Conheci este livro numa sessão de Recordar os Esquecidos, tendo sido referido por Tiago Salazar como uma sugestão do tio como um autor controverso. Apesar de se tratar de uma peça de teatro, rendi-me à indicação de que a cena, ao passar-se no céu, apresenta vários seres etéreos, querubins, anjos, Deus, Jesus, Maria e claro, o Diabo. Não há, decerto, melhor descrição do que aquela que a livraria Pó dos livros nos apresenta, mas deixo também a minha, menos eloquente.
Deus é apresentado como um homem velhote, cansado e quase demente, com acessos de raiva onde desliga qualquer senso, e doente. Já Maria aparenta ser uma mulher vaidosa de falsa humildade, que contrasta com Jesus, uma personagem oca que ecoa tudo o que ouve. A única personagem lúcida e inteligente é o Diabo.
A restante acção passa-se no final do século XV, em Nápoles, onde reina a depravação no mandato do Papa Bórgia. Será por causa desta depravação que Deus encomenda aos restantes um plano para castigar a humanidade. O que arranja o Diabo? Sífilis.
De caricaturas cómicas, este pequeno livro de leitura rápida e leve, está carregada de cenas irónicas onde, para além dos diálogos, são as descrições do cenário e dos pequenos acontecimentos que dão cor à cena. Eis uma leitura engraçada e recomendável, mesmo para os que, como eu, não costumam ler texto sob a forma de Teatro.

