Resumo de Leituras – Agosto de 2018 (4)

140 – O corpo dela e outras partes – Carmen Maria Machado – Uma série de contos de ficção especulativa, com elementos de ficção científica, fantasia e horror, que apresentam personagens com diferentes sexualidades e nas quais a sexualidade é parte da história, como algo natural. Estes contos podem servir de ponto de partida para discussões mais profundas sobre dinâmica de género ou de relação, ou podem ser simplesmente apreciados conforme se apresentam;

141 – Cicatriz – Sofia Neto – Enquadrado no género da ficção científica, apresenta um futuro em que a o sociedade é dividida. Alguns escolheram permanecer dentro das cidades, com acesso a todas as componentes tecnológicas, enquanto outros ficam nos campos. Duas realidades fechadas, alimentando rumores sobre a outra metade que é demonizada sobre os aspectos mais propícios. Uma leitura interessante e inesperada ainda que saiba a pouco a incursão neste mundo;

142 – Tatuagem – Hernán Migoya e Bartolomé Seguí – Adaptação de um romance policial, apresenta alguns clichés do género, fazendo piada sobre estes mesmos aspectos comuns a tantas outras obras de ficção policial. A personagem principal é um homem que não perde a oportunidade de se aproximar de mais uma donzela, aliás, algo que partilha com o homem de quem procura a identidade;

143 – O jogo – Carmo Cardoso e José Machado – Trata-se de um dos mais recentes contos de ficção científica publicados na colecção Barbante que nos apresenta a situação limite de uma vida dependente do resultado de um jogo.

O jogo – Carmo Cardoso & José Machado / O Farol Intergaláctico – João Pedro Oliveira

Eis os mais recentes contos publicados na colecção Barbante! Tratam-se de duas histórias de ficção científica, a primeira uma história com traços de horror, na perspectiva de um prisioneiro que joga sabendo que o preço a pagar pela derrota é a vida. Decorrendo no futuro, é um malicioso jogo gerido por alguém que detém todo o poder.

O segundo conto foi o que mais me cativou (tanto que falei dele na palestra sobre ficção científica portuguesa no Sci-fi LX). Nesta história um homem visita um amigo, mas tendo viajado pelas estrelas apenas umas semanas encontra-o velhote, pois, para ele, passaram décadas. O conto usa a relatividade do tempo. O tema não é novo mas é tratado de forma envolventee provoca uma certa nostalgia no leitor.

A colecção Barbante é publicada pela Imaginauta e lança pequenas histórias enquadradas nos géneros da ficção especulativa neste pequeno formato, permitindo a disponibilização bastante acessível (50 cêntimos) de boas histórias. A colecção encontra-se aberta a submissões e, claro, os autores publicados não têm de pagar nada pela publicação das suas histórias.