O céu é dos violentos – Flannery O’Connor

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Esta é a história de quatro homens da mesma família, ecos de facetas distintas uns dos outros, que carregarão consigo toda uma história familiar na qual não participaram, mas da qual sofrem as consequências.

Francis Tarwater é um jovem que vive com o seu tio-avô, carregando consigo a culpa da suposta galderice da mãe. Sem pais, é criado pelo velhote que apresenta aquele misto entre demência profética e crença cristã fechada que o leva a afastar-se da civilização e a acreditar que detém todo o conhecimento necessário e correcto.

Rayber, tio do rapaz, terá acolhido o velhote (seu tio) durante uns breves momentos. Mas como resposta à convivência na infância com a extensa religiosidade, é agora um intelectual ateu que estuda as mentes e publica um artigo científico sobre o velhote. É este artigo que causa da ruptura entre ambos e irá provocar os acontecimentos catastróficos, inevitáveis.

O tio-avô relembra com rancor os tempos que passou com Rayber descarregando em Francis toda a força da religiosidade tornada superstição e mito, interligada com factos históricos e sabedoria real, numa confusa amálgama de conhecimentos surreais.

O jovem Francis é levado a prometer enterrar o velhote no dia da sua morte, mas quando chega a hora, a tarefa é demasiado pesada e termina-a pegando fogo a tudo. Assim se livra das demais obrigações e se encaminha para a cidade, procurando conhecer e compreender Rayber.

Se o rapaz é demasiado crescido para mudar o seu impregnado e duvidoso sistema de crenças, o tio é demasiado inflexível na compreensão e integração do jovem. Apesar de tentarem conviver, é quase impossível a paz – e é sobre o filho de Rayber, um menino demasiado simples para compreender o que o rodeia, que todas estas contradições serão catapultadas.

A história é de leitura curiosa. Espelha medos e crenças de quem se rodeia de ignorância e confusão mental, integra receios humanos e desenvolve-se de maneira catastrófica (previsível, mas não menos chocante) perante a incompreensão de semelhantes que tudo teriam para se unir.

Um pensamento sobre “O céu é dos violentos – Flannery O’Connor

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