Peguei nesta série com algumas reservas, principalmente depois de ter lido The Ancient Magus Bride onde achei que a premissa tinha contornos de grooming. Ainda que a origem base de A Bride’s Story também possa ser polêmica, o desenvolvimento e o foco diferem o suficiente. A série centra-se nos hábitos das tribos que habitam a região da Rota da Seda no início do século XIX, começando por apresentar uma jovem de vinte anos que chega à tribo onde deverá casar. Mas o noivo tem doze anos. Uma premissa problemática, mas que é desenvolvida com tacto.

No primeiro volume percebemos que a noiva tem algumas diferenças culturais em relação à tribo onde é acolhida. Apesar disso, a aproximação é cuidadosa e feita com tacto, significando que se vão desenvolvendo laços de amizade e consideração entre os envolvidos. Ainda que a diferença de idades seja referida, a abordagem narrativa vai evitando os pontos possivelmente polêmicos, e mostrando uma aproximação sem expectativa de interacção romântica, pelo menos nesta primeira fase.

No segundo volume vão-se detalhando as diferenças culturais, demonstráveis através das interacções. Existem referências à presença russa no território e de que forma algumas tribos tentam estabelecer lidar com esta presença. Mas se a família do noivo parece acolher a jovem como uma nova familiar, a família da noiva parece ter outros planos e antevendo que poderá não ter havido consumação da união, pretende retirá-la e casá-la com outra tribo, por forma a estabelecer uma aliança mais estratégica.

Tirando este ponto de conflito, a história vai sendo contada num tom calmo, provavelmente pelos olhos de Smith, um viajante estrangeiro que documenta os costumes da região, tanto das comunidades nómadas, como das comunidades que se fixam em pequenos ajuntamentos, como é o caso da tribo que recebe a noiva. Nem sempre este olhar é totalmente compreensível, ou seja, perpetuam-se acções que são testemunhadas mas não explicadas, apresentadas dentro de uma lógica que desconhecemos.

Como seria de esperar, ao longo dos três volumes vamos sendo confrontados com a realidade destas tribos, onde a união de um casal tem claros objectivos sociais, para estabelecer alianças entre famílias e clãs, havendo uma dimensão mais alargada para um casamento do que os dois directamente envolvidos. Somos também apresentados às diferenças de quotidianos e costumes. A noiva é uma caçadora nata, capaz de empunhar o arco e a flecha em cima de um cavalo, prática que já não existe na tribo onde é acolhida.

Após os primeiros episódios mais centrados no casal, a narrativa vai divergir e centrar-se noutras personagens, tentando demonstrar o que é socialmente esperado de determinadas pessoas, tanto na postura que têm para com os familiares e mais velhos, mas também em relação aos que os rodeiam, percebendo-se que, nestas comunidades, as pessoas não se representam apenas a si, mas a sua família, a sua tribo e a sua cultura.

Até agora, A Bride’s Story tem sido uma leitura calma e curiosa, tanto pela exploração dos costumes das diferentes tribos, como pela forma que nos apresenta o seu quotidiano, sem juízos de valor e com o mínimo de conflito. Smith, enquanto observador, há-de, também, protagonizar episódios curiosos, onde os seus valores ocidentais interpretam de forma bastan