Tony Chu – Vol.6 – Bolos Janados – John Layman e Rob Guillory

Se achavam que, com o alongar da série, a temática dos super-poderes associados a comida se esgotava, desenganem-se. Este sexto volume é tão intenso em detalhes cómicos, inusitados e mirabolantes que arrisco a referi-lo como um dos melhores da série, até agora.

Retirando o foco de Tony Chu e do seu colega, este volume segue a irmã, Toni, que apresenta características bastante diferentes do irmão – relaxada, divertida com uma pitada de irresponsável, mas possuindo, também, capacidades psíquicas associadas ao que come.

Se por um lado se investigam quadros com paladar que, dão, a quem os lambe o sabor da comida desenhada, por outro tenta-se perceber a origem da chuva de ovelhas que causou uma catástrofe. Entre investigações, Toni da NASA, passa os dias a cruzar-se com Caesar, sem que este se recorde de onde reconhece Toni. Mas se Caesar não se recorda, já Toni apresenta os múltiplos episódios mirabolantes os seus caminhos se cruzaram, nem sempre em circunstâncias legais .

Entre passagens de moda com roupa feita de carne, e vagas explosivas, assistimos, ainda, à entrada de Poyo no Inferno onde defronta demónios a torto e a direito. Galo de capacidades assustadores, Poyo é o grande herói deste livro.

De tom um pouco mais pesado do que é usual, este sexto volume apresenta detalhes deliciosos centrando-se em personagens mais rebeldes e menos seguidoras da lei, enquanto continua a apostar no visual colorido e caricato que ajudam a manter uma aura cómica, apesar dos detalhes nojentos associados à comida. A série Tony Chu continua, sem dúvida, em grande!

Resumo de leituras – Julho de 2017 (1)

81 – War for the Oaks – Emma Bull – Um dos primeiros livros de fantasia urbana que traz, para o cenário de uma cidade, as guerras e as influências das fadas (e das criaturas que pertencem a esse mundo) não é, em comparação com outros mais recentes, excelente. Percebemos o clima de tensão romântica que se vai acumulando, numa fórmula que é, hoje em dia, comum mas consegue ter elementos interessantes na forma como explora as componentes sobrenaturais;

82 – Wintersmith – Terry Pratchett – Livro de vertente mais juvenil, Wintersmith pertence ao mundo fantástico de Discworld e retoma a temática das bruxas, centrando-se numa jovem que, como todos os jovens, comete acções irreflectidas. No caso, sendo uma bruxa, estas acções têm consequências muito mais pesadas. Com as habituais tiradas divertidas de pequenos toques irónicos, é uma leitura engraçada;

83 – Cidades – Vários – Esta colectânea de histórias de banda desenhada reúne o trabalho de vários artistas do The Lisbon Studio, apresentando, de uma forma geral, um bom trabalho gráfico aliado a uma boa narrativa. Com uma boa diversidade de estilos esperemos que seja apenas o primeiro volume de muitos desta cooperação;

84 – A Morte é uma Serial Killer – Valentina Silva Ferreira – Não sabia o que esperar e ainda bem. O que encontrei foi uma boa narrativa com uma excelente capacidade para apresentar diálogos (o que é raro nos escritores portugueses) numa história em mosaico que apresenta o surgir de monstros humanos.

Nimona – Noelle Stevenson

Obra vencedora do prémio Eisner, Nimona é uma aventura divertida com dragões, castelos e muitos episódios mirabolantes onde os heróis são as personagens menos prováveis e as meninas são muito mais do que aparentam!

A história começa com Nimona a apresentar-se como a nova ajudante do vilão local, enviada pela Agência. Bem, na verdade, não foi enviada pela Agência, mas pretende ocupar o lugar de ajudante e para tal demonstra as suas capacidades de transmorfa, assumindo várias formas diferentes.

De utilidade promissora, o vilão lá aceita Nimona e mostra-lhe os planos para o próximo ataque. Claro que Nimona, no seu entusiasmo, acha os planos demasiado pobres e propõe uma série de actividades perigosas que são rejeitadas. De nada serve a rejeição. Difícil de controlar, Nimona age por conta própria durante o ataque, causando estragos bastante maiores do que os planeados.

Apesar do feitio explosivo de Nimona estabelece-se entre os dois um engraçado relacionamento, de alguma confiança e cumplicidade, uma amizade pouco usual que acaba por demonstrar que a rapariga transmorfa é muito mais do que diz ser.

Ao apresentar detalhes mais sérios e tristes, consequências das acções que vislumbramos, Nimona revela-se ser uma obra sem condescendências, apesar dos detalhes mirabolantes e divertidos que tornam a história movimentada e espirituosa.

Nimona foi publicada em Portugal pela Saída de Emergência.

A morte é uma Serial Killer – Valentina Silva Ferreira

De Valentina Silva Ferreira conhecia apenas a antologia que tinha organizado sobre monstros sobrenaturais de origem popular portuguesa, Insonho Durma Bem, pelo que não sabia muito bem o que espera deste título. O que encontrei foi algo que excedeu todas as expectativas que poderia ter.

Neste pequeno livro alguns assassinos em série são retirados para um tratamento psiquiátrico que talvez os faça arrependerem-se das suas atrocidades. Enquanto acompanhamos o tratamento vamos conhecendo as histórias individuais de cada um, como se desenvolveram e revelaram a sua monstruosidade, que obsessão excessiva ou que episódios traumáticos terá feito despertar a carga assassina.

O tratamento vai surtindo efeitos inesperados, fruto de episódios nocturnos em que o cerne de cada um vai sendo exposto – mas será que estes episódios nocturnos são um efeito previsto do tratamento? Assim se revelam os episódios que fizeram despertar a necessidade de assassinar, sempre dentro do mesmo padrão.

Esta estrutura em mosaico, em que os episódios vão encaixando nas características de cada assassino, revela uma boa estrutura narrativa, acompanhada pela (rara) capacidade em apresentar diálogos em português. Sem se alongar em detalhes desnecessários, mas expondo o essencial para criar empatia e entendimento, A Morte é uma Serial Killer é uma boa surpresa que, infelizmente, só foi publicada no Brasil.

Resumo de leituras – Junho de 2017 (3)

77 – História Natural da Estupidez – Paul Tabori – Um divertido compêndio de estupidez humana que vai focando diversos aspectos sociais ou económicos, referindo alquimistas, leis, mitologias ou questões pseudo-científicas (com especial destaque para os medicamentos usados na idade média, em que era mais provável morrer da cura do que da doença);

78 – Manual de Etiqueta – José Vilhena – O terceiro livro de Vilhena pela E-Primateur é uma deliciosa compilação de normas subversivas de etiqueta acompanhadas por tiradas irónicas que conseguem estar tão actuais como na época em que foram escritas;

79 – Farmer in the sky – Robert A. Heinlein – Livro de ficção científica direccionado para um público mais juvenil que se centra na colonização de Ganimedes. Com algumas imprecisões científicas, é uma história simples mas suficientemente envolvente para conseguir cumprir o papel de entretenimento;

80 – Tarnsman of Gor – John Norman – Na mesma onda que histórias como John Carter, traz uma aventura num mundo de detalhes quase medievais em tecnologia (ainda que se perceba que existe tecnologia muito avançada mas que é detida apenas pela obscura facção religiosa), onde as cidades são autónomas e rivalizam entre si.

Assim foi: Recordar os Esquecidos – Junho de 2017

Dois anos e meio depois, decorridas 29 sessões, eis que se encerra o evento mensal Recordar os Esquecidos com moderação de João Morales e ocorrência na Livraria Almedina do Saldanha. Ao longo destes meses foram vários os livros que foram recordados, alguns editados há tanto tempo em Portugal que só no fundo de um baú podem ser encontrados, outros recentes, mas que passaram despercebidos à maioria dos leitores.

Lista de convidados das sessões publicada por João Morales

Esta sessão trouxe, ao invés dos habituais dois escritores, quatro editores que transmitem paixão pela sua profissão: Guilhermina Gones (Círculo de Leitores e Temas e Debates), João Rodrigues (Sextante editora), Maria Afonso (Antígona) e Hugo Xavier (E-Primatur). Nem sempre se edita aquilo que irá trazer lucro e muitas vezes os editores dedicam parte do seu tempo a trazer às páginas impressas novas edições de obras que sabem ser indicadas apenas para meia dúzia de leitores, seja pela temática, seja pela escrita menos acessível.

A sessão iniciou-se com uma recomendação de Guilhermina Gomes, A República dos sonhos, uma autora que teria, à partida, poucos leitores devido à complexidade da linguagem. Este livro trata de uma história de emigrantes da Galiza e possui três figuras centrais – a avó e o avô da escritora, bem como um amigo destes dois. Apesar da usual escrita sofisticada e barroca de Nélida Piñon, este terá uma escrita mais directa e transparente.

Depois de uma breve referência a Deus nasceu no exílio (de um autor romeno em Espanha que conta os últimos anos em exílio), João Rodrigues fala de As raízes do céu, que é considerado por muitos um dos primeiros romances ecologistas passado na costa de África francesa que se centra na liquidação dos elefantes em África.

 

Maria Afonso, da Antígona, trouxe três pequenos hinos à liberdade. O primeiro, Discurso sobre a servidão voluntária é uma afirmação de liberdade e igualdade e incita os povos a libertarem-se enquanto se mostra incompreensão por tantos conseguirem confiar o poder num só e se aliena dos líderes salvadores “É preciso libertar-mo-nos de quem nos liberta”.

Hugo Xavier começa com um dos mais recentes lançamentos da E-Primatur, Manual de Etiqueta de Vilhena. O autor terá sido capaz de captar a essência do povo português, com os seus preconceitos e tiques, que transforma numa compilação subversiva e ainda actual.

Guilhermina Gomes prossegue com uma nova edição de Mattoso num único volume, da história de Portugal dos dois primeiros séculos que se centrará mais na forma de estar da época do que propriamente nos grandes acontecimentos que estamos habituados a ver listados.

A segunda sugestão de João Rodrigues foi O Arquipélago Gulag, um dos livros mais elucidativos na forma como funcionavam os campos de concentração na antiga União Soviética onde se realça o facto de existirem quotas obrigatórias de mortes, razão pela qual quase que acabavam por ser aleatórias. Inicialmente a obra estava publicada em três volumes, mas o autor decidiu, no final da sua vida responder a uma necessidade e comprimir os três volumes, retirando algumas partes.

Antes de passar à sua escolha, Maria Afonso refere O Tchekista, outro livro que terá como tema Gulag, que se centra numa personagem que começa a ter dúvidas sobre o seu papel nesta máquina mortífera.

Em O Vestido Vermelho pai e filho começam a acusar-se mutuamente pela relação que tiveram com a falecida mãe. Quando entra em cenário a nova mulher do pai, o conflito aprofunda-se. O livro intercala cartas do jovem a si próprio (forma que a mãe aconselharia para resolver conflitos internos) com o narrador e apresenta a passagem da adolescência para a vida adulta.

Os Armários Vazios é a segunda escolha de Hugo Xavier, um gosto improvável segundo relata o editor, pois não é fã dos temas nem do estilo, mas ainda assim não consegue de ler Maria Judite de Caravalho. Escrita dura sobre a sociedade urbana e o isolamento total, temas que apresenta através das suas personagens no cenário de Lisboa.

(a partir daqui fiquei sem bateria para poder tirar notas, mais eis as restantes escolhas)

A última escolha de João Rodrigues é A Cidade dos Prodígios, que apresenta o surgir da cidade de Barcelona. O editor teria ainda trazido A Grande Arte de Rubem Fonseca e A Harpa de Ervas de Truman Capote.

A última escolha da sessão, trazida por Hugo Xavier, será um relato verdadeiro (e não encomendado) da pesca do bacalhau, em que o autor se deslocou nestas embarcações para poder escreve sobre esta dura profissão.

 

Eis mais informação sobre as restantes sessões em que pude estar presente:

Resumo de leituras – Junho de 2017 (2)

73 – O Incrível Hulk – Part 2 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti – Se o primeiro volume parecia trazer “apenas” um  bom cenário para lutas mirabolantes, este apresenta algumas variantes interessantes numa história que parecia demasiado cliché;

74 – O Grande Baro e Outras histórias – Virgilio Piñera – Conjunto de excelentes histórias com detalhes deliciosos;

75 – Babel-17 – Samuel R. Delany – Um clássico no género da ficção científica que apresenta a linguagem como capaz de influenciar conhecimento e inteligência, bem como a percepção do mundo. Uma história movimentada que apresenta detalhes culturais interessantes;

76 – Os Monstros que nos habitam – vários – A mais recente antologia da Editorial Divergência reúne histórias sobrenaturais de vários autores nacionais num conjunto que representa várias vertentes do género, desde criaturas sobrenaturais a bruxas e fenómenos inexplicáveis.

Destaque: Velvet Vol.3 – Brubaker, Epting e Breitweiser

“E se Miss Moneypenny fosse uma espia mil vezes mais perigosa que James Bond?” é uma das frases que mais tem sido utilizada para descrever Velvet, uma aparentemente inofensiva secretária que se deixa tomar por parva pelos vários agentes secretos que por ela passam. A morte de um amigo fá-la voltar ao activo, iniciando uma investigação por conta própria e é assim que se vê como alvo a abater, perseguida ao longo de vários países.

Depois de dois volumes excelentes a história chega ao final com este terceiro, publicado em Portugal pela G Floy e que estará disponível a partir de quinta-feira (29 de Junho). Abaixo deixo-vos a sinose e algumas páginas:

Todas as pistas e todos os destinos que constituem o mistério que rodeia Velvet acabam por a levar de volta aos Estados Unidos e a Washington, para o final explosivo da saga de Velvet Templeton. Por dois dos criadores de comics mais aclamados de hoje, Ed  Brubaker e Steve Epting, a dupla responsável também pela série Fatale.

A primeira grande aventura de Velvet Templeton, a secretária que era uma espia e operacional de missões secretas, chega ao fim com este terceiro volume da série. E a conclusão levará Velvet até ao topo das hierarquias do pdoer do mundo Ocidental e ao perigoso jogo das agências secretas. Quem foi que tentou incriminá-la e destruir a sua carreia e imagem, deixando um rasto de destruição no seu caminho? Descubra tudo no último volume de Velvet!

Eventos: Devoradores de Livros – Junho de 2017

A próxima tertúlia de ficção científica dos Devoradores de livros traz-nos o projecto Olisippo Obscura, que se dedica a jogos de interpretação imersiva (LARP – Live Action RolePlaying). Segundo informação na página oficial do evento, este projecto tem como finalidade a promoção do Live Action e tem contribuído para iniciar um movimento de interesse em relação a esta actividade.

 

Tarsman of Gor – John Norman

Primeiro volume de uma saga fantástica, Tarnsman of Gor apresenta um planeta de características medievais onde uma classe religiosa detém o poder e a tecnologia e os restantes vivem numa sociedade hierarquizada. Tarl, um homem que segue a carreira de professor sem grande inclinação para tal, encontra, um dia, no meio da floresta, uma carta que lhe é dirigida. Nos próximos momentos é levado, inconsciente, para o planeta de Gor, onde conhece, pela primeira vez, o pai.

No planeta de Gor é treinado como um guerreiro na cidade de Ko-ro-ba.  À semelhança das cidades estado gregas, estas cidades permanecem autónomas e rivais entre si, pelo que não é de estranhar que a primeira missão de Tarl tenha por objectivo minar outra cidade, roubando o objecto de maior poder. Nesta missão solitária acaba, também, por raptar a filha do líder, a quem se afeiçoa enquanto tenta escapar incólume pelos terrenos hostis.

Tarnsman of Gor é um livro de fantasia num cenário quase medieval, carregado de criaturas ferozes. Centrado numa única personagem, apresenta-nos um mundo onde as cidades batalham entre si e, consequentemente, existem escravos. Fora das cidades encontramos bestas enormes e aranhas tão inteligentes que comunicam, de forma perceptível, com os humanos.

Na mesma linha que histórias como John Carter, Tarnsman of Gor é um livro de aventuras cuja leitura escorre facilmente num mundo semelhante ao nosso, mas mais simples em termos de fauna e, até agora, na diversidade de culturas que possui.

Wintersmith – Terry Pratchett

Wintersmith é o 35º livro de Terry Pratchett que decorre no mundo ficcional de Discworld, um mundo em forma de disco suportado por quatro elefantes que, por sua vez, se erguem sobre uma tartaruga que deambula pelo Universo.

De tom irónico, com passagens hilariantes quer pelas situações que provoca quer pela paródia que faz de situações reais, Discworld é uma excelente série de fantasia à qual sabe bem voltar de quando em quando.

Este é um livro de tom mais juvenil e de narrativa simples que nos apresenta uma jovem bruxa de origens rurais. Curiosa e movimentada, Tiffany Aching é uma personagem apresentada em The Wee Free Men (publicado em português pela Saída de Emergência como Os Homenzinhos Livres). Desta vez a curiosidade levou-a a provocar uma catástrofe, quando dançou com o Wintersmith, assumindo na mente desta criatura a face da Deusa do Verão.

Curioso, apaixonado, o Wintersmith, desastrado e pouco seguro de si como qualquer pessoa que sente tal sentimento pela primeira vez, dedica-se a criar réplicas da imagem de Tiffany nos flocos de neve e nas janelas geladas. Se a demonstração de admiração se ficasse por aqui estaria tudo bem, mas o Wintersmith resolve mostrar o seu poder esculpindo enormes icebergs e instalando o maior Inverno de todos os tempos.

TIffany terá, assim, de arranjar forma de afastar o Wintersmith, enquanto lida com a morte de uma grande bruxa e ajuda a jovem substituta desta a aprender a vertente mais rural desta profissão.

Engraçado e leve, este volume não é dos melhores da série mas é, ainda assim, uma agradável e aconselhável leitura que se centra nas bruxas peculiares mas inteligentes e sagazes deste mundo.

Destaque: Harrow County Vol.2 – Cullen Bunn e Tyler Crook

O primeiro volume de Harrow County classificou-se como uma das melhores bandas desenhadas para o ano de 2016, tendo sido uma das obras que escolhi para falar nos Sustos às sextas, não só por se adequar ao tema, mas por explorar elementos primitivos num ambiente rural de grande familiaridade o que torna a apresentação do horror mais conhecido e próximo.

Deixo-vos a sinopse do segundo volume bem como algumas páginas:

Depois de desvendar a estranha e terrível história de Harrow County, bem como a sua bizarra ligação às suas gentes, Emmy forjou uma nova e profunda relação com as terras que a rodeiam e com as suas criaturas – mas enquanto Emmy procura aprofundar a sua relação com os seus vizinhos da vila, uma presença ao mesmo tempo familiar e sinistra reúne uma força negra com a qual irá desafiá-la…

Uma história terrível e onírica ao estilo “southern gothic”, criada pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhada e pintada pelo artista Tyler Crook.

Pétalas – Gustavo Borges e Cris Peter

Pétalas, um dos mais recentes lançamentos da Kingpin Books, traz-nos uma história tocante de sobrevivência no Inverno, em que raposas e pássaros cooperam para conseguirem superar o clima.

O pássaro é acolhido pelas raposas e, em troca, revela os seus dotes de mágico, distraindo-os durante os serões invernosos. No entanto, o duro clima fez os seus estragos e estes serões não irão durar para sempre.

Esta pequena história inspira grande simpatia pelo aspecto caricato das personagens que conseguem transmitir sentimento sem necessidade de falas e envolver o leitor recorrendo apenas às expressões faciais e ao ambiente criado com as imagens ternurentas.

Monstros que nos habitam – Vários autores

Os Monstros que nos habitam é a primeira antologia sobrenatural da Editorial Divergência. O lançamento ocorreu na maravilhosa Biblioteca de São Lázaro com apresentação pelo editor Pedro Cipriano e participação de alguns dos autores que contribuíram para o conjunto.

A antologia começa com um bom conto de elementos tradicionais de Nuno Ferreira, A Maldição de Odette Laurie, uma história de corrupção e redenção em que a população de uma aldeia ostraciza alguns dos seus habitantes por influência dos mais poderosos, mas com consequências catastróficas que irão perdurar por décadas.

Vento parado de Ângelo Teodoro traz-nos uma história de pesar pelo falecimento de alguém que se transforma numa história de fantasmas com reminiscências de acontecimentos passados.

Já em A Essência do Mal de Alexandra Torres, uma mulher fugindo de violência doméstica vê-se envolta numa maldição que irá sugar todas as suas energias, numa história envolvente e com pontos originais que se completa de forma bastante satisfatória para o leitor.

Genésis de Patrícia Morais centra-se numa jovem que pretende ser recebida como igual numa sociedade científica composta apenas por homens. As suas ambições serão postas de lado quando se confronta com os projectos megalómanos do seu antigo professor, uma personalidade pela qual tem imenso respeito e que a reconhece como uma cientista capaz. História feminista, apresenta elementos de histórias clássicas como Frankenstein ou A Ilha de Dr. Moreau.

Enquanto O Conto da Sereia de Soraia Matos nos traz uma realidade carregada de criaturas sobrenaturais onde se cruzam histórias familiares com antigas batalhas de influência, espionagem e poder, Páginas Assassinas de Carina Rosa apresenta uma história em que, um a um, vários jovens universitários vão aparecendo mortos. Mais arrepiante do que as mortes é a coincidência dos métodos com os contos que uma jovem vai escrevendo, quase em simultâneo.

Apresentando histórias bastante diferentes, representativas do que pode ser o género da Fantasia Sobrenatural, Os Monstros que nos habitam é uma das melhores antologias produzidas pela Editorial Divergência, tanto pela qualidade dos contos como pelo aspecto gráfico.

Prémios ESFS

 

Encontra-se a decorrer a Eurocon de 2017 em Dortmund, na qual foram anunciados os vencedores dos prémios ESF. E o destacado com a menção European Grand Master foi… Zoran Zivkovic! Quem segue este blogue conhece o apreço que tenho pelos livros deste autor, publicados em Portugal pela Cavalo de Ferro que, no ano passado, convidou o autor a estar presente na Feira do Livro de Lisboa.