Já deram por vocês a  ler um livro pela premissa?

Na realidade, o que me fez pegar no livro foi a capa. Ainda que num ecrã de computador não pareça nada de espectacular, ao vivo, o alto relevo da tinta preta destaca-se da capa azul clara e branca, criando um contraste atraente.

Depois li a sinopse, que me recordou a premissa de vários livros de Haruki Murakami, Ray Bradbury ou Roadl Dahl: num determinado local ocorrem vários estranhos fenómenos que poucos questionam. Neste caso, entre pequeno gado voador, uma alta frequência de animais albinos e anémonas que brilham no oceano; os pés de Ida transformam-se lentamente em vidro.

Ida procura uma cura, pistas para descobrir que doença será esta que lhe torna os pés pesados e cristalinos. Procura mais especificamente Henry, um homem que terá conhecido antes e lhe terá falado de homens transformados em vidro.  Deambulando cautelosamente pela floresta, Ida conhece Midas, um tímido e jovem fotógrafo que ficará obsecado em fotografar o aspecto monocromático e frágil de Ida.

Ainda que possua vários elementos fantásticos, a história não possui a estranheza da prosa dos autores referidos anteriormente, e a semelhança fica-se pelo peculiar encontro de fenómenos típicos do local onde decorre a acção. É, em suma, um romance, uma pequena história de amor, um desenrolar de encontros e desencontros ao longo dos anos, que com o encontro de Ida e Midas são conhecidos e percebidos.

O livro não é mau, mas também não é excepcional – simples e de leitura rápida, mas com interessantes elementos surreais e personagens peculiares que parecem subaproveitadas no cenário onde se encontram.