Dormir com Lisboa – Fausta Cardoso Pereira

O prémio Antón Risco pretende distinguir obras de literatura fantástica, concedendo-lhes um prémio monetário e a publicação através da editora galega Urco. A primeira edição deste prémio foi realizada em 2015 e a segunda foi ganha por esta obra, Dormir com Lisboa.

Num dia, sem qualquer aviso ou razão, a cidade de Lisboa começa a engolir pessoas. Apenas algumas. Pontualmente. Abrem-se burados no chão que duram o suficiente para fazer desaparecer alguém, mas não mais do que isso. Nada parece unir os alvos de Lisboa. Os locais em que desaparecem são diversos, as idades e costumes também. Alguns moram na cidade, outros apenas lá trabalham, outros, ainda, estão apenas de passagem.

Instala-se o pânico. Que fenômeno estará por detrás dos desaparecimentos? E quem? Reúne-se um grupo de emergência composto por diversas entidades – ministros e presidente da câmara, general e cientistas. Cada um tem a sua própria visão dos acontecimentos e cada um tem ideias muito diferentes de como controlar a situação.

A investigação policial parece não descobrir muito, para além dos factos. Nem motivos, nem causas. Antes de cada desaparecimento ouve-se um estrondo. De seguida, abre-se um buraco e a pessoa desaparece. Alguns não deixam quem dê por falta deles, mas são dados como desaparecidos por quem viu a ocorrência.

Tecendo um fenômeno na cidade, a autora transforma Lisboa na personagem principal, uma personagem presente mas silenciosa que se expressa de formas nem sempre perceptíveis pelos seus habitantes. Cada pessoa tem a sua própria visão da cidade, vendo-a como uma mulher misteriosa que pode fugir facilmente ao poder de um político ou como uma velhota de múltiplos retalhos.

Dormir com Lisboa explora a pluralidade da cidade – a diversidade dos habitantes e dos locais, uma cidade que foi construído ao longo de séculos e que possui restos de todas as suas fases. Não é uma cidade homogénea, mas uma cidade que abriga diferentes habitats, de amores e humores, com locais de lazer e introspecção e com locais frios de passagem apressada.

 

Dormir com Lisboa foi publicado pela Urco Editora.

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Novidade: Campeões – Marvel Especial N.º 5

O quintovolume de Marvel Especial já se encontra nas bancas! Deixo-vos sinopse bem como algumas páginas fornecidas pela editora:

O MUNDO AINDA PRECISA DE HERÓIS, E ESTES PODEM FAZER A DIFERENÇA!

Após os terríveis acontecimentos da Guerra Civil II, Miss Marvel, Nova e Homem-Aranha (Miles Morales) decidiram abandonar os Vingadores e passaram a agir por conta própria! Na companhia de Viv (a fi lha do Visão) e do Tremendamente Incrível Hulk (Amadeus Cho), estes jovens heróis estão determinados em mudar o mundo à sua maneira – e isto é apenas o início! Tudo começa com uma ideia, que por sua vez se transforma num ideal e que num ápice se transforma num movimento – tão grande que nem o Hulk o vai conseguir parar! Então e o que faz aqui Ciclope? Será que um dos maiores X-Men de sempre vai construir um novo futuro ao lado desta nova equipa? Qual será o papel da Inacreditável Gwenpool? O mundo continua a precisar de heróis, mas a nova geração terá de fazer melhor. É por isso que esta superequipa só podia ser formada por… CAMPEÕES!

 

 

 

Mil tormentas – Tony Sandoval

Mil Tormentas é uma história de auto descoberta – com o atingir da maturidade física a personagem envolve-se inocentemente com elementos sobrenaturais, enquanto é acusada de bruxarias pelos rapazes da aldeia onde vive. Das suas origens pouco desconhece, até porque a mãe faleceu há muito e o pai encontra-se ausente.

Lisa é uma rapariga peculiar que gosta de deambular pelo campo e apanhar pequenos objectos que encontra – ossos e dentes de forma pouco usual ou pedrinhas estranhas. Em casa da madrinha a rotina é rígida, mas Lisa escapa-se mostrando as boas notas que costuma ter, para desagrado do filho da madrinha, um rapaz que não gosta de Lisa e vê tudo o que esta faz com maus olhos.

O crescimento de Lisa não passa despercebido a alguns rapazes da vizinhança que passam a olhá-la de outra forma e a demonstrar um maior interesse pela sua companhia. Lisa interessa-se, também, por um desses rapazes, mas os encontros entre ambos não vão levá-los onde pretendem.

Cruzando elementos sobrenaturais com monstros a invadir esta realidade e Lisa a deter um papel determinante nesta invasão, Mil Tormentas distingue-se pelo aspecto visual caricato que coloca personagens de aspecto inocente em episódios de puro terror.

Visualmente semelhante a outras obras do autor, Mil Tormentas tem elementos interessantes, mas a história é bastante simples, centrando-se mais no despertar da adolescência do que na origem dos elementos sobrenaturais. Tal foco faz com que a invasão monstruosa pareça de dimensão pouco equilibrada quando se consideram as restantes manifestações sobrenaturais, bastante contidas, algumas dúbias.

Mil tormentas foi publicado em Portugal pela Kingpin Books.

Outros livros do autor

 

Novidade: O Legado de Júpiter Vol.1

O volume já anda nas bancas e constitui um dos muitos volumes de Mark Millar que a editora G Floy planeia lançar em Portugal (ainda em Fevereiro será lançado Imperatriz). Sobre este volume deixo-vos a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Chloe e Brandon são filhos dos maiores heróis e vilões deste mundo. Mas será que estão à altura do seu legado?

Em 1932, a busca por uma misteriosa fonte de energia e poder leva Sheldon Sampson,bem como o seu irmão Walter e um pequeno grupo de companheiros, numa viagem arriscada a uma estranha ilha perdida. Décadas mais tarde, Sheldon e Walter tornaram-se em super-heróis celebrados por todo o mundo. Mas uma nova geração de super-humanostem de seguir os seus passos, e a missão anuncia-se difícil… sobretudo quando dois lados da família iniciam uma luta terrível pelo poder. Quanto tempo poderá o mundo sobreviver a uma guerra entre seres super-poderosos?

Resumo de Leituras – Fevereiro de 2018 (3)

 

23 – Ministry of Space – Ellis, Weston e Martin – Visualmente fabuloso, decorre numa realidade alternativa onde a corrida do espaço é vencida pelo Reino Unido graças  a uma reviravolta na obtenção dos segredos militares dos alemães. A partir daqui assistimos à construção de um novo Império, concretização das aspirações superiores dos ingleses;

24 – O ateneu – Quintanilha – De visual bastante diferente do usual no autor, adapta um romance brasileiro que se centra num rapaz que larga as saias da mãe para integrar um colégio interno que tem todos os filhos da elite brasileira. Não esperem amizades e companheirismo, à semelhança dos adultos que espelham, são jovens carregados de vícios que tecem jogos de influências e poder para concretizar as suas intenções;

25 – Torpedo 1936 Vol.1 – Abulí, Bernet – O assassino a soldo concretiza os seus planos de forma dura e vai aproveitando as oportunidades que se lhe apresentam para ganhar mais algum dinheiro. Os seus esquemas nem sempre funcionam, e por vezes altera os seus planos para ganhar momentos de menor remuneração imediata;

26 – Dormir com Lisboa – Fausta Cardoso Pereira – Vencedor do prémio Antón Risco, o livro da autora portuguesa foi publicado numa editora Galega e apresenta-nos as várias facetas de Lisboa numa história de detalhes fantásticos onde alguns trauseuntes vão desaparecendo sem deixar rasto, iniciando-se, assim, uma crise nacional pela busca e necessidade de explicação do fenómeno.

Novidade: Assassin’s Creed em banda desenhada

Para além de Pantera Negra, a Goody lança esta semana uma nova série mensal que não pertence à Marvel – Assassin’s Creed! Trata-se de uma pequena série de três volumes, e o primeiro volume já anda nas bancas desde dia 07 de Fevereiro. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

QUANDO TUDO PARECE PERDIDO, O CREDO PERSISTE.

A vida banal de Charlotte De La Cruz é virada do avesso quando esta é catapultada para o mundo obscuro da Irmandade dos Assassinos.

Juntando-se a eles numa disputa milenar contra a Ordem dos Templários, Charlotte é introduzida aos rituais da Irmandade à medida que entra nas memórias genéticas do seu antepassado assassino, Tom Stoddard.

Ao procurar desesperadamente por uma pista que possa salvar vidas, Charlotte testemunha em primeira mão o pânico e a histeria dos aterradores Julgamentos das Bruxas de Salem!

 

 

Ciudad – Giménez , Barreiro

O conhecer ambos os autores de outras obras foi o factor decisivo para a aquisição. De Ricardo Barreiro foi publicado Parque Chas na colecção  Novela Gráfica, e de Giménez é de realçar a participação na saga Metabarão. Com algumas semelhanças a Parque Chas, Ciudad centra-se numa cidade sem tempo, uma espécie de buraco negro onde vão parar habittantes de todos os tempos e lugares – imensa e diversa, uma cidade sem fim nem saída.

Depois de uma saída nocturna com a namorada, Jean separa-se saturado e resolve ir para casa a pé, sozinho. A meio do curto percurso encontra uma rua que desconhece existir no bairro onde vive. A partir daqui o caminho revela-se muito mais longo do que seria de esperar e é, com espanto que se vê alvo de metralhadoras na ruela em que está perdido. Salva-o uma mulher destemida, Karen

Tentando antecipar uma retaliação pela luta disputada anteirormente, a dupla constituída por Jean e Karen, parte num carro. Infelizmente, não partem a tempo. A partida é marcada por uma perseguição de desfecho violento em que Jean dispara, pela primeira vez, contra alguém. Escapam fisicamente ilesos mas encontram-se numa parecela desconhecida da cidade na qual deambulam sem encontra outras pessoas ou comida por longos dias.

A descoberta que os irá salvar é a de um supermercado enorme e automático, bem fornecido em todos os items de que poderiam necessitar. Desde comida a armas, tudo se encontra, reposto automaticamente por robots. Os problemas começam para ambos quando tentam sair do supermercado sem pagar – activam-se sistemas de defesa que decretam, logo, uma sentença pesada à dupla. Aqui são salvos por alguém que tenta, há muito, destruir o supermercado, mas sem sucesso. Tal como as fábricas de Philip K. Dick este supermercado recupera-se e mantém o funcionamento, mesmo sem clientes que desejem utilizá-lo, cumprindo o dever para o qual foi construído.

O restante caminho pela cidade vai ser feito de maravilhas e pesadelos de elementos fantásticos e de ficção científica, alternando eventos inexplicáveis com máquinas elaboradas. Encontram homens há muito perdidos que já perderam as esperanças de fugir da cidade e se deixam enrolar numa série de eventos cíclicos, e monstros dos clássicos de horror que aqui se tornam heróis. Dentro da grande cidade há cidades ordeiras de pessoas que cedem a liberdade a troco de uma comunidade e seitas caninais que recebem bem as futuras refeições.

Tal como Parque Chas, Ciudad apresenta uma cidade ficcional dentro da cidade real, uma cidade maior e mais complexa com múltiplas portas de entrada. Mas se em Parque Chas as deambulações na cidade alternativa são curtas, aqui prolongam-se pela eternidade, constituindo um local sem fim, repleto de absurdos monstruosos e locais ordeiros.

A cidade não é contínua, nem no espaço, nem no tempo, e a dupla experimenta o passado e o futuro, ambos traumatizantes, não percebendo as diferenças na duração da noite e do dia entre as diferentes partes da cidade. Se chove excessivamente numa parte da cidade causando uma inundação, no momento seguinte pode-se experimentar uma seca intensa que leva os viajantes a duvidar da sanidade. Cruzando outras ficções com esta narrativa (não só pela apresentação de monstros, como pelo surgir da figura Eternauta, e por referências indirectas a outras obras) Ciudad funde vários elementos para se transformar numa longa e rica viagem.

Outras obras dos autores

 

Novidade: Pantera Negra

A Goody lança nova série Pantera Negra de três volumes! O primeiro volume encontra-se nas bancas desde dia 06 de Fevereiro – eis mais informação sobre este volume:

PANTERA NEGRA é o título cerimonial ancestral de T’Challa, o rei de Wakanda. T’Challa divide o seu tempo entre a proteção e bem-estar do seu reino, tarefa na qual conta com a ajuda da sua guarda real feminina de elite, as Dora Milaje, e o seu trabalho de super-herói, como membro de equipas como os Vingadores e os Supremos. A nação de Wakanda é a sociedade do planeta mais avançada a nível tecnológico. Este pequeno país africano está situado sobre um enorme jazigo de um recurso natural extremamente raro chamado vibranium. T’Challa passou algum tempo afastado do trono. Durante esta ausência foi a sua irmã Shuri quem governou o país, como rainha e Pantera Negra, mas Shuri morreu a defender Wakanda do exército de Thanos. Agora, T’Challa é de novo rei, mas o povo está inquieto. Quando um grupo terrorista sobre-humano faz despoletar uma revolta sem precedentes, Wakanda entra numa espiral de violência que fará o povo duvidar do seu próprio rei. T’Challa luta por conseguir manter o seu povo unido, ao mesmo tempo que das sombras surge um poderoso inimigo!

Conteúdo:

BLACK PANTHER (2016) #1-6 – POR TA-NEHISI COATES, BRIAN STELFREEZE, CHRIS SPROUSE, KARL STORY, MATT MILLA e LAURA MARTIN

 

Resumo de leituras – Fevereiro de 2018 (2)

19 – Beowulf – Santiago García e David Rubín – Visualmente, Beowulf é uma obra interessante, com páginas carregadas de acção que deixam espaço para se encontrar o fascínio pelos monstros e pelos heróis, mostrando um guerreiro destemido sem medo de morrer que ganha ímpeto perante o próximo desafio. O cenário é inóspito, o que justifica a pouca exploração do terreno e o surgir de monstros no desconhecido, monstros que se encontravam na imaginação do homem que assim justifica os acontecimentos, monstros que se tornam passíveis de enfrentar;

20 – Corto Maltese – Sob o signo do capricórnio – Vol. 2 – Hugo Pratt – Com várias referências a obras anteriores, esta aventura expressa bem o espírito do herói aventureiro de características controversas, que por um lado tenta aproveitar as oportunidades que se lhe apresentam e por outro realiza boas acções, mas sem as justificar e arriscando uma negativa interpretação da sua personalidade, mostrando-se imprevisível;

21 – Sandman Vol. 9 – As benevolentes – O ambiente é de pesar, antecipando desgraças enquanto as Benevolentes (também designadas Fúrias) tecem o destino dos mortais e dos eternos;

22 – Astronauta: Assimetria – Danilo Beyruth – A história explora as escolhas de vida da personagem e funde vários destinos possíveis, numa complexidade narrativa maior do que as histórias habituais nesta colecção. O visual é futurista com boas (e estranhas) imagens da paisagem de Saturno. O conjunto destes elementos faz deste volume um dos melhores que já li da colecção.

Procuram-se boas histórias para adaptação à BD

A Devir está à procura de histórias para poderem ser adaptadas à banda desenhada. As ideias ou histórias devem ter, no máximo 3 páginas e estar identificadas (nome e contactos). A data limite é 28 de Fevereiro. Para mais informações podem consultar a página oficial.

 

O Torpedo – Vol.1 – Enrique Sanchez Abulí e Jordi Bernet

O Torpedo é a nova colecção lançada pela Levoir em parceria com o jornal Público. O primeiro volume apresenta-nos um assassino a soldo (e daí advém o título, uma alusão à capacidade de perseguir o alvo até este ser atingido) – na prática trata-se de um homem que procurou o sonho americano e que viu as expectativas de fortuna em troca de trabalho falhadas.

Humilhado por aqueles que, à sua volta, detém maior poder, sem dinheiro suficiente para se sustentar devidamente, Luca Torelli, vira o tabuleiro e transforma-se num assassino – a arma confere-lhe o poder de que necessita para alimentar o ego e uma forma de se deitar com as belas mulheres com quem se cruza.

Personagem moldada pelas circunstâncias, vingativa e de humor peculiar, Torpedo revela instintos básicos e impulsos previsíveis, que o fazem cair em pequenas esparrelas – são episódios com os quais aprenderá a ser mais precavido e a andar acompanhado, utilizando, nos seus planos, um sócio trapalhão que serve como moço de recados .

As histórias de Torpedo 1936 são curtas, cerca de 10 páginas cada uma, fazendo com que cada volume possua várias aventuras. A maioria possui finais irónicos de humor corrosivo, que combina com a personagem de instintos crus que nos é apresentada. Torpedo é, simultaneamente, uma personagem que tece planos elaborados para os alvos para os quais é contratado, e uma personagem que vai aproveitando as ocasiões que se lhe apresentam, numa esperteza saloia que nem sempre retorna os frutos desejados.

A série Torpedo 1936 está a ser publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público.

O Ateneu – Marcello Quintanilha (Raul Pompeia)

O Ateneu, de Raul Pompeia, é considerado o único romance impressionista da literatura brasileira. Publicado em 1888, conta a história de um rapaz, Sérgio, que é enviado para um dos melhores colégios do país (se não o melhor), onde se encontram os filhos dos homens mais ricos poderosos do Brasil – o Ateneu.

De caracóis louros, pouco habituado ao meio escolar por ter tido apenas algumas lições privadas em casa ou num pequeno colégio familiar, Sérgio é um menino obrigado a largar a inocência logo nos primeiros tempos no Ateneu. Não o espera companheirismo nem amizades desinteressadas, mas um círculo de vícios – todos aqueles de quem se aproxima acabam por se revelar interessados noutra faceta da sua presença.

O Ateneu usa o colégio para espelhar os vícios dos pais destas crianças. Ao invés da inocência vemos jogos de poder e violência. Ao invés de amizades assistimos a manipulações com o objectivo de se consumarem vícios decadentes. De amizade frustrada em amizade frustrada, o conjunto de colegas apresenta-se como uma desilusão e Sérgio aprende a seguir o seu próprio caminho.

Ainda que tenha lido apenas uma outra obra de Quintanilha (mas desfolhado outras) nota-se a diferença no aspecto visual – e não só pelas cores! Com uma história maior que integra a obra original, O Ateneu dá especial foco às expressões, usualmente carregadas de emoções negativas, conflitos e ódios, dos restantes alunos. Tratam-se de crianças carregadas de vícios, habituadas a ter o que desejam e que vêem, nas restantes, um meio para o obterem. O Ateneu revela-se não como um local de formação, mas de corrupção.

As expressões de fortes e negativas emoções dos alunos (raramente agradáveis e que, mesmo quando tentam ser simpáticas se tornam, no mínimo, dúbias) contrastam com as das senhoras que encontra inicialmente, de postura maternal e doce, uma espécie de santuário da infância ao qual não pode regressar.

Entre a preversão nos relacionamentos e o despertar da sexualidade (reprimidas e não reconhecidas pelas autoridades do colégio e, por isso, sem verdadeira forma de ser combatida) o Ateneu é um local de transformação amarga e de crescimento envenenado que frustra as boas intenções de uma simples interacção. O resultado é uma história que transmite fortes emoções, sobretudo negativas, aspecto inesperado numa história que tem, como personagem principal, uma criança.

O Ateneu foi publicado em Portugal pela Polvo.

Outras obras do autor

Novidade: O Velho e o mar – adaptação para Banda desenhada

O clássico de Ernest Hemingway foi adaptado para banda desenhada e será publicado em Portugal no dia 08 de Fevereiro. Depois de O Diário de Anne Frank e de A viagem do Elefante esta é a nova aposta  da Porto Editora:

Cuba, início dos anos 1950. Santiago, um velho pescador, sai para o mar após 84 dias sem pescar um único peixe. Todos os habitantes da ilha afirmam que Santiago está velho de mais e em maré de azar, mas Manolim, o pequeno rapaz, continua a acreditar nele apesar dos comentários depreciativos dos pais. Ao 85º dia, Santiago decide partir para o mais longe possível, ao largo do Golfo, em busca do peixe que lhe devolverá o respeito dos habitantes da ilha. É então que encontra um magnífico espadarte, enorme e forte. A luta homérica entre o velho e o peixe predador durará três dias e três noites: no regresso a terra firme, o velho, derrotado, recuperou a dignidade entre os seus pares após uma batalha corajosa.

 

 

 

 

Ficção científica – algumas adaptações interessantes

A mais recente trilogia de Jeff Vandermeer (publicada em Portugal pela Saída de Emergência) foi adaptada para o cinema. Pelo menos o primeiro volume. Infelizmente, por decisão comercial não será vista nas salas e deverá ser distribuída para a Netflix. As expectativas para o filme são grandes, não só pela história, mas pelo elenco. Recordo que o primeiro volume, Aniquilação, possui uma história carregada de elementos estranhos e com alguns cenários baseados na visita do autor a Portugal (mais concretamente à Quinta da Regaleira).

Carbono alterado, publicado em Portugal também pela Saída de Emergência, é um livro movimentado que se encaixa no género Cyberpunk. Num futuro não muito distante, a sociedade é comandada por empresas poderosas que não se importam de exercer o seu poder contratando forças de elite. Nesta realidade a consciência das pessoas pode ser armazenada digitalmente, o que possibilita a utilização de novos corpos após o esgotar do primeiro. É, no entanto, uma possibilidade cara. O livro foi recentemente adaptado para série televisiva.

Electric Dreams é uma das mais recentes adaptações dos trabalhos de Philip K. Dick que, neste caso se baseia em vários contos do autor. A série está a ser lançada pela Amazon (EUA) e pelo Channel 4 (Reino Unido). As obras do autor estão a ser publicadas em Portugal pela Relógio d’Água.

 

Novidade: Harrow County Vol.3

Chega às bancas portuguesas o terceiro volume de Harrow County, uma das melhores (a melhor, para mim) séries de banda desenhada de terror em curso! Depois de um primeiro volume brutal e de um segundo surpreendente, veremos o que nos espera no terceiro:

O Rapaz sem Pele tenta compreender os mistérios do seu passado, Emmy investiga uma casa assombrada, e umas serpentes maléficas infectaram as mentes dos habitantes do Holler. E só Bernice poderá opor-se a este novo mal – mas será que pedir ajuda à sombria e temível Lovey Belfont a vai colocar num perigo ainda maior?

Austronauta – Assimetria – Danilo Beyruth

Desconheço totalmente a personagem original, mas mesmo sem contexto (e mesmo sabendo que esta versão da personagem já foi utilizada em histórias anteriores) trata-se de uma história legível, surpreendente e que questiona as decisões de vida de alguém aventureiro e complexo.

A história começa com o austronauta em férias, das quais retorna abruptamente após visualizar um episódio familar com uma criança. O motivo para tal reacção desconhecemos, mas percebe-se que terá recordado uma mágoa escondida.

O motivo para ter deixar, novamente, a terra, irá revelar-se um ponto decisivo na sua vida ao encontrar, em Saturno, uma versão de si mesmo, proveniente de um Universo alternativo. Ambos investigam uma perturbação no planeta e lutam lado a lado contra uma ameaça para ambas as realidades.

O motivo do seu encontro é também o que permite o encontro no ponto intermédio em que ambas as realidades se fundem, uma fusão que irá terminar de forma abrupta e deixar um tom amargo no final.

A história explora as escolhas de vida da personagem e funde vários destinos possíveis, numa complexidade narrativa maior do que as histórias habituais nesta colecção. O visual é futurista com boas (e estranhas) imagens da paisagem de Saturno.

Outros livros da mesma colecção

Novidade: The Worst of Álvaro

 

 

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O novo lançamento da Escorpião Azul para Fevereiro é um livro com as piores bandas desenhadas de Álvaro, o autor de Conversas com os putos (Melhor álbum de tiras humorísticas no Amadora BD 2017) ou de No presépio… .  O autor explica!

Há uns anos numa entrevista ao Paulo Gonzo, o entrevistador, um rapaz alegre, muito divertido e de riso saltitante, perguntou-lhe quando é que ele editava um Worst of. O músico não disse o que terá pensado, carregou nos travões a fundo, olhou de lado e… e riram-se.

Hummm… um dia tenho de fazer uma destas, pensei na altura.  E antes que se torne numa moda, cá vai.

Neste livro encontram-se algumas bandas desenhadas que realizei numa altura em que ainda tinha poucas despesas, algum tempo, mais energia, ainda não adormecia em frente da TV, uma coluna resistente e espectativas pouco realistas. São das primeiras que desenhei e que não enviei para o aterro municipal.

 

Corto Maltese: Sob o signo do capricórnio – Hugo Pratt

Eis uma aventura clássica de Corto Maltese! Com várias referências a obras anteriores, esta aventura expressa bem o espírito do herói aventureiro de características controversas, que por um lado tenta aproveitar as oportunidades que se lhe apresentam e por outro realiza boas acções, mas sem as justificar e arriscando uma negativa interpretação da sua personalidade, mostrando-se imprevisível.

Desmascarando o misticismo associado às religiões não ocidentais, que se faz sentir em pesadas premonições concretizadas à força (ainda que de forma subtil para que alguns continuem a associar os acontecimentos à previsão) esta aventura aproveita o encontro de dois irmãos, nascidos em pontos opostos do globo para arrancar com uma longa aventura.

Corto Maltese alia-se a um professor caído em desgraça (de bebedeira em bebedeira) e decide-se a ajudar os jovens, enquanto concretiza uma missão clandestina com a qual irá lucrar bastante dinheiro. As suas verdadeiras motivações vão obscuras, e a todos estes objectivos junta-se a busca por um grande tesouro na qual terá de se aliar a várias personagens duvidosas.

O caminho de Corto Maltese cruza-se com o de Rasputine, lançando referências a aventuras anterioers (A Juventude ou A Balada do Mar Salgado). O relacionamento entre ambos continua bipolar com Rasputine a oscilar entre aprisionar Corto Maltese e a querer envolvê-lo como sócio nas suas iniciativas nos episódios seguintes. O espírito misterioso de Corto Maltese não ajuda e Rasputine recorda que Corto Maltese lhe salvou a vida, mas nem assim confia totalmente nele. E com razão.

Em Sob o signo do Capricórnio não faltam as referências ao imperialismo que se faz sentir em todo o globo, contraposto por apertadas manobras de grupos independentistas que jogam entre as grandes potências, ora com aproximações políticas, ora com aproximações bélicas. A par com a diferença de tratamento vemos diferenças culturais que aprofundam divergências e preconceitos e justificam o movimento de libertação.

Outras histórias de Corto Maltese

Histórias com referências óbvias a Corto Maltese

Novidade: Thor os últimos dias de Midgard

O novo lançamento da G Floy chega no formato Marvel Deluxe, um formato maior destinado apenas a alguns dos livros que publicam. O artista é o mesmo do volume de Loki, e o narrador é Jason Aaron, o autor de Má Raça e Southern Bastards, todos já publicados pela G Floy. Trata-se de uma história auto-conclusiva que enceerra a saga do Deus do Trovão. Deixo-vos a sinopse bem como algumas páginas fornecidas pela editora:

Thor luta para salvar o planeta, mas lutar contra quem, se o planeta está a morrer? Mas a agente Roz Solomon, da SHIELD, sabe quem é o inimigo: a nefasta megacorporação Roxxon e o seu implacável e malévolo novo CEO, “o Minotauro”! Terá Thor encontrado o seu igual sob a forma de uma supercorporação multinacional? Entretanto, milhares de anos no futuro, o Rei Thor de Asgard e as suas netas, as Guerreiras do Trovão, travam uma batalha muito diferente para salvar o que resta da Terra – mas de Galactus!