De ambiente gótico e visual curioso, adquiri este volume em leilão achando que teria alguma relação com Algernon Blackwood, autor de ficção especulativa do século XIX, publicado em Portugal pela Saída de Emergência, com um livro de contos. Até ao momento não encontrei nada que relacionasse o livro ao autor, ainda que existam alguns elementos comuns curiosos – a história apresentada na banda desenhada decorre no século XIX, Algernon Blackwood queria ser médico e o personagem principal desta história é médico.
Ultrapassando as semelhanças e as diferenças, a história centra-se num jovem doutor que faz visitas ao domicílio na ausência do médico, mais experiente, que costuma cuidar daquela região. Acompanhado por um amigo, enfrenta a intempérie para chegar aos seus pacientes. Mas algumas circunstâncias são um pouco sombrias.



O tom é gótico. Existe algo de sobrenatural que rodeia a história, mas, pelo menos neste primeiro volume, sem uma explicação ou uma percepção. As circunstâncias afectam uma das personagens que começa a agir de forma pouco racional – pelo menos na percepção de quem lê a história. O mistério envolve alguns dos pacientes, dando um alerta de que algo sombrio poderá acontecer a quem tenha de se relacionar com eles.
A história apresenta uma tensão crescente, com pequenos detalhes ou avisos iniciais sobre algo diferente ou sobrenatural, prosseguindo para os comportamentos ligeiramente estranhos que se tornam bizarros. O volume acaba em alerta, com a concretização de que algo está mesmo errado.



Para além desta boa construção narrativa no ambiente sombrio, este volume destaca-se pelo desenho. Tal como a história, várias páginas apresentam-se bastante escuras, com jogos de sombras e detalhes curiosos, num resultado visual que adorei.
Infelizmente, a restante série não foi lançada em português, pelo que vou prosseguir na busca dos restantes volumes em francês. A série convenceu-me pelo tom e pelo desenho e não me parece que seja muito difícil de ler no idioma original. Veremos.



