On a red station, drifting – Aliette de Bodard

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A Eurocon de Barcelona 2016 ainda está longe de ocorrer, mas perto o suficiente para que me tenha decidido a ler algumas das obras dos convidados. No caso de Aliette de Bodard, comecei por Scatterd Among Strange Worlds, um conjunto de duas histórias que, não me tendo fascinado, apreciei. Entretanto a curiosidade para o último livro da autora também anda a ser bastante estimulada nos últimos tempos mas, enquanto não sai, peguei nesta novela peculiar.

Sim. A capa é estranha. Então se olharem para a da versão de capa dura, assustam-se. Mas vamos ao conteúdo. A história decorre no mesmo Universo que Scatterd Along the Rivers of Heaven – um império intergaláctico de origem asiática em que os seres humanos habitam vários planetas bem como estações espaciais, e usam implantes neuronais com as consciências dos seus sábios antepassados.

A história inicia-se quando Linh, a governadora de um planeta, se vê exilada numa estação espacial por o seu mundo ter sido conquistado por bárbaros. A estação na qual se exilou encontra-se carregada de familiares distantes que a recebem como é seu dever, mas com o ressentimento devido aos que se tornaram importantes fora do núcleo familiar a quem pedem asilo de mãos a abanar.

on a red station drifting

Apesar das elevadas capacidades administrativas de Linh, é-lhe concedido um papel irrisório como explicadora das duas jovens raparigas da família que pouco dela precisam. A humilhação dificulta o relacionamento com a chefe da família, a familiar pouco instruída que gere a estação espacial e devagar trilha-se o caminho para a desgraça.

É óbvio que muito me escapou nesta história – as subtilezas de relacionamento de uma sociedade asiática não são fáceis de perceber e decerto outras leituras poderiam ser feitas à história, que será uma versão futurística do clássico A Dream of Red Mansions de Cao Xueqin, que entretanto adicionei à lista de desejos.

Sem grande acção explícita, explora os ressentimentos e conflitos familiares, com uma base tecnológica interessante – a estação espacial é automatizada por um computador que contem a base de uma mente humana (e por esse motivo a capacidade de perceber alguns sentimentos e acontecimentos) e os implantes permitem comunicar com uma versão simplificada dos antepassados que constantemente aconselham e concedem o seu extenso conhecimento – uma herança preciosa.

Apesar de pouco movimentado torna-se uma história interessante e diferente das habituais exactamente pela subtileza das acções e das palavras, que se conjuga com um uso quase tradicional da tecnologia.

2 pensamentos sobre “On a red station, drifting – Aliette de Bodard

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