Novidade: Filhos de Sangue e Osso – Tomi Adeyemi

A Editorial Planeta aposta numa nova série de fantasia YA que tem feito furor no cenário internacional. Trata-se de um livro de Tomi Adeyemi, uma autora americana de ascendência nigeriana que coloca o universo fantástico em África, prometendo uma história diferente, com fortes elementos africanos:

Eles mataram a minha mãe.

Levaram a nossa magia.

Tentaram enterrar-nos.

E, agora, nós levantamo-nos.

Zélie Adebola lembra-se do tempo em que a magia fazia vibrar o solo de Orixá. Os Incineradores ateavam as chamas, os Senhores das Marés chamavam as ondas e a mãe Ceifeira de Zélie invocava um exército de almas.

Mas tudo mudou na noite em que a magia desapareceu. Sob as ordens de um rei implacável, os Maji foram perseguidos e assassinados, deixando Zélie órfã de mãe e o seu povo despro-vido de esperança.

Agora, Zélie tem apenas uma oportunidade de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugida, ela terá de ser mais forte e mais astuciosa do que o príncipe herdeiro, que jurou erradicar a magia para sempre.

O perigo espreita em Orixá, onde leopardaires das neves andam à caça e espíritos vingativos rondam as águas. A grande ameaça, contudo, talvez seja a própria Zélie, que ainda não aprendeu a dominar os novos poderes, nem a paixão que começou a sentir pelo seu maior adversário.

«Uma estreia formidável, dilacerante, revolucionária. Como a melhor literatura fantástica, conta o aqui e agora, por vezes brando, outras horrível, desviando o leitor para um reino mágico concebido com genialidade.» Daniel J. Older, autor do top do The New York Times

 

A história é sobre um mundo onde a magia já existiu e necessita ser ressuscitada, as personagens principais são mulheres de forte personalidade que vão mostrando ao leitor as diversas etnias, a religião com diversos deuses e um passado muito antigo. O contexto moderno aliado à fantasia tradicional e ao épico está muito bem conseguido. O ritmo do livro é rápido e absorvente. Tomi Adeyemi cria este novo universo através uma escrita poderosa, com emoções reais e bastante acção.

O romance transporta-nos até aos Maji Maji, um povo real que se rebelou contra o domínio colonial alemão no território da actual Tanzânia e foi o primeiro grande massacre europeu em África.

 

Jogos ao Sábado – uma série de rápidas impressões

Eis uma série de primeiras impressões de vários jogos que experimentámos recentemente – primeiras impressões porque ainda não tivemos oportunidade de os jogar várias vezes ou de aprofundar dinâmicas que envolvem.

Scythe

Em termos visuais este jogo é um mimo. Os bonecos são detalhados e fabulosos, induzindo uma espécie de visual retrofuturista que nos remetem para o início do século XX, colocando, nesta época, máquinas avançadas que permitem conquistar territórios ou transportar aldeões muito mais rapidamente.

Trata-se de um jogo de construção que possibilita a conquista de território, a movimentação de peões num tabuleiro e a evolução dos nossos tabuleiros. Cada jogador tem um tabuleiro único com uma combinação própria de acções, duas a duas. Em cada jogada podem ser feitas as duas acções associadas, se tiver materiais que assim o permitam. O jogo termina com a concretização de uma série de objectivos que nos obrigam a evoluir em diversos sentidos.

Para alguém que, como eu, gosta de construir fábricas e usufruir do investimento, Scythe pode deixar um leve sentimento de frustação no final – se um dos jogadores tiver como estratégia a rápida resolução, o nosso investimento pode não chegar a ter o retorno esperado (entenda-se que, neste caso, não me estou a referir ao centro do tabuleiro que se denomina fábrica, mas ao investir em libertar acções fazendo com que cada jogada renda pontos e popularidade).

Em jogos seguintes precisei ter em mente que não se trata de um jogo que se alongue o suficiente para usufruir totalmente da fábrica. Desta forma, tive de balancear o desenvolvimento da fábrica com a maior concretização dos objectivos, não esquecendo a optimização das jogadas duplas (em que se deve ter em consideração as características do tabuleiro de que dispomos).

Decididamente, gostei! É um jogo que pretendo tirar da prateleira várias vezes, havendo tempo para tal!

Fotossíntese

De elementos competentes e simples (excepto o sol que poderia ter sido melhor pensado, num sistema de fácil rotação de dois níveis de tabuleiro), Fotossíntese tem um mecanismo engraçado em que plantamos e fazemos crescer árvores, ganhando pontos com o seu abate.

As árvores que estão a crescer no tabuleiro projectam sombra, consoante a direcção do sol e impedem outras árvores, à sua sombra, de crescerem. Quanto maiores forem as nossas árvores, maior a sombra que projectam e, consequentemente, a nossa área de influência, mas diminui-se a capacidade de fazer crescer árvores – as nossas e as dos outros. É um jogo de controlo de área com um mecanismo engraçado de rotação no tabuleiro.

Brass – Birmingham

Algo que me fascinou foi o aspecto do jogo – elegante, alusivo à revolução industrial, com duas fases de jogo (de acordo com as fases da revolução) e com um tabuleiro com dois visuais. A cada turno o jogador pode realizar até duas acções, tendo como objectivo a acumulação de pontos que são originados pelo consumo de mercadoria, seja pelas cidades, seja por outras fábricas. Para tal, o jogador vai construir linhas de fornecimento e fábricas de produtos ou matérias primas.

Brass começa com acções e consequências simples mas, com o decorrer do jogo, e o alargar dos canais ou linhas de comboios, as estratégias vão-se tornando cada vez mais complexas para que um jogador consiga pontuar sem favorecer os restantes jogadores. O livro de regras não é de fácil percepção e existem peças a menos do que as necessárias para um jogo a quatro, mas, ainda assim, pelo visual e pela dinâmica que se cria, está entre as futuras aquisições.

Novidade: História de Loulé – João Miguel Lameiras, João Ramalho Santos e André Caetano

O próximo lançamento da G Floy é um volume pouco típico no conjunto de obras que costumam publicar – trata-se de uma colaboração com a Câmara Municipal de Loulé para produzir um livro que, num registo de ficção científica, recua ao passado para contar a história desta cidade algarvia até ao futuro. O livro será lançado durante o Amadora BD, no dia 10 de Novembro (Sábado), pelas 16h30, com a presença dos autores, e também de Sua Exa. o Presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo (o lançamento será seguido de uma sessão de autógrafos).

Num futuro imaginado, a Terra está transformada num bloco de gelo e a humanidade partiu para colonizar outros planetas, acabando os seres humanos por esquecer a história e a cultura das terras de onde partiram. Para tentar reconstruir esse passado perdido, várias expedições de Verificadores rumaram à Terra em busca de informação fidedigna. Uma dessas expedições vai investigar a lenda de um mítico arquivo que existiria nas Minas de Sal de Loulé.

Este é o ponto de partida de Os Segredos de Loulé: Uma História em Banda Desenhada, uma viagem pela história de Loulé e a sua região, desde o início do universo até aos nossos dias e ao futuro! Uma abordagem diferente a um género com grande tradição na BD portuguesa, como é a Banda Desenhada histórica, escrita por João Miguel Lameiras e João Ramalho Santos, com arte de André Caetano. Esta edição da Câmara Municipal de Loulé é um marco importante na história da BD no nosso país – e no empenho da Câmara em prol da cultura – por apostar numa história e narrativa menos comuns neste tipo de obra, e num formato mais próximo das melhores edições de BD atuais, permitindo realçar a arte do desenhador e contar uma história com fôlego e duração.

Como refere João Miguel Lameiras: “Este projeto nasceu de um convite do Presidente da Câmara Municipal de Loulé, por sugestão de José Carlos Fernandes – que se não estivesse retirado da BD seria a escolha óbvia e natural para fazer este livro – para fazermos uma história de Loulé em BD. Depois desse convite, contactei logo o João Ramalho Santos, meu parceiro habitual nas ocasionais incursões pela escrita de BD, e ambos pensámos no André Caetano, com quem o João Ramalho já tinha trabalhado em Uma Aventura Estaminal, um livro sobre células estaminais, produzido pelo Centro de Neurociências e distribuído com o jornal Público. O ponto de partida da história nasceu quando um amigo me falou das minas de sal de Loulé e de como locais como esse tinham sido usados nos Estados Unidos para armazenar arquivos.”

Para além da escolha de um registo de ficção científica, nada habitual na BD histórica, o livro Os Segredos de Loulé opta também por se apoiar nos diálogos em vez da narração “em off”, como é costume nas obras desta temática. A exceção, assumida, é a parte dedicada à lenda da moura Cássima, que homenageia a BD histórica clássica e autores como Eduardo Teixeira Coelho e Artur Correia. Para além de incorporar nos desenhos de André Caetano imagens reais de objetos como o Foral de Loulé, ou usar o padrão dos mosaicos encontrados no Cerro da Vila, em Vilamoura, como moldura das páginas dedicadas ao período romano, Os Segredos de Loulé não esquece também as bandas desenhadas que antes dele destacaram a região de Loulé e as suas figuras históricas.

“Uma última palavra aos louletanos: gostaria que os Segredos de Loulé contribuíssem para aumentar o orgulho coletivo e que vos levassem a participar ativamente no desenvolvimento deste belíssimo anfiteatro que se estende da serra ao Oceano Atlântico, para nos ajudar a fazer pulsar a vida e a continuar a escrever esta bela história de Loulé…”

O Presidente da Câmara Municipal de Loulé

Vítor Aleixo

 

 

Largo Winch – Vol.1 – Philippe Francq e Jean Van Hamme

Largo Winch é a mais recente colecção da Asa em parceria com o jornal Público – trata-se de um franco belga movimentado centrado no herdeiro de um rico empresário que, sento estéril, resolveu adoptar, em segredo, um jovem a quem dá toda a educação necessária para assumir as responsabilidades futuras – mas não o carinho e o afecto que deveriam acompanhar uma adopção.

Este volume reúne duas histórias, uma que nos apresenta o herdeiro, um jovem educado mas desenrascado, que não tem medo de enfrentar uma luta corpo a corpo e que se mete em chatices de vez em quando; e outra em que se desvanecem as dúvidas sobre o seu direito à herança de biliões.

A primeira história começa com a morte do bilionário, um homem matreiro e pouco ético que deseja morrer com dignidade perante um cancro cerebral, enquanto o herdeiro, em Istambul é falsamente acusado de um crime de homicídio e vai parar a uma das horríveis prisões locais. É neste local improvável que cria uma forte amizade com um arruaceiro que será o seu companheiro de aventuras.

Com esta série sinto o que sinto com outras séries de acção algo datadas – os clichés são elevados, colocando, sempre as mulheres intervenientes em papéis idiotas de jarras decorativas. Mesmo quando os homens reconhecem a sua existência a sua atitude é de condescendência mostrando aqui as mulheres como incapazes de resistir aos avanços de um homem bonito e rico.

Ultrapassando este aspecto irritante, até estamos perante uma série com elementos interessantes, mostrando um novo ricaço com ideias diferentes que se confronta com os mais idosos, que estavam preparados para assumir o controlo das empresas, que mostra que, apesar de novo, não é idiota.

Carregado de acção, este volume de Largo Winch serve de introdução à personagem e ao seu crescimento, mostrando-o como um jovem irreverente que não gostou da educação e do papel a que foi forçado, e que segue as suas próprias ideias.

A série Largo Winch é publicada pela Asa em parceria com o jornal Público.

 

Eventos: Festival Bang!

Decorre, já no próximo fim de semana, a segunda edição do Festival Bang!, um festival de ficção especulativa organizado pela Saída de Emergência que tem este ano, como convidada especial, Robin Hobb, uma das mais conhecidas autoras de séries fantásticas!

Para além de sessões de autógrafos e exposições sobre H. P. Lovecraft, será apresentado o catálogo do próximo ano da editora e existirão demonstrações de cosplay, magia, sabres de luz. Aproveito para realçar que estaremos à conversa, Inês Botelho e eu, pelas 15h10, na sessão “As raparigas vão aos mundos todos?”.

Curiosos? Deixo-vos o programa do Festival!

Resumo de Leituras – Outubro de 2018 (3)

 

184 – Portugal 2055 – Vários autores – Neste livro reúnem-se histórias de vários autores sobre as alterações climáticas – para a exploração deste tema os autores fazem o exercício de prever Portugal no ano de 2055, mostrando as consequências no aumento do nível do mar, ou na alteração do clima (impactos biológicos e climáticos, por exemplo);

185 – Reportagem Especial – Adaptação às alterações climáticas em Portugal – As alterações climáticas que estamos a presenciar provocam graves consequências no que nos rodeia e obriga-nos a adaptar cidades e equipamentos. Este livro pretende mostrar o projecto ClimAdaPT de uma forma simples centrando-se nas consequências das alterações climáticas;

186 – Largo Winch – Vol.1 – Philippe Francq e Jean Van Hamme – Este volume duplo é composto por dois tomos de Largo Winch em que nos é apresentado o herdeiro de uma grande fortuna. Mas trata-se de um herdeiro pouco usual, um rapaz adoptado, criado propositadamente para conseguir assumir as empresas, mas se revela um pouco mais rebelde e menos convencional do que seria de esperar para algúem da sua idade;

187 – Moonshine – Brian Azzarello e Eduardo Risso – Passado no interior americano, durante a época da Lei Seca, apresenta um gangster que pretende iniciar uma relação comercial com um produtor local de bebidas alcóolicas. Mas se o gangster pensa estar habituado à violência, nada o prepara para os clãs familiares daquela zona que não têm receio nem dos polícias nem de outras autoridades. Uma banda desenhada movimentada e violenta, com bons momentos, visualmente caracterizada por sombras.

Novidade: Starlegacy – João Monteiro

Starlegacy de João Monteiro é outra das novidades da Escorpião Azul. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

A Liga Galáctica encontra-se na iminência de uma guerra civil.

As oprimidas colónias exteriores revoltaram-se contra as políticas impostas e ameaçam atacar os mundos lealistas e tomar o controlo do Corredor de Astraios, o portal híper-espacial que leva ao coração da Liga e à Terra.

Numa tentativa de recuperar o controlo, a frota envia reforços para as suas tropas assediadas. O capitão Taran McKenna, líder do recém-formado grupo de operações especiais Stormraven, tem o seu baptismo de fogo no planeta fronteiriço Angara, mas a missão assume um cariz mais sério com a presença de uma nova ameaça inesperada.

Ermal – Terra e Sangue – Miguel Santos

Terra e sangue é o segundo volume de Ermal, uma série de banda desenhada da autoria de Miguel Santos que decorre num mundo pós-apocalíptico em que a Guerra Fria levou à devastação do hemisfério norte com fogo nuclear. Os refugiados agora são os europeus, que se tentam refugiar nos países africanos. A presença de origem ocidental constitui mais uma força divergente, mais uma facção para se ter em conta no equilíbrio de poderes que divide os territórios.

Tal como o primeiro volume, carregado de acção, sob a forma de confrontos directos e indirectos (resultantes da espionagem), este segundo continua, mostrando as tensões políticas entre as diferentes facções e como os jogos de espionagem, os agentes adormecidos e as influências políticas podem ser usadas de forma estratégica e colocar facções em bom rumo de acordo, em suspeitas mútuas e complicadas.

Mais longo (felizmente, que o defeito do primeiro volume era, sobretudo, ser curto e não ter espaço para se estender), Ermal – Terra e Sangue, apresenta uma cidadela que se tenta manter coesa, entre as várias pressões, e que tenta criar um futuro pós-apocalíptico apesar das sombras de um passado que se reflecte num contexto social totalmente diferente.

Ermal – Terra e Sangue não é uma história linear e simples, oscilando entre os vários pontos de vista para nos fornecer toda a complexidada da trama, e decorre num futuro onde a humanidade corre o risco de se afundar. Ermal – Terra e Sangue foi publicado pela Escorpião Azul.

Novidade: PEPEDELREY

Outra das novidadesda Escorpião Azul que se anuncia com a proximidade ao Amadora BD é PEPEDELREY. Não, não me enganei – a antologia tem o mesmo nome do autor e reúne vários obras esquecidas do autor:

PEPEDELREY, é uma antologia gráfica que reúne produção artística composta por bandas desenhadas, ilustrações, cartoons, relatos e apontamentos. Arrumados em caixas e gavetas ou simplesmente esquecidos em blocos e cadernos. Esta edição recupera trabalhos publicados em fanzines e acrescenta os inéditos, sem uma imposição narrativa. Existe uma coerência espontânea e a orientação editorial foi cedendo às deliberações cinéticas do artista.

Resumo de Leituras – Outubro de 2018 (2)

180 – Martin Mystère – O Destino da Atlântida – Cruzando elementos exotéricos com alguma ciência, este volume de Martin Mystère apresenta a antiga civilização da Atlântida, explorando um fenómeno sob um ponto de vista peculiar, em que se percorrem caminhos espirituais. É uma leitura com momentos interessantes, mas que não tem muito a ver com os meus gostos.

181 – Ermal – Terra e Sangue – Miguel Santos – Depois do primeiro volume que adorei, Miguel Santos volta ao mesmo Universo com uma nova história, onde aprofunda os conflitos desta realidade pós-apocalíptica, confrontando, novamente, novos e velhos poderes, cujos confrontos decorrem ainda à sombra do velho mundo;

182 – Conversas com os putos e os pais deles – Álvaro Álvaro volta às conversas com os seus alunos, mas acrescenta uma dimensão interessante – as converas com os pais. Se já achava que as conversas com os mais jovens eram surreais (mas sabendo que a realidade ultrapassa, muitas vezes, qualquer ficção que possamos construir) as conversas com os pais são ainda mais estranhas, mas justificam as conversas com os seus filhos;

183 – O Xerife da Babilónia – Vol.1 – Tom King e Mitch Gerads – A Levoir começou a lançar, recentemente, a colecção de comemoração aos 25 anos da Vertigo e entre os volumes encontra-se este O Xerife da Babilónia, um retrato potente por um ex-militar que mostra os confrontos sociais e culturais, aproveitados por várias personalidades com interesses próprios. Muito bom.

Novidade: Almanaque de André Oliveira

A Bicho Carpinteiro anuncia um livro de André Oliveira, Almanaque! Deixo-vos a sinopse, e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

É um cortejo de 23 artistas sob a batuta do argumentista português André Oliveira: “Almanaque” reúne 18 histórias escritas para a revista CAIS e 6 histórias inéditas. Uma mostra entusiasmante de temas e estilos, desde as diferentes vivências dos “vizinhos” num prédio, passando pelas “coisas que um T-Rex não sabe fazer”, até à carta de amor paternal em “narciso”.

É a prova sólida da fluidez de escrita deste autor multipremiado, que tanto coloca o leitor a rir com o seu humor mordaz, como a seguir o convida a descer ao seu sofrimento interior, expondo os seus medos e dúvidas.

É também uma demonstração do poder agregador que tem ao juntar uma geração de artistas consolidados com outra emergente: nomes sonantes como Susa Monteiro, Filipe Andrade, Rui Lacas, João Sequeira e Luís Louro acolhem Bernardo Majer, Darsy Fernandes, Catarina Paulo ou Daniela Viçoso.

O lançamento oficial da obra acontece dia 27 de outubro, às 15h, no Festival da Amadora BD 2018 e contará com uma sessão de autógrafos com diversos autores às 16h. Durante o festival, o livro estará disponível em exclusivo na banca da Kingpin Books.

Sobre André Oliveira: Entrevista

Moonshine – Vol.1 – Brian Azzarello e Eduardo Risso

Uma das mais recentes apostas da G Floy é Moonshine, uma série que andava a querer adquirir há algum tempo e cujo título se refere às bebidas destiladas produzidas ilegalmente, sem autorização do governo. Ainda que estas bebidas tenham sido, recentemente, legalizadas nos Estados Unidos da América, foram, durante décadas proibidas.

A história decorre durante a lei seca, período durante o qual se proibiram as bebidas alcóolicas. Durante este período não se deixou de beber álcool, claro, mas a proibição incentivou o contrabando e, consequentemente, as máfias que o comercializaram. Na prática, o consumo passou a alimentar uma indústria clandestina onde os gruos oponentes se mantinham de forma violenta.

Moonshine acompanha um mafioso menor, Lou Pirlo, um género de moço de recados que não tem jeito para fechar grandes negociações, mas que é enviado à Cordilheira dos Apalaches com o objectivo de fechar um acordo com um produtor local de uma excelente bebida branca.

Trata-se de um local montanhoso, onde os acessos são difíceis mas caracterizado, sobretudo,  pelos grupos de homens que se formam, pequenos feudos violentos, auto-suficientes e muito competitivos que estão constantemente em guerra entre si e que ignoram, sempre que podem, os poderes locais de autoridade. Quando não podem ignorá-los, eliminam-nos.

Lou Pirlo está habituado à violência das máfias das grandes cidades. Mas nem isso o prepara para a loucura que presencia nestes locais. A competitividade é elevada, a polícia é facilmente morta, e o homem à frente do grupo rural não está assim tão interessado num acordo com a máfia. Lou Pirlo passa a estar entre a vontade do seu patrão, que teme, e a recusa do chefe local. Acaba por se aliar com familiares deste que pretendem contrariar a vontade do patriarca. Mas claro que isto tem um preço.

Moonshine opõe formas de violência e formas de pensar muito distintas – de um lado encontramos o luxo da cidade e a violência movida pelos elevados lucros do negocio, do outro encontramos o bruto meio rural cuja violência é gerida por clãs familiares e para quem o lucro é uma forma de sustento.

É neste confronto que surge uma forma de violência mais carnal, sob a forma de um lobisomem cuja origem desconhecemos, mas que introduz um elemento selvagem, incontrolável e imprevisível. Em pano de fundo encontramos os outros: os afrodescendentes que vivem isolados e descriminados mas que conseguem ser mais civilizados, ou os locais que vivem entre esta violência numa postura de sobrevivência.

A história decorre num mundo de sombras, visuais e sociais, em que a acção se sucede por medo ou por vontade. É uma história carregada de violência, mas em que esta violência decorre da existente à época, e que os autores aproveitaram para traçar a sua história.

O resultado é uma banda desenhada forte, com mais elementos narrativos do que seria de esperar e menos linear do que o tema me fazia prever – ainda que cumpra alguns clichés típicos mas justificados (até pelo retrato de época) e que tenha um final que pede algo mais. Aconselho bastante para quem gosta de histórias que retratam a violência rural do interior americano.

Moonshine foi publicado pela G Floy.

Novidade: Crime no Expresso Oriente

Eis a segunda novidade da Arte de Autor para o AmadoraBD, neste caso trata-se de uma adaptação do livro de Agatha Christie:

Crime no Expresso do Oriente é, com As Dez Figuras Negras, um dos romances de Agatha Christie que conheceu maior sucesso, tendo sido traduzido em mais de trinta línguas.

Inverno de 1934. Pouco depois da meia-noite, um banco de neve obriga o Expresso do Oriente a parar. O luxuoso comboio está surpreendentemente cheio para a época do ano, mas, ao amanhecer, conta-se um passageiro a menos… Um magnata americano morre com uma dúzia de punhaladas, a porta do seu compartimento está trancada por dentro. Hércule Poirot conduz o inquérito no comboio isolado do mundo…

 

Novidade: Bouncer – Volume duplo – Tomos 10 e 11

Com a proximidade do Amadora BD a Arte de Autor anuncia um dos seus lançamentos, neste caso, um volume duplo de Bouncer com os Tomos 10 e 11! Eis a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Um ano após o lançamento em Portugal do díptico, TO HELL |.AND BACK (tomo 8 e 9), editamos agora um novo díptico BOUNCER – O OURO MALDITO | O ESPINHAÇO DO DRAGÃO (tomo 10 e 11) assinado por François Boucq.

Bouncer pensava em dias tranquilos depois de se livrar do infame João Feio. Mas ele deve saber que a lei do Ocidente é sempre implacável… Na cidade de Barro, o relojoeiro foi atacado e a sua filha, Gretel sofreu atrozes mutilações. Como poderia uma cara sem histórias e um pouco inocente ter sido submetido a tais atrocidades? Perseguindo os assassinos, descobre que sua rota se une à de um tesouro amaldiçoado no coração do deserto de Sonora, no México. Um lugar árido com lendas escuras, tão terrível que até os índios não ousam se aventurar ali. Bouncer pensou que já conhecia o inferno. Mas ele descobre que o último tem múltiplas faces.

Novidade: Humanus – Vários autores

A Escorpião Azul anuncia um dos lançamentos da Amadora BD, tratando-se, neste caso de um livro que conta com a participação de 37 autores. Eis mais informação:

Esta é uma obra comemorativa dos cinco anos da Escorpião Azul como chancela de banda desenhada que publica maioritariamente autores lusos. Nele estão incluídos 37 autores entre desenhadores e argumentistas, desconhecidos e conhecidos que contribuíram com as suas 33 histórias dos mais variados estilos, para dar à luz do dia esta colectânea que homenageia a banda desenhada no seu todo e que quer dar uma visão mais abrangente daquilo que hoje se faz em Portugal.

Este livro conta com a participação dos autores:               Rui Lacas, Andre Mateus, Filipe Duarte, Patrik Caetano, Susa Monteiro, Miguel Santos, Paulo Monteiro, Pepedelrey, Ricardo Lopes, Catarina Quintas, Mitsu, Fábio Veras, Álvaro, Derradé, Sharon Mendes, Rafael Sales, Jorge Deodato, Miguel Ángel Martín, Rita Alfaiate, Maf, Carlos Páscoa, Agonia Sampaio, João Vasconcelos, Joana Geraldes, Lança Guerreiro, Inês Garcia, João Monteiro, Catarina Teixeira, Mário Teixeira, Tiago Cruz, João Pinto, João Gordinho, Miguel Falcato e Picalima.

 

Assim foi – Fórum Fantástico 2018

 

O Fórum Fantástico deste ano foi caracterizado por vários lançamentos de autores portugueses pelas editoras Imaginauta e Editorial Divergência, destacando-se, também, a presença do autor de ficção especulativa Chris Wooding e da editora Gilian Redfearn, que trabalha para a Gollancz.

Lançamentos

Aproveitando um dia mais direccionado para a cidade de Lisboa (até no seguimento do recente espaço de reflexão de que o futuro da cidade que se tem criado), ocorreu o lançamento de Lisboa Oculta – Guia Turístico.  Tratando-se de um projecto que está em curso há algum tempo, era dos lançamentos que mais esperava. A apresentação ficou a cargo de Anísio Franco, licenciado em História da Arte e conservador no Museu Nacional de Arte Antiga, que bem conhece a história de muitos dos locais retratados, e que deu uma perspectiva interessante a este lançamento. Nesta antologia de contos com a forma de guia turístico, vários espaços da cidade são convertidos em cenários fantásticos, sobretudo envoltos em horror, destacando-se o visual cuidado das páginas, diferente de conto para conto.

Outro dos livros cujo lançamento teve grande destaque no Fórum Fantástico, foi Tudo Isto Existe de João Ventura. João Ventura é um dos autores mais prolíferos do meio da ficção especulativa portuguesa, que tem publicado em diversas antologias. Os seus contos encontravam-se, por isso, até agora, dispersos, sendo que Tudo Isto Existe constitui a primeira colectânea do autor. A apresentação foi precedida por uma pequena peça de teatro, que consistiu na adaptação de um dos contos curtos de João Ventura, Outro Sentido, com encenação de Sara Afonso.

Outra das obras de ficção especulativa apresentada foi O Resto é Paisagem, uma antologia que teve como editor o Luís Filipe Silva, e que foi lançada pela Editorial Divergência. Esta antologia reuniu vários contos que decorrem num cenário rural, cenário inquietante e que não é totalmente dominado pelo homem e que, como tal, é propício a histórias com elementos de terror.

Neste caso o espaço da apresentação foi partilhado com André Oliveira que também aproveita o cenário rural para tecer várias das suas histórias, exactamente pelos mesmos motivos.  Neste caso, a conversa começou por referir as obras de André Oliveira e prosseguiu para o seu mais recente projecto, como editor da JBC.

Na componente de banda desenhada lançou-se, como já é habitual, o mais recente volume da Apocryphus, Femme Fatale, com a presença de vários dos autores. Falou-se, claro, do processo criativo e da cooperação entre narradores e desenhadores, sem esquecer as adversidades e a evolução da antologia ao longo dos volumes. Infelizmente, esta sessão passou do Sábado para o Domingo (no seguimento do temporal que se esperava) tendo, por isso, sido realizada com menor presença de autores do que seria expectável.

Convidados internacionais

Mas o Fórum Fantástico não apresentou apenas novos livros. Este ano teve dois convidados internacionais, Chris Wooding e Gilian Redfearn que participaram em duas conversas sobre publicação e edição, em dois dias diferentes, sexta e sábado. Na sexta a conversa centrou-se mais em Gilian Redfearn, editora na Gollancz, uma das mais conhecidas editoras mundiais no género da ficção especulativa. Falou-se do processo de edição, das diferentes formas de editar e da forma como se escolhem as obras a publicar.

Já no Sábado a conversa centoru-se em Chris Wooding, que falou das suas obras e da forma como se adaptou à temática YA por ter mais liberdade do que nas restantes secções, em que os livros são demasiado catalogados e direccionados para um rótulo. A conversa tocou, claro, na sua perspectiva sobre a componente de edição, e na forma como recebe as sugestões (por exemplo, de Gilian Redfearn.

Chris Wooding foi, ainda, responsável por um workshop do Domingo de escrita, com o título: Character, character, character: putting people in you story.

Lisboa, cidade fantástica de futuros diversos

Ainda que, para mim, o dia de sexta tenha começado mais tarde do que o horário oficial, ainda apanhei parte da conversa “A Lisboa que teria sido… a Lisboa que poderá ser” em que se falou da cidade enquanto espaço de pessoas e para pessoas, espaço em mudança e adaptação constante. Claro que, tendo esta conversa, a presença de João Barreiros, Lisboa foi arrasada por monstros e alienígenas, mas sobrevive ainda, com vários futuros possíveis.

Aniversários

Na sequência dos 25 anos de Filipe Seems foi inaugurada uma exposição com algumas pranchas da obra, e os autores, Nuno Artur Silva e António José Gonçalves, tiveram presentes para uma conversa sobre o surgir da obra, sobre o processo criativo e a evolução da forma de publicação, passando de tiras para volume que as reúne.

Ainda, por ocasião dos 20 anos da morte de Lima de Freitas, foi feita uma homenagem com a presença de José Hartvig de Freitas, o filho que é conhecido como tendo um papel bastante importante na banda desenhada portuguesa. Lima de Freitas, pintor, desenhador e escritor português é conhecido, entre os leitores de ficção científica, como o criador de várias capas dos livros da colecção Argonauta, tendo sido apresentadas várias das que criou. Hartvig de Freitas falou, não só da sua experiência como filho (crescendo com os cenários fantásticos) como da carreira do pai.

Prémios

Este ano foi caracterizado pelo anúncio de dois prémios, um o prémio António de Macedo, como homenagem ao falecido escritor de ficção especulativa, que é atribuído pela Editorial Divergência, com publicação do trabalho escolhido (sem que o autor tenha, claro, de pagar seja o que for – a Divergência não é uma Vanity). O prémio teve, como júri, Rui Ramos e Bruno Martins Soares (para além de Pedro Cipriano, claro) e foi atribuído a Pedro Lucas Martins.

Foram, ainda, revelados os vencedores do prémio Adamastor nas várias categorias. O prémio teve uma fase de nomeação e uma fase de votação, sendo que indico os nomeados e os vencedores (a negrito em cada categoria):

Grande Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Portuguesa

Anjos, de Carlos Silva
Dormir com Lisboa, de Fausta Cardoso Pereira
Espada que Sangra, de Nuno Ferreira
Lovesenda, de António de Macedo
As Nuvens de Hamburgo, de Pedro Cipriano
Proxy, de vários

Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Estrangeira

Coração Negro, de Naomi Novik
Fome, de Alma Katsu
Livro do Pó, de Philip Pullman
Lovestar, de Andri Snaer Magnason
Normal, de Warren Ellis
O que se vê da última fila, de Neil Gaiman
Quem Teme a Morte, de Nnedi Okorafor
Reino do Amanhã, de J.G. Ballard
Revelação do Bobo, de Robin Hobb
Semente de Bruxa, de Margaret Atwood

Prémio Adamastor de Ficção Fantástica em Conto

Aranha, de Pedro Cipriano
Bastet, de Mário Seabra Coelho
Coração de Pedra, de Diana Pinguicha
Crazy Equoides, de João Barreiros
Modelação ascendente, de Júlia Durand
Videri Quam Esse, de Anton Stark

Prémio Adamastor de Ficção Fantástica em Banda Desenhada

Cemitério dos Sonhos, de Miguel Peres
Dragomante, de Manuel Morgado e Filipe Faria
Free Lance, de Diogo Carvalho
Futuro Proibido, de Pepedelrey
Hanuram, de Ricardo Venâncio
Lugar Maldito, de André Oliveira e João Sequeira
SINtra, de Inês Garcia e Tiago Cruz

Outras conversas

Vencedor do prémio Utopiales, com A Instalação do Medo, Rui Zink falou do seu livro e do respectivo prémio (pouco mencionado na media tradicional) bem como de vários factores sociais (e das redes sociais) actuais. Foi uma conversa divertida com alguns pontos interessantes (ainda que não subscreva várias das perspectivas apresentadas) como a constante desumanização do outro (e por isso passível de linchamento) que passou pela componente literária e sobre o facto das pessoas ficarem fascinadas com um livro na medida do que leram (em relação a outros livros). Ou do que não leram.

Outros espaços

A maioria das actividades decorreu no auditório, mas o Fórum Fantástico é mais do que esta componente. À semelhança de outros anos, existiam várias bancas de várias editoras com livros publicados de fantástico (como Imaginauta, Editorial Divergência ou Saída de Emergência) para além de bancas de alguns autores com material próprio. Destaca-se, também, a tenda com banda desenhada e livros de ficção especulativa (em português e inglês), bem como a exposição alusiva a Philip Seems.

Esta componente (outros espaços) estava um pouco mais fraca do que o ano anterior, em que o agendamento do evento para datas mais próximas do Verão, permitiu uma melhor exploração do espaço da biblioteca. Tanto quanto percebi da programação estava previsto um espaço com demonstração e jogos de tabuleiro, mas sempre que fui à zona assignada, não encontrei esta componente, julgo que, também, por constrangimentos metereológicos.

Outras opiniões

O cão que guarda as estrelas – Takashi Murakami

Neste pequeno livro aproveita-se a figura do animal de estimação, neste caso um cão, como forma de explorar a complexidade dos relacionamentos (e a sua evolução). O cão oferece uma visão simples, mas através dele vamos interpretando os sinais de algo diferente, como o afastamento do casal, em que, ao invés de apoio mútuo, encontramos sacrifício e apoio de uma das partes, mas, da outra, egoísmo e quebra completa.

O animal de estimação acaba por se tornar o único ponto de consolo e de amizade, o único relacionamento que se mantém, e que serve de consolo para o homem que se vê fora da própria casa e da própria vida.

A história começa por nos apresentar um carro abandonado num campo, dentro do qual aparecem dois corpos, o de um homem e o de um animal. A partir deste cenário inicial, que serve como final esperado e transição para outra história, acompanhamos o animal de estimação desde o primeiro dia em que é adoptado pela família, como companhia para a criança.

Como é usual, inicialmente a criança brinca bastante com o cão, mas passada a novidade passa a ignorá-lo e a desresponsabilizar-se da alimentação (que fica a cargo da mãe) e do passeio diário (que fica a cargo do pai). Nestes passeios o pai é bastante mais comunicativo do que no quotidiano em casa e vai-se criando um laço forte entre os dois elementos.

Colocando o foco como o animal passa, de celebrado a aturado, uma responsabilidade chata que se tenta ignorar, a história apresenta várias pistas para a quebra familiar a que o animal assiste (sem compreender) referindo estas pistas de forma isenta e ocasional. O animal funciona aqui como reflexo dos relacionamentos familiares e dos afectos, reflexo do afastamento familiar ao estar no mesmo núcleo que o pai, uma pessoa calma e bondosa de quem os restantes elementos se vão afastando.

Com uma pequena aura de tragicidade (já conhecemos o final da dupla desde o início) e passando o sentimento de destino que se irá cumprir, a história coloca-nos a tentar perceber o percurso das duas personagens. Após esta exploração, seguimos o investigador que irá tentar perceber a identidade do homem, também ele recordando o cão que o avô lhe deixou, o único laço familiar que lhe irá dar suporte.

O cão que guarda as estrelas foi publicado em Portugal pela JBC.

Prémios de ficção especulativa portuguesa

Actualmente temos, pelo menos, três prémios de ficção especulativa portuguesa!

Prémio Ataegina 2019

O prémio já vai na segunda edição e pretende destacar contos de ficção especulativa, constituindo uma parceria entre a Editorial Divergência, a Imaginauta e o Sci-if LX. O vencedor de 2018 foi divulgado no último Sci-fi LX, e encontra-se a decorrer o período de submissões da edição de 2019. O vencedor ganha um prémio monetário e poderá ser publicado pela Editorial Divergência ou pela Imaginauta (ganhando, nesse caso, também uma parcela dos royalties).

Interessados? Para mais informações podem consultar a página oficial.

Prémio António de Macedo

A primeira edição do prémio (organizado pela Editorial Divergência) decorreu durante 2018 e o vencedor foi anunciado durante o passado Fórum Fantástico. Prevê-se que este prémio tenha novas edições e destina-se a premiar (e a publicar) obras de ficção especulativa, pelo que podem ir refrescando os vossos manuscritos para edições futuras.

Podem encontrar mais informação sobre o prémio do ano passado na página da Editorial Divergência.

Prémios Adamastor

Este prémio está associado ao Fórum Fantástico (e à Épica) e é atribuído a obras já publicadas no mercado português, destacando várias categorias: Literatura Fantástica Estrangeira, Ficção Fantástica em Conto, Ficção Fantástica em Banda Desenhada, Grande prémio de literatura fantástica portuguesa.

 

 

Fórum Fantástico – Escolhas do Ano e Podcasts literários

Este ano participei, como já é habitual, na apresentação das escolhas do ano, uma apresentação em que seleccionamos as melhores leituras deste o último fórum fantástico e, rapidamente, explicamos, sucintamente, o livro. Este ano o Artur Coelho esteve ausente (mas deixou as recomendações, que foram passadas na apresentação, e publicou-as no seu blogue), mas foi substituído pelo Rogério Ribeiro.

Como já é habitual de outros anos, existiram sugestões sobrepostas, pelo que um de nós falou, mas manteve-se a referência na apresentação. Falarei, apenas das minhas escolhas:

 

 

 

 

 

 

 

Comandante Serralves – Expansão

O Universo de Space Opera continua a alongar-se em Comandante Serralves, com a publicação de mais um livro de contos passados no mesmo Universo. Este expansão reúne bons contos em que se acresce, à dificuldade do género (Space Opera) a necessidade de manter uma coerência entre as histórias.

Na realidade aqui retratada existe um Império intergaláctico humano que pretende eliminar as diferenças culturais como forma de unir os humanos perante um objectivo ou inimigo comum.  Mas eliminar a história de cada nação, os costumes, alimentação e roupas próprias de cada cultura é algo que não é de fácil execução e gera-se, claro, um grupo de resistentes, que irá lutar contra o Império. As histórias centram-se, sobretudo, nesta resistência.

António Ladeira

Sugeri, claro, os dois livros de contos de António Ladeira, dois livros com histórias futuristas em que se exageram algumas componentes tecnológicas, levando à criação de sociedades distópicas, ora controladoras, ora mirabolantes pelo desenvolvimento das suas premissas.

 

 

 

 

 

 

 

O Farol Intergaláctico

Trata-se de um dos meus contos barbante favoritos, em que o autor explora as viagens espaciais acima da velocidade da luz e as consequências de separação temporal que se criam com estas viagens. Dois amigos encontram-se após a viagem de um deles, mas enquanto um ainda se encontra jovem e recorda a amizade como recente, o outro é já idoso, e confronta as memórias recentes com as memórias que sobreviveram ao tempo.

Borne – Jeff Vandermeer

À semelhança de outras realidades inventadas pelo autor de Aniquilação, Borne apresenta um mundo decadente e corrupto, um mundo em declínio ecológico por causa do homem. Mas aqui o problema não é a poluição, mas sim as criaturas geneticamente modificadas e cruzadas que o homem criou e que são controladas por companhias. Mas até quando conseguirão as companhias manter o controlo sobre estes seres poderosos de elevada força e capacidade de destruição?

 

O Corpo dela  e outras partes – Carmen Maria Machado

Nesta antologia pubilcada recentemente em Portugal, Carmen Maria Machado cruza as questões de género e sexualidade com fortes elementos fantásticos e de ficção especulativa. Apresenta-se a violência nos relacionamentos, a sexualidade sob várias formas em contextos apocalípticos e o corpo da mulher sob várias formas.

 

 

 

 

 

 

 

Os Humanos – Matt Haig

Livro mais leve e de leitura rápida, em Os humanos, os alienígenas pretendem garantir que a espécie humana não consegue atingir determinado patamar tecnológico por não estar preparado para ele. Com este objectivo, um alienígena incorpora o cientista responsável pela descoberta (matando-o) e assume a sua identidade em busca de mais alguém que conheça o seu segredo.

Sendo mais simpático e sociável que o cientista, o alienígena consegue estabelecer laços emocionais mais fortes, enquanto mantém o pensamento de desconfiança constante “será que também tenho de matar este?” O resultado é divertido, mas também introspectivo, colocando os seres humanos e a forma como se relacionam em perspectiva.

Zahna – Joana Afonso

No mais recente livro, Joana Afonso apresenta-se como narradora e desenhadora, apresentando uma guerreira que foi expulsa da sua cidade por ter morto, de forma excessiva, os invasores da cidade. A guerreira de nome Zahna deambula com uma maldição sobre a sua cabeça, literalmente, maldição que tenta curar procurando um mago. Pelo caminho faz alguns amigos – mas nem todos são honestos e desinteressados.

 

 

 

 

 

 

 

Futuroscópio – Miguel Montenegro

Em Futuroscópio Miguel Montenegro apresenta vários contos futuristas onde explora questões sociais e tecnológicas, tocando na menor literacia ou nas questões de género, de formas bastante diferentes.

O Elixir da Eterna Juventude – Fernando Dordio e Osvaldo Medina

Aproveitando a música de mesmo título de Sérgio Godinho, e colocando o artista como personagem principal, constrói-se uma demanda mirabolante em busca do elixir. Trata-se de uma história divertida e movimentada com vários elementos provenientes da música.

 

 

 

 

 

 

 

Apocryphus – Vários autores

A Apocryphus tem-se vindo a destacar pela componente visual, com a participação de vários autores, e a entrega de um volume de excelente qualidade (páginas grossas de impressão impecável). No mais recente volume, Femme Fatale, os contos melhoram bastante de qualidade narrativa, fazendo com que se torne uma leitura obrigatória.

Nonnonba 

O autor transporta-nos para o Japão rural da sua infância, um Japão em que  os avanços tecnológicos ainda não chegaram (como meios de transporte ou elevadores) e todos os detalhes do quotidiano são explicados pela presença de criaturas fantásticas do fantástico japonês. O barulho do vento será o gemido de uma criatura, os ramos que se partem numa floresta, uma perseguição por outra.

 

 

 

 

 

 

 

The Fade Out – Ed Brubaker e Sean Philips

A dupla que criou outras obras como Criminal ou Fatalle, cria agora uma história que se centra nos anos 40 / 50 de Hollywood, mais especificamente no clima de perseguição e censura, a favor da moral e dos bons costumes, mas que na prática persegue artistas e actores menos conhecidos, num viciado e enjoativo jogo de poderes, onde se sente o constante abuso sexual e são deixadas pistas para práticas como a prostituição e a pedofilia.

O que se vê da primeira fila – Neil Gaiman

Tratou-se de uma escolha de Rogério Ribeiro mas que também é minha. Este livro reúne vários textos de Neil Gaiman que falam do processo criativo ou das obras que escreveu, sem esquecer de discursos que deu em várias ocasiões. Destacaria um texto em que o autor fala sobre os contos tradicionais e consegue reverter o conto da Branca de Neve, questionando que tipo de pessoa descobre uma mulher morta numa floresta e a beija?

Podcasts literários

Esta sessão centrou-se tanto no processo de criação do podcast, como nos objectivos dos podcasts,  mais especificamente, no da Gazervici e no meu (com o mesmo nome do blogue, Rascunhos). Foi uma sessão com maior assistência do que esperava, em que se falou de tudo o que envolve um programa sobre livros, desde as parcerias, às expectativas.

Conversas com os putos e com os pais deles – Álvaro

Recordam-se das conversas hilariantes em Conversas com os putos? Álvaro está de volta com um segundo volume onde apresenta novas conversas, mas desta vez, também, com os pais dos putos. E se as conversas com os mais jovens (com origem real) já eram de outro mundo, as conversas com os mais adultos são ainda mais inacreditáveis.

Entre as conversas encontramos de tudo – tiradas inteligentes e bem colocadas, comentários de alunos que parecem ser propositadamente idiotas (mas que percebemos que são antes comentários de pessoas sem noção do ridículo que acabaram de cometer), conversas de adolescentes de hormonas descontroladas.

Mas tão surpreendentes quanto estas são as conversas com os adultos, os pais dos alunos, que nos fazem perceber que estes jovens são resultado de um sistema do qual dificilmente podem escapar  – um sistema de deturpação de valores e idiotice do qual ecoam as ideias (ou falta delas) e que os leva a fazerem-se convencidos da sua superior moralidade.

Tudo isto nos é apresentado em pequenas tiradas cómicas, onde se destaca o tom irónico, colocando o leitor, durante a leitura, quase ao mesmo nível do professor / autor, como observador do que ocorre, sem juízos de valor sobre tais episódios, com a grande diferença de que o leitor se pode rir, abertamente, do que é retratado.

Trata-se de uma leitura leve, que, a par com a componente divertida, nos induz a momentos de introspecção pela realidade que nos apresenta – pessoas da mesma cultura e sociedade que revelam valores e ideias bastante peculiares. Mas desta vez o livro termina com um episódio extraordinário de algúem claramente de baixa condição social que tudo faz para que os seus filhos possam ter um futuro.