Chernobyl – Bustos e Sánchez

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A maioria dos relatos distantes de grandes eventos apresenta uma perspectiva alargada, histórica e pejada de factos. Sem desconsideração por uma perspectiva mais completa, gostei que Chernobyl se aproximasse, começando por nos apresentar uma rotina quase normal, e o dia-a-dia antes do acidente.

A história começa com um casal de velhotes que regressa ao local onde viveu, calmamente, trazendo poucos pertences e dedicando-se desde logo a trabalhar a terra. À primeira vista a sua vivência tem pouco de estranho – não fosse assombrada melancolicamente por pequenas referências à possibilidade de serem expulsos.

Este retorno silencioso é confrontado com a decadência da natureza mas os hábitos são difíceis de largar e o casal prefere permanecer naquele local assombrado mas conhecido.

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O segundo episódio apresenta-nos uma família típica de Pripyat em que o pai, como a maioria dos homens daquela cidade, trabalha na central nuclear. Após momentos de normalidade e descontracção acompanhamos a quebra da rotina familiar, sem que percebam o que terá ocorrido. Fala-se de um problema na central e evacuam-se as famílias, deixando para trás os homens que lá trabalham. Para trás ficam, também, os animais de estimação e quase tudo o que possuem pois é-lhes dito que a ausência será curta.

Apresentando uma perspectiva mais próxima, a impressão que fica é a de que a dimensão do acidente não foi percepcionada por quem vivia nas imediações, e que os sinais (óbvios para quem, como o leitor os espera) foram encarados quase com normalidade.

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Ainda que não seja uma das melhores bandas desenhadas que li ultimamente, gostei de Chernobyl. Sem grande solidez narrativa destaca-se por nos trazer uma visão muito humana, próxima e quase inocente dos acontecimentos, destacando-se pelos detalhes que viriam a marcar os que foram directamente prejudicados pelo acidente.

Em Portugal Chernobyl foi publicado pela Levoir em parceria com o Público como volume da colecção Novela Gráfica, lançado no 30º aniversário do maior acidente nuclear – Chernobyl.

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