Symmetry – Vol.1 – Matt Hawkins e Raffaele Ienco

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O mundo é perfeito. A nova ordem em que os seres humanos permanecem ligados a computadores que controlam níveis hormonais e emocionais parece a concretização de uma utopia, sonhadora e quase inocente na forma como padroniza o desenvolvimento intelectual e emocional de todos os  habitantes.

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A consciência artificial a que cada um está ligado controla a saúde mental e física, bem como, indirectamente, a maioria das decisões. Os seres humanos habituaram-se a depender dela para seguir o caminho mais correcto e não imaginam uma realidade diferente, em que estejam sozinho.

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Este éden perfeito onde reina a harmonia e a boa disposição desvanece-se para um pequeno grupo que, numa excursão, sofre um acidente que desliga toda a tecnologia, incluindo as inteligências artificiais. Sem este efeito externo que mantinha o controlo das emoções, confrontados com seres humanos de outras raças que se encontram na mesma situação e com o mundo selvagem, a incerteza transforma-se em medo e rapidamente escala para a violência entre os poucos sobreviventes. Bem, nem em todos. Um rapaz torna-se amigo de uma rapariga de outro grupo e, juntos, conseguem sobreviver.

Ultrapassada a exposição a uma existência sem ligação a uma inteligência artificial, os sobreviventes terão de conseguir manter-se vivos quando regressarem às suas civilizações isoladas – o que lhes aconteceu torna-os elementos corrompidos, inutilizáveis para a sociedade.

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Com um brilho e uma iluminação excessivos que tornam a imagem muito artificial mas também futurista e distante, Symmetry utiliza o conceito recorrente da sociedade quase perfeita, atingida pela eliminação das diferenças, pelo estabelecimento de padrões comuns a todos os seus habitantes e pela estabilidade de transformar o ser humano numa quase máquina, aproximando-o da inteligência artificial.

Ao seguir este mesmo conceito de sociedade quase perfeita apresenta-nos o outro lado da moeda, o preço por detrás da perfeição, o quão se afastam os seres da humanidade para conseguirem atingir esta estabilidade utópica de contornos infantis na condescendência com que são levados ao colo e quase transformados em elementos decorativos de uma realidade.

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Ao utilizar um conceito tão comum na ficção científica e no duo utopia / distopia, Symmetry ainda não conseguiu provar, neste primeiro volume, que tem uma história capaz de justificar a reciclagem da ideia. Com algumas páginas interessantes do ponto de vista gráfico, faltam-lhe, neste momento, perspectivas e complexidade para o conseguir classificar como tendo uma boa história mas é provável que leia o segundo volume para perceber se vale a pena continuar.

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