
Há muitos anos (15? 20? ) quando li a famosa série fantástica da Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon, voltei a acordar para as sagas arturianas, seguindo-se as séries de Bernard Cornwell, Rosalind Miles e Stephen Lawhead. Na ausência de lançamentos de ficção científica, vieram as sagas arturianas e, nesse seguimento, as séries histórias como Primeiro Homem de Roma de Colleen McCullough.
Mas, afinal, o que tinha a saga de Marion Zimmer Bradley para me trazer para o lado das séries fantásticas naquela época? Para além da componente sexual óbvia (a adolescência traz destas coisas) o facto de ter fortes personagens femininas foi, decerto, um factor importante para lhe pegar. Aliás, ainda que não tenha encontrado esta componente noutras sagas arturianas, continuei a torcer pela Morgana (ou Morgan ou Morgaine ou… ), fascinada pela dualidade com que a mesma figura feminina era considerada ora uma bruxa ciumenta e maléfica, ora um ser qual fada, inteligente e mal compreendido. Independentemente da versão, não era, nunca, uma personagem de papel, submissa, sem vontade própria.
Sim, passados estes anos todos, eu sei que a autora está envolvida em vários escândalos horrendos que lançam uma visão totalmente diferente sobre a serie fantástica. Na época, a internet não era uma realidade a que tivesse acesso e, ao menos, livrou-me de associações estranhas à serie. Nem estou de acordo com uma visão que opõe de forma tão absoluta os géneros mas, na época, e comparando com as restantes leituras que tinha feito até então, foi refrescante.

Bem, voltando ao que interessa. Poucos anos depois de ter lido As Brumas de Avalon, foi lançado este pequeno livro que apresentava um preço demasiado elevado para o tempo de diversão que iria proporcionar. Foi só recentemente, num alfarrabista, por tuta e meia que me decidi a adquiri-lo. O que encontrei foi uma história fantástica de cenário medieval onde as personagens principais são mulheres poderosas e os poucos homens que aparecem são idiotas cegos que se acreditam dominantes por serem incapazes de ver as mulheres por outras coisas que não objectos.
A descrição de mulher poderosa aplica-se logo à personagem principal, um poderoso feiticeiro que afinal é feiticeira, que esconde o género por conta de uma maldição. Chamado ao castelo para servir o rei, depara-se com uma atmosfera impregnada de magia maléfica cuja fonte não consegue identificar. Para descobrir o que está a acontecer conta com o apoio de uma antiga amiga, uma fabricante de velas que usa a magia de criaturas de fogo para realizar o seu trabalho.
Com dragões disfarçados de mulheres, mulheres encantadas contra a sua própria vontade, maldições dispersas que nem saias (acho que todas as personagens femininas tinham algum encantamento) este pequeno livro conta uma história bem disposta onde as mulheres são inteligentes, poderosas e ardilosas. Eis uma leitura engraçada que possui algumas características diferentes se considerarmos que se trata de uma fantasia em cenário medieval.

Quase pareces eu em termos de leitura.
Com a diferença que eu estou do “lado oposto da barricada” em termos de sexo 🙂
LOL 😛 qual barricada? tenho de ir buscar uma bazuca e ninguém me informou? bolas…
Não fazia a mínima ideia de que escândalos falava… totalmente inesperada esta revelação.