What dreams may come – Richard Matheson

what dreams

Eis uma leitura estranha, um livro bastante diferente de outras histórias mais conhecidas do autor, como I Am Legend, que quase parece querer passar por real, ou por retratar a realidade, mas não aquela que conhecemos no dia-a-dia, antes aquela que nos espera depois da morte.

Como a maioria das histórias que se centram na morte de alguém e na realidade após a morte, esta acompanha um homem que, tendo sofrido um acidente, pensa estar num sonho (ou num pesadelo). Quando finalmente percebe a razão pela qual consegue ver os entes queridos mas não interagir com eles,  consegue ultrapassar a ligação à Terra e ascender a um plano mental superior.

A este novo plano acompanha-o um familiar há muito falecido que lhe explica a nova realidade – um local infinito onde as crenças de cada um se materializam, concedendo a todos o auspiciado espaço. Aqui tudo se constrói com a mente e desaparece apenas se não for usado ou necessário. É um espaço que permite o contínuo aperfeiçoamento mental, uma continuidade da vida terrena que permite, às mentes menos apegadas à sua fechada versão de paraíso, infinitas possibilidades.

Bem, então e a noção de Inferno? Também existe, sendo criado, por exemplo, por pessoas que, não crendo na sua própria morte, não conseguem ascender, afundando-se em si próprias, ou que, tendo sido responsáveis por actos horrendos, perpetuam esses pensamentos criando buracos negros mentais de sofrimento e horrores em níveis superiores de percepção pós-morte.

Como se encaixa a descrição do Inferno no resto da história? Bem, claro que para a nossa personagem principal nem tudo poderia ser simples. A esposa, sua alma gémea, desesperada, suicida-se. Este acto leva-a a um dos mais baixos círculos de percepção, de onde o marido a tentar resgatar.

De escassa história, debruça-se na descrição de todas as nuances da teoria interessante e unificadora de todas as crenças humanas, com uma estranha racionalidade que pretende justificar todas as versões para a vida além da morte. Não sendo esta temática o meu género favorito de leitura, ficou-me a sensação de uma história com passagens interessantes, mas que se alonga demasiado nas descrições, esforçando-se por justificar a racionalidade do que descreve.

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