Novidade: Indeh – Ethan Hawke e Greg Ruth

Indeh aparece no mercado português pela G Floy num registo algo diferente das usuais séries da Image, ao lado de outras novelas gráficas que esta editora tem publicado, como Afirma Pereira. Publicado em formato maior, Indeh é um volume imponente de visual cuidado e de excelente aspecto gráfico que promete uma perspectiva diferente sobre os índios Apache que foram exterminados pela ganância do homem ocidental. Eis mais detalhes sobre esta edição:

O actor Ethan Hawke concebeu inicialmente este argumento para um filme que queria fazer, que revelasse a verdade nua e crua das guerras que opuseram os colonizadores e soldados americanos aos índios Apache. Nunca conseguiu concretizar esse projecto, e decidiu então transformá-lo num romance gráfico, aliando-se ao artista Greg Ruth e à sua magnífica arte a preto e branco, criando uma narrativa potente e terrível sobre um episódio complexo e cruel da conquista do Oeste.

O ano é 1872, na nação Apache, uma região dividida por décadas de guerra. Goyahkla, um jovem guerreiro, perdeu a sua família e todos os que alguma vez amou. Mas, depois de uma visão, vai pedir ao chefe Apache Cochise que o deixe comandar um ataque contra a vila Mexicana de Azripe. Será esta manifestação feroz de coragem que irá transformar o jovem Goyahkla no famoso herói índio Gerónimo. Os índios Apache iriam combater os seus inimigos, as forças do Exército Americano, ao longo de décadas, perdendo aqueles que amavam, tentando salvar as terras dos seus antepassados e a sua cultura, até estarem reduzidos a chamarem-se a si próprios “Indeh”, ou “aqueles que estão mortos”.

INDEH captura a narrativa riquíssima de nações em guerra – contada pelos olhos de Naiches, filho do chefe Apache Cochise, e de Gerónimo, dois homens que procuraram encontrar a paz e o perdão neste conflito, e revela-nos também o tremendo custo espiritual e emocional das Guerras Apache. Fruto de investigações exaustivas, INDEH permite-nos aperceber de maneira notável as diferenças culturais, o horror da guerra, a busca pela paz, e, em última instância, a vingança, nesta grande saga. Os Apaches deixaram uma marca indelével na nossa percepção do Oeste Americano, e INDEH mostra-nos porquê.

 

 

 

 

Batman 80 Anos – Jogo Final – Scott Snyder, Greg Capullo

Este volume marca o início de uma colecção Batman, comemorativa dos 80 anos da personagem, lançada pela Levoir em parceria com o jornal Público. De visual arrasador, sombrio como dita a personagem e a cidade onde decorre a acção, Gotham, é um volume curioso, no sentido em que questiona a mortalidade de Batman e do seu mais conhecido oposto, o vilão Joker.

A história começa com um Batman lesionado, um Batman que tenta superar-se a si próprio e garantir que consegue vencer qualquer outro herói, caso este seja hipnotizado e influenciado a atacar outros heróis – um Batman que recorda a sua idade, enquanto o mordomo recupera e é auxiliado pela filha. Estão assim lançadas as sementes que opõem este aparente desgaste ao ressurgir de Joker, mais enérgico, rápido e louco do que nunca.

De origem desconhecida, Joker torna-se uma figura mítica, central e geradora de conflito. A figura que gera, consequentemente, Batman pois os opostos geram-se e desenvolvem-se numa interminável tentativa de superação. Nesta história, Joker é, também, mitológico, impregnando, com a sua essência, a cidade de Gotham e levando os seus habitantes a uma loucura de riso.

A cidade enloqueceu e Batman procura, nos locais menos prováveis, uma cura para a doença contagiante que ameaça Gotham. Batman enfrenta o passado, o seu e o de Joker, obtendo revelações obscuras, duvidosas e fascinantes, que conferem a este volume uma aura simultaneamente mística e assustadora.

Centrando-se no sentimento de desgaste, na regeneração das personagens e na longa batalha entre Batman e Joker, esta história entrega páginas fascinantes, referências a volumes anteriores e uma mitologia que justifica a aura obscura da cidade que falha em transmitir, aos seus cidadãos, um sentimento de segurança.

De narrativa intrincada, grandes batalhas, físicas e psicológicas, este primeiro volume da colecção apresenta um herói mais humano, conferindo a Joker a eternidade da decadência e da corrupção, uma constante contagiante de difícil contenção.

Novidade: Duke – Sou uma Sombra – Hermann & Yves H.

A Arte de Autor anuncia novo lançamento de banda desenhada, a tempo do Coimbra BD que se aproxima!

Odgen, Colorado, 1868. Depois do final do volume 2, Clem, o irmão de Duke, não é encontrado em lado nenhum. A diligência que transporta os 100 000 dólares, que Dke deve escoltar, rola há apenas algumas horas, quando o seu irmão reaparece, acompanhado por três bandidos. Detêm a diligência, apoderam-sedo dinheiro e fogem para um lugar que apenas Duke parece conhecer.

Nesta aventura, Duke aceita ser aquilo que é: uma sombra à espreita na noite, um predador, um assassino.

Jessica Jones – Sem Limites – Bendis, Gaydos e Hollingsworth

Este é o primeiro volume de uma das apostas da G Floy para 2019 – uma nova série de Jessica Jones que começa por nos apresentar a sua saída da cadeia. A razão da prisão desconhecemos, mas percebemos que caiu em desgraça entre os restantes heróis, restando-lhe apenas o seu trabalho enquanto detective privada. Simultaneamente, esconde a filha do pai, Luke – facto que provoca demonstrações violentas por parte deste super-herói e que leva amigos em comum a interferirem nos acontecimentos.

Jessica é, nitidamente uma figura em desgraça – mas fazendo parte dos super heróis, é procurada pelos comuns mortais quando os casos para os quais precisam de soluções especiais ou explicações pouco naturais. É o caso da sua nova cliente, cujo marido diz ser de outra realidade, uma realidade extinta onde a esposa era outra pessoa.

Paralelamente, alguém está a atacar os super heróis mais famosos e tenta incluir Jessica nessa trama, acreditando que a detective se mantém afastada dos restantes super mas que poderá proporcionar oportunidades de vulnerabilidade.

Contando com várias histórias em simultâneo que decorrem em torno da mesma personagem principal, este volume mostra uma personagem complexa que, fazendo o que é correcto, passa por vilã perante várias entidades e assume as fortes consequências de tal perspectiva.

Jessica é uma heroína peculiar – uma heroína que se afasta da luz da ribalta, uma sombra de grande importância que usa sobretudo o poder de dedução, aliado aos conhecimentos peculiares de ser uma heroína (sejam dados sobre os restantes super heróis, sejam elementos sobre as grandes batalhas ou eventos que decorrem em torno da humanidade sem que esta se aperceba.

A aura em torno de Jessica Jones é sombria. Com poucas batalhas épicas, usando sobretudo o raciocínio, Jessica Jones é uma personagem incompreendida pelas restantes que consegue afastar os que se encontram mais próximas. A combinação destes vários factores torna a história uma leitura inteligente e adulta, com algumas leituras mais subtis e uma personagem com profundidade intelectual e dimensão em termos de personalidade.

Jessica Jones foi publicado em Portugal pela G Floy.

Novidade: O Periférico – William Gibson

A meio do mês de Março a Saída de Emergência lança novo livro de ficção científica, um livro do autor William Gibson:

Num mundo dominado pelo virtual, qual é o valor da realidade?

Flynne e o seu irmão Burton vivem numa América onde os empregos que não estão relacionados com o negócio da droga são raros. Burton sobrevive com os apoios concedidos aos veteranos devido a danos neurológicos que sofreu quando fazia parte de uma equipa de elite do exército. Mas o dinheiro é sempre curto e por isso Burton faz alguns biscates a testar jogos de computador.

Certo dia, Flynne aceita substituir o irmão no teste de um novo e misterioso jogo. E a sua vida nunca mais será a mesma. Não só o ambiente do jogo parece mais realista do que qualquer outro que já experimentara, como Flynne pensa ter presenciado um homicídio. E se é apenas um jogo… porque é que agora a sua vida corre risco?

Algumas décadas depois, Wilf Netherton vive numa sociedade onde os periféricos, avatares a que os utilizadores se podem ligar, são comuns. Eles permitem viagens no tempo e no espaço, e é através de um deles que Flynne chega ao futuro em busca de respostas. Quem era a vítima? Quem era o assassino? E, mais importante, porque é ela agora um alvo a abater?

 

 

Novidade: Batman 80 Anos – Vol. 2

 

Esta semana é lançado o segundo volume da colecção comemorativa dos 80 anos do Batman, lançada pela Levoir em parceria com o jornal Público. Este segundo volume é acompanhado por um postal com a imagem oficial da celebração dos 80 anos. Eis mais informação sobre este volume:

Depois dos últimos acontecimentos a que assistimos em Jogo Final, que como o próprio título sugere esteve para ser o derradeiro capítulo do Batman de Scott Snyder e foi planeado como tal, pois essa era a história que o escritor queria contar. Uma história iniciada com a saga de A Corte das Corujas, história publicada na colecção da DC que o PÚBLICO e a Levoir publicaram em 2016 e que conclui com o derradeiro confronto entre o Batman e o seu maior inimigo.

O Comissário Gordon, ex-comissário da polícia, teve de assumir o papel do Homem-Morcego para patrulhar as ruas de Gotham envergando a nova e poderosa armadura do Cavaleiro das Trevas. Surge assim, um Batman com uma armadura cibernética e com um camião TIR a substituir o Batmóvel. Mas serão a alta tecnologia e capacidades de uma Bat-Armadura suficientes para deter o misterioso Sr. Bloom, antes dos seus planos maléficos destruírem a cidade?

Gordon dedica-se à defesa da cidade, mas importantes chefes mafiosos começam a aparecer mortos. Uma semente orgânica de alta tecnologia é a causa destas mortes, ao dissolver-se envenena a sua vítima por radiação até à morte. A única pista que o antigo comissário de polícia consegue descobrir sobre a mão por trás de tudo isso é um nome: Sr. Bloom.

Snyder criou uma história espectacular, que permitiu a Capullo desenhar armaduras, robots e cenas épicas, conseguindo uma história interessante e das mais divertidas da colecção Batman 80 Anos.

 

 

 

Y: O Último Homem – Vol. 8 – Dragões de Kimono – Vaughan, Guerra, Sudzuka e Marzán Jr.

Se já tinha achado, com o sétimo volume, que a série estava a ganhar novo fôlego, com este oitavo introduzem-se algumas novidades e exploram-se episódios passados sob novas perspectivas – o suficiente para interligar acontecimentos e dar novo sentido ao que lemos anteriormente!

Este oitavo volume leva-nos ao Japão, em busca do macaco que sobreviveu, conjuntamente com Yorick, à doença que exterminou todos os outros mamíferos masculinos. No Japão, o grupo encontra uma máfia controlada por uma doentia estrela pop que mantém o macaco preso – uma estrela pop com um ego excessivo!

Mais movimentado, com elementos mais exóticos que favorecem uma visão menos ocidentalizada deste apocalipse, este oitavo volume refresca um pouco em termos de perspectiva, de relação entre personagens, bem como em história das personagens, explorando a sua origem e a forma como chegaram à busca pelos últimos mamíferos macho do planeta!

Visualmente agradável, com algumas páginas mais elaboradas, este oitavo volume começa a preparar o final da série, apresentando algumas resoluções e pistas interessantes para a doença que causou o extermínio! Bem como para os motivos que fizeram de Yorick e do seu macaco, imunes à doença.

A série está a ser publicada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

 

Novidade: Harrow County Vol. 5 – Cullen Bunn,Tyler Crook e Carla Speed McNeil

A G Floy anuncia um novo volume da série Harrow County, uma série de banda desenhada de horror que tem surpreendido, sucessivamente, pela positiva:

O Abandonado, aquela figura enorme, ameaçadora, com os seus olhos amarelos e inquietantes, raramente sai da sua cabana escondida nas profundezas dos bosques do Condado de Harrow. Mas não foi sempre assim. E, quando um grupo de caçadores forasteiros chega a Harrow County em busca de caça grossa, vão encontrar algo muito para além do que imaginavam. E Emmy vai continuar a conhecer mais visitantes vindos do exterior, e a descobrir mais segredos do seu passado e das suas raízes, no volume que marca o início da recta final da série.

Este volume reúne os números #17-20 de Harrow County, o estranho e inquietante conto de fadas southern gothic, criado pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhado e pintado pelo artista Tyler Crook.

A artista convidada neste volume, Carla Speed McNeil (que já anteriormente tinha participado na série) é bem conhecida dos meios da banda desenhada mais indy nos Estados Unidos. A sua série Finder é considerada uma das mais originais e inovadores séries de ficção-científica dos comics, uma série que ela começou por auto-editar, antes de encontrar um lugar e uma edição integral na Dark Horse. McNeil já foi nomeada para inúmeros prémios Eisner, e venceu o Russ Manning Award (que distingue um artista em início de carreira) e vários Ignatz Awards (que distinguem edições de autor e pequenas editoras). Em 2011 venceu também o prestigiado Los Angeles Times Book Prize, que distingue o melhor livro do ano (neste caso, na categoria de Melhor Romance Gráfico, para o seu livro Finder: Voice).

 

Cullen Bunn é um autor de comics americanos, bem conhecido pelas histórias que escreveu para a Marvel, em particular as suas mini-séries de Deadpool (cujo primeiro volume a G.Floy já editou). É também um conhecido romancista de histórias de terror, e autor de inúmeras séries de comics independentes. Tyler Crook trabalhou durante anos na indústria de videojogos, até ao lançamento, em 2011, de Petrograd, uma novela gráfica escrita por Phillip Gelatt, que marcou a sua estreia na BD. Crook venceu também um Russ Manning Award, um prémio atribuído durante os Eisners, e que premeia o trabalho de um estreante no mundo da BD.

Originalmente prevista para seis volumes, o sucesso da série levou a que fosse prolongada para um total de oito. O volume 5 inclui também um extenso dossier sobre o processo de colorização da série pelos coloristas deste volume, Jenn Manley Lee e o próprio Tyler Crook.

 

Arkwright – Allen M. Steele

Arkwright é uma Space Opera de exploração do espaço, com viagens espaciais e  colonização de outros planetas ao longo de várias gerações – mas o que distingue Arkwright é ser isto tudo, mas decorrer, sobretudo, na Terra.

A história começa com um autor de ficção científica – um autor que começa a escrever enquanto jovem e que consegue o feito de ser um dos autores mais conhecidos e reconhecidos do género! Uma lenda com uma série bestseller que move milhares de fãs por todo o mundo! Aquando da sua morte cabe à neta descobrir a peculiar história familiar que envolve os grandes amigos do avô que mal conheceu, bem como descobrir os planos do avô para a imensa fortuna que deixa a uma  associação com o seu nome – construir uma nave espacial que permita, à humanidade, colonizar outro planeta!

Vamos, assim, assistindo ao desenvolvimento da associação, ao longo de várias gerações, que permite que tal objectivo seja necessário. Realizam-se grandes investimentos em empresas que desenvolvem tecnologias que poderão vir a ser importantes na capacitação de tal naves, ou participa-se em campanhas políticas que possam facilitar a aprovação de determinadas leis – as formas de agir da associação são várias e tendo como objectivo um único objectivo.

Após algumas gerações a construção da nave é tecnológica e economicamente possível, levando a que várias gerações se unam com este único objectivo. Seguem-se as manifestações de fundamentalistas religiosos, bem como uma grande exposição à imprensa. Nada que não seja inesperado. Mas o que é interessante neste empreendimento é percebemos a forma como se resolvem alguns problemas da exploração espacial – é difícil o transporte de humanos pela galáxia, bem como garantir que são viáveis no planeta destino, tanto por conta da atmosfera como da diferente gravidade ou geografia.

Como resolver estes problemas? Transportar apenas óvulos e esperma que serão usados para, no destino, produzir os próximos seres humanos. Mas tal não resolve possíveis problemas de adaptação mas… a engenharia genética já se encontra suficientemente avançada para tal ser uma possibilidade a ter em conta.

Imagem retirada da página oficial do autor

Gostei da forma científica como resolvem a colonização de outros planetas e, sobretudo, da última parte em que nos mostram o mundo resultante. Neste, achei peculiarmente interessante como o autor mostra a tendência para o surgir de mitos e de religiosidade, levando a comunidades fechadas em ideias e em avanços tecnológicos.

Mas nem tudo é bom neste livro. Ao longo de várias páginas vamos conhecendo superficialmente cada uma das gerações, mas só o suficiente para justificar o próximo casamento e a produção da descendência. A forma como as pessoas se conhecem e acabam por se relacionar, dado o excessivo foco no momento, aparece praticamente descontextualizado  e, consequentemente, forçado.

Ainda, geração após geração, décadas após décadas, os relacionamentos heterosexuais são constantes e clássicos, tradicionais na forma como se quebram casamentos, com homens a fugir de casa com a amante, ou representando as mulheres como neuróticas e psicologicamente instáveis. As mulheres abdicam constantemente das carreiras e apaixonam-se pela segurança máscula dos quase desconhecidos, mesmo que não consigam ter grandes conversas com eles.

Em tom de conclusão, é uma leitura bastante interessante, com elementos bastante engraçados na forma como retrata o autor de ficção científica que sonhou com a exploração de outros planetas pela humanidade, ou na forma como retrata o fandom, as guerras entre estilos de autores e o mundo da publicação. As soluções encontradas para a concretização do objectivo também são bastante diferentes das tradicionais, mais terra à terra do que é usual e traçando um caminho de possibilidades interessante. A civilização que se formou noutro planeta adquire, também, aspectos interessantes que retomam o interesse na leitura. Diria que, com todos estes elementos positivos, é pena que o autor não tenha trabalhado de melhor forma a sucessão entre gerações e os relacionamentos entre personagens.

Injection – Vol. 3 – Ellis, Shalvey e Bellaire

Se o primeiro volume apresenta várias vertentes desta realidade semi futurista, semi apocalíptica e semi distópica, e o segundo volume apresenta um lado mais racional, calculista e lógico das investigações em torno da I.A., o terceiro alterna com um tom mais movimentado e agressivo, dando força a toda a componente fabulástica que já me tinha fascinado no primeiro volume.

Neste volume o cenário desloca-se para a Cornuália, mais especificamente nas imediações de um círculo de pedra descoberto há pouco tempo – um momento onde também é descoberto um corpo recente, e que desperta atenção suficiente para que a uma das pessoas da equipa que construiu a I.A. se desloque ao local.

O cenário não desilude e, entre personagens suspeitas, fechadas e desconfiadas, encontramos muito mais do que seria de esperar num local de importância arqueológica, revelando-se fortes elementos sobrenaturais que provocam estranhos e horripilantes cenários.

Este terceiro volume possui bastante mais acção e menos introspecção do que o segundo, colocando fortes elementos sobrenaturais e misturando-os com as fábulas célticas, tal como tinhamos visto rapidamente no primeiro. A I.A. criada pelos humanos tem uma forma muito distinta de pensar e continua a tentar alargar-se para outras realidades, construindo-as ou alterando-as – é uma força com lógica própria que pode ser intuída pelos seus criadores, mas não prevista, o que lhe confere uma aura de inquietação e horror.

Este volume possui uma história estanque, dando pistas para a história global que tem sido exposta ao longo destes três volumes – ainda estao a ser expostas as peças do puzzle, peças que vão sendo mostradas de ângulos bastante diferentes e que seguem as perspectivas peculiares de cada investigador que contribuíu para a construção da inteligência artificial.

O Último Homem – Vol. 7- Bonecas de Papel – Vaughan, Guerra, Sudzuka e Marzán Jr.

Se tinha achado que, nalguns volumes intermédios, a história se tinha tornado mais morna e desinteressante, este volume traz novo fôlego à série (conjuntamente com o oitavo que li entretanto), explorando alguns acontecimentos passados das personagens, bem como fazendo a ligação com alguns episódios já lidos que ganham novo sentido. A série continua com o bom visual que lhe é característico, elemento que é realçado pela edição portuguesa em relação à original (da qual tenho alguns volumes, e que foram impressos em papel de má qualidade).

Neste sétimo volume Yorick chega, finalmente, à Austrália, continente em que pensa que se encontra a noiva que procura desde o evento apocalíptico. As pistas que possui permitem-lhe perceber que o caminho de ambos os levou para locais opostos, mas nem assim perde a esperança de a voltar a encontrar.

Entretanto, a existência de Yorick é um rumor que se alastra lentamente e que uma jornalista ambiciosa se compromete a descobrir, seguindo indicações que a levam a Yorick – o último homem do planeta. A jornalista tomará todas as decisoes erradas para tentar conseguir um furo jornalístico!

Paralelamente, Beth, a irmã de Yorick vai ter com Beth, a mulher com quem Yorick se terá deitado num dos volumes anteriores, e ambas serão obrigadas a enfrentar uma seita religiosa que procura um Papa para fazer renascer a Igreja Católica.

Carregado de acção, a série continua a surpreender na forma como apresenta um mundo sem homens, um mundo onde as mulheres não hesitam em pegar em armas e realizar todos os feitos violentos e impulsivos que normalmente são atribuídos ao lado masculino da humanidade.

A série está a ser lançada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Novidade: Nova Colecção Batman 80 anos – Detalhes colecção e primeiro volume

No seguimento dos 80 anos do super herói Batman, a Levoir publica, em parceria com o jornal Público, uma nova colecção! Abaixo encontram mais detalhes sobre o conteúdo da colecção, como informação do primeiro volume que será lançado já no dia 21 de Fevereiro:

1.- Jogo Final – Scott Snyder e Greg Capullo (21 de fevereiro)
2.- Peso Pesado – Scott Snyder e Greg Capullo (28 de fevereiro)
3.- Bloom -Scott Snyder e Greg Capullo (7 de março)
4.- Gothtópia – John Layman e Jason Fabok (14 de março)
5.- Noel: Um Conto de Natal – Lee Bermejo (21 de março)
6.- Ícaro – Francis Manapul e Brian Buccellato (28 de março)
7.- Black & White: Os melhores contos noir – Richard Corben, Matt Wagner, Katshuiro Otomo (4 de abril)
8.- O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar parte 1– Frank Miller (11 de abril)
9.- O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar parte 2 – Frank Miller (18 de abril)
10.- Antologia Batman: 80 Anos de Aventuras – Tom King, Paul Dini, Len Wayne, Neal Adams (25 de abril)

 

Scott Snyder e Greg Capullo são dois dos nomes mais falados da DC Comics desde o início dos Novos 52. Snyder iniciou a sua carreira como escritor de terror, mas daí até se tornar um dos maiores escritores dos comics americanos deste século, foi um instante. Na sua etapa com o Batman, Snyder conta com a arte de Greg Capullo, desenhador, cuja carreira está sobretudo associada à sua colaboração com Todd McFarlane na série Spawn, durante perto de vinte anos. Capullo revelou-se um dos melhores desenhadores do Batman deste século, adaptando o seu estilo às necessidades da personagem e influenciando a própria narração de SnyderEm Jogo Final, o Joker está de volta, mas desta vez o maior inimigo do Batman não está a rir. No encontro anterior, o Cavaleiro das Trevas não esteve à altura dos planos do Príncipe Palhaço do Crime, e agora o vilão não está para brincadeiras. Os jogos acabaram. Todas as cartas estão na mesa. E no confronto mais intenso já visto entre eles, nada mais será sagrado para o Joker… a família do Homem-Morcego, os seus amigos e aliados, a sua casa. Ninguém está a salvo. Batman e Joker enfrentam-se, cada um deles representando uma força primordial da natureza: a Justiça contra o Caos. O Bem contra o Mal. O sombrio contra a gargalhada. Mas ambos são eternos.Este é um comic aterrador que marcou uma época dourada para o personagem. Joker é possivelmente o melhor vilão que existiu em toda a história, não só dos comics, mas também da literatura universal.

 

 

Resumo de Leituras: Fevereiro de 2019 (2)

13 – Y: O Último Homem – Vol. 7 – Bonecas de Papel – Yorick chega finalmente à Austrália e descobre pistas da sua namorada – mas esta há muito que deixou o continente e foi para Paris. Paralelamente, uma jornalista tenta divulgar a existência de Yorick e não olha a fins para o fazer;

14 – Injection – Vol.3 – Ellis, Shalvey e Bellaire – Um local histórico torna-se o cenário de um horrendo crime revelando-se, também, um local de grandes forças sobrenaturais. Se, no volume anterior, se tinha investido na lógica para perceber a IA, neste volume seguem-se caminhos menos óbvios mas mais macabros;

15 – Jessica Jones – Vol.1 – Sem Limites – Bendis, Gaydos e Hollingsworth – A heroína sai da prisão e é envolvida por uma organização que pretende acabar com os super heróis – precisando, para tal, de Jessica para conhecer os seus segredos;

16 – Y: O Último Homem – Vol. 8 – Dragões de Kimono – Neste oitavo volume a busca pelo macaco capuchinho de Yorick leva-os ao Japão, onde encontram uma máfia conduzida por uma cantora pop americana!

Novidade: Tony Chu – Vol. 10 – Galo de Cabidela

 

A série mais nojentamene divertida chega ao décimo volume no mercado português, denominado Galo de Cabidela! Sobre este volume deixo-vos a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora (G Floy):

Tony Chu, o agente federal cibopata capaz de obter impressões psíquicas daquilo que come, vai enfrentar o seu maior desafio. O confronto final com o monstro que matou a irmã dele. Que desfigurou os seus colegas. E que agora ameaça a sua filha. Para sobreviver a esta batalha, Tony vai precisar da ajuda do maior agente secreto que alguma vez viveu… Poyo! O problema? Poyo está desaparecido, e presume-se que esteja morto…

O novo arco de história de Tony CHU, a série best-seller do New York Times, aproxima-nos rapidamente do final da série (serão 12 volumes), com a sua combinação improvável (e um pouco parva, seremos os primeiros a admiti-lo) de detectives, bandidos, canibais, clarividentes, cozinheiros e homens biónicos.

 

Os crimes dos viúvos negros – Isaac Asimov

O famoso autor de ficção científica escreveu, também, algumas histórias no género policial. Neste volume reúnem-se aquelas que decorrem com os Viúvos Negros, um clube de homens que não permite, nos seus serões, mulheres. Cada membro vai organizando um serão diferente, podendo convidar alguém que possa suscitar interesse – mas ao longo dos serões aqui relatados os convidados apresentam crimes para os quais não tinham solução, mas que o empregado de mesa do clube resolve com astúcia e humildade após o questionamento dos membros do clube.

A maioria dos crimes são menores – tentar perceber o que foi roubado (sendo que alguma coisa foi, mas não se sabe o quê), pequenas charadas que o empregado de mesa resolve através da dedução. Após a discussão acesa entre os vários membros do clube para explorarem todas as alternativas, aquela que não foi discutida é, provavelmente, a mais certa.

Sem chegar ao patamar do extraordinária, esta colecção de pequenos contos consegue manter o interesse do leitor, sendo um género de investigação criminal sem elementos mais pesados como corpos ou explosões de sangue, onde os enigmas são astutos e interessantes.

Esta volume foi publicado em Portugal pela Ulisseia.

Injection Vol. 2 – Warren Ellis, Sharlvey e Bellaire

Após uma rápida introdução das várias linhas narrativas e das várias personagens do primeiro volume, este segundo apresenta-se mais coeso, seguindo quase sempre uma única linha em torno do detective Vivek Headland, mas, ainda assim, conseguindo avançar com alguns elementos das restantes personagens.

Neste volume o detective é confrontado com um caso mais estranho do que lhe é usual – o de um homem que se diz visitado pelo fantasma da amante, pelo menos até há poucos dias, e que acha que esta ausência do fantasma estará relacionado com o roubo de uma foto. O homem está pouco preocupado ou pesaroso com a morte do filho, pensando apenas na ausência da amante. Se este facto é estranho por si só, durante a reunião com o homem, o detective descobre que o presunto que está na sua sandes não é de porco, mas de humano.

Este curto encontro irá ser o ponto de partida para todo o volume que alterna entre episódios de acção e momentos de raciocínio que explicam um pouco mais sobre o que se passa na realidade retratada – uma inteligência artificial foi libertada. E se se trata de uma inteligência artificial porque pensaria ou valorizaria um ser humano? Capaz de distorcer a realidade e de interagir com humanos, a inteligência artificial confere elementos sobrenaturais e fantásticos à narrativa – e extrema tecnologia a parecer magia aos olhos humanos, ou algo mais?

Injection mistura misticismo com tecnologia produzindo uma inteligência artificial que é, à percepção humana, alienígena. Esta inteligência aprende e desenvolve-se sem uma moral que possamos reconhecer, manipulando os seres humanos e a realidade que os rodeia. Este cruzamento de elementos sobrenaturais e místicos com a tecnologia resulta em cenários fantasticamente horrendos (explorados mais no primeiro volume) que conferem uma aura estranha e fascinante à história.

Em termos narrativos este volume centra-se mais na investigação mas fornece, ocasionalmente, cenas passadas de algumas personagens, mostrando as suas motivações e desejos – percebemos a origem do relacionamento de algumas e justifica-se a forma como se relacionam. Mais pausado que o primeiro volume, este segundo é mais coeso mas, simultaneamente, mais inquietante.

Esta é, sem dúvida, uma série para continuar a ler, apesar do espaçamento com que os volumes são lançados.

Rascunhos na Voz Online – Bruno Caetano

A principal ocupação de Bruno Caetano é em Stop Motion (animação) mas é conhecido no mundo da banda desenhada pela Comic Heart, através da qual participa na edição, publicação e divulgação de banda desenhada!  O programa está disponível em formato podcast na Mixcloud!

 

Novidade: Seafire – Natalie C. Parker

A Topseller lança nova obra fantástica este mês! Desta vez trata-se do primeiro volume de uma trilogia pirata direccionada para jovens adultos (YA) que tem tido algum sucesso no mercado anglosaxónico:

Nunca subestimes uma mulher.
Especialmente se for uma pirata.

No mar alto, em quem confias? Nas tuas irmãs.

Depois de as famílias de Caledonia e Pisces serem brutalmente assassinadas, as duas raparigas fazem um pacto de sangue. Juntas, perseguirão Aric Althair, senhor da guerra e responsável por estas mortes, até conseguirem a vingança.

Quando o teu navio fraqueja, em quem confias? Nas tuas irmãs.

Corajosas e determinadas, Caledonia e Pisces constroem e equipam o seu próprio navio, o Mors Navis, tripulado apenas por raparigas. Caledonia comanda estas irmãs dedicadas à mesma causa. Juntas percorrem os mares com um só objetivo: acabar de vez com a violência e maldade de Althair e da sua frota de mercenários.

No meio de fogo cerrado, em quem confias? Nas tuas irmãs.

Mas, durante um confronto, quando um dos homens de Althair salva a vida de Pisces, é revelado um segredo inesperado. O rapaz garante que o irmão de Caledonia está vivo e afirma conhecer o seu paradeiro. Será um truque? Será verdade? Estará Caledonia disposta a descobrir?

Resumo de Leituras: Fevereiro de 2018 (1)

 

9 – Ms. Marvel – Vol. 2 – G. Wollow Vwilson e Adrian Alphona – Neste segundo volume de Ms. Marvel a heroína continua a distinguir-se pela sua diferente ascendência e pelas batalhas que escolhe, reparando no desaparecimento de elementos da sociedade que ninguém se preocupa em investigar. Com elementos divertidos e leves, é uma banda desenhada interessante, com alguma acção;

10 – Circe – Madeline Miller – A autora pega em Circe e romantiza a vida desta divindade, tornando-a numa personagem com dimensão, em que os elementos que a caracterizam são justificados, dando noção de coerência entre os vários mitos em que aparece;

11 – Injection Vol.2 – Warren Ellis, Sharlvey e Bellaire – O segundo volume centra-se na investigação de duas mortes para apresentar uma outra perspectiva sobre a peculiar Inteligência Artificial que tem uma forma própria de aprender e de manipular os seres humanos. A história possui detalhes grotescos (como seria de esperar de Warren Ellis), de horror fantástico e de ficção científica, numa mistura inquietante;

12 – Os crimes dos viúvos negros – Isaac Asimov – O famoso autor de ficção científica escreveu, também, algumas histórias no género de crime. Neste volume reúnem-se aquelas que decorrem com os Viúvos Negros, um clube de homens que não permite, nos seus serões, mulheres. Cada membro vai organizando um serão diferente, podendo convidar alguém que possa suscitar interesse – mas ao longo dos serões aqui relatados os convidados apresentam crimes para os quais não tinham solução, mas que o empregado de mesa do clube resolve com astúcia e humildade após o questionamento dos membros do clube.

Novidade: Y – O Último Homem – Vol.7

A Levoir continua, em parceria com o jornal Público, a publicação da série Y – O último homem, com o lançamento dos volumes sete e oito, nos dias 07 e 14 de Fevereiro! Deixo-vos já os detalhes do sétimo volume:

Em “Bonecas de Papel”, título do 7º volume da colecção, o jovem Brown chega finalmente à Austrália, país onde a sua namorada Beth, está perdida desde a praga que matou todos os homens há mais de três anos. Mas esta partiu para Paris à procura dele.

Yorick, a Agente 355 e a bioquímica Allison Mann continuam à procura de Ampersand – o outro mamífero do sexo masculino sobrevivente e peça-chave para uma possível cura para a praga. O macaco foi sequestrado por uma misteriosa ninja e o seu rasto vai até o Japão.

A repórter de um jornal sensacionalista investiga sobre a sobrevivência de algum homem à praga. Até agora, tudo se resume a uma grande colecção de boatos, até que ela consegue descobrir Yorick obrigando-o a despir-se e fazendo-lhe fotos que publica. Temendo que a divulgação dessa notícia atraia a atenção e gere muitos conflitos e problemas, a agente 355 caça a repórter, procurando destruir a fotografia custe o que custar.

Mais uma vez Brian K. Vaughan põe o leitor a questionar-se. Qual é a extensão do poder da imprensa? Quais os reais interesses por trás da publicação de uma notícia? A verdade deve sempre vir a público ou há situações em que é melhor manter o sigilo? A necessidade justifica a censura?

A história não propõe nenhuma resposta, apenas inspira as perguntas. E a resolução para o problema das fotos de Yorick é tão simples quanto surpreendente.

O nível constante de qualidade dos textos e desenhos fazem de Y – O Último Homem uma das melhores séries publicadas tendo ganho 3 Prémios Eisner.