O Negócio dos livros – André Schiffrin

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O Negócio dos livros é mais uma história pessoal de André Schiffrin na edição e publicação de livros do que propriamente um manual expondo os grandes grupos, ainda que dedique bastantes páginas a explicar como as decisões estão a cargo de pessoas que dos livros nem as capas conhecem e que por isso não têm uma percepção real do produto sobre o qual decidem.

Como editor da Pantheon teve oportunidade de lançar livros marcantes do ponto de vista ideológico e intelectual, livros que, não sendo vencedores de vendas nas primeiras semanas, constituíam uma fonte de receitas constante a médio e longo prazo por conterem ideias revolucionárias. E nesta apresentação de livros essenciais senti-me como uma criança – tanta coisa que não conheço, que nunca li e que nunca ouvi falar.

Bem, voltemos à edição. Esta manutenção de obras de referência, que era o grande trunfo das editoras para se manterem e irem patrocinando livros menos populares , tem sido esmagada por um modelo de negócio agressivo que assenta em grandes despesas em publicidade e pagamentos milionários a alguns autores, já para não falar em mordomias aos altos cargos. Com este volume de despesas, a máquina da publicação passa a requerer a criação de best sellers rápidos que depressa serão esquecidos. Sem orçamento para manter em armazém a diversidade de publicações em catálogo, há que inundar as livrarias de forma a escoar o produto.

Expondo a sua história ao longo dos anos que passou a editar livros, André Schiffrin relata também a evolução dos editores e pessoas envolvidas no negócio de livros. Se antes estes se reuniam em casa, ou em parcos escritórios em zonas modestas da cidade, as grandes editoras optam por manter instalações luxuosas e dispendiosas, enquanto pagam milhões aos que conseguem manter esta esmagadora máquina de fazer e consumir dinheiro. Não interessam os livros que geram vendas regulares e estabilidade, mas lançamentos rápidos que acabam por gerar nos novos editores ansiedades compensadas por elevados ordenados.

Todo este discurso remete, indirectamente, para os modelos de negócio mais actuais em que o risco do investimento é direccionado para terceiros de forma a garantir os ordenados milionários dos poucos exploradores que detém o negócio. Afinal, serão estes negócios pouco lucrativos, ou será uma questão de prioridade nas despesas, impingindo despesas supérfluas que visam criar uma imagem de fachada?

Em Portugal este livro foi publicado pela Letra Livre.

6 pensamentos sobre “O Negócio dos livros – André Schiffrin

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