Batman 80 anos – Vol.4 – Gothtópia – John Layman e Jason Fabox

Neste quarto volume da série comemorativa dos 80 anos do Batman é-nos apresentada uma Gotham pouco usual! Ao invés de soturna, esta cidade apresenta-se como feliz e agradável! Os seus habitantes são felizes e tudo parece maravilhoso – ou quase tudo. Vários cidadãos aparentemente normais suicidam-se sem razão aparente e a versão feliz de Batman começa a desconfiar de que algo estará errado!

E descobre! Mas quando a cidade inteira é controlada por um vilão que quer, desta forma, semear um medo mais subconsciente, nem o Batman conseguirá escapar e rapidamente se vê isolado num hospital psiquiátrico. Felizmente, nem todos são susceptíveis às drogas espalhadas na cidade e Hera, uma vilã que tenta encantar Batman, fornece ao herói os meios para conseguir a fuga e o antídoto.

O que acontece quando uma cidade inteira é forçada a fingir uma utopia? Principalmente uma cidade tão negra e geradora de violência? Qual seria utopia possível em Gotham? É com base nesta premissa que se desenvolve o enredo, começando por nos mostrar um Batman capaz de manter um relacionamento feliz com Asa Felina.

A cidade é aparentemente feliz, mas entre as utopias impostas e as alucinações de uma felicidade, o medo continua a proliferar, assumindo uma forma muito mais perigosa. Para quem conhece Gotham esta máscara de normalidade é demasiado suspeita e até Batman parece converter-se – ainda que seja apenas como forma de camuflar as suas verdadeiras intenções e reunir armas que lhe permitam combater o vilão. Estamos habituados a que Gotham seja retratada como sombria e perigosa pelo que o retrato aqui apresentado no início nos é, também, suspeito.

Este volume possui, para além da história que dá origem ao título, uma outra em que o Batman enfrenta o homem morcego. Trata-se de uma curiosa mistura que confronta os morcegos, mostrando um cientista que enlouqueceu com a sua própria invenção! A história possui alguns detalhes cliché (na forma como apresenta o cientista) mas é visualmente muito forte.

A colecção comemorativa dos 80 anos do Batman está a ser publicada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Assim foi: Ida ao Ludoclube

 

Ontem resolvemos experimentar o Ludoclube – um novo espaço onde se pode jogar e experimentar uma imensidão de jogos! E, realmente, as expectativas não desiludiram! Chegados ao espaço, o que se destaca é, sem dúvida, a quantidade de jogos disponíveis, de todos os géneros e feitios, muitos clássicos e indisponíveis para aquisição, muitos modernos e praticamente todos os do top 100 do Boardgamegeek.

Para além dos jogos, o espaço dispões dos usuais apoios logísticos que permitem a permanência durante muito tempo – para além dos jogos encontramos as necessárias mesas, bem como café, comida e casas de banho. E foi assim que ficámos em torno dos jogos, durante a tarde e uma boa parte da noite.

Exposição

Os jogos encontram-se dispostos em três secções:  à entrada encontramos uma estante branca que corresponde à ludoteca de exposição e que é composta por jogos de duração máxima de 60 minutos que podem ser mexidos para a escolha e para os quais existem explicadores no Sábado à tarde; no centro encontramos a ludoteca reservada que é onde se encontram a maioria dos jogos e que devem ser escolhidos antes de se pegar (não é permitido abrir e analisar cada caixa); em torno do centro encontramos o equivalente ao ponto de recolha do Jogo na mesa, onde se estão os jogos disponíveis para venda, em estantes mais claras.

Ludoteca reservada

Ludoteca reservada

Jogo na mesa

Jogo na mesa

Bem, então e o que jogámos? Após explorarmos o espaço, começámos com um abstracto interessante para dois jogadores, o Yinsh que recorda um pouco o Reversi na forma como se revertem as peças das áreas que vamos conquistando. A conquista faz-se através de anéis que se movem livremente em todas as direcções enquanto deixam peças da nossa cor no local que deixam e voltam as peças sobre as quais se movem.

A seguir pegámos no vencedor do Spiel des Jahres de 2018 para a categoria de conhecedores – o The Quacks of Quedlinburg. Trata-se de um deck building (neste caso num saco) com push your luck em que temos, como o nome dos mecanismos indica, de ir construindo um conjunto de possibilidades com peças de várias cores no nosso saco e de as ir retirando, uma a uma, até querermos parar ou até ultrapassarmos uma determinada quantidade de dano (sofrendo, neste caso, penalizações).

Ainda que o jogo se encontre em alemão, as regras em inglês que se encontravam no interior, permitiram jogar sem precalços e o jogo tem uma boa simbologia nas cartas e tabuleiros. O veredicto final é que se trata de um jogo engraçado e movimentado, com fortes mecanismos de recupeação, ainda que tenha de o jogar novamente para perceber se existem várias estratégias possíveis. Será, sem dúvida, uma aquisição futura se o apanhar a um preço acessível.

Seguiu-se um clássico que tem muito mais estratégia e complexidade do que parece à primeira vista – o Qwirkle. O jogo encontra-se praticamente indisponível mas é uma boa aquisição para quem deseja algo que possa reunir jogadores novatos e experientes. As jogadas são rápidas e simples (basta colocar uma peça, ainda que possam ser colocadas mais) mas com o prosseguir do jogo, o padrão torna-se mais complicado e a colocação pode permitir grandes pontuações ou abrir jogo para o adversário.

Robo Rally é um jogo bastante diferente dos anteriores, tratando-se de um jogo de programação de jogadas que se adequa ao número e experiência dos jogadores, pois traz vários tabuleiros com diferentes modificações e tamanhos.  Para além das cartas que podemos ir combinando para concretizar os objectivos, o tabuleiro possui modificações à localização e sentido do robot que, por vezes, estragam as nossas melhores previsões!

Para fechar a noite, retornámos aos abstractos, agora com Onitama. Trata-se de um jogo de mecânica bastante simples em que cada jogador tem cinco bonecos que pode movimentar conforme as cartas que temos – mas quando jogamos um movimento a carta que corresponde ao movimento passa para o adversário! Apesar da simplicidade o jogo possui alguns elementos de luxo que podem fazer valer a pena o preço.

Ainda que, desta vez, não tenhamos optado por jogos mais longos, o espaço possui imensos destes jogos! Para quem deseja experimentar jogos antes de os adquirir o Ludoclube pode ser uma excelente opção, tanto pela diversidade de jogos disponíveis, como pelas condições do espaço!

A cidade que não existia – Pierre Christin, Enki Bilal

Eis um livro curioso que transforma uma realidade dura e cinzenta noutra futurista e cómoda mas ainda mais desconfortável. A história começa por nos apresentar uma cidade típica em que uma única unidade fabril fornece o motor económico da região. Quase todos os homens trabalham na mesma fábrica, em míseras condições, enquanto que as mulheres trabalham na indústria fabril, costurando sob as ordens de uma dura patroa.

Dadas as dificuldades económicas, nesta dura realidade os trabalhadores revoltaram-se e perpetuam greve atrás de greve, tendo a intenção de ser donos dos seus próprios destinos e terem uma parcela dos lucros do negócio para o qual trabalham. Já o dono da fábrica, que faz, paralelamente carreira na política, enriqueceu à custa do suor dos seus trabalhadores e não pretende terminar este ciclo de exploração – mas a vida termina por ele, fazendo com que faleça, idoso e sovina.

A reviravolta inesperada na cidade acontece com a herdeira, uma jovem com problemas físicos, que resolve tomar as rédeas da situação. Se os administradores da fábrica esperavam uma jovem fraca e idiota, rapidamente percebem que a jovem tem um temperamento tão forte quanto o do velhote, e intenções bastante diferentes, dando poder aos trabalhadores e iniciando os planos para a construção de uma cidade futurista e utópica – mas também aborrecida e desoladora.

A história, de tom inicial cinzento, lentamente transforma a cidade numa utopia materializada – mas e se aquilo que desejamos realmente se concretizasse? Quão aborrecida seria a vida sem objectivos? Na prática é isso que ocorre para alguns, agora sem objectivos de melhoria de vida numa cidade que, simultaneamente, é um sonho e uma prisão. À semelhança da história os desenhos de Bilal são, inicialmente mais comedidos e cinzentos, podendo dar asas à imaginação apenas na última parte deste volume.

 

 

Novidade: Batman 80 anos – Vol. 9 – O Cavaleiro das trevas volta a atacar 2

Esta semana é lançado o nono volume da colecção comemorativa dos 80 anos do Batman, publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público:

Neste segundo volume, Batman: O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar 2, que sai em banca a 18 de Abril, conclui-se o regresso do Batman crepuscular de Frank Miller.

A complexa intriga  que  envolve  a  maioria dos membros da Liga da Justiça cruza- se com a dura realidade do ataque às  Torres  Gémeas  em  11  de  Setembro de  2001. Um acontecimento real,  que Frank Miller acompanhou do seu estúdio em Nova Iorque e que acabou por influenciar  decisivamente  a  evolução desta  história,  que  começou  como uma  homenagem  aos  heróis e vilões do universo DC, para se tornar, tal  como  aconteceu  com  O  Regresso do Cavaleiro das Trevas, um reflexo da época em que a história foi feita.

Editado pela DC Comics em 1986, Batman: O Cavaleiro das Trevas foi uma das primeiras histórias de banda desenhada a receber destaque na grande imprensa do mundo inteiro. Juntamente com Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons, (já editado pela Levoir). Até hoje a sua influência faz-se sentir na indústria da BD do mundo inteiro. O Cavaleiro das Trevas inspirou autores a ousarem mais nas suas obras, enquanto levou muitos a cultivar uma estética violenta que quase se tornou padrão dos super-heróis no final dos anos oitenta e começo dos noventa.

Um dos contributos de Frank Miller neste livro para o universo DC foi a criação de Lana, a filha superpoderosa do Super-Homem e da Mulher-Maravilha. Resultado da união entre os dois mais poderosos heróis da DC, relação essa que se tornará canónica durante a fase dos Novos 52, a personagem de Lana irá ser uma das protagonistas de DKIII.: The Master Race, a continuação, ainda inédita em Portugal, deste O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar, que assinalou o regresso de Frank Miller após alguns anos de afastamento, motivado por doença. Obra tão controversa como incontornável, O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar confirma a vontade de arriscar, por parte de um autor que nunca descansou à sombra dos louros conquistados — e obras como Ronin, 300, O Regresso do Cavaleiro das Trevas, Batman: Ano Um, Sin City e Demoli-dor: Renascido já seriam mais do que suficientes para lhe assegurar um lugar no panteão dos melhores autores de comics de todos tempos — e que procurou explorar novos caminhos, mesmo que esses  não sejam necessariamente aqueles que a maioria dos seus leitores esperava que ele seguisse.

 

Novidade: Colecção Spirou

A Asa lança, em parceria com o jornal Público, uma colecção de Spirou! Para quem não conhece trata-se de uma série clássica de banda desenhada de aventuras em que Spirou e Fantásio percorrem mundo enquanto combatem malfeitores, fazem reportagens e descobertas.

Para as crianças esta coleção apresenta aventuras fantásticas. Para os adultos, humor inteligente. Para todos, um clássico sempre jovem – e para muitos, um dos vértices da “Sagrada Trindade” da BD franco-belga clássica, a par de Tintin e Astérix. Junte-se numa viagem pelo mundo à boleia das aventuras de Spirou, do seu amigo inseparável Fan tásio e do esquilo Spip.

Esta coleção, que resulta da parceria ASA/Público é composta por 11 volumes, alguns duplos e outros com várias histórias, e integra todas as aventuras de Spirou e Fantásio da autoria de Franquin, proporcionando assim uma compilação inédita em português.

Eis os volumes que compõem esta colecção:

  1. O Feiticeiro de Champignac / Spirou e os Herdeiros
  2. Os Ladrões do Marsupilami / O Chifre do Rinoceronte
  3. O Ditador e o Cogumelo / A Máscara Misteriosa
  4. O Refúgio da Moreia / Os Piratas do Silêncio
  5. O Gorila e Outras Aventuras
  6. O Dinossauro Congelado e Outras Aventuras
  7. Z de Zorglub / A Sombra do Z
  8. QRN sobre Bretzelburgo / Sarilhos em Champignac
  9. A Herança e Outras Aventuras (*)
  10. Os Chapéus Pretos e Outras Aventuras
  11. Os Elefantes Sagrados e Outras Aventuras(*)

(*) segundo a editora estes volumes incluem histórias inéditas em Portugal

 

Resumo de leituras: Abril de 2019 (2)

 

29 – O outro lado de Z – Nuno Duarte e Mosi – Nuno Duarte volta à banda desenhada com traço de uma nova autora nacional, Mosi, numa história fantástica onde a monotomia do real é quebrada, e as personagens (trabalhadores de call center) que levam vidas cinzentas, são empurradas para melhores existências ;

30 – Isola – Vol.1 – Brenden Fletcher, Karl Kerschl, Masassyk – Visualmente interessante, este primeiro volume denota alguns elementos narrativos que precisavam de ter sido melhor polidos. Existe, desde a primeira página, um sentido de urgência que, sem elementos suficientes, torna difícil ao leitor sentir-se cativado pela história. Percebemos apenas que a rainha foi transformada num tigre e que uma soldado tenta protegê-la e encontrar quem reverta a transformação;

31 – A cidade que não existia – Pierre Christin, Enki Bilal – A história começa como um usual confronto de classes numa cidade à beira do colapso. O homem rico que comandava a cidade morre no meio de uma série de greves laborais – os trabalhadores, contagiados pelo espírito político, pretendem ganhar mão no seu próprio destino e uma percela na fábrica em que trabalham, compreendendo que não existem, ali, outras formas de subsistirem;

32 – Filhos do Rato – Luís Zhang e Fábio Veras – A par com a guerra os soldados descrevem outros cenários nojentos e horríveis, talvez como forma de se afastarem dos horrores que vivem diariamente numa guerra particularmente violenta do ponto de vista psicológico. As facções políticas oscilam, bem como os lados das batalhas e o resultado é brutal.

Novidade: A morte viva -Vatine e Varanda

A Ala dos livros anuncia novo lançamento que é uma adaptação da obra La Mort Vivante de Stefan Wull (obra publicada na Argonauta em 1966 com o título O Império dos Mutantes):

Poderá a ciência vencer a morte? Em caso afirmativo, a que preço?
Joachim, um jovem cientista que em Marte efectua pesquisas proibidas, é raptado por uma poderosa e misteriosa mulher enclausurada na antiga Terra: Martha. Para se refazer do drama que há meses a perturba, esta ordena-lhe o impossível: que ressuscite a filha, Lisa, a qual, durante umas escavações arqueológicas, deu uma queda mortal.

Joachim, que vê nisso uma oportunidade de continuar as suas pesquisas em total liberdade, aceita esse papel de pai criador. Depois de conseguir reunir o material necessário, lança-se então nessa experiência que poderá ser irreversível. Porque não é impunemente que se dá vida à Morte…

Com esta narrativa, Alberto Varanda está de regresso assinando aquela que é provavelmente a sua maior obra-prima gráfica. Sobre um argumento e um story-board de Olivier Vatine, Varanda realiza um trabalho simultaneamente épico e extremamente minucioso, evocando tanto as gravuras de Gustave Doré, como Júlio Verne, Lovecraft ou Schuiten!

A edição portuguesa, a cargo da Ala dos Livros, inclui o caderno gráfico a preto e branco que foi objecto de publicação na edição de luxo da Comix Buro, permitindo dar uma outra ideia da dimensão do trabalho dos autores.

 

Turma da Mônica – Laços – Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi

Esta colecção tem apresentado várias novelas gráficas que usam as personagens criadas por Maurício de Sousa para tecer histórias mais fortes e sérias sem trair as suas características essenciais. Com os mais recentes reboliços na distribuição de banda desenhada no mercado português deixei de encontrar nas bancas os volumes desta colecção, mas uma recente viagem permitiu-me adquirir a história que dá origem ao filme com o mesmo título.

Estamos habituados ao espírito tempestuoso de Mónica, sempre de coelho na mão, atrás de Cascão e Cebolinha, enquanto estes tentam escapar à próxima tareia. Assim começa, também, este volume, contrastando a calma de Magali com a de Mónica – mas se o grupo de crianças é conhecido por estas quezílias infindáveis, aqui ficará explícito o companheirismo e amizade que possuem uns pelos outros.

A normal narrativa é quebrada por um acontecimento anormal – a fuga do cão de Cebolinha! Triste pela ausência do animal, resolve, com a ajuda dos amigos, explorar a cidade em busca do cão, procurando pistas nos lugares mais incríveis e enfrentando, juntos, os desafios mais incríveis – mas todos bem apropriados para o tamanho dos aventureiros.

Visualmente agradável e envolvente do ponto de vista narrativo, esta banda desenhada destaca-se por conseguir dar uma nova dimensão às personagens de Maurício de Sousa tecendo uma aventura bastante diferente das habituais, num tom mais moderno e maduro.

Novidade: Black Hammer – Vol.2

Foi lançado, no passado dia 13 de Abril, o segundo volume de Black Hammer, uma das obras de Jeff Lemire:

O primeiro volume da história, eleita Melhor Série Original de 2017 nos Prémios Eisner, conta a história de cinco ex-heróis e as suas trajectórias pessoais. Depois de salvar o mundo numa batalha épica, ficaram presos numa cidade que mais parece uma realidade paralela, e agora acumulam dez anos de frustrações, motivadas pelo facto de serem obrigados a passarem-se por pessoas comuns.

Em Black Hammer: O Evento, continuamos a acompanhar o dia-a-dia dos ex-heróis exilados na quinta após salvarem o mundo em Spiral City. Porém, agora também temos a presença de Lucy, a filha de Black Hammer, que foi capaz de romper as barreiras invisíveis que os cercam, e chega à quinta à procura de respostas. Lucy, levada pela sua personalidade de jornalista é motivada a investigar, e não vai parar enquanto não descobrir o que a levou ali, o que de facto aconteceu com o seu pai e o porquê da cidade fantasma guardar segredos que ninguém parece contestar.

Aqui damo-nos conta de até que ponto a tristeza é um sentimento comum a todos estes personagens, podendo mesmo levá-los à depressão: Abraham Slam, Gail e Barbalien estão quebrados emocionalmente, podendo aquele estado anímico levá-los a acções extremas.

Nem todos os capítulos de Black Hammer: O Evento são da dupla Ormston e Stewart. O desenhador espanhol David Rubín é o responsável pelo capítulo dedicado ao Capitão Weird e a Talky-Walky. Rubín imprime ao capítulo um traço diferente e ousado que vai combinar muito bem com o  tom psicadélico de homenagem aos pulps de ficção científica dos anos 50, que a história de Weird carrega.

Assim foi: Contacto 2019

O Contacto, organizado pela Imaginauta, começou em 2018 no Palácio Baldaya em Benfica. Dedicado à ficção científica e fantástico, é um evento que se destaca por ter, para além de palestras e um espaço dedicado à literatura, muitas outras actividades apropriadas para todas as idades – lutas de sabres de luz, aulas de magia influenciadas pelo mundo do Harry Potter, exposições, jogos de tabuleiro, steampunk e muito mais.

Lançamentos

A minha perspectiva do evento é mais literária, destacando os eventos de lançamento que foram decorrendo. O primeiro a que assisti foi o lançamento do novo livro em português de Bruno Martins Soares, As Crónicas de Byllard Iddo – um lançamento em que o autor falou do livro e do interesse nos mundos que cria.

Já no Sábado, ainda presenciar um pouco do lançamento do livro de Nuno Duarte, O outro lado de Z, onde o autor Nuno Duarte falou do mundo fantástico de este livro e de outros. Seguiu-se o lançamento da antologia Winepunk onde participei (no lançamento, não na antologia). A antologia destaca-se por ser uma realidade alternativa que tem por base a história de Portugal, mais propriamente o Reino do Norte que, no meio das convulsões, surgiu no Norte de Portugal mas que apenas durou 3 semanas. E se tivesse durado 3 anos? Após ter iniciado o lançamento, o Rogério Ribeiro falou um pouco da forma como geraram a base antes de enviarem o desafio aos autores, Pedro Cipriano falou da produção que se seguiu por parte da editora, e os dois autores presentes (João Barreiros e João Ventura) falaram do seu processo criativo neste mundo fictício.

O último lançamento a que pude assistir foi o lançamento de Amadis de Gaula por Nuno Júdice, em que o autor falou da incerteza da autoria do livro, da forma como influenciou e é referido em obras posteriores, mostrando um exemplar com vários séculos de existência.

Banda desenhada

Para além do lançamento de O outro lado de Z, o Contacto reservou espaço na agenda para que pudessemos conhecer um pouco melhor outros autores de banda desenhada, como Joana Afonso, Henrique Gandum, Fábio Veras e Luís Zhang (autores de Filhos do Rato).

Ainda, no Lagar (zona central do edifício) estiveram alguns artistas a projectar enquanto desenhavam: FIL e Miguel Santos (da Associação Tentáculo) bem como Diogo Mané.

Ponto de encontro

Este tipo de eventos fantásticos e de ficção científica costumam ser ponto de encontro entre autores e editores, levando à criação de vários projectos. Neste caso o evento ajudou nestes encontros, disponibilizando uma sala para estes pudessem decorrer de forma mais oficial. Destacam-se dois encontros, um para a geração de um portal português de ficção científica e fantástico e outro para o encontro de autores de ficção científica e fantástico onde vários autores trocaram experiências.

Outros detalhes

Durante o evento decorreu uma taberna medieval e uma feira do livro que apresentava bancas das mais conhecidas editoras de ficção científica e fantástico – desde a Saída de Emergência com a colecção Bang!, à Europa-América com a colecção de livros de bolso de ficção científica, passando pela Imaginauta e pela Editorial Divergência entre outras.

Para além das exposições encontrávamos salas temáticas: Steampunk, Harry Potter e Star Wars, mais voltadas para o público jovem; bem como uma pequena oferta de jogos de tabuleiro.

Novidade: Batman 80 anos – vol. 8 – O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar 1

O oitavo volume da colecção comemorativa dos 80 anos do Batman foi lançado no passado dia 11 de Abril, mas eis detalhe sobre este volume:

Em 1986, a DC Comics publicou Batman – O Cavaleiro das Trevas (já editado pela Levoir), uma das melhores graphic novels da história. Nos próximos dois volumes da colecção dedicada aos 80 anos de Batman, que se cumpriram precisamente no passado dia 30 de Março  a Levoir e o Público editam, a 11 de Abril O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar 1, e na semana seguinte  O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar 2, com argumento e arte de Frank Miller e as cores de Lynn Varley.

Três anos passados da suposta morte de Bruce Wayne, o crime continua a dominar as ruas de Gotham City. Não suportando o nível de violência que grassa pela cidade, um Batman envelhecido regressa ao activo para combater o crime. Na saga para retomar o controle da cidade o Cavaleiro das Trevas irá reencontrar velhos inimigos e também aliados, que o ajudarão a combater a ameaça do homem que controla todos, até o Presidente dos Estados Unidos da América, que não passa de um holograma.

É essa utopia de fachada que vai ser destruída por um regressado Batman, que vai reunir todos os seus aliados para combater a ameaça de Lex Luthor. Outra diferença fundamental de O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar em relação ao seu antecessor é a presença alargada do panteão da DC, com personagens como Jimmy Olsen, Brainiac, Lex Luthor, Shazam, o Flash, Lanterna Verde, o Átomo, o Questão e Diana, a Mulher-Maravilha, que estiveram ausentes em O Regresso do Cavaleiro das Trevas, a serem fulcrais no evoluir da intriga desta história, em que a trindade dos maiores heróis da DC, constituída pelo Batman, Super-Homem e Mulher-Maravilha, brilha a grande altura, tal como Carrie Kelley, a Robin de O Regresso do Cavaleiro das Trevas, que se mantém como braço direito do Batman, mas agora enquanto Catgirl.  Se, em termos gráficos, o registo escolhido pode não ser consensual, em termos narrativos, não há dúvidas quanto ao virtuosismo de Miller. Basta ver a forma como gere a presença do Batman, que permanece nas sombras durante bastante tempo, para surgir finalmente em toda a sua glória apenas no final do primeiro livro, para voltar a enfrentar o Super-Homem.

Novidade: Astérix – A Filha de Vercingétorix

Sim, estamos a falar de um lançamento com 6 meses de antecedência, mas o lançamento já está a ser comunicado pela editora com alguns detalhes sobre o livro, por isso, eis! O novo livro do Astérix será lançado em mais de 20 idiomas com uma tiragem global superior a 5 milhões de exemplares – números bastante interessantes quando comparados com o de outras publicações de banda desenhada:

60 anos após a sua primeira aparição nas páginas da revista Pilote, o herói criado pelos dois génios da 9.ª arte, René Goscinny e Albert Uderzo, está de volta! Se Astérix e Obélix pensavam que depois da sua última viagem iriam regressar à quietude da sua bela Armórica, estavam enganados! Escoltada por dois chefes da região de Arverne, uma misteriosa adolescente acaba de chegar à aldeia. Ela é procurada por César e pelos seus legionários, e há boas razões para isso: na aldeia, sussurra-se que o pai da visitante é nada mais nada menos do que… o próprio Vercingétorix, o grande chefe gaulês outrora derrotado em Alésia! Em 24 de outubro, Astérix e Obélix vão estar de volta com uma nova aventura que terá por título A Filha de Vercingétorix, mais uma criação da famosa dupla composta por Jean-Yves Ferri e Didier Conrad. Em Portugal, o álbum sairá, como habitualmente, com a chancela da ASA e será publicado em português e mirandês.

 

 

Batman 80 anos – Vol.3 – Bloom – Scott Snyder e Greg Capullo

O terceiro volume da colecção Batman 80 anos fecha a história dos primeiros dois volumes – uma história que confronta Batman e Joker, levando-os a desenterrar a origem de ambos e a confrontar a sua existência mútua – sem vilão não há super-herói. Se, num primeiro volume se exploram questões associadas à mortalidade das personagens e, num segundo, a identidade de cada um, neste retorna-se a uma consolidação de identidades.

Joker quase venceu – a personalidade de Batman e de Bruce ramificaram-se. O homem que unia as duas vertentes desapareceu, dando lugar a um Bruce calmo e capaz de ter vida pessoal e de se envolver, ajudando a sociedade à luz do dia. Paralelamente, a cidade de Gotham continua em apuros e precisa de um herói – neste caso serão as próprias autoridades a construir um super-herói, apoiado em elevada tecnologia, mas que obedeça às entidades oficiais!

Tal como não há herói sem vilão, com o surgir de um novo Batman floresce um novo vilão, resultante de uma experiência que não foi no melhor caminho. Tal como as plantas, este novo vilão espalha sementes que transformam os habitantes de Gotham em novas entidades com poderes próprios. Serão, no entanto, entidades descontroladas e que, por isso, se tornam daninhas por si.

O conjunto dos três volumes forma uma história complexa, carregada de referências e de reviravoltas onde se explora a complexidade das personagens Batman e Joker, bem como as circunstâncias que forçaram o surgir de ambas. É uma história soturna e pesada como Gotham, a cidade que não deixa ninguém escapar ileso à sua corrupção.

A série comemorativa dos 80 anos do Batman está a ser publicada em Portugal pela Levoir.

Novidade: Companhia Silenciosa – Laura Purcell

A TOPSELLER anuncia para o mês de Abril um terror victoriano:

Tendo enviuvado recentemente, Elsie muda-se para a antiga propriedade do marido, a isolada e decrépita The Bridge, para poder descansar durante a gravidez e superar o luto.

Rodeada por criados ressentidos e aldeões que rejeitam a nova herdeira, Elsie tem apenas como companhia a tímida Sarah, prima do seu marido. Ou ela assim pensava. Dentro da grande mansão, descobre um quarto fechado a sete chaves, cujo interior abriga um diário com a obscura história de família e uma figura em madeira absolutamente perturbadora? e muito parecida com Elsie.

Na casa, todos têm medo da figura pintada, à exceção de Elsie? Até que ela própria começa a sentir aqueles olhos a seguirem-na para todo o lado. Inspirado no imaginário de Shirley Jackson e Susan Hill, este é um romance de terror vitoriano que evoca um medo inquietante em relação às presenças fantasmagóricas que espreitam nas sombras?

 

 

 

Novidade: Druuna 3 – Paolo E. Serpieri

A Arte de Autor anuncia o lançamento de novo volume de Druuna e pretende publicar a série completa em 2020:

Saída de um estranho sonho em companhia do seu amante Shastar, Druuna é convocada pelo comandante da nave. O «mal» existe a bordo, e é ela que tem de encontrar a fórmula do soro capaz de conter o flagelo. Druuna parte então para uma nova viagem cerebral ao coração da cidade de onde é originária. Aí reencontrará sem dúvida Shastar, mas também o seu gnomo salvador e o doutor Ottonegger, que lhe revelará o ingrediente necessário ao remédio que ela procura, uma flor misteriosa: a Mandrágora…

Druuna, série de referência da banda desenhada erótica dos anos 1980, é reeditada na Arte de Autor! Este terceiro álbum reúne Mandrágora e Aphrodisia, os episódios 5 e 6 da saga. Cada álbum desta nova é enriquecido por um caderno gráfico.

Dylan Dog – O velho que lê – Celoni, Sclavi e Stano

Depois da passagem do filme Dellamorte Dellamore no Nimas (nas sessões de culto de Filipe Melo) e de algumas publicações ocasionais da Levoir (integradas em colecções mais genéricas) eis que a G Floy avança com uma nova colecção que se inicia com um novo volume de Dylan, lançado com a presença do autor, Celoni, no Coimbra BD e na Kingpin Books.

Este volume, de título O Velho que Lê, apresenta duas histórias que nos levam a deambulações filosóficas para além dos usuais contornos sobrenaturais. Na primeira, que dá título ao volume, Dylan Dog é chamado a resolver o desaprecimento de um velhote conhecido por estar sempre a ler.

A pesquisa do desaparecimento leva Dylan Dog a explorar uma realidade imaginária carregada de receios sinistros baseados na vida do velhote – alguns elementos assustadores, outros simplesmente curiosos que, juntos, o levam a resolver o caso.

Bastante movimentada, esta primeira história integra elementos fantásticos e sobrenaturais bem como referências literárias, encaixando bem com a segunda história do volume, mais curta, onde se joga com a memória numa pequena vila onde Dylan Dog se encontra com a namorada.

Destacando-se pela qualidade gráfica, este primeiro volume de colecção Aleph constitui uma leitura de grande acção, adequada a quem gosta de narrativas que cruzem elementos de horror e fantástico, explorando uma personagem que obteve grande sucesso em Itália mas que, no mercado português, tem apenas agora as primeiras publicações.

Dylan Dog – O Velho que Lê foi publicado em Portugal pela G Floy.

Novidade: Descender Vol.3 – Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Como já referi por diversas vezes, Descender é uma das minhas séries favoritas de banda desenhada de ficção científica, não só pelas capacidades narrativas de Jeff Lemire (um dos meus autores favoritos de banda desenhada)  como pelo estilo gráfico em que o desenho se consegue unir à narrativa de uma forma muito mais eficaz do que nos parece quando simplesmente folheamos o livro.

O terceiro volume de Descender, publicado em Portugal pela G Floy, já se encontra à venda nas bancas e prevê-se que a série seja finalizada no primeiro trimestre de 2020 com a publicação do sexto volume. Apesar de ter a versão inglesa (comecei a adquirir antes de saber do lançamento nacional) aconselho vivamente a edição portuguesa pela relação qualidade / preço!

Curiosos por saber mais sobre este volume? Deixo-vos a minha crítica ao terceiro volume (na edição inglesa) bem como a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Dez anos depois de uma súbita invasão de robots do tamanho de planetas – os Colectores – ter devastado a galáxia, um jovem andróide chamado TIM-21 acorda para descobrir que todos os robots foram proibidos e colocados fora-da-lei. TIM talvez esconda os segredos dos Colectores no seu ADN mecânico, e rapidamente se transforma no robot mais procurado num universo em que os andróides foram colocados fora-da-lei, e em que os caçadores de prémios espreitam em todos os planetas da galáxia.

Cinco histórias separadas que revisitam o passado desta saga cósmica, cinco pontos singulares na linha do tempo que levará Tim-21, o Dr. Quon e a Capitã Telsa, Bandit e Broca, e todos os protagonistas de DESCENDER até ao seu momento presente, e que prepararão os leitores para os acontecimentos tremendos do volume 4!

Resumo de leituras: Abril de 2019 (1)

25 – Senlin Ascends – Josiah Bancroft – Primeiro livro do autor, é também o primeiro de uma tetralogia num mundo onde se ergueu uma torre de Babel. Não, quem a rodeia não fala diferentes idiomas, mas a torre, conhecida por ser uma maravilha da tecnologia humana revela-se um pesadelo intrincado de níveis de vivência idiota – ou assim parece à primeira vista! Um livro agradável que melhora com o passar das páginas e que me levará a ler o segundo da série;

26 – Turma da Mónica – Laços – Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi – Laços começa com as usuais quezílias entre o grupo de crianças para passar a apresentar a união destes perante uma desgraça – a fuga do cão de Cebolinha ! A busca pelo animal desaparecido leva o grupo a enfrentar adversidades em zonas desconhecidas da cidade, passando aventuras apropriadas para a idade dos aventureiros. Uma leitura agradável que dá outra dimensão às conhecidas personagens;

27 – Harrow County – Vol.5 – Cullen Bunn e Tyler Crook – Se, no volume anterior, tinhamos sido apresentados à família, aqui descobrem-se alguns segredos da sua origem e interacções entre os seus elementos, com Emmy a tentar manter o equilíbrio do condado, nem que para isso tenha de enfrentar entidades mais antigas;

28 – Gothtópia – John Layman e Jason Fabok – Eis um volume curioso que mostra uma Gotham pouco usual – ao invés de soturna apresenta-se como uma cidade feliz e agradável, uma máscara na qual Batman não acredita e que irá investigar a fundo. O que acontece quando uma cidade inteira é forçada a fingir uma utopia?

Novidade: Comanche – Vol.1 – Greg e Hermann

A Ala dos Livros anunciou novo lançamento que já se encontra nas bancas – o primeiro volume da sére Comanche – Obra Completa. Eis mais informação sobre este volume:

Em 1969, o Journal Tintin enceta a publicação do western Comanche desenhado por Hermann, sob argumento de Greg. Sente-se, logo nas primeiras pranchas, que esta novidade será um marco na História da BD. O primeiro capítulo desvenda o argumento e apresenta os protagonistas. Com a ajuda de um velho empregado, uma jovem e bonita fazendeira de nome Comanche, herdeira do rancho “Triple Six”, esforça-se como pode para evitar o pior. A coragem desta mulher de carácter firme não parece, todavia, suficiente para salvar a propriedade de uma falência anunciada.
Até que certo dia, vindo não se sabe de onde, surge no rancho um certo Red Dust. Rendida à força tranquila deste desconhecido, Comanche confia-lhe o posto de capataz… Para enfrentar a adversidade e a cobiça, este recruta alguns companheiros. As suas verdadeiras personalidades revelar-se-ão ao longo dos movimentados episódios desta magnífica narrativa que se situa no Wyoming no século XIX.
Para assinalar os 50 anos desta série, a Ala dos Livros optou por uma edição comemorativa a preto e branco, que retoma o trabalho de Hermann.
Assim, este integral inclui os livros 1 a 4: “Red Dust” – “Os Guerreiros do Desespero” – “Os Lobos do Wyoming” – “O Céu está Vermelho sobre Laramie”

Novidade: Black Hammer: Origens Secretas – Vol. 1

Estando, ainda, a decorrer a colecção comemorativa dos 80 anos do Batman, a Levoir anuncia novo lançamento de banda desenhada no mercado português – desta vez trata-se de uma série de Jeff Lemire premiada com um prémio Eisner em 2017 para Melhor Nova Série. Eis informação sobre este primeiro volume que é de aquisição obrigatória para os fãs do autor:

O primeiro volume, Black Hammer: Origens Secretas, reúne os primeiros seis números originais da série, sendo o primeiro uma introdução e os cinco seguintes dedicados a cada um dos protagonistas. Conta ainda com um posfácio do autor, perfis e estudos da construção de personagens e esboços originais.

A obra de Jeff Lemire, que conta também com o artista Dean Ormston e o colorista Dave Stewart, explora os percalços na vida de um grupo de heróis que parece estar em decadência.

Lemire não é conhecido apenas pelas suas obras autorais e exclusivas, mas também pelos títulos da Marvel, Velho Logan ou Gavião Arqueiro – já editados pela Levoir. E é justamente por essa ligação que Lemire tem com o género dos super-heróis que Black Hammer se torna uma obra bem interessante.

Há dez anos, este grupo de heróis com superpoderes, cada um com a sua especialidade, viveu a era de ouro em Spiral City, ajudando a manter a cidade livre de criminosos e de supervilões. Mas um dia, ao derrotar um vilão especialmente poderoso numa luta climática e crítica, o grupo desaparece. O que aconteceu ao grupo ninguém sabe, simplesmente foram transportados para uma realidade paralela, onde ficaram prisioneiros numa pequena cidade rural. Ali levam uma vida calma despojados da sua identidade como heróis. Que lugar é aquele? Porque não conseguem sair dali estes nossos poderosos heróis?

Abraham Slam, Gail, Coronel Weird, Madame Dragonfly e Barbalien, obrigados a disfarçar os seus poderes, a sua natureza e as suas origens aos olhos dos habitantes locais, personificam uma típica família disfuncional, tentando criar uma vida normal.

Através de personagens complexos e histórias profundas e assustadoramente relacionáveis com o mundo real, Lemire prende o leitor do início ao fim e, indirectamente, propõe uma reflexão sobre a vida em comum e em família, ao longo da leitura.

Scott Snyder refere-se a Black Hammer como sendo “Uma história épica de mistério e super-heróis. Uma das maiores criações de Jeff Lemire.”