Os Meus Heróis Foram Sempre Drogados – Ed Brubaker e Sean Philips

Enquadrada no Universo de Criminal, série de banda desenhada dos mesmos autores, este volume apresenta a mesma predestinação das personagens dessa série para a violência e a queda moral, ainda que, no decorrer da história não existe grande violência.

A história começa numa clínica de reabilitação em que alguns dos seus pacientes não possuem um objectivo definitivo em relação às drogas. Alguns possuem outros segredos que pretendem esconder e, para quais, a permanência na clínica serve o resultado. Outros possuem um longo historial de vício que pretendem manter, encontrando-se no local por imposição judicial. Existem, ainda, os que subvertem e contagiam, num claro e inevitável caminho de corrupção.

Tal como na série, “a violência não surge desagregada e dissociada, mas no seguimento de uma série de acontecimentos que tornam a situação” final inevitável. No entanto, aqui, surge como uma espécie de fascínio por antepassados e ídolos que se drogam. No caso destes últimos, destacando-se a sua produção musical e artística, por vezes nitidamente ajudada pelo uso de estupefacientes.

Neste volume, a narrativa é apresentada pela perspectiva da jovem que nutre tal fascínio, sendo que foi este fascínio que a levou ao consumo e, consequentemente, à clínica. A sua permanência, no entanto, não parece prosseguir no melhor caminho, envolvendo-se com outro paciente e levando-o a quebrar diversas regras. Acima destes detalhes, os autores vão apresentando pistas para um objectivo adicional da jovem – um objectivo que será concretizado com traição, mas por supostos bons motivos.

Tanto em Criminal, como em Os Meus Heróis Foram Sempre Drogados, as personagens não são propriamente boas nem más, mas o resultado de vivências e legado. O seu percurso torna-se inevitável, voltando aos antigos ciclos de acções – dos quais até tentam escapar, mas cujo passado retorna sempre em peso.

O resultado é uma leitura forte, em que as personagens não são boas nem más, mas o resultado de vivências, influências e legado. Mesmo tentando escapar de tal realidade, as anteriores ligações fazem perpetuar o ciclo. O seu percurso torna-se, por isso, inevitável.

Este volume foi publicado em Portugal pela G Floy.

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