Lusitânia Número 2 (Novembro 2013)

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A leitura tarda, mas não fica esquecida – decorrido bastante mais de um ano depois do lançamento, eis que finalmente leio o segundo volume da Lusitânia que se destaca por conter um dos contos Steampunk de João Barreiros – O Coração é um Predador Solitário. Mas já lá chegamos.

A pequena colectânea inicia-se com A sereia de Cacilhas de Carolina Vargas, um conto engraçado sobre um homem solitário que vive apenas para os cacilheiros nos quais trabalha, esquivando-se ao convívio com os colegas. O seu dia-a-dia é perturbado quando salva uma sereia, com a qual se habitua a partilhar diariamente o jantar. Bem escrito, de ambiente melancólico, possui um final abrupto e inesperado para o qual não somos preparados. Uma boa abertura.

Em A Carta de Pedro Cipriano conhecemos um Portugal no futuro, distópico, caracterizado pela pobreza e racionamento da guerra, em que os poucos habitantes que restam tentam sobreviver com o pouco que têm. O dia é cortado com a chegada de uma misteriosa carta, que sabemos auspiciadora de desgraça, mas cujo verdadeiro significado desconhecemos até ao final. Uma boa história caracterizada pelo sentimento lusitânico, com uma premissa que gostaria de ver explorada noutras histórias.

A Fonte dos Grifos de Inês Montenegro é uma história fantástica caracterizada pelo poder do destino. Centrando-se num estudante universitário que, chegando ao ensino superior, sucumbe às farras e noitadas, possui a eterna sombra dos grifos que, materializando o espírito estudantil, seguem o jovem. Assombrado, arrasta-se pelas cadeiras do curso, sem proveito.

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O Indicador de Deus de Margarida Mendes é uma muito pequena história de tom poético que pouco faz o meu estilo. Recorrendo à figura distante do diabo, torna-se demasiado vaga em acção, e apesar de bem escrito, torna-se esquecível.

Segue-se O Teu Semblante Pálido de João Franco, uma história passada no interior português, em torno de um jovem casal que deambula frequentemente pelos montes. Passeios despreocupados até encontrarem, um dia, um estranho velhote acompanhado por um cão agressivo. Aqui tudo muda. Um conto envolvente de final trágico.

O último conto é o de João Barreiros, O Coração é um Predador Solitário, uma história Steampunk caracterizada pela exploração das águas portuguesas, em busca de restos tecnológicos, em que uma pequena empresa familiar tenta concorrer com uma gigante companhia internacional. Esqueçam os finais felizes e alegres, tal como nas profundezas o ambiente é pesado e a esperança é esmagada pela dura realidade. não deixando espaço para falsas perspectivas futuras. Como sempre um excelente conto.

Apesar de a qualidade não ser constante entre todos os contos, é uma boa colectânea, de onde destacaria as histórias de João Barreiros (claro), de Pedro Cipriano e de João Franco. Para os interessados, a Lusitânia encontra-se disponível gratuitamente AQUI.

2 pensamentos sobre “Lusitânia Número 2 (Novembro 2013)

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