportar alguns elementos sobre a igualdade da mulher, apresentando-a como tão capaz quanto o homem – seja para o bem, seja para o mal.

Dando exemplos mais específicos, as mulheres desta série são soldados, políticas, espias e trabalhadoras civis. E, ao contrário de todas as expectativas, o mundo governado por mulheres não é mais pacífico por serem mulheres. Continuam as guerras religiosas, as lutas por poder e as fúteis demonstrações de força – mesmo quando, nitidamente, existem coisas mais importantes para o futuro da humanidade.

A ciência, por si, não é boa nem má. Mas é usada de forma positiva ou negativa, consoante quem a desenvolve e com que propósitos. E com estes dois volumes descobrimos a verdadeira causa da morte de todos os homens e o verdadeiro papel do macaco que se salva do extermínio.

A Série

Com a leitura destes dois volumes, chegou a altura de tecer algumas considerações sobre a série. Do ponto de vista visual é uma série competente. Existem algumas páginas mais cativantes (sobretudo as que separariam fascículos) mas, na sua maioria, os desenhos detalham apenas as personagens, havendo bastante foco nas expressões.

Y: O último homem é uma série bastante movimentada que apresenta várias linhas narrativas em simultâneo. Não existe volume em que não decorra um tiroteio, uma situação de reféns ou um esfaqueamento. A sociedade humana em declínio é violenta, reflectindo o desespero de não se poder deixar um legado. Simultaneamente, a morte repentina dos homens levou ao colapso de forças de segurança e estruturas empresariais, provocando um caos difícil de controlar nos primeiros anos.

Em termos narrativos, a apresentação de várias linhas permite fazer avançar e complementar a história sem a apresentação de momentos mortos. Quase todas as cenas têm um objectivo maior. E só digo quase, porque não tendo lido uma segunda vez toda a série, alguma pode me ter escapado.

Não se trata de uma série com grandes elementos cómicos, ainda que a personagem principal seja relaxada e ligeiramente desnorteada. Séries de ficção científica com uma premissa tão pesada, muitas vezes recorrem a escapes cómicos para elevarem o espírito do leitor. E mesmo assim, a série consegue o feito de apresentar um mundo em colapso sem se tornar deprimente, tocando nalgumas consequências da sua premissa.

Então, como é que uma série tão longa se consegue manter interessante? Bem, os elementos de acção ajudam, sem dúvida, a envolver o leitor e a manter um ritmo de leitura interessante. Por outro lado, a história global da série vai evoluindo, mas sem descurar a exploração de outros pequenos arcos narrativos, em que se apresentam conflitos, amores e desamores. As personagens têm os seus próprios objectivos, e os seus próprios relacionamentos.

Desta forma, Y: O Último Homem é uma série de banda desenhada ficção científica que, sem grandes explosões visuais ou narrativas, consegue manter o leitor envolvido e interessado.

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