Comix N.º200

Este é último volume desta colecção. Em troca a Goody lança três novas, dedicadas cada uma a uma personagem diferentes da Disney, Tio Patinhas, Mickey e Donald. Este último volume inicia-se com uma história de viagens no tempo em que o vilão, submetido a hipnose, percebe que o Mickey frustrou os seus planos de controlar o mundo.

A partir daqui, por forma a salvar a Minie, o Mickey tem de viajar ao passado, percebendo que a sua viagem já estava pré-determinada e seria necessária para compor o passado. Uma história engraçada que nos faz rever o estilo antigo de Mickey.

Depois de A Queda do Morcego onde se mostra uma aventura menos bem sucedida de Morcego Verde, Donald enfrenta em lobisomem em A Ameaça de Loup Garou e o Tio Patinhas vê o seu bom nome em perigo por conta de um plano da Maga Patalógica.

Populada, sobretudo, por histórias leves e engraçadas, este volume reúne várias personagens Disney num conjunto diverso que toca levemente nas temáticas da ficção científica e da fantasia.

Eventos: Festival Bang!

Aproxima-se a primeira edição do Festival Bang!, um festival alusivo à colecção com o mesmo nome, ambas organizadas pela Saída de Emergência, uma das poucas editoras portuguesas com uma extensa colecção de ficção científica e fantástico em catálogo.

Este festival promete, entre palestras, demonstrações de cosplay e momentos musicais, exposições (sobre Edgar Allan Poe) e a presença da autora Anne Bishop, conhecida pelas séries fantásticas Trilogia das Jóias Negras, Mundo Efémera ou Trilogia dos Pilares do Mundo (apenas para citar alguns dos imensos livros publicados em Portugal pela Saída de Emergência). 

O evento decorre no Pavilhão Carlos Lopes no dia 28 de Outubro e os bilhetes podem ser adquiridos no Ticketline, sendo possível descontar o valor do bilhete em livros. Mais informação sobre os bilhetes na página oficial.

One-Punch Man – Vol. 1 – One e Yusuke Murata

Ainda que não esteja habituada a ler este género, adorei o ambiente e o estilo do que li neste volume. A história centra-se num herói deprimido, sendo uma das principais causas da depressão a facilidade com que acaba com os monstros que enfrenta, bastando um murro.

Com um detalhe delicioso, os desenhos sucedem-se estrondosos, centrados num herói pouco típico o que confere uma ironia ligeiramente cómica que parece fazer pouco das grandes batalhas que normalmente se apresentam em livros de super-heróis. Aqui as batalhas são bastante resumidas e anti-climáticas, sendo a batalha propriamente dita mais rápida do que tudo o que antecede o murro.

Sem grande surpresa da parte que corresponde ao enfrentar do monstro, a novidade está num rapaz com várias peças mecânicas que pretende tornar-se discípulo deste herói peculiar. Rejeitando os vários títulos honrosos que lhe são dirigidos este herói prossegue, demonstrando apatia, quase total indiferença para com o que lhe vai acontecendo.

A série One-Punch Man está a ser publicada pela Devir.

Novidade: Os Vingadores / Homem-Aranha (vol.4)

A colecção da Marvel lançada pela Goody sobre o herói Homem-Aranha arrancou com o quarto volume no passado dia 08 de Setembro. Deixo-vos a sinopse, algum detalhe sobre as histórias contidas e algumas páginas do interior:

O sucesso de Peter Parker trouxe muitos inimigos à porta da sua empresa. Um dos casos mais graves aconteceu quando o grupo terrorista Zodíaco assaltou as Indústrias Parker e conseguiu roubar parte da sua tecnologia avançada. Utilizando um desses sistemas, o Zodíaco descobriu a localização de um misterioso e poderoso artefacto.
Em perigo iminente, os agentes da S.H.I.E.L.D. mobilizaram-se rapidamente e conseguiram capturar os membros superiores do Zodíaco. Infelizmente, o líder do grupo, o perigoso Escorpião, conseguiu escapar e continua foragido.
O Homem-Aranha não tem tempo para relaxar. As ameaças persistem, mas tudo irá terminar esta noite…

Histórias contidas no volume

  • AMAZING SPIDER-MAN (2015) #9-11 – Por Dan Slott e Giuseppe Camuncoli
  • A YEAR OF MARVELS: THE AMAZING (2016) #1 (SPIDER-MAN) – Por Ryan North e Danilo Beyruth
  • SPIDER-MAN (2016) #4-5 – Por Brian Michael Bendis e Sara Pichelli

 

Também a colecção de Os Vingadores arranca para o quarto volume hoje:

Há seis meses, Rick Jones expôs alguns arquivos de um programa ultrassecreto de segurança da S.H.I.E.L.D., com o nome de código Kobik, algo que permitiria às autoridades usar fragmentos do cubo cósmico para fazerem alterações no tecido da realidade. Depois de uma violenta reação pública, a diretora da S.H.I.E.L.D., Maria Hill, alegou que o programa tinha sido cancelado. No entanto, os fragmentos foram usados em segredo para criar uma idílica cidade chamada Pleasant Hill, local onde os supervilões mais perigosos do mundo viviam tranquilamente encarcerados… até agora!

Histórias contidas no volume

UNCANNY AVENGERS (2015B) #7-8 – Por Gerry Duggan e Ryan Stegman
ALL-NEW, ALL-DIFFERENT AVENGERS (2015) #7-8 – Por Mark Waid e Adam Kubert;
ASSAULT ON PLEASANT HILL OMEGA (2016) #1 – Por Nick Spencer e Daniel Acuña

 

Os Ignorantes – Étienne Davodeau

Dois homens trocam paixões. Um expressa a paixão pelas suas vinhas, outro a paixão pela banda desenhada. Ambas se cruzam nesta banda desenhada em que o autor se junta a Richard Leroy, um viticultor, para aprender um pouco mais sobre os detalhes do ofício.

Juntos passam por todos os passos na produção do vinho, desde o corte inicial das vinhas para moldar o crescimento, passando pela escolha e produção dos barris e uma série de procedimentos que quase parecem alquímicos, em que muitos têm dúvidas que funcione mas que Leroy adopta quase como se se tratasse de magia certa.

Se, para um desconhecedor de vinhos se torna difícil distinguir os vários paladares após umas quantas garrafas abertas, também o produtor de vinhos mostra desgostar de obras basilares da banda desenhada, numa espécie de liberdade que apenas é concedida àqueles que estão fora do género e que, portanto, desconhecem a importância dada a determinados autores.

A troca de conhecimentos e detalhes aproxima os dois amigos que, juntos, visitam outros produtores de vinho e outros autores de banda desenhada que permitirá construírem perspectivas próprias da ocupação de cada um.

 

Ao longo do ano, enquanto Richard Leroy mostra como trata as vinhas e vai abrindo várias garrafas de vinho para demonstrar as suas diferenças, o autor, por sua vez, dirige-o na exploração da banda desenhada, passando-lhe alguns clássicos do género, bem como obras mais experimentais que são digeridas a custo.

Os Ignorantes de Étienne Davodeau foi publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Destaque: O Museu do Pensamento – Joana Bértholo, Pedro Semeano e Susana Diniz

Joana Bértholo, autora envolvida em projectos da Prado como Microenciclopédia micro-organismos, microcoisas, nanocenas e seus amigos de A a Z, publicou ontem um livro mais juvenil onde se questiona sobre o destino dos pensamentos, depois de ocorrerem nas nossas mentes:

Este Museu é especialíssimo porque se dedica a compilar e proteger um bem essencial… Já alguma vez pensaram onde vão parar os pensamentos depois de passarem pela vossa cabeça? O que é que lhes acontece?

Nunca pensaram nisso? Nunca mesmo? Nunca tiveram assim um pensamento tão grande, tão pesado, que vos fizesse doer a cabeça?

Nunca tiveram assim um pensamento tão bonito ou divertido que vos deixasse feliz sem ter de acontecer mais nada?

O livro conta com as ilustrações de Pedro Semeano e Susana Diniz, cujas apresentações transcrevo aqui:

O Pedro e a Susana não se conhecem, na verdade. Ambos coabitam num imaginário comum, pelas bandas do universo a duas dimensões. Mas não se conhecem.

O Pedro não se lembra do que comeu ontem ao jantar, mas sabe de trás p’ra frente, com termos complicados e palavras astronómicas, todo o percurso que os seus genes fizeram até aos dias de hoje. Descende de uma tribo proto-bárbara que observava o céu, à espera que não caísse.

Já a Susana, não descende de tribos com grande perícia na observação; sempre foi pitosga. Suspeitou, desde tenra idade, que os seus olhos teriam uma mazela de nascimento, um defeito de fabrico que lhes permitiria apenas focar o interior da sua cabeça. Como lá dentro é sempre escuro, nunca teve a certeza. Para combater estas indecisões, desenvolveu uma memória aguçada capaz de arquivar todas as teorias possíveis. É por serem tão diferentes que o Pedro e a Susana não se conhecem.

Resumo de leituras – Setembro de 2017 (3)

137 – Iraq + 100 – Vários autores – Sem grande tradição no género, foram convidados vários autores para perspectivarem o futuro do país. O resultado é diverso, com altos e baixos. Ainda que a qualidade não seja grande ao longo de todos os contos, a verdade é que vamos descobrindo excelentes e inesquecíveis contribuições;

138 – Valerian Vol.4 – O Embaixador das Sombras / Em terras fictícias – O quarto volume apresenta duas histórias que me parecem de qualidade distinta. A primeira expressa toda a variedade e originalidade que já espero da série enquanto na segunda se simulam várias viagens no tempo numa sucessão de rápidas missões em que Valerian é clonado e enviado;

139 – One Punch Man. Vol. 1 – One e Yusuke Murata – Não estou habituada a ler este género, mas achei este volume fabuloso. O nosso herói é meio deprimido, principalmente pela facilidade com que acaba com os monstros, num só murro. Com uma excelente qualidade gráfica, por vezes em desenhos detalhados, por vezes em imagens mais estrondosas, apresenta um herói pouco típico em episódios ligeiramente cómicos pelo tom;

140 – Os Ignorantes – Étienne Davodeau – Dois homens trocam paixões. Um expressa a paixão pelas vinhas e pela produção de vinho ensinando ao autor da banda desenhada todos os detalhes que rodeiam o seu quotidiano. Por sua vez, o autor mostra obras de banda desenhada diversas, entre o francobelga e o comic americano, obtendo respostas pouco esperadas para algumas das obras.

Eventos: Apresentação Fórum Fantástico

O Fórum Fantástico de 2017 aproxima-se! E com ele a EuroSteamCon Portugal (que se irá realizar no Fórum). Sobre a programação ainda pouco se sabe mas tudo vai ser posto a descoberto no dia 16 de Setembro pelas 18h30 na FNAC Chiado. Podem encontrar detalhes sobre a apresentação na página oficial do evento.

Iraq +100 – Vários autores

Não se tratando de um país com tradição em ficção científica, os organizadores desta antologia convidaram uma série de escritores a apresentarem contos que se passassem no futuro. De perspectivas diversas, na sua maioria bem escritas e de boa direcção narrativa, as histórias deste volume não formam uma excelente compilação de ficção científica, ainda que algumas das histórias sejam excelentes.

Depois de uma introdução que pretende enquadrar, quer a origem da antologia, quer a cultura de onde estes contos surgem, a primeira história, Kahramana de Anoud, apresenta as reviravoltas dos refugiados. A época futura tem apenas como intuito alienar do contexto actual, mas apresenta os altos e baixos de situações semelhantes, que oscilam por conta da mediatização dada pelos meios de comunicação.

Enquanto o próximo conto, The Gardens of Babylon de Hassan Blasim cruza trabalhos literários com uma realidade futura do país sob domínio dos chineses, The Corporal de Ali Bader centra-se num soldado que regressa da morte para ver a cidade 100 anos depois da sua morte. A cidade prosperou bem como a civilização do país – a religião desapareceu e é uma sede mundial de evolução tecnológica. A reviravolta? São os EUA, sob forte domínio religioso, que se apresentam como sub-desenvolvidos, não respeitando os direitos dos seres humanos que lá habitam. Uma excelente perspectiva que parodia a religião e a figura divina.

Em Baghdad Syndrome de Zhraa Alhaboby, um homem explora a origem de uma praça em Baghdad para poder estabelecer um plano de reconstrução. Durante a sua investigação descobre que, nesta praça, já existiu uma estátua de dois amantes, uma estátua que foi desaparecendo progressivamente. Entre a progressão da doença genética que o deixará incapaz, a investigação prossegue revelando o passado de dezenas de famílias da região e dando significado a cada pedaço desaparecido da estátua.

Se Operation Daniel de Khalid Kaki nos apresenta um país governando pelos chineses em que qualquer expressão que corresponda à antiga cultura resulta na erradicação das pessoas envolvidas, Kuszib, de Hassan Abdulrazzak apresenta um planeta governado por alienígenas. O casal que acompanhamos destes alienígenas encontra-se num evento social, experimentando pela primeira vez vinho conforme era produzido antigamente, com uvas. Então de que é feito o vinho que conhecem? Sangue. De humanos. Um conto extraordinário com reviravoltas viscerais. Finalmente, em Najufa de Ibrahim Al-Marashi os antepassados continuam vivos em equipamentos informáticos, mostrando as suas memórias e pensamentos.

Entre várias perspectivas diferentes futuras do país encontramos a postura neutra dos robots que teria permitido um controlo mais correcto das fronteiras (baseada em factos concretos ao invés de etnias) as vantagens de deixar para trás a religião numa reviravolta irónica do Mundo e a exploração do passado por motivos artísticos. Esta é uma compilação com perspectivas diferentes do que usual na ficção especulativa resultando numa combinação de histórias de tom bastante díspar, mas com excelentes contos.

Um mundo de pernas para o ar – Elan Mastai

Em Um mundo de pernas para o ar sobrepõem-se várias realidades ou várias possibilidades de um presente. Tom Barren é um fracasso. Filho de um grande cientista e de uma mulher que se anulou para facilitar os êxitos do marido, Tom Barren nunca consegue estar à altura do grande nome do pai.

Depois de várias tentativas de emprego falhadas e da morte da mãe, é aceite na empresa do pai como substituto da melhor crononauta, ou seja, ocupa o lugar menos importante de sempre, na criação de viagens no tempo. Até que o quase impossível acontece. Envolve-se com a crononauta que ao engravidar perde o seu lugar e consequentemente se suicida.

A experiência de viagens no tempo é suspensa até avaliação de todas as circunstâncias mas Tom, num acto de desespero decide experimentar a máquina e viaja ao ponto de descoberta de um famoso motor que gera energia infinita e que teria permitido evoluções tecnológicas inimagináveis no seu tempo – uma sociedade sem guerra nem fome, sem escassez onde os seres humanos podem concretizar as suas pretensões intelectuais.

Mas Tom é um trapalhão e até aqui no papel mais simples da história, como simples viajante faz confusão e interfere com a primeira experiência decisiva. Quando ocorre o salto automático de volta ao seu tempo, tudo mudou – a sua mãe continua viva, o pai não é um cientista bem sucedido e egocêntrico e a mulher que amava ainda se encontra viva. Ainda assim pensa em restabelecer a linha anterior, em que as evoluções tecnológicas permitiram uma sociedade quase perfeita.

A teoria por detrás das viagens do tempo aqui descritas é interessante – estas seriam impossíveis se viajássemos simplesmente para trás, porque a Terra viaja a elevada velocidade e ontem não se encontrava no mesmo local. Desta forma, as viagens no tempo só são possíveis seguindo restos específicos de radiação em libertação, sendo que a primeira viagem usará o rasto deixado pelo primeiro motor que gera energia infinita.

Com elementos e hipóteses interessantes, este livro dá uma elevada importância à componente romântica perdendo-se em detalhes da vida pessoal da personagem principal e deixando-se expandir em digressões sem grande importância, explicadas como sendo escritas pelo próprio Tom.

Em Portugal Um Mundo de Pernas para o Ar foi publicado pela Bertrand Editora.

Os livros da magia – Neil Gaiman

Mais uma vez dou por mim a pensar, num livro de Neil Gaiman porque me sinto tão envolvida pela história. Vejamos. Depois de um episódio de rebeldia inicial o jovem em que se centra a história não se mostra especialmente inteligente. Ou dotado. Ou interessante. Todas as capacidades que alberga estão ainda dormentes e não as testemunhamos, sendo-nos indicadas por terceiros.

Então o que torna a história interessante e envolvente? Bem, por um lado a forma como Neil Gaiman nos apresenta as personagens, com uma aura de destino a que não podem escapar, algo simultaneamente horrível e belo que os circunda, que os poderá levar ora ao caminho da desgraça, ora para os mais elevados patamares da excelência.

Por outro, na própria história, Neil Gaiman cruza a história com uma série de outras conhecidas, sejam de outros trabalhos de ficção, sejam de mitologias e lendas, fortalecendo a mitologia do seu próprio mundo e concedendo um sentimento de mundo que possui alguma lógica, algo de conhecido e por isso mais familiar e passível de ser mais facilmente adoptado pelo leitor.

Bem, mas afinal o que é Os Livros da Magia? Um livro de banda desenhada com visual diverso e composto que opta por composições arrojadas e que variam a cada episódio. Sem chocarem os estilos, estes alteram-se de acordo com a parte da história contada, seja a origem mítica da magia, sejam as lendas que a contém e que conferem o tal sentimento de conhecido.

Timothy Hunter é um rapaz de doze anos que possuirá um poder latente, uma personagem que poderá vir a servir um dos dois lados em eterna batalha, o lado da magia e o lado da ciência. O rapaz será guiado pelas várias vertentes da magia para que possa escolher qual dos dois mundos pretende, o mundo da magia, fascinante mas perigoso, ou o mundo da ciência, esperado mas seguro.

Entre idas ao surgir do mundo em que se mostram algumas das várias Atlântidas (figuradas) que existiram, viagens pelo mundo das fadas (com todos os perigos conhecidos que lá podem prender quem deambula incauto) e visitas, reais, a uma festa carregada de figuras mágicas, Timothy vai experimentando um pouco de tudo – o seu próprio futuro e o fim de tudo o que existe ou o destino de outras personagens.

Não. Timothy não parece especial em nenhum momento. Não é especialmente corajoso, nem demonstra a desenvoltura das crianças típicas das ficções dos anos 80. Mas de alguma forma vai tomando as decisões correctas e safando-se das embrulhadas em que se coloca por desconhecimento.

Fascinante pelo cruzar de histórias e referências, interessante pela forma como Neil Gaiman consegue tornar a história envolvente, Os Livros da Magia é uma banda desenhada fantástica, aconselhável a todos os que gostam do género da Fantasia.

Os livros da magia de Neil Gaiman foi publicado em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Pùblico.

Outros livros do mesmo autor

 

 

Resumo de leituras – Setembro de 2017 (2)

133 – Interzone 271 Revista de ficção especulativa que reúne contos de ficção científica e fantasia de vários autores, não descurando a componente de crítica a livros e a filmes. Uma excelente revista ainda que continue a preferir a Lightspeed Magazine;

134 – Southern Bastards – Vol.3 – Neste volume explora-se a história de diversas personagens e mostra-se como o clima de tensão causado pelo domínio da pequena máfia local representada pelo Treinador poderá originar uma pequena revolta na população. Esta ainda não ocorreu, mas poderá vir a ocorrer;

135 – Valerian Vol.3 – Bem vindos a Alflolol / Os Pássaros do Mestre – Christin Mézières – até agora o melhor volume da série apresenta duas histórias bastante críticas da história humana. Na primeira vemos a transposição da história dos novos ocupantes que determinam que quem já estava no território deve permanecer apenas em terrenos estéreis. No segundo assistimos a uma paródia na forma como os trabalhadores são influenciados a sentirem-se orgulhosos por trabalharem sem que recolham os frutos desse esforço;

136 – Vapor – Max – Um volume com pequenas histórias engraçadas centradas num homem que se desloca para o deserto numa viagem espiritual. As personagens que vai encontrando fazem-no repensar esse caminho de diferentes formas, mas não o demovem de prosseguir. O tom é leve e cómico.

East of West – Vol.3 – Hickman, Dragotta e Martin

Este é, até agora, o volume menos interessante da história. Ainda que, graficamente continue excelente, e que, do ponto de vista narrativo se resolvam alguns impasses de forma definitiva (eliminando algumas personagens) senti, no final, que não se tinha avançado propriamente com nenhuma das componentes principais.

Morte, cavaleiro do Apocalipse, continua em busca do filho, e as várias fracções interessadas em deter poder lutam entre si numa guerra de interesses que toma a forma de violência física.

No final um jovem robotizado de poderes imensos solta-se mas é uma liberdade falsa, pois a sua visão depende de terceiros que possuem interesses díspares e lhe mostram um mundo inóspito e carregado de caveiras ao invés de um prado primaveril.

Confesso que, neste volume, me senti menos envolvida e, até aborrecida. Salvaram-me as páginas de excelentes perspectivas que possuem imagens de cortar o fôlego. Decerto continuarei a explorar a série nos restantes volumes, mas por enquanto deverá perder prioridade.

Valerian – Vol.4 – O Embaixador das Sombras / Em terras fictícias – Christin Mézières

Apesar do título do filme, Valerian e a cidade dos 1000 planetas, a história que mais se assemelha é a apresenta aqui como O Embaixador das Sombras que se inicia com a entrada dos nossos heróis numa imensa cidade espacial onde co-existem milhares de espécies sapientes diferentes, criando um aglomerado heterogéneo e imenso.

Dentro deste imenso aglomerado sobrevivem os membros de uma civilização há muito perdida que pretendem refazer o seu mundo. Para tal necessitam de algo que a agente Valerian possui, um Transmutador, um espécime capaz de reproduzir o objecto que engole.

Estes mesmos espécimes raptam o Embaixador, o homem que pensam possuir o Transmutador. O rapto é pacífico, iniciando-se com a imobilização de todos os elementos que poderiam responder com as armas e cabe a Laureline seguir as pistas para resgatar o Embaixador.

E agora uma nota para quem viu o filme, sim, no livro, é Laureline que se infiltra numa cidade carregada de brutamontes e é Laureline que é seduzida por homens de tronco nu. Engraçado constatar como, numa obra com mais de 40 anos, é mais possível a heroína da história ser uma mulher do que no filme que resulta na sua adaptação.

Como as histórias anteriores esta apresenta-se carregada de elementos imaginativos com raças sem fim e culturas de diferentes perspectivas, realçando o temperamento tempestuoso e pouco submisso de Laureline.

A segunda história deste volume, Em Terras Fictícias, parece retornar à fórmula inicial, mas com maior grau de complexidade. Laureline acompanha uma agente mais velha que replica Valerian. Os duplos são enviados para vários pontos no tempo com missões cronometradas ao segundo.

Destacam-se aqui os sentimentos de Laureline por Valerian, apresentado como a força bruta da dupla. Laureline é tratada com condescendência pela agente mais velha, por um lado por conta da sua idade, por outro por demonstrar evidentes sentimentos por Valerian.

De narrativa mais simples e linear, toda a acção apresentada na história Em Terras Fictícias é repetitiva, reproduzindo ao longo de diferentes épocas o mesmo padrão, cada vez mais rápido e intenso que deveria terminar numa grande revelação. Existe revelação mas esta não teve o efeito bombástico esperado, deixando a sensação de história pouco conclusiva e sem objectivo.

Ainda que a segunda história do volume seja, do ponto de vista narrativo, inferior, a primeira é rica em detalhes futuristas que se completam de forma lógica criando um Universo fascinante.

A série Valerian está a ser lançada em Portugal pela Asa em parceria com o jornal Público.

Eventos: It’s Alive! Maratona de Escrita Fora de Horas – MOTELX 2017

Vai decorrer, durante o MotelX, no dia 09 de Setembro uma maratona de escrita, trazida pelo Motelx em cooperação com a Imaginauta, inspirados no chamado “Ano sem Verão”, a noite que terá originado Frankenstein de Mary Shelley ou Vampyre de Polidori. À semelhança desta noite o evento desafia os participantes a escrever um conto de terror em apenas uma noite.

Para além do desafio os participantes terão oportunidade de conhecer convidados especiais e estabelecer novos contactos como assistir a palestras de especialistas em terror onde se irá falar da relação entre a sociedade e os monstros criados pela ficção. O programa do evento encontra-se abaixo. Para mais detalhes podem consultar a página no facebook. 


20h00-21h00: Palestras sobre temas ligados ao terror pelo Prof. José Duarte e Diogo Almeida

21h00-22h00: Sessão de Speed Meeting com vários convidados, entre eles Kim Newman, Rui Cardoso Martins, Filipe Homem Fonseca, Jerónimo Rocha e Nuria Leon Bernardo

22h00-00h00: Maratona de escrita

00h00-00h15: Intervalo com Slam Poetry por Filipa Borges, Miguel Antunes e Ricardo Blayer

00h15-02h00: Maratona de escrita

 

Halt-5 – Vários autores

Este é o quinto volume de H-Alt, uma revista que cria parcerias entre narradores e desenhadores para, juntos conseguirem criar histórias de melhor qualidade, tanto a nível visual como narrativo.

Ainda que não seja dos meus volumes favoritos, H-Alt continua a mostrar-se como uma boa compilação de histórias, com algumas re-edições e traduções, numa combinação agradável e interessante, onde se exploram, sobretudo, premissas de ficção especulativa, seja ficção científica, fantasia ou terror.

 

Resumo de leituras – Setembro de 2017 (1)

 

129 – Polina – Bastien Vivés – A vida de uma bailarina de sucesso não é linear. Começando como bailarina clássica e passando à dança contemporânea, Polina foi sendo reconhecida pelo seu talento em alturas chave. Uma altura de grande tensão causou a mudança para a Europa e, consequentemente, marcou a carreira de forma decisiva;

130 – Dylan Dog – Mater Morbi – Recchioni e Carnevale – Banda desenhada excelente que aproveita a personagem para a apresentar sob maleita e, consequentemente, dependente. O tema da doença é abordado de forma pouco usual numa história complexa e interessante;

131 – Fireside Magazine – Issue 44 – Revista de ficção especulativa pouco conhecida que tem alguma ficção interessante. Nota-se a necessidade de mais forte edição, por forma a conferir voz mais forte a boas ideias;

132 – Comix 200 – Último número da Comix apresenta histórias engraçadas onde não faltam as viagens no tempo e os feitiços malignos contra o Tio Patinhas.

Eventos: Ciclo Killer B’s – 5ª Sessão “Attack of the Giant Leeches”

No seguimento do ciclo de cinema Killer B’s, vai haver uma sessão de cinema do Attack of the Giant Leeches de Bernard L. Kowalski no Clara Clara. Este ciclo apresenta clássicos de terror e de ficção científica no universo da série B norte-americana.

Sobre o filme desta semana, eis mais algum detalhe:

Clássico exemplo da sci-fi série B “creature feature” que respondia aos medos da guerra-fria, produzido por Gene Corman e lançado pela American International Pictures numa double bill com “A Bucket of Blood” (de Roger Corman, irmão de Gene). Uma das vítimas das sanguessugas que dão título ao filme é Yvette Vickers, coelhinha da Playboy no ano de produção. “Híbrido ridículo de monstros e white trash”, disse o crítico Leonald Maltin num dia em que deixou o sentido de humor esquecido em casa.

Para os interessados na sessão podem consultar a página oficial do evento no facebook.

K.O. em Telavive – Asaf Hanuka

O autor nascido em Israel apresenta aqui uma série de episódios quotidianos, caseiros e pessoais onde espelha as preocupações mais comuns, os seus medos, obsessões e receios, bem como os altos e baixos de um relacionamento e do convívio familiar. De prancha em prancha vamos assistindo a cenas cómicas, deprimentes ou simplesmente rotineiras e por isso familiares e envolventes.

Entre despesas que sobem rapidamente e parecem fugir ao controlo do autor e um casamento com encontros e desencontros que prossegue entre travagens e arranques, o autor comete pequenos exageros para explorar a situação, conferindo, por vezes um tom caricato ao desenho.

Com uma grande capacidade para expressar emoções e apresentar, de forma resumida, pequenos episódios familiares onde se iniciam e se esmagam grandes perspectivas ou grandes sonhos, em K. O. Telavive apresenta-se a luta constante do autor para conciliar todos os aspectos da sua vida , sentindo-se frequentemente cansado e frustrado.

Excelente caricatura do quotidiano com algumas notas culturais (devido às diferentes origens étnicas do casal) K. O. Telavive é um dos volumes da mais recente colecção de Novela Gráfica que está a ser lançada pela Levoir em parceria com o jornal Público.