Last Dragon, o primeiro livro de McDermott, não é uma convencional obra de Fantasia, nem em história, nem em estrutura.

Zhan, já velha e com dificuldades em discernir a ordem de algumas memórias, narra os acontecimentos, através de pequenos relatos, desfasados no tempo e no espaço – talvez cartas a um amante há muito ausente.

Zhan nasceu numa pequena aldeia do Norte, tendo o futuro traçado como guerreira. Antes de tomar os votos uma tragédia muda o seu destino – a sua família é assassinada pelo avô. Zhan, parte então com o tio, Seth, shaman da aldeia, para fazer justiça.

A perseguição leva-os a uma grande cidade do Sul, onde se separam um do outro. Zhan procura então Seth pelas ruas, encontrando sustento através do pouco trabalho que arranja – a sua pele branca destaca-a da população de cor de canela. Finalmente, talvez por acaso, conhece Adel, uma senhora poderosa e rica, que a ajuda a encontrar Seth, que tem agora uma amante cigana.

Com a ajuda de Adel conseguem ter acesso às cortes, onde se encontra o avô. Zhan mata-o, mas Seth transforma-o num golem, em rápida decomposição, para que este os ajude a encontrar o caminho de retorno pelas montanhas – com um exército a dirigir-se para Norte, Zhan e Seth pretendem avisar as vilas de onde provém, da eminente invasão.

Por detrás dos relatos de Zhan, existe uma trama política que influencia os acontecimentos – Adel assistiu à morte do último dragão, a quem servia, e agora é uma persona non grata na corte; a cidade, mais evoluída que as aldeias a Sul, está em decadência assim como o seu poder. Com o dinheiro e os meios de Adel, Zhan e Seth conseguem fazer justiça e seguir pelas montanhas.

Intercalando os relatos de Zhan, existem os de outras personagens, o que nos ajuda a ter uma visão diferente de alguns acontecimentos e a avaliar de forma diferente alguns dos intervenientes da história – a amante cigana de Seth é algo mais do que humana; o mercenário que os acompanha foi, quando jovem, um agricultor; Adel foi uma guerreira.

Este é um Mundo violento, em que existe magia – não a magia dos magos, mas a dos feiticeiros de aldeia. Original, apresenta-nos uma estrutura narrativa diferente do que estava habituada, constituindo um puzzle cujas peças só unimos no final, quando os acontecimentos convergem e conseguimos obter a ordem cronológica dos relatos.

Um livro diferente de fantasia, ainda que não maravilhoso.