Realçado em vários sites, nomeado para alguns prémios, pretendia conhecer alguma coisa de Charles Stross ainda este ano. Talvez pelas altas expectativas, não apreciei tanto Accelerando como esperava. A premissa é impressionante e até esplêndida, mas o desenrolar pareceu-me inconstante, e o final tornou-se insatisfatório.

A acção divide-se entre as duas gerações de uma família – Manfred Macz e Amber Macz. Manfred é um génio que descobre sucessivamente esquemas económicos que resultam no enriquecimento dos que o rodeiam, revolucionando o modelo económico actual. Num Mundo dominado pela tecnologia em que começa a ser possível o upload das mentes, Manfred ajuda um conjunto de lagostas a escapar ao domínio cibernético humano. Casado com Pamela, demasiado controladora e dominadora, acaba por se divorciar antes de saber que tem uma filha com ela – Amber. Estes são os factos mais importantes da vida de Manfred que irão ter consequências imprevisíveis no desenvolvimento da espécie humana.

Amber Macz, por sua vez, é uma criança precoce com implantes cibernéticos desde os três anos. Talvez por essa razão, Pamela está decidida a dar-lhe uma educação demasiado tradicional. Será o excessivo  e claustrofobiante controlo de que fará Amber contactar o pai de modo a fugir. Amber acaba por viver diversas vidas – a maioria das quais em Mundos Virtuais onde se encontra clonada ou reproduzida. Num desses mundos torna-se a rainha e instaura uma sociedade de parecenças medievais. É nesta realidade que entra em contacto com inteligências extraterrestres que pretendem estabelecer trocas comerciais duvidosas. Fora do Mundo Virtual, Amber vive uma realidade mais enfadonha mas que acabará por se interligar com a realidade das suas restantes personalidades.

No final, ficou-me a impressão de uma ideia original que se desgasta na transicção entre os bons momentos e as partes dolorosamente chatas que pretendemos ver passar depressa.